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Estado Sentido e os Blogs do Ano da TVI/Media Capital

por Samuel de Paiva Pires, em 15.11.17

No concurso Blogs do Ano, em 2016, o Estado Sentido retirou-se da contenda por, na categoria de "Política e Negócios", se encontrar um conhecido blog de vales de desconto em supermercados, que viria a sair vencedor na referida categoria. Em 2017, após verificarmos que a categoria foi renomeada para "Política e Economia", decidimos inscrever novamente aquele que é um dos poucos blogs políticos resistentes a um certo declínio da blogosfera, contando já com 10 anos de actividade. Desta feita, incluíram um blog de anúncios de emprego pelo mundo ao lado do Estado Sentido, do Duas ou Três Coisas do Embaixador Francisco Seixas da Costa e do Malomil de António Araújo. Ganhou o Emprego pelo Mundo. Seguindo o que me transmitiu uma das responsáveis da Media Capital em 2016, decidimos ir à luta mesmo considerando que era uma luta desigual e que, mais uma vez, o blog que provavelmente viria a sair vencedor não se enquadrava na categoria. O que se passou nestes dois anos é uma afronta à blogosfera sobre política e economia. Mas, acima de tudo, é ilustrativo de que como uma certa ânsia desenfreada pela publicidade, negócios e visibilidade medida em número de visitas e cliques, impera actualmente na internet pátria. Naturalmente, enquanto insistirem em incluir nesta categoria blogs que nela não se enquadram, o Estado Sentido não voltará a inscrever-se neste concurso promovido pela TVI/Media Capital. Resta-me, na qualidade de fundador do blog, agradecer a toda a equipa, em particular ao John Wolf, não só o nosso blogger mais activo, mas também principal promotor da campanha de apelo ao voto no nosso blog desenvolvida ao longo do último mês.

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publicado às 00:30

Apelo ao voto

por Samuel de Paiva Pires, em 31.10.17

As votações na 2.ª edição dos Blogs do Ano da TVI/Media Capital terminam hoje. Como sabem, o Estado Sentido é um dos blogs finalistas na categoria de Política e Economia. Neste derradeiro dia de voto, que não é de reflexão e em que ainda podemos apelar desbragadamente ao voto, permitam-nos incentivar-vos fortemente a clicar aqui ou na imagem abaixo para aceder à página onde poderão seleccionar o rectângulo referente ao nosso blog e clicar no botão "Votar". Fiéis a nós próprios e contrariando a praxis política habitual, não prometemos seja o que for, mas ficamos eternamente gratos pela confiança em nós depositada através dos vossos votos.

ES Blogs do Ano.png

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publicado às 15:04

O principal móbil de António Costa

por John Wolf, em 30.10.17

maxresdefault.jpg

 

António Costa confirma mais uma vez a sua falta de decoro e respeito pelas vítimas mortais dos incêndios e seus familiares. O primeiro-ministro deve estar tão desesperado que procura comprar a qualquer custo a amizade dos bombeiros. O décor do estúdio da entrevista concedida à TVI é uma afronta, um insulto, e de uma falta de nível sem igual. A telenovela nem sequer é mexicana. É mais reles. Na tentativa de apaziguar ânimos, um santuário foi montado, mas faltam elementos à narrativa. A disposição de ferramentas de combate ao fogo foi estudada ao pormenor, mas tal como o Siresp, tem falhas. Vejo a picareta, mas onde está a foice? Por esta ordem de ideias de "presença de espírito", a entrevista poderia ter sido conduzida numa agência funerária ou numa unidade fabril de co-incineração. Não sei quem anda a mamar o fee de consultor de comunicação política, mas deve ser da oposição. Apenas um inimigo visceral poderia propor tamanha falta de gosto e dignidade. Esta encenação, contudo, tem razão de ser. O adversário de António Costa não é o Presidente da República - isso é apenas para inglês ver. Marcelo Rebelo de Sousa não é um lobby, nem sequer tem um sindicato. Serão os bombeiros que poderão tornar a vida difícil ao chefe Costa. Jaime Marta Soares é uma espécie de Arménio Carlos dos bombeiros e já avisou que fantasias e devaneios de António Costa não serão tolerados. Portanto, é essencialmente de isso que se trata. Este cenário pimba-político inscreve-se na narrativa da geringonça - ganhar os favores de funcionários públicos e tentar tornar adeptos aqueles que escapam ao controlo puro e duro. A tarde é sua. Do António Costa.

