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Incirlik

por Nuno Castelo-Branco, em 20.07.16

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 Que Israel possui uma enorme e ilegal quantidade de armamento nuclear, esse é um segredo tão bem guardado como a inclinação da Torre de Pisa. Nas imediações não existe qualquer outra potência nuclear a não ser o Paquistão, muito mais a leste e que perigosamenteas obteve graças ao beneplácito do nosso aliado americano. Seguir-se-á o Irão, disso já não existe a menor dúvida.  


O que era praticamente ignorado pela grande maioria da opinião pública europeia, é a já muito antiga presença de armas nucleares na base americana de Incirlik, ponto essencial de apoio a operações naquela parte do mundo, sejam elas para manter uma vigilância apertada sobre Tartus - uma das três bases com denominadas task forces que os russos mantêm fora das suas fronteiras -, seja para o cada vez mais disparatado apoio a "forças combatentes" no teatro de operações sírio, inclusivamente alguns movimentos que como a Frente al-Nusra são declaradamente anti-ocidentais e muito retintamente suspeitos de parcerias com um Estado Islâmico misteriosamente equipado com armamento alegadamente capturado no Iraque. Nada é por acaso.

Quando da resolução da Crise dos Mísseis de Cuba, Kennedy terá concedido a Kruschev a retirada dos correspondentes americanos plantados na Turquia, no então flanco sul da União Soviética. Foi este um acordo informal e jamais cumprido, uma concessão que salvou a face dos dirigentes do Kremlin, uma troca-por-troca que as superpotências perante o resto do mundo assumiram até à implosão da URSS. Caído o regime comunista vitimado pela sua própria prepotência - nesta se incluindo a desastrosa intervenção no Afeganistão -, vertiginoso despesismo militar, miséria material extensiva a toda a população que não era membro do Partido, procedeu-se a um refluxo das fronteiras controladas pelos russos: saída da Polónia, Checoslováquia, Roménia, Hungria, Bulgária e extinta RDA do Pacto de Varsóvia, ditando o fim do mesmo.

A Rússia regressou aos tempos em que a sua presença territorial se limitava grosso modo ao traçado anterior ao reinado de Catarina II, a Grande, a alemã Sofia de Anhal-Zerbst que tomou a maior parte da Ucrânia, toda a Bielorrússia, a Lituânia e mais uns tantos territórios no Cáucaso. Permaneceu em actividade  a Base de Tartus (Síria) e como apoio logístico a Base de Cam Ranh que já servira a marinha americana no Vietname. As restantes, todas elas situadas em territórios outrora componentes da União Soviética, contam-se pelos dedos  de duas mãos e mesmo estas são de vários tipos: as que se encontram na Arménia, Geórgia e Moldávia, contam com forças de intervenção de dimensão apreciável, enquanto as outras contêm essencialmente centros de comunicações e radar. Sebastopol é um caso diferente, pois regressou ao controlo directo de Moscovo e o ocidente deveria estar preparado para reconhecê-lo. 

O que sucedeu após o fim do regime soviético? Não só foi o território da RDA incluído no dispositivo militar da NATO - e a Alemanha, procurando dissipar os naturais receios russos, procedeu a um rápido e infeliz desarmamento -, como rapidamente se verificou que os antigos componentes do Pacto de Varsóvia, incluindo os Países Bálticos, foram admitidos um após outro na Aliança Atlântica. Os russos talvez esperassem a criação de uma zona tampão que fosse de Narva a Odessa, mas as expectativas saíram-lhes goradas pelos factos. Um gratutito insulto acompanhado pelo ostensivo desprezo pela psicose de cerco que o Kremlin experimenta uma vez mais. Isto teve claras implicações na forma como as autoridades russas passaram a olhar para ocidente - melhor dizendo, para os EUA -, situação ainda mais premente quando este procedeu a uma política de massive basing nas imediações da Rússia. Neste âmbito, a Turquia era uma peça anterior ao colapso da URSS e por isso, a situação não era para o Kremlin novidade alguma. A Ucrânia é, queiramos ou não, um terreno vedado à NATO. 

Algo se passou desde 1991 e não valerá a pena desfiarmos o trágico rosário que é bem conhecido pelos crentes de qualquer missa televisionada até à exaustão. Todos fomos regular e insistentemente enganados nas expectativas e isso causou o ultraje nas mentes de uma imensidão de partidários da Aliança Atlântica. Há humilhações que não se esquecem ou perdoam e esta é uma delas.

Sem sequer considerarmos a hipótese de uma miraculosa conversão russa aos genéricos padrões que vigoram na Europa ocidental ou nos EUA, o massive basing acompanhado pelas catastróficas intervenções no Iraque, Líbia e mais actualmente na Síria, provocaram o gradual aumento da tensão desde o Báltico até ao Golfo Pérsico. O factor determinante que diferencia a liderança russa? Goste-se ou não da personalidade, esta chama-se Putin.

