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Criminosas sacanices soviéticas

por Nuno Castelo-Branco, em 05.08.14

Destruída, mas há uns anos reconstruída.

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publicado às 21:00

O Dia D

por Nuno Castelo-Branco, em 06.06.14

Parecendo uma repescagem das diatribes, omissões e falsidades durante décadas urdidas nos volumes da História da Grande Guerra Patriótica, têm ultimamente surgido alguns interessados pela temática II Guerra Mundial apresentando uns tantos "ses" sem qualquer sustentação, quando confrontados com a miríade de problemas ditados pela realidade tal como se apresentava em Junho de 1944.

 

Estando os historiadores perante a evidência de um conflito que cabe no conceito de guerra total, alguns pretendem  considerá-la de forma sectorial, limitada e sem atender à sempiterna companheira dos eventos bélicos, isto é, a política interna e externa dos beligerantes, os interesses geoestratégicos dos principais contendores, fossem aqueles económicos, militares ou de exercício da soberania.

 

Dizem então que o desembarque anglo-americano na Normandia terá sido uma invasão desnecessária. Argumentam com a evolução das operações no teatro de guerra da frente oriental que estava a cargo dos aliados russos. Esta é uma consideração errada em todos os pressupostos, sejam eles militares ou políticos.

 

Em Junho de 1944, a Alemanha ainda era uma potência bélica de primeira categoria, apresentando ao mundo umas forças armadas muito numerosas,  perfeitamente capazes sob o ponto de vista anímico e dotadas de equipamento tecnologicamente avançado. A indústria conduzida por Speer, atingiu picos de produção que não devem ser negligenciados, apesar dos redobrados esforços das campanhas aéreas desferidas pelas potências anglo-saxónicas. Não mencionado em detalhe a imensa superioridade técnica da sua arma blindada - mesmo atendendo aos modelos mais pesados do adversário soviético -, esta qualidade era extensível às armas que ditariam as regras nos conflitos vindouros. Mísseis de todos os tipos que iam surgindo nos teatros de operações, aviões a jacto, armas automáticas, uma nova geração de submarinos apenas muito mais tarde eclipsados pelo advento das classes movidas a energia nuclear, entre toda uma série de inovações que durante quarenta anos decisivamente influenciariam o desenvolvimento dos arsenais das principais potências mundiais.

 

Os britânicos consideravam imprescindível o desembarque na Europa, cientes que estavam daquilo que significaria a outorga de toda a guerra terrestre aos exércitos levantados pelo regime soviético. No que respeita aos seus aliados americanos, destes divergiam quanto à zona escolhida para a invasão, preferindo o "baixo ventre da Europa"- Mediterrâneo central, ou seja, a Itália, Grécia e a costa jugoslava -  às praias do norte de França. A verdade é que desde o início da sua intervenção, os americanos sempre privilegiaram os pontos de vista do Kremlin, conhecendo-se também as conversações que Roosevelt e a sua administração foi entabulando com os soviéticos a respeito da liquidação dos impérios coloniais europeus, britânico incluído. A Estaline interessava a intervenção anglo-americana de uma forma limitada - permanente bombardeamento aéreo da Alemanha e caudaloso fornecimento material à URSS - e no sentido do alívio do envio pela indústria alemã, de equipamento destinado à Wehrmacht na frente leste. Os aliados ocidentais eram meramente utilitários e o lend-lease absorvia o seu quase exclusivo interesse por eles. 

 

O conceito de defesa elástica que apesar de tudo o marechal Von Manstein conseguira impor como incontornável recurso para a contenção da avalanche que vinha do leste, é facilmente compreensível quando observamos nos mapas o lento avanço soviético em direcção a Berlim. Se a seguir a Estalinegrado (início do ano de 1943) esse progresso para ocidente parecia fulminante, a partir de Kursk - um colossal erro estratégico de Hitler - e apesar da esmagadora superioridade material, as ofensivas estiveram  muito longe de atingirem aquela velocidade que teria pressuposto a queda do III Reich na primavera de 1944. A inversão de alianças da Roménia e da Bulgária - já após o D-Day -, criou um certo vazio naquela zona dos Balcãs, sem que isso significasse a imediata chegada do Exército Vermelho a Budapeste, Praga e Viena. Apesar de se encontrarem em grande desvantagem numérica, os alemães fizeram arrastar durante longos meses, as campanhas russas na Polónia e nas províncias germânicas do leste, a Prússia oriental, Silésia e  Pomerânia. 