 

Nota: a ideia da imagem Playmobil devo-a à Isabel Santiago Henriques. Vi-a na sua página de Facebook. Ao contrário de outros, não ando a roubar na estrada "originalidades alheias"...

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publicado às 16:35

Captura de ecrã 2017-09-28, às 00.50.28.png

O Estado Sentido foi nomeado pelo júri dos Blogs do Ano da Media Capital/TVI na categoria de Política e Economia. Agora cabe aos leitores votar no blog que acreditam merecer o título de blog do ano. Podem votar aqui, sendo permitido votar uma vez a cada 24 horas.

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publicado às 00:45

No seguimento da nossa decisão de retirar o Estado Sentido do concurso Blogs do Ano, fomos contactados pela presidente do júri, Helena Forjaz.

 

Para além de ter ficado esclarecida a situação que relatámos sobre as entrevistas concedidas ontem num evento promocional da Media Capital/TVI, que terá ficado a dever-se a um mal-entendido, a presidente do júri explicou-nos também a dificuldade que os jurados tiveram no que diz respeito à decisão de incluir o blog Poupadinhos e com Vales na categoria de Política, Economia e Negócios.

 

Tendo-nos sido pedido para reflectirmos sobre a nossa decisão, decidimos mantê-la, essencialmente porque, como escrevemos no nosso primeiro post a este respeito, Não entendemos e não nos conformamos com a inclusão, nesta categoria, de um blog que não se consubstancia numa identidade crítica e intelectual, que nem sequer cultiva o primado da narrativa escrita, que não cria conteúdos próprios e que apenas se restringe à promoção da sua actividade mercantil. Sem desprimor pelas virtudes do blog Poupadinhos e com Vales, que exulta virtudes próprias, não nos parece equitativo que um blog desta natureza possa estar presente nesta categoria. Tratar-se-á de um blog que é um negócio e não um blog sobre negócios. São dimensões distintas que não foram levadas em conta e que ferem o esforço intelectual e literário de tantos blogs de índole política ou económica.

 

Para finalizar, permitam-nos registar publicamente o nosso agradecimento ao júri por nos ter nomeado e à presidente do júri pela simpatia e amabilidade que teve para connosco. Gostaríamos ainda de afirmar que nada nos move contra a Media Capital/TVI, com quem cultivamos as mais cordiais relações, não sendo despiciendo referir a nossa participação no saudoso Combate de Blogs, programa emitido há alguns anos pela TVI24 e cujo eventual regresso seria saudado pela blogosfera lusa, em especial a que trata de temas ligados à política e à economia.

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publicado às 20:57

No seguimento do nosso último post a este respeito, bem como de um evento promocional do concurso Blogs do Ano, que teve lugar ontem no CCB, decidimos retirar-nos desta competição. Aqui fica a cópia do e-mail que enviámos à Media Capital:

 

Exmos(as). Senhores(as),

 

Vimos pela presente solicitar a imediata remoção do blog Estado Sentido da 1ª Edição do concurso Prémios Blogs do Ano TVI/Media Capital.

 

Não podemos pactuar com um conjunto de factos que ferem a idoneidade deste certame. A saber:

 

1. A inclusão do blog Poupadinhos e com Vales na categoria Política, Economia e Negócios quando o mesmo não é um blog sobre negócios mas um blog que é um negócio com uma base de seguidores/consumidores não equiparável ao número de leitores/visitantes de um blog convencional como o nosso ou o dos nossos outros colegas a concurso na mesma categoria – assunto que já abordámos há dias num outro post.

 

2. O tratamento preferencial em sede de comunicação social concedido ao blog Poupadinhos e com Vales, assim como a outros blogs “escolhidos”, que foram entrevistados no contexto de um evento promocional do concurso que teve lugar no dia 28 de Setembro no CCB, tendo os representantes do Estado Sentido sido informados que não seriam entrevistados outros blogs para além dos incluídos numa lista estabelecida pela TVI.

 

3. A não acreditação dos bloggers no acima referido evento por forma a que pudessem ser identificados, o que conduziu a que apenas os já conhecidos pela TVI fossem abordados e entrevistados.