As comicamente denominadas primaveras árabes que de Tunes a Bagdade derrotaram todos os autoritários regimes laicos que tinham nascido após a descolonização, conduziram a Europa a um beco em que ainda hoje se encontra, ainda por cima agravado pela clara subversão interna, esta muito diferente de outras ocorridas nos anos sessenta e setenta, de cariz meramente político. O islamismo definitivamente passou a radical bandeira política eivada de messianismo, esta é a realidade que deveremos em definitivo entender. As responsabilidades são várias e devem ser partilhadas. Do que ninguém tem necessidade, é do acirrar de qualquer situação que possa provocar outros casos de escalada de violência militar na qual a Europa será o alvo que agora se encontra totalmente indefeso. Os países europeus estão mercê daqueles que internamente provocam os tumultos com dizeres "politicamente correctos" e mediaticamente da moda e por outros factores externos e totalmente incontroláveis por Paris, Londres e Berlim: despejar em descarado suborno, montões de dinheiro em mãos tão ou ainda mais corruptas como as dos doadores, é má política. Péssima! 

A ser verdade - e é mesmo -, o que ainda estão dezenas de perigosas armas nucleares a fazer na Turquia? Com que fim se justifica a sua presença naquele país que, há que dizê-lo sem rebuços, não é de mínima confiança relativamente àquilo que julgamos ser o padrão político, social e militar ocidental? Este exército turco que na distraída opinião pública europeia passa no teste porque parece ser alegadamente laico, é sem dúvida corruptíssimo e as acusações de roubo, nepotismo, auxílio a terroristas do E.I. que genericamente são feitas a Erdogan e ao seu partido, apenas são possíveis devido à colaboração das autoridades militares que com mão de ferro controlam as fronteiras turcas. É um exército oriental, muçulmano, com isso carregando toda a tralha que a gloriosa história lhe confere. No actual contexto, essas armas nucleares não estão seguras, encontrando-se à mercê de um qualquer golpe de mão.

Quem autorizou os nossos aliados - supondo-se que a Base de Incirlik pertence ao dispositivo da NATO - a ali manter armamento daquele tipo?  

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publicado às 10:50

Estranho...

por Nuno Castelo-Branco, em 16.07.16

 

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O golpe de ontem deixou no éter alguns sentimentos desencontrados, entre uma boa dose de optimismo pela possível queda de Erdogan que apesar de eleito não engana seja quem for e um certo temor pelo regresso dos militares ao poder numa zona muito instável, tendo nós forçosamente ainda a considerar, as consequências do acto em si.

Vejamos então o que as primeiras 24 horas nos deram:

1. Um presidente que felizmente se mantém despreocupadamente a passear num avião em todo o espaço aéreo turco durante horas a fio e em permanente contacto popular através da internet que execra e tem combatido com denodo.

 

2. Militares que são tão incompetentes que nem sequer lhes terá passado pelos esboços de golpe a captura de Erdogan durante o sono no palácio presidencial, estivesse ele a ressonar em Ancara, Constantinopla ou Antália. Nisso, os seus colegas egípcios bateram-nos aos pontos, capturando e em três tempos engaiolando Morsi.

Consequência imediata? Um reviver em plena Constantinopla, de cenas que ocorreram aquando da desastrosa queda da cidade imperial em 1453 e bem próprias de outras imagens que os media ocidentais ostensivamente censuram, referentes às mais moderadas façanhas do até agora aliado de Erdogan - não esquecer os seus até agora bem conhecidos sponsors estrangeiros -, o Estado Islâmico: estão aqui.

Divulguem-nas imediatamente. 

 

3. O vergonhoso linchamento de soldados que se renderam, com pelo menos uma decapitação confirmada. No rescaldo do "golpe", verificou-se o linchamento em plena via pública e alegadamente perpetrado por "populares furiosos". Onde é que já vimos isto?

 

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4. O anúncio-sugestão de uma próxima restauração da pena de morte, decerto para ser aplicada a posteriori nas pessoas daqueles que ontem incorreram no alegado erro. Por outras palavras, legisla-se e depois aplica-se retroactivamente. Democrático e aceitável, dirão alguns.

 

5. O anúncio do saneamento de milhares de militares em termos de limpeza geral - após um alegado golpe, compreende-se, não é? - e o que se torna estranhíssimo, de milhares de juízes - cerca de 2745, pelo menos é o que anunciam -, procuradores, etc. Enfim, o súbito, oportuno e lampeiro desaparecer de cena daqueles que impedem a tomada do poder total por parte de Erdogan e respectiva entourage da mesquita azul.

6. Fui livremente eleito!, dirá ele. Foi, é verdade e por isso mesmo decidiu fazer encaminhar a Turquia para uma situação que nem muito remotamente se parecerá com aquela que constitucionalmente ainda existe. De facto, tudo indica que o kemalismo finalmente foi liquidado no espaço de umas horas. Eles são islamitas e atreitos a vinganças de gerações. Fica assim resolvida a questão do fait accompli que um dia Attatürk ousou colocar ao Sultão-Califa. 