 

A presença anglo-americana na Itália, não era um factor determinante para a derrota do Reich a ocidente, dados os condicionalismos impostos pelo terreno admiravelmente propício a quem nele estivesse numa posição defensiva. Assim sendo, havia que escolher outro sector que se prestasse a uma maciça concentração de recursos bélicos e capazes de decidirem pelo número, o resultado de uma batalha que se previa difícil e custosa.  Sob o ponto de vista estritamente militar, os actuais revisionistas da história apresentam  como certa a vitória soviética a leste, na presunção de Estaline contentar-se com a tomada de Berlim e zonas da Alemanha concedidas após as Conferências do Cairo e Teerão, ao domínio russo. Nada mais ingénuo. Consciente dos graves prejuízos causados ao esforço de guerra alemão pelas vagas de bombardeiros da RAF e USAF, Estaline decerto pretendeu estender o tão longe quanto possível, a presença dos seus exércitos na Europa central e ocidental. Quanto a isto não poderá existir a menor dúvida, conhecendo-se a importância decisiva que o factor político-ideológico exercia sobre a sua condução das operações militares e diplomacia. Poderá alguém alimentar algumas ilusões quanto a um esperado deter soviético nas margens Elba?  Há que atender à forte presença da coluna pró-soviética que os partidos comunistas representavam na Europa ocidental, não se desconhecendo a eficácia do PCF que mesmo após finda a guerra, pesadamente influiria na condução da política francesa. 

 

É verdadeira a suposição de que a ausência de uma intervenção terrestre em França, teria significado a imediata transferência para a frente leste de importantes unidades da Wehrmacht, capazes de consideravelmente atrasarem o avanço russo e adiarem em longos meses, o desfecho do conflito. Neste caso, a pressão exercida pela guerra aérea anglo-americana apenas beneficiaria geoestrategicamente a URSS, dando-lhe campo livre para uma decisiva penetração na Europa ocidental e sendo impossível aventarmos até onde aquela poderia ter chegado. Paris?, Madrid? Lisboa? Nas  Conferências de Ialta e de Potsdam, Estaline insistiu na necessidade de um ataque aliado à Espanha de Franco e isto é por si demonstrativo de um aspecto que actualmente parece ter sido alijado das cogitações dos interessados pelo estudo dos últimos capítulos da II GM. Já é bem conhecido como um grave erro político - logo militar, num contexto de guerra total -, a negativa de Eisenhower em permitir um avanço dos seus comandantes em direcção a Berlim, considerada como um objectivo meramente simbólico. Estaline sabia que a capital alemã era muito mais que um simples objectivo de prestígio, pois o seu controlo pressupunha a reivindicação da legitimidade política sobre o conjunto da nação alemã, além de significar uma indefinida permanência do Exército Vermelho em pleno coração da Europa. E assim foi até 1990.

 

A vitória soviética era um facto iniludível, os números pesavam e a generosíssima contribuição material americana foi decisiva. Blindados na ordem de muitos milhares, milhares de aviões de todos os tipos, os uniformes que vestiram e as botas que calçaram as tropas russas, armas automáticas, artilharia, a prodigiosa quantidade de munições de todos os calibres, uma espantosa quantidade de veículos de transporte que decisivamente motorizaram o E.V., mares de combustível e de matérias primas, as rações de combate que fartamente alimentaram o gigantesco exército russo, eis a contribuição decisiva. Mas isto não era suficiente, pois americanos e britânicos receavam o advento das propaladas armas secretas à disposição do Führer, suspeitando da séria possibilidade de entre os recursos tecnológicos, poder encontrar-se a arma nuclear. Durante alguns anos - 1942-44 -, Estaline irrealistamente temeu a celebração de uma paz separada entre o Reich e as potências capitalistas ocidentais, jamais conseguindo entender o vasto quadro dos interesses dos EUA e do RU no concerto internacional e ostensivamente desdenhando do capital factor político na condução da guerra pelas potências demo-liberais. Jamais considerou a evidência de o seu regime se encontrar mais próximo daquele que Hitler simbolizava, desde a forma messiânica da condução do Estado, até à concentrada organização do mesmo. 