 

4. A asserção clara e inequívoca de que uma série de juízos e preconceitos estarão a condicionar o processo electivo deste concurso.

 

Assim sendo, e em nome da transparência, da equidade, do mérito e da objectividade crítica e intelectual que seria expectável numa competição de blogs, o Estado Sentido pretende distanciar-se dos valores em causa neste concurso, pelo que nos retiramos do mesmo.

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publicado às 09:24

Mais vale só que blog acompanhado

por Estado Sentido, em 26.09.16

A 19 de Setembro foram anunciados os finalistas nomeados para os Prémios Blogs do Ano, iniciativa promovida pela TVI e Media Capital.

 

O Estado Sentido foi um dos escolhidos para integrar o lote restrito de apenas 4 blogs, de entre milhares, na categoria de Política, Economia e Negócios, onde se encontram também o Aventar, o Lewis e o Poupadinhos e com vales.

 

Segundo o que os Prémios Blogs do Ano publicaram no seu site, a categoria em causa "engloba os blogs que falem/comentem assuntos ligados a política, economia ou mundo dos negócios e empresas". Naturalmente, compreende-se a inclusão do Aventar e do Estado Sentido, porquanto são, efectivamente, blogs que discorrem sobre assuntos ligados à política e à economia. Compreende-se também a inclusão do Lewis, um blog que, dedicando-se ao marketing, à comunicação e às relações públicas, acaba por estar relacionado com o mundo dos negócios e das empresas.

 

Mas é, de facto, incompreensível a inclusão nesta categoria de um blog como o Poupadinhos e com vales, que se limita essencialmente a fazer publicidade a vales de desconto e promoções, sem qualquer esforço intelectual para comentar assuntos ligados à política, economia, negócios e empresas.

 

Não podemos deixar de manifestar algum espanto e indignação pelo critério adoptado pelo júri. Não entendemos e não nos conformamos com a inclusão, nesta categoria, de um blog que não se consubstancia numa identidade crítica e intelectual, que nem sequer cultiva o primado da narrativa escrita, que não cria conteúdos próprios e que apenas se restringe à promoção da sua actividade mercantil. Sem desprimor pelas virtudes do blog Poupadinhos e com Vales, que exulta virtudes próprias, não nos parece equitativo que um blog desta natureza possa estar presente nesta categoria. Tratar-se-á de um blog que é um negócio e não um blog sobre negócios. São dimensões distintas que não foram levadas em conta e que ferem o esforço intelectual e literário de tantos blogs de índole política ou económica.

 

O Tony Carreira é bom, mas não pode estar em competição com Plácido Domingo. Não se misturam alhos com bugalhos, ou melhor, não se deveriam misturar. É que o público alvo dos blogs que efectivamente tratam de temas relacionados com política, economia e negócios é visceralmente diferente daquele que procura obter vales de desconto e promoções, sendo ambos igualmente meritórios. Mas o que é certo é que são diferentes, brutalmente diferentes. Diferentes ao ponto de os blogs de política, economia e negócios mais célebres em Portugal terem, no seu auge, visitas diárias na ordem dos 1.000 a 5.000 visitantes e, por exemplo, blogs como o Poupadinhos e com vales ou A Pipoca Mais Doce ou, ainda, Visão de Mercado, terem, no mesmo período, mais de 10.000 visitas diárias.

 

Assim, lamentavelmente, o Estado Sentido, bem como outros parceiros de competição, encontra-se numa situação de clara desvantagem perante um blog que, tendo o seu mérito, em nada se enquadra numa categoria que pretende premiar os blogs que comentem assuntos ligados à política, economia, negócios e empresas.

 

Se o objectivo da TVI e da Media Capital consistia em promover e premiar blogs que são em si um negócio e que não contribuem para o debate político, poderia ter sido criada uma categoria para o efeito, ou uma categoria denominada “Outros”, onde pudessem estar blogs que não se enquadravam em nenhuma das categorias a concurso.

 

Somos uma entidade sem fins lucrativos, a não ser que consideremos as mais-valias que advêm do grande debate a que nos propomos em nome do desenvolvimento de Portugal. Somos contribuintes líquidos para o processo de pensamento a que este país está obrigado. Não somos mercadores de opiniões alheias nem temos lucros a reportar. O desnível dos números que se regista é avassalador e provoca a diluição da relação competitiva que se desejava saudável e justa. A autenticidade, a dimensão de um blog, as referências e a sua relevância são critérios válidos desde que a disciplina conceptual seja observada. Ora nesta competição que ainda corre, os desequilíbrios formais e substantivos não passam despercebidos pondo em causa a idoneidade dos organizadores, dos jurados e dos próprios blogs a concurso.