7. Derrotado na Síria, onde foi desmascarado por Putin, saltando à vista a escandalosa cumplicidade com o Estado Islâmico. Derrotado na luta da propaganda que deu a conhecer ao mundo o fornecimento de armas e o livre negócio do petróleo roubado no Iraque e na Síria pelos islamitas do chamado "daesh", nome amável - sobretudo nos órgãos de comunicação social franceses, sempre muito aflitos com a sua catastrófica situação interna - que esconde a designação Estado islâmico. Derrotado economicamente em casa, devido às contra-medidas russas que privaram os cofres turcos de um caudal de dinheiro propiciado pelos turistas que ocupavam boa parte dos hotéis do Mar Negro. Erdogan tinha de fazer alguma coisa e isto pode ser bem a consequência visível, aproveitando os rumores de preparação de um golpe gizado "ailleurs" e em consequência conduzindo as coisas em seu proveito.  Pelo que se vê, conseguiu e agora pode livremente preparar o "render da guarda", não tendo já de se preocupar com aparências que amofinassem os europeus.

Veremos qual será a evolução nos próximos tempos, mas não nos custa nada imaginar que neste momento Erdogan estará ancho, tão inchado e vaidoso como Hitler terá estado após a Noite das Facas Longas. 

De uma coisa podemos estar certos. Poderão fazer, barafustar, choramingar e dizer tudo o que quiserem em Bruxelas, mas a opinião pública ocidental tem agora um excelente e imperdível pretexto para se opor à adesão turca à U.E. - apresentando-lhes o argumento do "Estado de Direito, as liberdades e democracias" e outros blablabla constantes nos papiros linguarudamente desenrolados em todos os telejornais -, mesmo que esta apenas compreendesse a Trácia Oriental que com Constantinopla deveria a Turquia ter perdido no rescaldo da I Guerra Mundial. Não fosse aquele também "estranho caso russo", a situação geopolítica seria hoje bem diferente. 

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publicado às 23:26

Comprovado conluio entre ISIS e Turquia

por Pedro Quartin Graça, em 25.03.16

 

Este  é um documentário bastante elucidativo da RT que põe a nú a "verdade oficial" de Ancara e demonstra a "economia negra" que existe entre os terroristas islamitas e a Turquia. A entrada desta última na União Europeia seria, pois, a oficialização da entrada da raposa no galinheiro e lança seriíssimas dúvidas sobre a colaboração financeira da UE com os turcos.

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publicado às 12:17

A UE e as vinhas da ira dos refugiados

por John Wolf, em 08.03.16

 

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 Antes pagavam para arrancar vinhas. Agora pagam para plantar refugiados. Da CEE à UE - uma breve história.

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publicado às 09:38

Uma porta nada sublime...

por Nuno Castelo-Branco, em 21.03.14

...foi franqueada pelo incensado senhor Erdogan. Farto de ver o seu nome enlameado pela catadupa de alegações em torno de assuntos bastante turvos, já se esqueceu daquilo que durante anos tentou fazer passar como verdade insofismável: o seu movimento islamita era coisa talhada "à imagem dos democrata-cristãos europeus". Por outras palavras, ali teríamos uma tardia imitação de Adenauer, De Gasperi, ou, dadas as suspeições que se avolumam acerca de intuitos de expansão da influência regional, um Helmuth Kohl. 

 

Tudo tem servido para justificar a apresentação da candidatura turca à U.E. Há uns anos, Kadhafi dizia que a Turquia seria o Cavalo de Tróia muçulmano na Europa, mas para a gente com as circunvoluções cerebrais minadas por cifrões, taxas cambiais, empreendedorismo, "liberdade de circulação de pessoas e bens" e outros argumentos a que nos habituámos, o Sr. Erdogan representa "a legítima herança do Império Romano do Oriente".  Está-se mesmo a ver. Os problemas nas margens do Mar Negro continuarão durante mais algum tempo e a ninguém estranhará uma coordenação turco-americana naquela região, coisa já bastante visível no norte da Síria. Quanto à Europa, há quem pouco se interesse com o médio prazo, pois o que importa é o mercado, o bazar.

 

Já podemos imaginá-lo a emular o grande sultão Mehmet II, entrando a cavalo em Santa Sofia. Para adequar a imagem aos nossos dias, a Erdogan bastaria chegar de Mercedes ao Reichstag, fazendo substituir a águia pelo crescente na tricolor alemã. Coisa impossível, claro.

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publicado às 09:49

O senhor Erdogan...

por Nuno Castelo-Branco, em 19.06.13

...já não está para contemplações de qualquer espécie. Vai atacar as "redes sociais", leia-se, a internet e as comunicações móveis.

