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Greek refer end? um...I wonder.

por John Wolf, em 04.07.15

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Tsipras e Varoufakis assumiram que o conceito de liberdade e dignidade lhes pertencia. Interpretaram de um modo ruinoso a vontade do povo grego. Declararam unir um país, mas a escassas horas de um Referendo histórico com impacto para os demais cidadãos da Europa, a Grécia está efectivamente dividida. Amanhã saberemos se estes governantes são autores de um memorando conducente a pânico, caos, quiçá guerra civil. Numa óptica de custos/benefícios para o cidadão helénico saem perdedores. Se era este o modo de forçar a alteração do status quo da União Europeia, serão bem sucedidos, mas à custa de prestações de forasteiros, o desgaste de nações distantes. Serão os membros da União Europeia a suportar a mudança induzida por catalisadores positivos ou de ruptura. A teoria de jogo, o dilema de prisioneiros, ou qualquer outro mindgame que tenham elegido como instrumento de aquisição de vantagens económicas e políticas, parte de um pressuposto eticamente questionável - a ideia de que o sacríficio alheio deve ser promovido para granjear vantagens domésticas. Quando Tsipras invoca a Europa unida e solidária, fá-lo de um modo teórico e abstracto. Enuncia princípios, mas lança dissensão na sua própria casa. Ou seja, nem filosoficamente oferece um bom exemplo.  Ao fim e ao cabo das tormentas do povo grego e de cinco meses de negociações, sabemos que a Grécia irá necessitar de pelo menos 50 mil milhões de euros para continuar a sobreviver e porventura reclamar ainda mais. Há alguns dias houve quem tivesse comparado a Grécia à União Soviética no limiar do descalabro desta. Em dose hiper-concentrada, a Grécia do Syriza, qual bolchevique anão, é uma espécie quase soviética a caminho do descalabro ideológico. Os soviéticos em 1992 já estavam a viver dias de controlo de capitais, falta de alimentos, enquanto emergiam actores da penumbra sinistra da sociedade. Foi nesse ambiente de ruptura que nasceram oligarcas e capitalistas com um particular sentido democrático. A Grécia, berço dos Estoicos entre outros, quer emular-se na invenção filosófica. Mas convém relembrar que a racionalidade e a ética não caminham necessariamente de mãos dadas. O povo sabe-o. E o Referendo reflictirá a verdade. A verdade será o que acontecer e não o que foi prometido.

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publicado às 12:24

Setenta anos depois

por Nuno Castelo-Branco, em 23.03.14

 

No país que se situa nas imediações das Berlengas, eles parecem sempre muito justamente irritados com os casos de corrupção que se tornaram na imagem do regime. Vociferam contra os banqueiros e políticos a soldo, apontam exemplos suficientes para a compilação de vários almanaques de falcatruas, apresentam-se como autarcas exemplares. Paradoxalmente, consideram os eventos posteriores a 1989, como calamidades que destruíram um mundo idílico.

 

Desde o primeiro momento do arriar da bandeira vermelha nas sedes de governo de todas as capitais do leste europeu, ocorreu algo de inesperado. Miraculosamente brotou uma infindável safra de desapiedados capitalistas, apossando-se das empresas que a propaganda dizia serem propriedade do povo. Os sicofantas do PCUS souberam recauchutar-se e o dinheiro apareceu como a chuva de outono. Sabiam-na toda, desde as formas como coagir o mercado, até às manobras bolsistas, transferências de capital, subornos, coacção moral e física, compras a eito no ocidente e claro está, a garimpagem de esconderijos para o seu dinheiro de questionável proveniência. No campo político, logo aqueles países assistiram a virulentos nacionalismos que ameaçaram a ordem internacional e sobretudo, emergiram organizações que em nada ficavam a dever àquelas que nos anos quarenta se apresentaram como co-beligerantes na cruzada nacional-socialista contra Estaline. Existe um país onde a comparação pode e deve ser feita como bom exemplo das estranhas lições e práticas ministradas pelos obedientes seguidores de Moscovo. Na Alemanha, bastar-nos-á consultar os resultados das sucessivas eleições locais ou nacionais ocorridas desde a reunificação, para ficarmos cientes das enormes diferenças quanto à receptividade da mensagem dos herdeiros do III Reich. No território da antiga RDA, os camisas castanhas são incomparavelmente mais representativos, enquanto na zona ocidental consistem num episódio residual.

 

Sabemos o que se passa na Polónia, na Hungria, nos países bálticos, nos territórios da desaparecida Jugoslávia e na Roménia. Na própria pátria-mãe do comunismo, as últimas semanas têm-nos mostrado discursos oficiais carregados de antifascismo, mas a verdade é outra. Pululam os grupos de vigilantes, os Sieg Heil fazem parte dos pregões urbanos e se são agora secundarizados pelos media, tal se deve aos acontecimentos ucranianos. Mais a ocidente, na Ucrânia, todos vimos quem tomou parte muito activa no derrube do governo de Ianukovich e também conhecemos a origem e significado daquela bandeira preta e vermelha que flutua sobre os edifícios de Kiev. Dir-se-ia que a gente de Bruxelas foi acometida de loucura colectiva, envolvendo-se neste imbróglio demasiadamente paralelo aos acontecimentos imediatamente anteriores ao assassinato do arquiduque Francisco Fernando. 