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publicado às 21:15

Servimos, percebes

por John Wolf, em 26.09.16

 

 

 

ES campanha 8.jpg

 

Nomeados Blog do Ano TVI / Media Capital. Vote aqui.

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publicado às 17:08

O Estado Sentido não faz descontos

por John Wolf, em 26.09.16

ES campanha 7.jpg

 Nem promovemos cupões. Estamos na final dos PRÉMIOS BLOG DO ANO - TVI // MEDIA CAPITAL.

 

Vote aqui.

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publicado às 09:07

Blogs do Ano - Vota Estado Sentido

por Samuel de Paiva Pires, em 19.09.16

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No âmbito dos Prémios Blogs do Ano, iniciativa promovida pela Media Capital, o Estado Sentido é um dos 4 blogs finalistas na categoria de Política, Economia e Negócios. Agora será o público a decidir qual será o blog vencedor em cada uma das categorias. A votação estará aberta até dia 19 de Outubro e pode-se votar uma vez por dia em cada dispositivo de acesso à internet. Assim, apelamos a todos os nossos leitores e amigos que, ao longo destas semanas, votem no nosso blog. Contamos convosco! 

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publicado às 11:45

Ricardo Costa apresenta a Gala do Panamá

por John Wolf, em 09.04.16

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Quem ontem assistiu à Gala do Panamá, apresentada por Ricardo Costa, no programa o Expresso da meia-noite, teve a oportunidade de ver os jornalistas mais frouxos e comprometidos à face da Terra. A única convidada digna foi a Elisa Ferreira (Socialista - como podem ver, não estou a enviesar-me ideologicamente) que rebateu a tendência de relativização dos males dos offshores operada pelos jornalistas e os seus convidados.  Se repararam com atenção, havia um nervoso miudinho por aquelas bandas. Parece que esta história pode comprometer certas pessoas. O que vale é que o jornal Expresso, assim como a TVI, não valem grande coisa no universo de jornalismo sério e idóneo. O que vai safar os portugueses, ávidos por saber quais os ex-ministros e afins metidos ao barulho, é que os jornalistas de meia-tigela desta praça não têm o exclusivo do franchising do escândalo. Se não for o Expresso ou a TVI a "botar a boca no trombone", poderemos contar com a irresistível força do disclosure que já está em marcha a nível internacional. Correio da Manhã? Mexe-te. O Expresso está tão orgulhoso por colocar três tristes tigres (um foi águia) na capa do seu semanário - Luís Portela, Manuel Vilarinho e Ilídio Pinho. Que vergonha. E desde quando o Expresso tem a autoridade para servir o público às pinguinhas? Portugal precisa de uma bomba. E sem demoras. O Expresso, em particular, deveria ser alvo de investigação do tal consórcio internacional de jornalistas. Há sempre toupeiras e traidores dentro das organizações.

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publicado às 08:46

TVI: o canal do Panamá

por John Wolf, em 04.04.16

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O socialista João Cravinho deveria ter vergonha na cara. Quem protege? O modo como relativiza o escândalo The Panama Papers traz água no bico. Ao vivo e a cores na TVI tenta embrenhar o espectador mais incauto numa salada de condições técnicas, como se para afastar os holofotes de visados mais específicos. Traduzindo por miúdos, defende que a prática é comum e disseminada por esse mundo fora. Refere a legislação referente a offshores. Por outro lado, os jornalistas da praça deveriam aproveitar o élan para deixar de ser crianças, chamar nomes ao Correio da Manhã e passar ao ataque. Quero ver essa lista completa e não me contento com um Idalécio apenas. Venha de lá essa lavagem a jacto para pôr isto a limpo. Com consequências, claro está.