 

"Os protestos continuam na Turquia, com focos de resistência a surgirem em várias cidades - a polícia de choque acabou com os protestos em Gezi e Taksim usando gás lacrimogénio - o Governo de Erdogan anunciou que vai comprar mais equipamento deste  –, balas de borracha, canhões de água, bastonadas e pontapés; quatro pessoas morreram e 7500 ficaram feridas." Se assim continuar, pode estar Erdogan certo de um dia destes deparar com "peixe-espada" à mesa do Conselho de Ministros.


Imaginem uma União Europeia com um membro deste género. É este, o homem que se diz "muçulmano ao estilo dos democratas cristãos europeus". 

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publicado às 17:17

A receita de Recep

por Nuno Castelo-Branco, em 18.06.13

 

Erdogan actua e desculpa-se com a extrema-esquerda. Sem que a Europa disso aparente aperceber-se, algo está a acontecer na Turquia, procedendo-se à silenciosa remoção de quadros da administração publica por gente dos meios religiosos. Diplomatas, polícias e quadros das forças armadas têm sido discretamente substituídos por nomes da sua confiança do partido islâmico. Já existem claros indícios de imposição de costumes e em público as demonstrações de afecto são acerbamente criticadas, chegando-se ao ponto da sua proibição.

 

A sra. Erdogan no seu conhecido arranjo facial ao estilo "dor de dentes"

 

A Turquia está rapidamente a caminhar para o fim da separação do Estado e da mesquita, daí a fúria de Erdogan no seu apoio aos islamitas sírios e a mensagem que fez passar durante o seu recente périplo pelo norte de África. Numa sociedade urbana há muito habituada à ocidentalização - mesmo que forçada pelo capricho de Khemal -, a visão da sra. Erdogan passeando em público entrapada dos pés à cabeça, é bem um dos símbolos da razão dos protestos.

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publicado às 10:56

Moderado ao "estilo democrata-cristão"

por Nuno Castelo-Branco, em 17.06.13

 

O senhor Erdogan tem andado a espalhar brasas por todo o Médio Oriente. Desde os barcos carregados de indignados a caminho de Israel, até ao tudo por tudo para arranjar uma guerra com os sírios, o soit-disant "islamita moderado ao estilo dos democratas-cristão europeus", vê agora a sua lanuda carpete turca pegar fogo. O homem que até há uns dias vociferava pelos excessos do "crack down" perpetrado por Assad, agora ameaça com o mesmo. Em conformidade faz discursos inacreditáveis e manda a polícia atacar. Resta-nos saber se as forças armadas estarão pelos ajustes durante muito mais tempo.

 

Bela surpresa, não haja dúvida. Repimpadamente aguardemos pelo evoluir da situação. 

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publicado às 09:00

Há lá?

por Nuno Castelo-Branco, em 14.06.13

Muita fézada, pouca esperança e nada de caridade. Este Erdogan tem mostrado ser aquela peça que apenas os muito distraídos não esperariam encontrar debaixo do verniz. Qual partido islâmico à medida dos demo-cristãos europeus, qual quê...

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publicado às 23:17

Portugal de Quatro

por Felipe de Araujo Ribeiro, em 01.06.13

O Digníssimo, Excelso e Venerával Presidente da República Portuguesa, Dr. Aníbal Cavaco Silva, diz que “a entrada da Turquia na União Europeia - que, como é sabido, Portugal sempre defendeu - enriquecerá a Europa com a sabedoria milenar de um povo com uma longa História”

 

Desconheço esse Portugal em nome do qual Vossa Excelência fala, Senhor Presidente. O Portugal real é representado pelo Senhor Dom Duarte, Rei de Portugal, coroa da sabedoria milenar de um povo com uma longa História.

 

O Digníssimo, Excelso e Venerával Presidente da República Portuguesa, Dr. Aníbal Cavaco Silva, voltou a elogiar o papel que a Turquia tem desempenhado em favor da estabilidade, segurança e paz, bem com o seu contributo para a resolução de "questões tão complexas e tão dramáticas, como a que se vive actualmente na Síria".

 

Desconheço esses conceitos de estabilidade, segurança e paz dos quais Vossa Excelência fala, senhor Presidente. Desconfio também, Senhor Presidente, que Vossa Excelência desconheça a situação que se vive actualmente na Síria. Sobressai sobremaneira a sua manifesta ignorância, particularmente quando comparada com a dignidade da posição do Senhor Dom Duarte, Rei de Portugal, que foi a única figura pública de relevo neste país que teve a inteligência e a coragem de impôr a razão à barbárie e mover esforços no sentido de promover a verdadeira estabilidade, segurança e paz na Síria.

 

Atrevo-me por vezes a imaginar quão diferente seria a nossa política externa se sob o comando de um Chefe de Estado digno da memória desta nação.