 

Mais de sete décadas de regime soviético, uma sangrenta guerra russo-alemã - com participação finlandesa, eslovaca, italiana, croata, húngara, rexista belga, voluntária francesa, etc - e o resultado do regime do PCUS está à vista. 

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publicado às 10:27

Ucrânia

por Nuno Castelo-Branco, em 08.12.13

"Diz-se que" hoje foi derrubada a estátua de Lenine em Kiev. Segundo a versão dos antigos tutores do partido de Jerónimo de Sousa - previsivelmente corroborada pelos organizadores da festa do Avante! -, o genocídio ucraniano nunca exiistiu e tudo aquilo que este filme mostra, não passa de propaganda de "antigos colaboracionistas nazi-fascistas".
 

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publicado às 22:11

Alguma coisa está muito, muito errada

por Samuel de Paiva Pires, em 20.03.13

Quando Medvedev compara a União Europeia à União Soviética.

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publicado às 23:21

Episódio 1

por Nuno Castelo-Branco, em 20.03.13

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publicado às 21:55

Há alternativa

por Pedro Quartin Graça, em 11.03.13

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publicado às 13:44

Estórias da história (2): os idiotas úteis

por Nuno Castelo-Branco, em 19.02.13

 

Cunhal e o seu suserano Leonid Brezhnev

 

No pós-guerra, os pc europeus seguiram religiosamente as directivas da igreja-mãe de Moscovo, procurando a todo o transe o arrebanhar de "democratas de todos os sectores" que pudessem legitimar o necessário frentismo que solidificasse o poder instalado pela força do exército vermelho. Se no leste, o caso alemão parece ser aquele mais evidente - o SED que oficialmente e na prática era uma Frente Nacional composta pelos agrupamentos políticos que iam do velho KPD aos ex-nacional socialistas do NDPD -, na Europa ocidental, os pró-soviéticos foram-se adaptando às realidades de cada país, procurando soluções que não apenas lhes garantissem uma permanência parlamentar, como, sobretudo, uma clara predominância na imprensa escrita, televisão e no campo sindical. E assim continuamos.

 

O caso português é tardio, já no alvorecer da decadência da potência soviética. A ilusão da possibilidade do queimar de etapas e forçar o passo apesar de uma esmagadora maioria eleitoral contrária ao projecto, levou o PC a actuar de forma precipitada - digam as Raquéis Varelas e afins o que quiserem dizer - e sem qualquer consideração pelas imediatas e previsíveis consequências no país e no estrangeiro. Tal foi o Caso República, ainda hoje um bom exemplo a apresentar aos bens instalados burgueses gauche - a quem os comunistas normal e risonhamente denominam de "idiotas úteis" -, chamem-se eles Câncio, Isabel Moreira, uns tantos assalariados do plutocrático sr. Balsemão, ou este e aquele sonante nome da blogosfera. Sem quaisquer comentários, deixemos então Raul Rêgo explicar, pois a temática ainda é actual:

 *****

"Depois de 48 anos de vida condicionada por uma censura implacável, a Imprensa portuguesa teve, logo a seguir ao 25 de Abril de 1974, um período de euforia sem barreiras, em que se atropelavam os direitos e os deveres mais elementares. A liberdade confundia-se com irresponsabilidade.

 

Bem curioso o facto de alguns dos jornais e dos jornalistas mais subservientes no tempo de Salazar e de Caetano se terem tornado mais contestatários, logo depois da revolução, capazes de saltarem todas as barreiras e de enfrentarem todas as decisões ministeriais. O Processo Revolucionário tudo justificava, até o destruir de qualquer deontologia e atropela a mais elementar das verdades. Nem falemos do bom-senso.

 

Ao fim de um ano de Revolução, e publicada, em Fevereiro de 1975, a Lei de Imprensa mais liberal de toda a a Europa, essa mesma lei começou a ser desrespeitada tanto no que se refere à administração e propriedade dos jornais como ao conteúdo dos mesmos.  Nalguns casos, era como se todo o jornalismo pudesse escrever seja o que for sem atentar nem na lei nem na orientação do jornal.

 

Esta escalada anarcopopulista na Imprensa começou todavia a ser controlada por um sector. A grande maioria dos jornais diários começou a sofrer uma manipulação violenta, uma censura interna feroz, de um só sector a impôr-se a todos os mais. No jornal "República", que sempre resistira às imposições da ditadura e que contava entre os seus trabalhadores elementos de todas as tendências da Oposição democrática, a desestabilização  foi-se acentuando, na Redacção primeiro e nas oficinas depois. Um grupo de redactores comunistas, com o director comercial, sob pretexto de o jornal fazer a política do Partido Socialista (o que não era exacto), atacava a Direcção e a Administração. Em Abril, depois de vencidos em plenários de Redacção, esses elementos saíram ostensivamente, julgando assim que abalavam o jornal. Ficava o director comercial, comunista, e alguns tipógrafos também comunistas, com outros elementos esquerdistas. A luta prosseguiu até ao sequestro da direcção, redacção e administração, por parte dos insatisfeitos, que fizeram sair o jornal de 19 de Maio de 1975, com o nome do director comercial à cabeça.