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publicado às 20:14

RAP e as piadolas políticas

por John Wolf, em 25.09.15

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Já vimos que António Costa conseguiu contratar o humorista-rei de Portugal. Ricardo Araújo Pereira (RAP) tem capital intelectual para dar e vender. Apenas alguém com níveis de inteligência muito elevados consegue apostar no cavalo político ganhador. Não há mal nenhum em ser franco e honesto em relação à preferência ideológica. RAP não está a ser cínico. Tem mesmo afecto por António Costa. O problema reside na explicação racional que teria de oferecer (se não fosse humorista) para fundamentar a sua escolha. Mas depois pensei no seguinte; os humoristas, à semelhança dos mágicos, apresentam truques com uma mão cheia de nada. Eu entendo que seja tentador estar alinhado com a parte fraca, com aqueles pintados de perdedores. E a comédia é intrinsecamente um exercício de contestação, mas não de alinhamento com um partido político. Isso tem outro nome - propaganda. Charlie Chaplin também fora acusado de ser socialista, mas eu sei que não devo confundir o cu com as calças. Ainda falta bastante para RAP superar Herman José, quanto mais Charlot (que raio de tradução?!). Por estes motivos de escalada mediática ou de manutenção do status de humor, devemos questionar as suas motivações e o que afirma Pereira (Tabucchi, perdoa-me) no seu programa tá-se-bem (é assim?). Se RAP fosse mesmo rapper, incluiria na sua letra um sentido mais ecológico e subtil, esbanjaria gargalhadas no boletim de voto integral e não correria o risco de ser eleito faccioso. Mas deste modo, impõe-se de um modo anti-democrático. Canoniza a antitese perfeita, corporiza o estado paliativo do humor inteligente e apresenta um estado novo de comédia. RAP tornou-se numa autoridade, no ditador da piada fácil, dispensável.

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publicado às 14:18

Não vi, não escutei e nada sei.

por John Wolf, em 10.09.15

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Estou mais que habilitado para oferecer o meu testemunho sobre o debate entre António Costa e Pedro Passos Coelho de ontem à noite. Não o vi. Não o escutei. Não sei quem ganhou ou quem perdeu. Não sei qual dos jornalistas brilhou. Não sei qual deles foi ofuscado. Não sei quantos ataques pessoais foram desferidos. Não sei quem assumiu a responsabilidade pela vinda da Troika. Não sei quem prometeu repor pensões. Não sei quem jurou não proceder a cortes de 600 milhões de euros. Não sei quem não se lembra de um certo ex-primeiro ministro que passou a prisão domicilária. Não sei quem disse não saber que os indicadores económicos melhoraram. Não sei quem confessou ignorar melhorias no nível de desemprego. Não sei quem se esqueceu da gestão da câmara municipal de Lisboa. Não sei quem encarou o desafio de consertar um país que estava estragado há várias décadas. Não sei que nada sei. Nem quero saber. Não sei quem prometeu pintar Portugal de um modo maravilhoso. Não sei quem disse ser muito melhor que o outro. Não sei qual foi canal com mais tele-espectadores. Não sei que certos jornalistas decidiram levar em ombros um dos entrevistados. Não sei quem sabe que as sondagens de nada valem. Não sei em que dia da semana calha o dia 4. Apenas sei que não voto porque não estou capacitado para tal.

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publicado às 10:09

Sunday night show

por Pedro Quartin Graça, em 02.06.14

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publicado às 05:19

Os partidos do Parlamento borram-se com Angola e a TVI?

por José Maria Barcia, em 18.10.13

E os órgãos de comunicação social?

 

 

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publicado às 10:41

A Civilização do Espectáculo*

por Samuel de Paiva Pires, em 20.08.13

Por motivos vários, tenho andado um pouco alheado da espuma dos dias mediática e do que ultimamente tem preocupado as redes sociais. Contudo, não consigo resistir a tecer um breve comentário, sob a forma de interrogação, acerca do episódio Lorenzo-Judite, não de qualquer teor moralista ou político, até em larga medida superficial, mas que efectivamente a minha mente me força a exteriorizar alicerçando-se naquela ideia de Wilde de que "só as pessoas superficiais não julgam pelas aparências": quando uma jornalista que, a avaliar pelos comentários cada vez mais despropositados nas entrevistas a Marcelo Rebelo de Sousa e a Medina Carreira, parece cada vez mais tonta e considera interessante entrevistar num telejornal um exemplo perfeito e acabado de um douchebag só porque este tem dinheiro, o que é que isso quer dizer sobre um certo jornalismo luso e sobre os espectadores que gostam de consumir isto? Ou dito de outra forma, quando os telejornais parecem paulatinamente transformar-se parcialmente em versões das revistas cor-de-rosa e as redes sociais se entretêm com o que daí emana, o que é que isso diz sobre o país? Alguns dir-me-ão que há mercado para isto. Felizmente que já há algum tempo percebi que o mercado não é critério exclusivo - e frequentemente não é sequer critério - para aferir a qualidade. 