 

O Digníssimo, Excelso e Venerával Presidente da República Portuguesa, Dr. Aníbal Cavaco Silva, convidou os empresários e os investidores turcos a olharem para Portugal como um estado-membro da União Europeia que lhes pode oferecer um ambiente favorável aos seus negócios e excelentes oportunidades de investimento e cuja proximidade linguística e cultural com países como o Brasil, Angola e Moçambique constitui, além disso, um activo particularmente importante em matéria de cooperação triangular.

 

Conheço bem demais esse Portugal estado-membro. Um verme institucional de olhar mendigo e mão estendida. Ora que seja então a porta de entrada na União Europeia para os Turcos, já que somos o tapete estendido que é espezinhado por toda a sorte de bandidos e rufias; já que somos tubo de ensaio para as mais aberrantes experiências da engenharia social. Sejamos, sim, porta de entrada na União Europeia para os Turcos. Toda a honra e toda a glória!

 

E sejamos ainda a ponte para o Brasil, Angola e Moçambique. É que depois daquela brilhante decisão de tribalizar a nossa língua, até já falamos praticamente o mesmo dialecto!

 

Desde que, de forma vergonhosa, abandonámos as nossas províncias ultramarinas, que lhes temos as costas viradas. Mas agora, propõe o Digníssimo senhor Presidente, devemos oferecer aos ilustres empresários turcos o serviço de mordomia que lhes abre respeitosamente as portas de Angola. Bestial, senhor Presidente!

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publicado às 16:57

A crise europeia. Dois países: a Grécia e Portugal (1)

por Nuno Castelo-Branco, em 18.08.12

 

O título do post, resume o conteúdo. Obcecados alguns dos Estados europeus com as suas astronómicas dívidas, correm sérios rumores que parecem garantir a existência de um chamado Plano B para a sobrevivência do Euro. Num artigo (ver abaixo, na íntegra), The Economist longamente apresenta os dois cenários possíveis, entre os quais uma expulsão em massa satisfaria as necessidades imediatas dos países do chamado núcleo duro da moeda única. Persistindo no erro que tem varrido a Europa na última década, a leitura do artigo apenas nos apresenta aspectos relacionados com a dívida e finanças, pouco falando de economia e totalmente ignorando aquele aspecto fundamental e hoje em dia inatingível pelas cúpulas dirigentes europeias: a política.

 

Para o que mais nos importa de imediato, apresentemos então dois casos bastante distintos como a Grécia e Portugal. Não nos referindo especificamente às agruras e misérias da dívida, salientamos então os ignorados aspectos políticos que a situação geográfica destes dois Estados implicam. 

 

1. A Grécia.

A situação parece ser insolúvel e de quase certeiro vaticinar de falência do todo. Por mais planos e cabazes de dinheiro vertidos nos cofres de Atenas, o resultado parece ser aquele que todos há muito adivinharam. Os gregos não percebem a austeridade, não a aceitam, nem estão dispostos a deixar para trás os sonhos de telenovela dos últimos vinte e cinco anos. Simplesmente, as condições políticas da Grécia impelem à rejeição de qualquer modelo de austeridade e a Europa deveria ter em conta o conturbado século passado, onde uma guerra civil por quase todos os estrangeiros esquecida ou minimizada, serve ainda como pano de fundo ao confronto das várias famílias políticas daquele país balcânico. Para agravar a situação, a ascensão turca e o incontido desejo do restaurar de uma hegemonia perdida, coloca a Grécia numa posição central na luta pelo domínio regional. Sendo um membro da NATO , o país dos helenos foi ao longo das décadas da Guerra Fria, um dos pilares do controlo ocidental - leia-se norte-americano - do acesso russo ao Mediterrâneo e Médio Oriente, garantindo uma longa hegemonia da Aliança Atlântica e aquele indisfarçável sentimento de cerco de que o poderosamente armado regime soviético de forma inglória se queixava. 


A situação é hoje muito diferente e os recentes acontecimentos no Norte de África e no Médio Oriente, aconselhariam um repensar da estratégia norte-americana, aparentemente encantada com a fortaleza turca que por mais imaginação que possamos ter, é abertamente detestada por todos os vizinhos. Oa americanos fazem girar o seu pensamento em torno de negócios imediatos relacionados com a especulação e a garantia do acesso à energia e matérias primas. Não se prendem aqueles vizinhos rancores, com os aspectos da mais recente evolução interna da Turquia, mas de facto, tal se deve à própria origem e estabelecimento do Estado turco às portas da Europa. Assim sendo, é uma antiga história que tem 1453 como convencional marco e que depois conheceria outras etapas que trouxeram a bandeira vermelha com o crescente branco até às portas de Viena e às Colunas de Hércules. Em suma, quinhentos anos deixaram profundas recordações de humilhações, prepotência e rivalidades que bastas vezes se traduziram em conflitos militares.