 

Encerrado o jornal, a repercussão na opinião pública foi enorme. Passou para além-fronteiras. os grupos da direcção e redacção, unidos, fizeram sair o "Jornal do caso República", embora algumas tipografias onde pontificavam as pressões de momento se lhes tenham fechado.

 

No número de 21 de Junho de 1975, o 7º "Jornal do Caso República" dava a notícia de um documento "ultra-secreto", elaborado por Boris Ponomariov e que, por "falha no sistema de protecção", fora já publicado nalguns jornais europeus. Entretanto, esse mesmo documento era publicado no "Quotidien" de Paris.

 

A reacção dos partidos comunistas português e francês foi enorme. Álvaro Cunhal, no "Avante" de 3 de Julho seguinte, dizia: "Como entende o Jornal "República" a liberdade de expressão e o seu exercício? Num número com data de 21 de Junho e largamente reproduzido no estrangeiro, publica, entre outras coisas, um documento falso e provocatório, que segundo diz, conteria as "instruções de Moscovo" para os partidos comunistas da Europa. Desde logo afirma que o P.C.P. estaria seguindo tais instruções... Esse mesmo documento, que, pelo próprio conteúdo, se vê ter sido fabricado pelas centrais internacionais de diversão ideológica e da contra-revolução, é típico dos métodos fascistas do anticomunismo, digno não das páginas de um jornal que se diz democrático mas do "Diário da Manhã" ou da "Época" de outros tempos."

 

Não seguimos a citação, por não valer a pena. Acrescentamos todavia que o P.C.P. apresentou até o caso na Polícia Judiciária, onde eu fui chamado; mas o caso era tão claro que nem seguimento teve...

 

Com efeito o documento não era falso e nem se podia já dizer secreto. Ao contrário do que dizia Álvaro Cunhal, nem era "falso" nem "provocatório". Tanto assim que, passados dias, de insultarem o "República" por o publicar e de o classificarem de falso e provocatório, a editorial Avante, editora do órgão oficial do P.C.P., publicava na íntegra, sob o título "A Situação Mundial e o Processo Revolucionário", o artigo de Ponomariov, do qual o documento citado é uma síntese.

 

Enquanto reconheciam implicitamente ser exacto o documento publicado no "Jornal do caso República", na nota prévia continuavam a insultar o "República" e os seus redactores e director. Que se lhes há-de fazer? O totalitarismo não é outra coisa.

 

A imprensa portuguesa da altura estava dominada pelo P.C., com o Diário de Notícias à cabeça. 

 

E no mesmo artigo de Boris Ponomariov se encontravam frases, como esta: "O papel dos meios de comunicação de massa na actual luta sociopolítica aumentou em proporções que não têm precedentes nas revoluções do passado. A experiência do Chile convence-nos de que para alcançar a vitória é preciso suprimir o domínio do inimigo de classe sobre os meios de informação pública e de propaganda." Não tendiam a outra coisa. Mas, silenciado o "República", houve a coragem de fazer sair "A Luta" em 25 de Agosto, e a escalada totalitária nos meios de comunicação e na vida política seria quebrada a partir de 25 de Novembro.

 

São do mesmo artigo de Ponomariov também estas palavras: "Quando a revolução tem um desenvolvimento pacífico, reveste-se de importância primordial a tarefa de retirar das mãos dos representantes do velho regime uma alavanca tão importante do poder como o exército e de formar um novo aparelho do Estado., à margem da política." (As citações fazêmo-las da edição do artigo pelo "Avante").

 

Temos assim que para o totalitário da esquerda, como para o da direita, o que interessa é o momento e a escalada de momento. Os meios e a dignidade das afirmações passam para segundo plano. A tal ponto de os órgãos de um partido e o seu secretário-geral dizerem, a 3 de Julho de 1975, que "um documento é falso e provocatório" e que "é típico dos métodos fascistas do anticomunismo", para, quase simultaneamente, publicarem o artigo que é a matriz desse mesmo documento, na editorial oficial do P.C.P.

 

A escalada portuguesa para a democracia tem sido difícil. Muito difícil; mas não o foi só antes do 25 de Abril de 1974.

 

Os aspirantes à ditadura não vêm apenas da direita, nem só estes são golpistas. Quanto ao respeito pela verdade, as provas estão à vista. Estão à vista neste livro em que as técnicas totalitárias quanto à imprensa se nos mostram claramente. Parece-nos que o Homem livre, a sociedade democrática, não são possíveis diante de técnicas de propaganda em que a verdade e sacrificada. Ou melhor: a verdade é sinónimo de conveniência de momento para o respectivo partido.

 

Os documentos analisados neste volume pelo prof. Santanché, durante uma longa permanência entre nós, falam por si."

 

Raul Rêgo

 

Prefácio de Raul Rêgo à obra Uma Revolução falhada, de Gioacchino Santanche´, Editora Perspectivas e Realidades, Junho de 1980

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publicado às 19:13

Internacionalismo da extorsão

por Nuno Castelo-Branco, em 30.11.12

O internacionalismo foi isto, ainda é isto. Durante anos, a China despejou milhões em armas, dinheiro e vitualhas destinadas à Frelimo. Ainda me recordo das periódicas exposições de inacreditáveis montões de material capturado pelo Exército Português, onde se apresentavam metralhadoras ligeiras e pesadas, lança-foguetes, espingardas, granadas, minas, uniformes, munições e uma infinidade de outros artigos militares. Boquiaberta, a população de Lourenço Marques visitava essas autênticas feiras de armas e compreendia que Portugal não estava em guerra com bandos desgarrados que cruzavam o Rovuma, mas pelo contrário, enfrentava entre outros, dois temíveis inimigos: a União Soviética - e os seus colaboracionistas portugueses dentro e fora de portas - e a China do Sr. Mao Tsé. 