 

Os números apresentados pelo escalpelizar de forças presentes na frente ocidental, parecem ser uma pequena fracção daqueles outros com que deparamos na consulta dos registos da frente leste. No entanto, as campanhas em França, na Bélgica e na Alemanha ocidental, foram decisivas para o abreviar do conflito e garantir a sobrevivência das democracias ocidentais na Europa.  A partir desta realidade históricai, já estaremos no plano das suposições, onde apenas o Reino Unido dificilmente se teria mantido como a única parcela da Europa livre da ocupação e re-arranjo institucional ditado pela URSS. Daí até à quase imediata  eclosão de uma terceira guerra mundial, tudo é possível imaginarmos. 

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publicado às 15:40

Alguns factos apagados da história de Timor:

por Felipe de Araujo Ribeiro, em 28.05.14

 

1. A luta armada da ASDT (mais tarde mudou o nome para FRETILIN) contra Portugal até 1974.

2. A relevância (a própria existência se omitiu) de partidos Timorenses que defendiam a continuação do estatuto de colónia Portuguesa para Timor-Leste (UDT), para além de outros que pretendiam a integração política com a Indonésia (APODETI).

3. A guerra civil que existiu de facto entre a ASDT/FRETILIN e os outros partidos Timorenses.

4. O apoio financeiro e militar dado não só pela URSS, mas também por Portugal à ASDT/FRETILIN, um partido marxista com pretensões de tornar Timor-Leste num satélite soviético.

5. A sabotagem e o boicote dos comunistas Portugueses a todos os partidos que se opunham à ADST/FRETILIN.

6. A entrega de Timor-Leste, por parte de Portugal, à esfera do poder Soviético, ou seja, o abandono de Portugal aos Timorenses.

7. A fantochada das eleições municipais de 1975 que atribuíram uma vitória de 55% à ASDT/FRETILIN, feita com o apoio dos comunistas Portugueses que entretanto ocupavam o poder em Lisboa.

8. O silenciamento, através da prisão, exílio ou assassinato, de quaisquer vozes opostas à ASDT/FRETILIN.

9. A eventual tomada de assalto de todas as organizações partidárias de Timor-Leste por parte dos comunistas, e intensificação do programa de propaganda marxista por todo o território.

 

Ai, Timor, calam-se as vozes dos teus avós.

Ai, Timor, se outros calam, cantemos nós.

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publicado às 12:28

The End

por Nuno Castelo-Branco, em 29.08.12

 

Esperemos que não se trate de mais uma oportuna adaptação da excelente e bastante esquecida obra The Last 100 Days, de John Tolland. Alertado pela minha diária e rotineira leitura do Portugal dos Pequeninos, fiquei a saber que Pacheco Pereira teceu algumas considerações acerca do livro The End. Ainda não tendo lido a obra de Ian Kershaw, regista-se a certeza de um relato pormenorizado acerca do Götterdämmerung do III Reich. Sabe-se que até ao último dia da sua existência, a máquina do regime funcionou como os seus chefes previam. Os operários escrupulosamente chegaram a horas para o trabalho, os juízes ditaram as sentenças por mais impiedosas que fossem, a burocracia funcionou em pleno e os kommando de manutenção da ordem nacional-socialista foram tão eficazes como sempre. 