Bem ao contrário dos pré-púberes imediatistas políticos dos nossos dias, vinte gerações pesam sobre uma importantíssima região do planeta e os EUA poderiam esforçar-se por não ignorarem com a contumácia displicência, certezas enraizadas e antigos preconceitos ciclicamente revisitados. A verdade é que desaparecido o mundo bipolar, a poderosa América acabou por ter sido a patrocinadora deste outro em que ainda vivemos, onde a China e a Rússia parecem regressar à estilhaçada amizade dos anos 50, afectuosamente enlaçantes dos dois grandes países do comunismo de Estaline e Mao. Vizinhos que partilham uma fronteira longuíssima e potencializadora de uma catástrofe militar, chineses e russos confluem em aspectos essenciais que se radicam, sobretudo, na luta pelo enfraquecimento da potência americana e em sentido lato, ocidental. É esta na sua essência, a válvula de escape encontrada. A Rússia sente-se europeia, se a Europa se tornar em definitivo, num espaço não hostil e acomodado à hegemonia - julgada pelos russos como natural - da grande potência continental, reconhecendo-se assim de forma implícita, as esquecidas teorias de Haushofer. Restar-nos-á saber se na Alemanha ainda persistem vestígios do pressuposto da massa continental euro-asiática que controlaria o mundo. Se assim for, o Plano B consistirá no primeiro passo para o fim daquela Alemanha que há perto de setenta anos enveredou pelo atlantismo. A possibilidade parece absurda, dado o facto de a Rússia dos nossos dias, ser um Estado muito diferente daquele que há uns cem anos era formado por uma massa de camponeses submetidos e por uns tantos centros urbanos onde brilhavam as luzes da cultura ocidental. Conhecidos os cada vez mais pitorescos aspectos da permeabilidade da economia, finança e da segurança americana, a questão europeia, cada vez mais abstrusa e passível de rápido controlo através do estrangulamento propiciado pelas dificuldades do acesso à energia, decerto surgirá  como objecto a utilizar para a obtenção de certos fins. Criar todas as condições para a colocação em prática do Plano B de exclusão da Grécia e dos outros quatro Estados em dificuldades, significará a irreversível satelização do para já resgatado núcleo duro do Euro. Notemos que a Europa não existe como potência militar e muito menos ainda, como entidade política coerente. Não existe nem poderá existir como tal, entendendo-se aquele essencial sentido de unidade que os sempre chamados "precursores norte-americanos," apresentam como exemplo histórico. 

 

A exclusão da Grécia do espaço Euro, inevitavelmente trará gravosas consequências políticas, entre as quais avulta o seu posicionamento na relação de forças daquilo a que outrora chamávamos de blocos político-militares. Sem sequer ter verdadeiramente encetado aquele caminho de reformas e cortes a que os portugueses já se habituaram, os gregos poderão impor a uma classe política condicionada pela rua, opções que alterarão o mapa geoestratégico daquela região. O sólido estabelecimento russo - e chinês - nos portos helénicos, o afluir de caudais financeiros provenientes das mesmas paragens e a satisfação de necessidades imediatas da Grécia, não poderão ser evitados após o ultrapassar daquela linha divisória que a pertença ou não ao Euro significa.  Há poucos anos, a intervenção americana no Iraque reacendeu os apetites turcos quanto às regiões do norte daquele estraçalhado arremedo de país e isto não apenas devido à cobiça pelos recursos económicos propiciados por aquela província - Mossul e área circundante -, mas também, pela enésima tentativa de resolução forçada do problema curdo e das rivalidades com a Síria e o Irão. Uma Turquia demasiadamente próxima de Washington, implica o simétrico afastamento de Atenas e uma rápida procura de novas alianças que conjurem a ameaça, principalmente quando esta agora se reveste de argumentos religiosos persistentemente prosseguidos pelo poder instalado em Ancara. Durante demasiado tempo, os europeus continuaram a encarar a Turquia sob o prisma da velha Cosntantinopla dos sultões e dos dourados da herança do Império Romano do Oriente. Nada de mais errado, pois o conceito que os próprios turcos fazem do seu país e nação, é infinitamente mais lato que aquele apresentado nos mapas que delimitam fronteiras e esperadas influências. O relacionamento com Israel, até há pouco apresentado como exemplar, fatalmente deteriora-se, devendo-se este ocaso, às implicações da progressiva aproximação do Estado turco aos fundamentos religiosos que um dia lhe garantiram a hegemonia no Islão. Até nisso os norte-americanos se equivocam na escolha aparentemente já decidida, garantindo de antemão, um  crescendo da conflituosidade entre turcos e israelitas. Como optará então a administração americana?  Há quem suspeite do entusiasmo dos EUA por uma adesão turca à U.E., como primeiro argumento e trampolim para um outro alargamento a Israel. Uma loucura que definitivamente arruinaria um projecto europeu que há uns vinte anos, para efeitos práticos deixou de o ser. 