 

Hoje sabe-se o que representou essa interesseira ajuda, onde até pontificou o risonho Olof Palme, esse mesmo que acabaria numa esquina de Estocolmo e às mãos de um terrorista. Traduziu-se naquilo a que numa primeira fase pós-1974 se denominou de "cooperação", logo chegando em tropel manadas de búlgaros, russos, chineses, suecos e outros nórdicos "nossos aliados" - tubarões da pior espécie que tomaram de assalto as florestas e o sector de transportes -, alemães da zona ocupada, checos e cubanos. Repimpadamente se instalaram nas suas novas colónias de exploração e ditaram a lei a um país que decorridos dez anos, tinha visto a população reduzir-se em mais de um milhão de pessoas mortas à fome e pela guerra civil.

 

O saque não se cingiu a Moçambique, pois em Angola ainda foi mais radical e em todos os sectores, sabendo-se por exemplo, o que sucedeu ao hospital central de Luanda. Perfeitamente equipado pelo governo português, foi de todo o seu material despojado pela gente de Fidel Castro, colocado em contentores e enviado para Havana.

 

Continua a senda do internacionalismo, desta vez com a quase exclusiva benemérita acção da China. O sector das madeiras é um dos alvos mais apetecíveis, assanhadamente destruindo florestas e complementando outras malfeitorias que durante décadas arrasaram as pescas, a vida selvagem - elefantes, crocodilos, rinocerontes -  e cavocando o solo, extraíram prodigiosas quantidades de  minérios. 

 

O internacionalismo, esse belo investimento com garantido retorno usurário.

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publicado às 13:00

 

1 - Folgo em ver que, como o Miguel Botelho Moniz salientou, o Tiago Mota Saraiva parece já ter aprendido que comunismo e fascismo são duas faces da mesma moeda. Não perdeu, contudo, uma certa ignorância e/ou má-fé, na medida em que afirma que o liberalismo é igual ao fascismo. A isto, só se pode oferecer sugestões de leitura e uma grande dose de bom senso, coisa que não abunda entre comunistas. Talvez começar por um bom manual de Ciência Política e/ou História das Ideias Políticas seja uma boa ideia. Se depois quiser mais sugestões, o Tiago sabe onde me encontrar.

 

2 – Diz o Tiago que os meus posts (PatéticoPatético (2)Patético (3); Patético (4)), não têm conteúdo. Referindo-me ao ponto anterior e ao título, mas que espécie de conteúdo é que pode ter algum texto destinado a debater com indivíduos irracionais que defendem a ideologia mais criminosa da História, que estes possam compreender e não deturpar e manipular como fazem a todo o momento? O meu tempo é demasiado precioso para me perder em debates espúrios, mas se o Tiago quiser, pode sempre começar por este meu texto, ou pelo que encontrará no fim deste post, da autoria de John Gray. Cada qual tem que procurar por si o conhecimento. Infelizmente, há quem não o procure, não exerça a dúvida, e se deixe apenas ficar pela doxa e pelo dogmatismo. Mas, novamente, se quiser sugestões de leitura, o Tiago sabe onde me encontrar.

 

 3 – Já o João José Cardoso, à semelhança do Renato Teixeira, dispara completamente ao lado. Só realmente quem não me leia ou conheça (e obviamente ninguém tem obrigação de me ler – só se poupa a umas valentes secas se não o fizer), pode confundir-me com alguém de extrema-direita e/ou defensor de ditaduras. De resto, ler The Undiscovered Self, de Jung, talvez ajude a perceber porque ser comunista pode ser um sintoma de insanidade. A este respeito, num texto a que aludi no ponto anterior, classifiquei há cerca de 2 anos os comunistas em três grupos: estúpidos, ignorantes e tenebrosos. A vanguarda, que de estúpida ou ignorante costuma ter pouco, pautando-se mais pela má-fé e manipulação, recai no terceiro grupo: Por último, na primeira categoria, a das mentes tenebrosas, incluem-se todos aqueles para quem a verbosidade pseudo-científica do comunismo faz sentido, embora em parte possam ser ignorantes, caso desconheçam os postulados teóricos e práticos da ideologia que dizem defender; estúpidos, ao acreditarem que o comunismo faz sentido; ou então completamente tenebrosos e perigosos: sabem muito bem o que é o comunismo, conhecem os efeitos das suas várias experiências reais, e ao contrário dos da segunda categoria, acham que os fins justificam os meios, não hesitando em relativizar milhões de mortos, demonstrando um total desrespeito pela vida humana. São sanguinários em potência, que num sistema que lhes permitisse dar largas às suas crenças, não hesitariam em voltar a repetir e agravar o tipo de atitudes que caracterizaram a União Soviética ou o PREC. Consideram Cuba um país magnífico, têm Fidel Castro e Hugo Chávez como referências e chegam ao dislate de considerar a Coreia do Norte uma democracia. Não hesitariam em sacrificar milhões de pessoas para alcançar os supostos benefícios que o Apocalipse traria. Têm ainda por hábito as práticas do negacionismo e manipulação da História, tentando escamotear a realidade e moldá-la aos seus propósitos, tal como George Orwell ilustrou na famosa distopia intitulada 1984.