 

Poderá ser  mais fácil recorrermos a explicações do âmbito da psicologia, de massas ou não, que teria efectivamente condicionado uma imensa população de mais de noventa milhões de aparentes sonâmbulos, apesar da desgraça que atingiu a Alemanha com inaudita violência. Ainda não sei se Ian Kershaw procura explicar algumas das razões que levaram os alemães à total subordinação ao regime e consequente resistência até à última bala, último panzer e ao derradeiro buraco onde se entricheirava a gente do Volksturm. Algo sucedeu para tal ferocidade da tropa e civis alemães, aliás demonstrada pelas mais de 300.000 baixas soviéticas na já de antemão perdida batalha de Berlim. 

 

Qual a explicação plausível para tal encarniçamento da resistência popular que permitiu o perfeito funcionamento da máquina do poder nacional-socialista?

 

 

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publicado às 10:12

O ar condicionado da Guerra Fria

por João Quaresma, em 10.08.12

 

O caso da fábrica de painéis solares de Alexandre Alves acabou por reabrir um tema há muito esquecido nas prateleiras da história de Portugal no pós-25 de Abril: as empresas mantidas pelo PCP, entre outros motivos, para se financiar através de negócios generosos (por exemplo, a exportação de vinhos, a importação de automóveis Lada) com os regimes do bloco comunista. Em 1991, aquando do desmoronamento da URSS, foram descobertas alegadas ilegalidades envolvendo algumas destas empresas. Foi o famoso caso dos carimbos do Governo Civil do Porto, alegadamente falsificados, usados por essas empresas; na altura fez as capas dos jornais para logo depois cair no completo esquecimento.

O caso da Fábrica Nacional de Ar Condicionado, tal como é descrito por Zita Seabra, é uma daquelas histórias verdadeiramente fascinantes dos tempos da Guerra Fria, e corresponde ao modus operandi da Stasi (os serviços secretos e polícia política da Alemanha comunista, equivalente local ao KGB). Resta saber se outros casos do género tiveram lugar envolvendo outros fornecimentos ao Estado.

Aposto que, depois disto, em muitos gabinetes vai haver gente de mangas arregaçadas e chave de parafusos na mão, a desmontar o aparelho de ar condicionado para ver se tem um microfone escondido.

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publicado às 11:00

Uma curta metragem a não perder

por Nuno Castelo-Branco, em 03.07.12

Por sugestão do Miguel, uma curta metragem que apenas aflora alguns aspectos mais superficiais daquilo que foi o sistema da URSS, vigente durante três gerações. A brutalidade, traição, cinismo, inépcia e simples banditismo erguidos em forma de Estado.

 

Bem podem os seus próceres portugueses - o oficialista PC e o informal BE - ensimesmarem-se em patológica, mas calculada negação. As coisas foram mesmo assim e isto é apenas um insignificante, mas indigesto aperitivo.

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publicado às 10:59

Olha quem fala!

por Nuno Castelo-Branco, em 01.06.11

Longe vão os tempos em que o Partido romeno, embora ínfimo e sem expressão popular, era uma mera filial dos interesses de Estaline, submetendo o país à voracidade do poderoso ocupante. Longe vão os tempos em que os srs. Ullbricht e  Honneceker, significavamm na Alemanha Oriental, precisamente o mesmo que Quisling significara em Oslo. Longe vão os tempos em que Jivkov propunha a entrada da Bulgária para a URSS, ou seja, a pura e simples anexação do seu país pelo colosso do leste. 

 