Regressando à situação grega, o aspecto essencial consiste na total desarticulação existente do outrora relativamente sólido espaço euro-atlântico que hoje parece definitivamente abalado. A fuga da Grécia ao temperado controlo europeu, significará também um rápido afastamento em relação às alianças tradicionais e os russos poderão mesmo apresentar como recurso mobilizador de novas boas vontades, a ortodoxia  que um dia mobilizou os Balcãs orientais na luta contra a Sublime Porta. Se isso simultaneamente significar a quebra do sonho de uma Europa onde todos se "pareçam ricos como os alemães", tal não parecerá pecha ou irreparável desastre, pois a actual situação já colocou os gregos perante realidades que há muito teimavam em ignorar. Novas formas de desenvolvimento - neste caso podíamos dizer adaptação - da economia, também trarão outras novidades no campo da organização política, onde poderá despontar uma democracia à russa


Não estamos no plano das suposições, mas em Berlim, Paris e Bruxelas, a razão parece não prevalecer sobre a mensagem eleitoral a difundir pelos próximos noticiários. 


(continua)


 


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publicado às 20:14

Bento XVI tem razão

por Nuno Castelo-Branco, em 11.12.10

Se os senhores do Corno de Ouro estão descontentes com isto, paciência.

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publicado às 16:59

Diário de Bordo

por João de Brecht, em 19.09.10

 

Istambul, 19 de Setembro de 2010

 

 

 


Cinco vezes por dia os pobres altifalantes instalados no minarete mais alto da mesquita maior de Avcılar resistem aos cânticos do Imã que chama os seus irmãos para mais uma reza. Cinco vezes por dia a cidade pára. Cinco vezes por dia se enchem as ruas de tapetes e se assiste ao ritual da vénia, do ajoelhar, de tocar com a testa no chão. Como se de horas de sono se tratasse, quando termina a cerimónia, vêem-se sorrisos e simpatia entre as gentes.

Apressam-se os pequenos mouros para os autocarros sobrelotados, as portas estão abertas para que mais algum nelas se pendure. Salto em Beşiktaş e falo com meio mundo à procura de um bom sítio para fumar narguilé e çay – “Where are you from my friend?” – “From Portugal, do you know where it is?” – “Quaresma! Quaresma!”. Indicam-me então um pequeno café, bandeiras turcas e o retrato de Mustafa Kemal Atatürk preenchem uma parede cor-cimento. Bebem-se os çay, fuma-se a chicha, diz-se “teşekkür ederim” e volta-se para a rua sobrelotada. Sinto que conseguia voltar para casa guiado pelos cheiros, os tapetes, as simit, os kebabs, os fumos, flores e frutas.

Tudo aqui me cheira a mágico, tudo me cheira diferente.Sentem-se as saudades de um Portugal cada vez mais longe. Mas maior que as saudades é a sede de descobrir mais, de beijar Istambul.

 

Volto a escrever em breve, um forte abraço para os Conselheiros de Estado e para os Leitores.

 

Güle Güle!

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publicado às 18:26

O nosso conselheiro João Vasco, a.k.a. João de Brecht, partiu ontem para terras longínquas, onde passará uma longa temporada, ao abrigo de um mundo que só @s suas/seus habitantes conhecem e que se chama ERASMUS!
Para esta sua aventura académica, o Estado Sentido deseja-lhe as maiores felicidades e eu, em particular, como membro da comunidade Erasmus (once Erasmus, always Erasmus), envio um grande abraço para essas terras de uma Europa-do-quase ;).

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publicado às 20:06

O regresso da Sublime Porta?

por Nuno Castelo-Branco, em 01.06.10

Um video que mostra bem o acolhimento reservado aos israelitas. Conhecem-se bem os activistas a bordo e o tipo de influência político-religiosa em causa.

 

 

Apenas os entusiastas das "grandes causas" poderão negar a evidência: o governo Erdogan optou por uma saída airosa - mas com bastante ruído mediático - da já tradicional aliança entre a Turquia e o Estado de Israel. Hoje ninguém duvida da escalada de um islamismo mais radical que o primeiro-ministro turco tenta ingloriamente colocar em paralelo com a democracia cristã europeia. Nada de mais falso. O assalto ao poder total, a destruição do Estado khemalista, a obliteração do poder das forças armadas, a conquista do palácio presidencial e a aproximação ao Irão, são factos que denotam uma evolução que apenas poderá preocupar os europeus. Praticamente afastado o ingresso na periclitante União Europeia, a Turquia prepara-se para se tornar numa potência regional com influência segura em algumas regiões da Ásia Central e no Médio Oriente, ao mesmo tempo que recupera o papel outrora reservado à Sublime Porta como protectora dos muçulmanos. No entanto, este afastamento acaba por ser uma feliz ocorrência para uma Europa ciclicamente ameaçada pela recessão e declínio demográfico. Serve como um alerta.

 

Entretanto, os apoios que Erdogan recebe imediatamente, são bastante elucidativos. Pequim já disse presente!