 

4 – Num comentário, diz o Renato que “O comunismo não é o que foram os regimes estalinistas. Essa confusão devia estar, há muito, esclarecida.” Este muito badalado argumento, além de banal é também inválido. O estalinismo é consequência directa do leninismo. E só quem não saiba o que Lenine ou Trotski pensaram ou fizeram pode esgrimir o argumento para enganar os mais desprevenidos de que “aquilo não foi comunismo.” Foi comunismo, sim, em todo o seu esplendor, com todas as consequências do utopismo do pensamento marxista, e levado a cabo por indivíduos que teorizaram e acreditavam na utilização do Terror para os fins do comunismo. Não é possível dirigir uma economia centralizada e um regime político anti-democrático sem utilizar a coerção, a força. Talvez se lessem Hayek, percebessem como funciona uma ordem de organização ou made order e por que é que, aplicado a um regime político, este tipo de ordem se torna totalitário e necessita da utilização da força e da violência para se manter. Para que não digam que vão daqui sem conteúdo, deixo umas passagens de A Morte da Utopia, de John Gray:

 

«O terror do tipo praticado por Lenine não pode ser explicado pelas tradições russas nem pelas condições que prevaleciam no tempo em que o regime bolchevista chegou ao poder. A guerra civil e a intervenção militar estrangeira criaram um ambiente em que a sobrevivência do novo regime estava ameaçada desde o início; mas o pior do terror que desencadeou foi dirigido contra a rebelião popular. O objectivo não era apenas ficar no poder. Era alterar e remodelar irreversivelmente a Rússia. A partir dos jacobinos, na França do fim do século XVIII, passando pela Comuna de Paris, o terror tem sido usado deste modo sempre que uma ditadura revolucionária se inclina para atingir metas utópicas. Os bolchevistas visavam tornar bem sucedido na Rússia um projecto iluminista que tinha falhado em França. Ao acreditarem que a Rússia tinha de ser construída segundo um modelo europeu, não eram originais. No que se distinguiam era na sua convicção de que tal exigia terror e nisso eram discípulos confessos dos jacobinos. Sejam quais forem os outros fins que possa ter servido – como a defesa do poder bolchevista contra a intervenção estrangeira e a rebelião popular -, o uso do terror por Lenine decorreu do seu empenho nesse projecto revolucionário.

 

 

 

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publicado às 21:08

S-í-f-i-l-i-s

por Nuno Castelo-Branco, em 05.05.12

Como seria de esperar, vão emergindo todo o tipo de suposições acerca do desaparecimento de Lenine, hoje transformado numa múmia no parque temático do Kremlin, mas sem a dignidade de um bíblico Ramsés II. Desde AVC até ao cómodo envenenamento ministrado pelo Sr. Estaline, tudo pode ser aventado, excluindo-se apenas aquilo que todos há muito sabem e devido a pruridos moralóides, não dizem: sífilis.

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publicado às 11:18

Aproveitando a referência do Manuel a Ayn Rand, autora que me tem prendido a leitura nos intervalos do estudo para os exames, deixo alguns excertos retirados da brilhante e poderossíssima palestra "Faith and Force: The destroyers of the modern world", que podem encontrar na colecção de ensaios de Rand Philosophy: Who needs it, ou na versão audio aqui. A quase totalidade encontra-se também neste site. Sei que ninguém ou quase ninguém se irá dar ao trabalho de ler este extenso post mas, ainda assim, não poderia deixar passar em branco tamanha demonstração de clarividência. Recomenda-se vivamente a todos os comunistas, socialistas, bloquistas, nazis, kantianos, rousseaunianos, jacobinos e afins:

 

 

"The three values which men held for centuries and which have now collapsed are: mysticism, collectivism, altruism.  Mysticism -- as a cultural power -- died at the time of the Renaissance.  Collectivism -- as a political ideal -- died in World War II.  As to altruism -- it has never been alive.  It is the poison of death in the blood of Western civilization, and men survived it only to the extent to which they neither believed nor practiced it.  But it has caught up with them -- and that is the killer which they now have to face and to defeat. That is the basic choice they have to make.  If any civilization is to survive, it is the morality of altruism that men have to reject."

 

(...)

"What is the morality of altruism?  The basic principle of altruism is that man has no right to live for his own sake, that service to others is the only justification of his existence, and that self-sacrifice is his highest moral duty, virtue and value.
Do not confuse altruism with kindness, good will or respect for the rights of others.  These are not primaries, but consequences, which, in fact, altruism makes impossible.  The irreducible primary of altruism, the basic absolute, is self-sacrifice -- which means: self-immolation, self-abnegation, self-denial, self-destruction --- which means: the self as a standard of evil, the selfless as the standard of the good."

 

(...)