Durante muitos anos, anos de guerra em que "burgueses e proletários" enviavam os seus filhos para as frentes do Ultramar, o PC colocou-se sempre ao lado de quem contra eles disparava. Obviamente jamais considerou como traição, a pertinaz defesa do interesse oposto ao de Portugal, fosse na Índia, China ou África. Após o 25 de Abril, foi lesto no escarnecer da História deste país, desvalorizando os Descobrimentos, arrastando pela lama a reputação de dezenas de celebrados heróis nacionais, ou menosprezando a expansão territorial noutros continentes. Troçou de reis, navegadores, comerciantes, homens de ciência e das artes, tudo trocando pela contabilização de sacas de centeio e imaginadas "lutas". Os seus acólitos, do alto de cátedras bramaram indecências e mentiras durante anos a fio, copiando ipsis verbis, todas as calúnias dirigidas aos Bragança da Restauração de 1640, pretendendo não ver o essencial aspecto simbólico que permitiu o reerguer da independência nacional. Até Olivares lhes parecia genial. No campo da política quotidiana, estiveram sempre ao lado da potência que tinha três mísseis nucleares apontados a Portugal, destinando-se cada um deles a Lisboa, Porto e Setúbal. Na chamada descolonização exemplar, o PC foi o fidelíssimo agente da potência tutora dos receptadores da soberania portuguesa em África, tudo fazendo para agradar a Moscovo. Das mãos de Boris Ponomarev, Cunhal recebeu em pleno Pavilhão dos Desportos de Lisboa, a bandeira de honra do PCUS. Jamais deles se ouviu um queixume contra a concentração da mais formidável força panzer acumulada nas fronteiras de um país, 24 horas por dia em alerta para uma invasão que nunca chegou. Se tal tivesse acontecido, o papel do PCP teria sido o de um mero comité de boas vindas. Esteve com os invasores da Polónia, da Alemanha e da Checoslováquia. Esteve sempre ao lado dos tiranos que derrubaram o regime romeno de 1947 e dos ocupantes que instauraram a exploração soviética da Bulgária. Rejubilaram com o massacre nas ruas da Budapeste de 1956. Deliraram com a ocupação no Afeganistão e deles jamais saiu um protesto contra o genocídio no Cambodja ou na Etiópia. Jamais. 

 

Hoje, Jerónimo de Sousa - porque os outros, os fracos imitadores, já o sugeriram - aponta o dedo a traidores, neles englobando os "Partidos da troika". Como peritos na matéria, eles lá devem saber do que falam.

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publicado às 20:00

Via Brasil, ficámos a saber qual a posição do PCP quanto aos assuntos líbios.

 

Um conhecido potencial colaboracionista de uma Europa que um dia "teria sido ocupada" pela URSS, decidiu-se pela desesperada defesa de Kadhafi. Como é hábito, procurou transplantar uma parte da hagiografia soviética para as dunas do deserto da Marmárica e nem sequer faltou uma alusão ao ataque ao Palácio de Inverno, agora corporizado pelo rei idris. O funcionário em tempo livre Miguel Urbano Rodrigues, segue rigorosamente as directivas habituais, apontando a "desinformação e confusão" semeadas mundo fora. Em suma, papagueia aquilo que a boca de Kadhafi transmite via CNN. A tagarelice velha e relha da "ameaça imperialista", aliada à sempre omnipresente teoria da conspiração, pózinhos milagrosos e danças de bruxas em que os comunistas são peritos, deliciam qualquer leitor interessado numa viagem ao passado, breve de cinco minutos.

 

Após o inevitável ataque à inofensiva Monarquia dos Senussi, M.U.R. canta hossanas ao regime do coronel saído das areias e a uma  ..."estratégia que promoveu o desenvolvimento económico e reduziu desigualdades sociais chocantes. A Líbia aliou-se a países e movimentos que combatiam o imperialismo e o sionismo. Kadhafi fundou universidades e industrias, uma agricultura florescente surgiu das areias do deserto, centenas de milhares de cidadãos tiveram pela primeira vez direito a alojamentos dignos". Tudo isto parece muito idílico, mas infelizmente não corresponde minimamente ao que as imagens têm mostrado, desde a péssima qualidade urbana que por lá se espalha como uma lepra - qualquer centro de cidade na Líbia, mais se assemelha ao pior dos subúrbios da Grande Lisboa -, até ao aspecto paupérrimo e semi-desclaço, de uma população que vive sobre um mar de petróleo. Ávido comprador de material de guerra soviético, o sr. Kadhafi apresenta ao mundo um exército com um aspecto andrajoso, carros blindados enferrujados, tanques debotados e aviões a caírem aos pedaços. Torrou dezenas de biliões em sucata, biliões esses que engordaram as contas do conglomerado militar-industrial da extinta União Soviética.