 

Não está em causa a crítica à abusiva política israelita na região, mas esta incursão à Faixa de Gaza consiste num mero pretexto para o corte de relações e realinhamento político. O planeamento foi cuidadoso e o efeito mediático esclarece quem disso tenha qualquer dúvida. Restará saber qual será a reacção norte-americana e as consequências na OTAN.

 

Uma questão que poucos colocam, é a presença de mais de 600 "activistas" a bordo de um navio de ajuda humanitária. Conhecendo-se o tipo de "activismo" de certo recorte, imagina-se o tipo de missão a que iriam.

 

Apesar da solidez da sociedade liberal de Constantinopla, terá início uma escalada nas ruas e coloca-se a questão de uma reacção turca, no caso de uma atitude estrangeira relativamente ao problema curdo. É uma arma que decerto não tardará a ser utilizada em caso de imperiosa necessidade. Junto dos radicais islamitas, a Turquia perfila-se já como o seu próximo campeão, infinitamente mais credível, poderoso e ameaçador do que qualquer arrivista iraquiano, sírio ou líbio. Sem comparação possível.

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publicado às 10:40

Nós por cá, "nem tanto"!

por Nuno Castelo-Branco, em 14.05.09

 

 

O senhor professor Aníbal Cavaco Silva, tem tido uma vida difícil. Ainda mal refeito dos tempos em que os seus colegas de governo faziam semanalmente as manchetes pelas piores razões possíveis de imaginar, é precisamente agora, durante o desempenho das sagradas funções de Venerável da nação, que a situação parece complicar-se de forma jamais vista.

 

Sarilhos grandes em que surgem envolvidos "amigos de casa" que por mera coincidência se sentam inamovíveis, à mesa do intocável clube privado que dá pelo nome de Conselho de Estado. Sarilhos médios, nos quais é arrastado pela lama, o nome daquele que com ele co-administra esta média empresa em falência técnica que dá pelo nome de PortugAll. Sarilhos pequenos, onde são apontados dedos acusadores a gestores da justiça corrente, exactamente no momento em que esta devia surgir implacável e isenta na resolução dos sarilhos grandes e dos sarilhos médios. Tudo meras coincidências.

 

Com um orçamento que suplanta em muito a dotação anual de qualquer uma das monarquias europeias, devia-se-lhe exigir mais que os simples esgares do costume, ou pelo menos, que falasse mesmo recorrendo ao disfarce da voz de um ventríloquo. É que já não basta quebrar os silêncios cheios de significado - o vazio mais absoluto que o Nada anterior ao big bang -, com uma saudação proferida aos magalas turcos. Pela resposta obtida em uníssono em Ancara, eles "estão bem". Nós por cá, "nem tanto"!

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publicado às 18:12

Quando leio um postal tão pertinente

por Cristina Ribeiro, em 12.05.09

 

como este,  de António de Almeida, ocorre-me de imediato este magistral argumento - ou conjunto de argumentos - contra tal adesão, do grande homem da blogosfera que é « Je Maintiandrai », mas também do Miguel; está tudo ali...

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publicado às 20:27

Maomé vs. Rasmussen

por Samuel de Paiva Pires, em 08.05.09

 

Ana Margarida Silva no blog da Comissão Portuguesa do Atlântico / Associação da Juventude Portuguesa do Atlântico:


Durante a Cimeira de Estrasburgo de 2009, foi nomeado oficialmente o futuro Secretário-Geral da NATO para entrar em funções ainda este ano, em Agosto: Anders Fogh Rasmussen, actual Primeiro-Ministro dinamarquês.

Aclamado por vários países europeus e pelos EUA, criticado pela Turquia e pela população muçulmana no resto da Europa.

A divergência surge precisamente pela postura do Primeiro-Ministro quando há três anos se recusou a apresentar um pedido de desculpas pela exibição de um cartoon considerado ofensivo do Profeta Maomé em vários jornais do país.


(...)


Mas a questão que aqui reside e que muitos referem, é que a Turquia, parece estar a colocar um cartoon acima do futuro da NATO. E está a levar um forte apoio da uma população muçulmana consigo.


(..)


A verdade é que Rasmussen tem o apoio dos países da NATO, à excepção da Turquia, e por isso dificilmente a decisão será mudada.

(...)


E a dúvida vai permanecendo: até que ponto é que a Turquia se pode (in)adaptar às eventualidades? Até que ponto uma organização como a NATO pode permitir uma divergência como esta quando os objectivos essenciais passam pela cooperação e integração?

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publicado às 17:52

A culpa da Turquia não entrar na UE...

por Samuel de Paiva Pires, em 16.02.09

...afinal é dos ingleses, como demonstra este breve trecho daquela que é uma das minhas séries favoritas de todos os tempos, Black Adder, ou não seja eu fascinado pelos britânicos e pelo seu requintado e peculiar sentido de humor:

 

 

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publicado às 19:20






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