 

"Now there is one word -- a single word -- which can blast the morality of altruism out of existence and which it cannot withstand -- the word: "Why?"  Why must man live for the sake of others? Why must he be a sacrificial animal?  Why is that the good?  There is no earthly reason for it -- and, ladies and gentlemen, in the whole history of philosophy no earthly reason has ever been given.

It is only mysticism that can permit moralists to get away with it.  It was mysticism, the unearthly, the supernatural, the irrational that has always been called upon to justify it -- or, to be exact, to escape the necessity of justification.  One does not justify the irrational, one just takes it on faith.  What most moralists -- and few of their victims -- realize is that reason and altruism are incompatible And this is the basic contradiction of Western civilization: reason versus altruism.  This is the conflict that had to explode sooner or later.

The real conflict, of course, is reason versus mysticism.  But if it weren't for the altruist morality, mysticism would have died when it did die -- at the Renaissance -- leaving no vampire to haunt Western culture.  A "vampire" is supposed to be a dead creature that comes out of its grave only at night -- only in the darkness -- and drains the blood of the living.  The description, applied to altruism, is exact."

 

(...)

 

"Let us define our terms.  What is reason?  Reason is the faculty which perceives, identifies and integrates the material provided by man's senses.  Reason integrates man's perceptions by means of forming abstractions or conceptions, thus raising man's knowledge from the perceptual level, which he shares with animals, to the conceptual level, which he alone can reach. The method which reason employs in this process is logic -- and logic is the art of non-contradictory identification.   What is mysticism?   Mysticism is the acceptance of allegations without evidence or proof, either apart from or against the evidence of one's senses and one's reason.  Mysticism is the claim to some non-sensory, non-rational, non-definable, non-identifiable means of knowledge, such as "instinct," "intuition," "revelation,' or any form of "just knowing."

 

"In Western civilization, the period ruled by mysticism is known as the Dark Ages and the Middle Ages.  I will assume that you know the nature of that period and the state of human existence in those ages.  The Renaissance broke the rule of the mystics.  "Renaissance" means "rebirth."  Few people today will care to remind you that it was a rebirth of reason -- of man's mind.
In the light of what followed -- most particularly, in the light of the industrial revolution -- nobody can now take faith, or religion, or revelation, or any form of mysticism as his basic and exclusive guide to existence, not in the way it was taken in the Middle Ages.  This does not mean that the Renaissance has automatically converted everybody to rationality; far from it.  It means only that so long as a single automobile, a single skyscraper or a single copy of Aristotle's Logic remains in existence, nobody will be able to arouse men's hope, eagerness and joyous enthusiasm by telling them to ditch their minds and rely on mystic faith.  This is why I said that mysticism, as a cultural power, is dead.  Observe that in the attempts at a mystic revival today, it is not an appeal to life, hope and joy that the mystics are making, but an appeal to fear, doom and despair.  "Give up, your mind is impotent, life is only a foxhole," is not a motto that can revive a culture.
Now, if you ask me to name the man most responsible for the present state of the world, the man whose influence has almost succeeded in destroying the achievements of the Renaissance -- I will name Immanuel Kant.  He was the philosopher who saved the morality of altruism, and who knew that what it had to be saved from was -- reason.

This is not a mere hypothesis.  It is a known historical fact that Kant's interest and purpose in philosophy was to save the morality of altruism, which could not survive without a mystic base.  His metaphysics and his epistemology were devised for that purpose.  He did not, of course, announce himself as a mystic -- few of them have, since the Renaissance.  He announced himself as a champion of reason -- of "pure" reason.
There are two ways to destroy the power of a concept:  one, by an open attack in open discussion -- the other, by subversion, from the inside; that is: by subverting the meaning of the concept, setting up a straw man and then refuting it.  Kant did the second.  He did not attack reason -- he merely constructed such a version of what is reason that it made mysticism look like plain, rational common sense by comparison. 
He did not deny the validity of reason -- he merely claimed that reason is "limited," that it leads us to impossible contradictions, that everything we perceive is an illusion and that we can never perceive reality or "things as they are."  He claimed, in effect, that the things we perceive are not real, because we perceive them.
"

 

(...)

 

"As to Kant's version of the altruist morality, he claimed that it was derived from "pure reason," not from revelation -- except that it rested on a special instinct for duty, a "categorical imperative" which one "just knows." His version of morality makes the Christian one sound like a healthy, cheerful, benevolent code of selfishness.  Christianity merely told man to love his neighbor as himself;  that's not exactly rational -- but at least it does not forbid man to love himself.  What Kant propounded was full, total, abject selflessness: he held that an action is moral only if you perform it out of a sense of duty and derive no benefit from it of any kind, neither material nor spiritual; if you derive any benefit, your action is not moral any longer.  This is the ultimate form of demanding that man turn himself into a "shmoo" -- the mystic little animal of the Li'l Abner comic strip, that went around seeking to be eaten by somebody.
It is Kant's version of altruism that is generally accepted today, not practiced -- who can practice it? -- but guiltily accepted.  It is Kant's version of altruism that people, who have never heard of Kant, profess when they equate self-interest with evil.  It is Kant's version of altruism that's working whenever people are afraid to admit the pursuit of any personal pleasure or gain or motive -- whenever men are afraid to confess that they are seeking their own happiness -- whenever businessmen are afraid to say that they are making profits -- whenever the victims of an advancing dictatorship are afraid to assert their "selfish" rights.
The ultimate monument to Kant and to the whole altruist morality is Soviet Russia.