*Título roubado a este livro de Mario Vargas Llosa.

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publicado às 15:52

"Reconheço que posso ter tido um tom excessivo"

por Nuno Castelo-Branco, em 18.08.13

Tiveste mesmo.

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publicado às 19:58

A caixa que mudou a Grécia

por John Wolf, em 12.06.13

Ainda não consegui perceber todos os contornos do fecho da televisão estatal Grega, mas podemos começar a gizar implicações de tal medida decorrente das condições impostas pela Troika. Os meios de comunicação social, de um modo geral, e sem excluir os de origem nacional, exprimem o drama que representa o despedimento de mais de 2500 trabalhadores da empresa pública Grega. E ficam por aí. Nada mais acrescentam à cessação de um dos sectores com maior sensibilidade política. Sem dúvida que o despedimento em massa é uma tragédia para somar a tantas outras, mas o relato não pode ficar por aqui. Somos obrigados a analisar as implicações políticas que resultam do corte dos canais de comunicação. O assalto à tomada que faz desvanecer as imagens dos ecrans e que leva também as vozes de protesto, é um assunto de extrema gravidade. Por um lado, e de um modo genérico, os regimes totalitários caminham de mãos dadas como os media. As televisões e as rádios estatais sempre foram megafones de notícias oficiais, mensagens tratadas em sede de favorecimento político, por forma a que os governos possam manter a população açaimada, à trela curta de informação. Sabemos todos que a Grécia (ainda) configura uma democracia e que esta decisão não foi tomada sem razão aparente, sem terem pensado nas implicações. O governo Grego, muito provavelmente, quis antecipar a revolta interna da estação de televisão; a implosão operada por dissidentes, opositores ao regime da Troika. Deste modo, antes que houvesse um caos desordenado, o governo Grego terá avançado para a perda definitiva de sinal, invocando razões de natureza orçamental. E esta decisão foi tomada porque o governo Grego terá assegurado a sua capacidade de comunicar por outra via. Através de uma plataforma mais vantajosa disponível no sector privado. Não é possível governar, mesmo que negativamente, estando totalmente às escuras. Em relação a isso não tenhamos dúvidas. Houve aqui, sem especularmos muito, jogadas de bastidores que garantem a vantagem dos poderes instalados. Imaginem que por motivos análogos, Portugal faz o mesmo; coloca a mira técnica da RTP no ar? Fecha a cadeado o portão dos estúdios de televisão e rádio. Manda calar a Fátima Campos Ferreira e selecciona uma estação de televisão do sector privado. Contrata os serviços de uma SIC ou de uma TVI. Estão a ver o filme? Estão a perceber o que está em causa? Se extrapolarmos o suficiente e os deixarmos, em breve lançarão um concurso público por forma a seleccionar o agente privado que melhor sirva os interesses do governo. Acontece que, no contexto actual de descalabro e descrédito, de crise política e de confiança, os interesses do governo são os falsos gémeos do bem-estar dos cidadãos. Se os governos fogem ao escrutínio da Res Publica e se escondem por detrás de uma cortina de silêncio, o resultado será ainda mais avassalador. Todos sabemos que é ofensivo desprezar os interlocutores. Ignorar a importância do diálogo é algo que viola a ética do progresso e é profundamente imoral. O que estamos a testemunhar colide com a Agora, os Sofistas e a invenção da retórica e da argumentação, nesse berço civilizacional, cada vez menos berço e que vai pelo nome de Grécia. Esta questão dramática não pode ser resolvida num programa de prós e contras, mas em defesa de direitos de expressão adquiridos com sangue, suor e lágrimas, não devemos assumir uma postura conformista. Pela primeira vez na vida peço para que não desliguem a televisão. Não estamos a assistir a ficção. Mas também não é um reality show.

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publicado às 21:13

Mandamentos jornalísticos

por João Pinto Bastos, em 28.04.13

Primeiro mandamento do jornalista português: não criticar Judite de Sousa.

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publicado às 23:16






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