 

O sr. Miguel Urbano Rodrigues, não desfia nem uma conta do rosário de atrocidades perpetradas pelo seu camarada de Trípoli, nem sequer tem uma palavra para aquelas que o regime da moribunda "jamahiria" perpetrou contra o seu próprio povo. Este tipo de solidariedades relativas a prazenteiros enforcadores de estudantes e de famílias inteiras, esta condescendência para com bombistas de linhas aéreas e financiadores de patifes da pior espécie como Abu Nidal, Baader-Meinhof, Brigate Rosse, Rote Armee Fraktion e uma imensa panóplia de grupúsculos terroristas mundo fora, elucidam-nos acerca do que ainda fervilha por aquelas néscias cabeças em irrecuperável curto-circuito. 

 

A precisar urgentemente de fosfoglutina, o sr. Rodrigues poderia repensar os eventos que levaram ao saque dos recursos da Ucrânia, países do Cáucaso e da Ásia Central, Roménia Alemanha Oriental, por exemplo. O que tem o sr. Rodrigues a dizer, acerca das "normalizações" imperialistas impostas pelas lagartas dos tanques da URSS? O que lhe pareceu significar a invasão do Afeganistão, a invasão de Angola pelo imperial-internacionalista de bananeira Castro, ou a descarada intervenção na Etiópia com todo o seu cortejo de horrores? A lista é longa, talvez mais ainda que a já provecta idade do sr. Rodrigues. 

 

Fica-nos o aviso acerca  de..."dirigentes progressistas latino americanos (que) admitiram como iminente uma intervenção militar da NATO".  Sabemos perfeitamente a quem se refere, precisamente aqueles ditadores de pacotilha que sabem pertencer a uma indesejável lista de detritos a reciclar.

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publicado às 15:54

1938-1968: Boémia, o quintal de dois vizinhos

por Nuno Castelo-Branco, em 21.08.10

No verão de 68, este foi o graffiti incessantemente reproduzido em toda a Checoslováquia

 

Bismarck era um homem perfeitamente consciente dos perigos que o desequilíbrio de poderes representava para a Europa. Em conformidade, toda a sua política externa  tendeu para a manutenção de um status quo, no qual uma Prússia engrandecida, o II Reich, ocupasse uma posição de tal forma determinante, que acabou  por se tornar também, num poder colonial. Indo agressivamente contra a opinião de Moltke, do Estado-Maior do exército prussiano e do próprio rei Guilherme I, Bismarck não impôs a Viena uma paz draconiana. Após Koeniggraetz, abria-se a possibilidade dos exércitos prussianos avançarem pela Boémia e tomarem posse das terras alemãs do império dos Habsburgos. Isso teria significado uma guerra europeia, tal como mais tarde sucederia em 1914-18. Bismarck pressentia-o e via no Império Austro-Húngaro, aquela construção que aglomerando povos muito diferenciados, era dirigida por um governo imperial de forte influência germânica, convindo perfeitamente a Berlim.

Desapossar os Habsburgos do seu património ancestral nos Sudetas e na própria Boémia, poderia significar uma imensa vantagem para a Prússia, até porque a região consistia no principal foco industrial do império, ocupando simultâneamente, uma importantíssima posição estratégica no centro geográfico da Europa. No entanto, a manutenção de tão vastos domínios sob um controlo nominalmente neutral, tranquilizava Londres, Paris e São Petersburgo, evitando a sua inimizade declarada. O Chanceler de Ferro dizia que ..."quem tem Praga, domina toda a Europa Central". Não se trata de uma suposição, porque os acontecimentos subsequentes confirmam-na. A dissolução da Áustria-Hungria, significou a criação de um conjunto de Estados sucessores, fatalmente desatriculados de uma economia que tinha sido comum ao império, enquanto para sempre se quebraram aqueles laços de solidariedade internacional que décadas mais tarde, levaram italianos, checos, croatas, eslovenos, húngaros, polacos ou romenos, a marchar para a Grande Guerra, unidos em torno das bandeiras regimentais do exército de Francisco José. De facto, o desaparecimento do império danubiano, para sempre mudou a face da Europa, alçando a Alemanha como o grande poder económico e cultural, preponderante no grande espaço que vai do Reno às margens do Golfo da Finlândia e ao Mar Negro.