If you want to prove to yourself the power of ideas and, particularly, of morality -- the intellectual history of the nineteenth century would be a good example to study.  The greatest, unprecedented, undreamed of events and achievements were taking place before men's eyes -- but men did not see them and did not understand their meaning, as they do not understand it to this day.  I am speaking of the industrial revolution, of the United States and of capitalism.  For the first time in history, men gained control over physical nature and threw off the control of men over men -- that is: men discovered science and political freedom.  The creative energy, the abundance, the wealth, the rising standard of living for every level of the population were such that the nineteenth century looks like fiction-Utopia, like a blinding burst of sunlight, in the drab progression of most of human history.  If life on earth is one's standard of value, then the nineteenth century moved mankind forward more than all the other centuries combined.
Did anyone appreciate it?  Does anyone appreciate it now?  Has anyone identified the causes of that historical miracle?
They did not and have not.  What blinded them?  The morality of altruism.

Let me explain this.  There are, fundamentally, only two causes of the progress of the nineteenth century -- the same two causes which you will find at the root of any happy, benevolent, progressive era in human history.  One cause is psychological, the other existential -- or: one pertains to man's consciousness, the other to the physical conditions of his existence.  The first is reason, the second is freedom.  And when I say "freedom," I do not mean poetic sloppiness, such as "freedom from want" or "freedom from fear" or "freedom from the necessity of earning a living."  I mean "freedom from compulsion -- freedom from rule by physical force."  Which means: political freedom.
These two -- reason and freedom -- are corollaries, and their relationship is reciprocal: when men are rational, freedom wins; when men are free, reason wins.
Their antagonists are: faith and force. 
These, also, are corollaries: every period of history dominated by mysticism, was a period of statism, of dictatorship, of tyranny.  Look at the Middle Ages -- and look at the political systems of today.
The nineteenth century was the ultimate product and expression of the intellectual trend of the Renaissance and the Age of Reason, which means: of a predominantly Aristotelian philosophy.  And, for the first time in history, it created a new economic system, the necessary corollary of political freedom, a system of free trade on a free market: capitalism.
No, it was not a full, perfect, unregulated, totally laissez-faire capitalism -- as it should have been.  Various degrees of government interference and control still remained, even in America -- and this is what led to the eventual destruction of capitalism.  But the extent to which certain countries were free was the exact extent of their economic progress.  America, the freest, achieved the most.
Never mind the low wages and harsh living conditions of the early years of capitalism.  They were all that the national economies of the time could afford.  Capitalism did not create poverty -- it inherited it.  Compared to the centuries of precapitalist starvation, the living conditions of the poor in the early years of capitalism were the first chance the poor had ever had to survive.  As proof -- the enormous growth of the European population during the nineteenth century, a growth of over 300 percent, as compared to the previous growth of something like 3 percent per century.
Now why was this not appreciated?  Why did capitalism, the truly magnificent benefactor of mankind, arouse nothing but resentment, denunciations and hatred, then and now?  Why did the so-called defenders of capitalism keep apologizing for it, then and now?  Because, ladies and gentlemen, capitalism and altruism are incompatible.
Make no mistake about it -- and tell it to your Republican friends: capitalism and altruism cannot coexist in the same man or in the same society.

Tell it to anyone who attempts to justify capitalism on the ground of the "public good" or the "general welfare" or "service to society" or the benefit it brings to the poor.  All these things are true, but they are the by-products, the secondary consequences of capitalism -- not its goal, purpose or moral justification.  The moral justification of capitalism is man's right to exist for his own sake, neither sacrificing himself to others nor sacrificing others to himself; it is the recognition that man -- every man -- is an end in himself, not a means to the ends of others, not a sacrificial animal serving anyone's need.
There is a tragic, twisted sort of compliment to mankind involved in this issue: in spite of all their irrationalities, inconsistencies, hypocrisies and evasions, the majority of men will not act, in major issues, without a sense of being morally right  and will not oppose the morality they have accepted.  They will break it, they will cheat on it, but they will not oppose it; and when they break it, they take the blame on themselves.  The power of morality is the greatest of all intellectual powers -- and mankind's tragedy lies in the fact that the vicious moral code men have accepted destroys them by means of the best within them.
So long as altruism was their moral ideal, men had to regard capitalism as immoral; capitalism certainly does not and cannot work on the principle of selfless service and sacrifice.  This was the reason why the majority of the nineteenth-century intellectuals regarded capitalism as a vulgar, uninspiring, materialistic necessity of this earth, and continued to long for their unearthly moral ideal.  From the start, while capitalism was creating the splendor of its achievements, creating it in silence, unacknowledged and undefended (morally undefended), the intellectuals were moving in greater and greater numbers towards a new dream: socialism.

Just as a small illustration of how ineffectual a defense of capitalism was offered by its most famous advocates, let me mention that the British socialists, the Fabians, were predominantly students and admirers of John Stuart Mill and Jeremy Bentham.
The socialists had a certain kind of logic on their side; if the collective sacrifice of all to all is the moral ideal, then they wanted to establish this ideal in practice, here and on this earth.    The arguments that socialism would not and could not work, did not stop them: neither has altruism ever worked, but this has not caused men to stop and question it.  Only reason can ask such questions -- and reason, they were told on all sides, has nothing to do with morality, morality lies outside the realm of reason, no rational morality can ever be defined.
The fallacies and contradictions in the economic theories of socialism were exposed and refuted time and time again, in the nineteenth century as well as today.  This did not and does not stop anyone; it is not an issue of economics, but of morality.  The intellectuals and the so-called idealists were determined to make socialism work.  How? By that magic means of all irrationalists: somehow.

It was not the tycoons of big business, it was not the working classes, it was the intellectuals who reversed the trend toward political freedom and revived the doctrines of the absolute State, of totalitarian government rule, of the government's right to control the lives of the citizens in any manner it pleases.  This time, it was not in the name of the "divine right of kings," but in the name of the divine right of the masses.  The basic principle was the same: the right to enforce at the point of a gun the moral doctrines of whoever happens to seize control of the machinery of government.
There are only two means by which men can deal with one another: guns or logic.  Force or persuasion.  Those who know that they cannot win by means of logic, have always resorted to guns.
Well, ladies and gentlemen, the socialists got their dream.  They got it in the twentieth century and they got it in triplicate, plus a great many lesser carbon copies; they got it in every possible form and variant, so that now there can be no mistake about its nature: Soviet Russia -- Nazi Germany -- Socialist England.
This was the collapse of the modern intellectuals' most cherished tradition.  It was World War II that destroyed collectivism as a political ideal.  Oh, yes, people still mouth its slogans, by routine, by social conformity and by default -- but it is not a moral crusade any longer.  It is an ugly, horrifying reality -- and part of the modern intellectuals' guilt is the knowledge that they have created it.  They have seen for themselves the bloody slaughterhouse which they had once greeted as a noble experiment -- Soviet Russia.  They have seen Nazi Germany -- and they know that "Nazi" means "National Socialism."  Perhaps the worst blow to them, the greatest disillusionment, was Socialist England: here was their literal dream, a bloodless socialism, where force was not used for murder, only for expropriation, where lives were not taken, only the products, the meaning and the future of lives, here was a country that had not been murdered, but had voted itself into suicide.  Most of the modern intellectuals, even the more evasive ones, have now understood what socialism -- or any form of political and economic collectivism -- actually means.
Today, their perfunctory advocacy of collectivism is as feeble, futile and evasive as the alleged conservatives' defense of capitalism.  The fire and the moral fervor have gone out of it.  And when you hear the liberals mumble that Russia is not really socialistic, or that it was all Stalin's fault, or that socialism never had a real chance in England, or that what they advocate is something that's different somehow -- you know that you are hearing the voices of men who haven't a leg to stand on, men who are reduced to some vague hope that "somehow my gang would have done it better."
The secret dread of modern intellectuals, liberals and conservatives alike, the unadmitted terror at the root of their anxiety, which all of their current irrationalities are intended to stave off and to disguise, is the unstated knowledge that Soviet Russia is the full, actual, literal, consistent embodiment of the morality of altruism, that Stalin did not corrupt a noble ideal, that this is the only way altruism has to be or can ever be practiced.  If service and self-sacrifice are a moral ideal, and if the "selfishness" of human nature prevents men from leaping into sacrificial furnaces, there is no reason -- no reason that a mystic moralist could name -- why a dictator should not push them in at the point of bayonets -- for their own good, or the good of humanity, or the good of posterity, or the good of the latest bureaucrat's five-year plan.  There is no reason that they can name to oppose any atrocity. 
The value of a man's life?  His right to exist?  His right to pursue his own happiness?  These are concepts that belong to individualism and capitalism -- to the antithesis of the altruist morality.

Twenty years ago the conservatives were uncertain, evasive, morally disarmed before the aggressive moral self-righteousness of the liberals.  Today, both are uncertain, evasive, morally disarmed before the aggressiveness of the communists.  It is not a moral aggressiveness any longer, it is the plain aggressiveness of a thug -- but what disarms the modern intellectuals is the secret realization that a thug is the inevitable, ultimate and only product of their cherished morality.
I have said that faith and force are corollaries, and that mysticism will always lead to the rule of brutality.  The cause of it is contained in the very nature of mysticism.  Reason is the only objective means of communication and of understanding among men; when men deal with one another by means of reason, reality is their objective standard and frame of reference.  But when men claim to possess supernatural means of knowledge, no persuasion, communication or understanding are impossible.  Why do we kill wild animals in the jungle?  Because no other way of dealing with them is open to us.  And that is the state to which mysticism reduces mankind -- a state where, in case of disagreement, men have no recourse except to physical violence.  And more: no man or mystical elite can hold a whole society subjugated to their arbitrary assertions, edicts and whims, without the use of force.  Anyone who resorts to the formula: "It's so, because I say so," will have to reach for a gun, sooner or later.  Communists, like all materialists, are neo-mystics: it does not matter whether one rejects the mind in favor of revelations or in favor of conditioned reflexes.  The basic premise and the results are the same.
Such is the nature of the evil which modern intellectuals have helped to let loose in the world -- and such is the nature of their guilt.
"

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