 

A partir de 1919, a profunda crise em que mergulharam as duas grandes potências da Europa Central e do Leste - a Alemanha e a Rússia -, fizeram pender  a região para uma ténue e provisória influência francesa, mas a ascensão dos regimes autoritários europeus e o rearmamento alemão da década de trinta, reconduziram Praga à esfera de influência de Berlim. 1945 trouxe o Exército Vermelho ao centro da Europa e aí permaneceu até à derrocada da URSS no início da última década do século XX. Em conformidade, deixaram de ter razão os pactos militares e económicos celebrados a leste e uma vez mais, a Boémia aproximou-se da potência limítrofe, acabando por ingressar na Comunidade Europeia. Desta forma, o render da guarda aconteceu de forma natural e o estado de coisas provavelmente assim permanecerá durante longo tempo.

 

Os acontecimentos de 1968, consistiram na necessária reacção de Moscovo, a uma clara ameaça de destruição do cordão sanitário criado em benefício da vencedora URSS. Toda a brutalidade se justificava afinal, pela necessidade de manutenção da correlação de forças este-oeste, sem a qual se entrava decisivamente num período de "guerra iminente". Todos os protestos não passaram disso mesmo e o Ocidente acabou por aceitar o facto consumado, enquanto uma parte da esquerda ocidental, voltava a erguer as velhas e ineficazes palavras de ordem da "conspiração imperialista e reaccionária", o complexo do "cerco", as tentativas de "revanchismo fascista", etc. Para os marechais soviéticos, o que verdadeiramente importava, era a manutenção da perigosa cunha que a curva dos Sudetas representa, surgindo como uma ponta de lança pronta a desferir um mortal golpe em direcção ao Reno. Atingi-lo numa semana, eis, em súmula, o cerne da doutrina ofensiva do pacto de Varsóvia. Depois, logo se via o que a evolução dos acontecimentos traria.

 

Perder a Checoslováquia levava ao automático colapso do sistema criado pela força de ocupação dos vitoriosos de 1944-45, enquanto o habilidosamente tecido equilíbrio do terror, garantia a inactividade ocidental, da NATO, quanto a qualquer tipo de intervenção directa em nome do Pacto de Varsóvia plenamente submetido ao que se conheceu como "Doutrina Bezhnev".

 

A definitiva liquidação do sovietismo erguido em Estado, implicou o progressivo esmorecer dos confrontos intestinos entre leninistas de todos os matizes, mas o "espírito de Praga", descendente daqueles de 1938 e de 1968, permanece simbólico e atesta a afirmação de Bismarck: ..."quem tem Praga, domina toda a Europa Central". O colapso da Checoslováquia e a sua transformação em dois Estados claramente sob a influência de Berlim, confirma a suposição bismarquiana.

 

Na verdade, a única nota ainda digna de registo, consistirá nas graves clivagens que o tema ainda provoca nos sectores políticos geralmente muito conservadores e à mercê da ortodoxia doutrinária - protagonizados em Portugal pelo PC e pelo BE - que se reclamam "à esquerda da social-democracia", enquanto esta própria, envergonhada, alterna a profunda crítica dos eventos, com uma certa complacência oportunista, desejosa em agradar potenciais aliados de ocasião.

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publicado às 23:42

Notícias persas

por Nuno Castelo-Branco, em 28.06.09

 

 Em plena I Guerra Mundial e para a imprensa directamente dependente dos grandes interesses económicos, dir-se-ia que a Rússia imperial não era aquele giganteso país cujos exércitos haviam salvo a França de uma fulminante derrota no Verão-Outono de 1914, repetindo a façanha em 1916, na Galícia, desta vez enfrentando o exército austro-húngaro.  Os comentadores políticos e a generalidade dos articulistas, impregnados do sentido do politicamente correcto daquela época, invectivavam violentamente o regime czarista, apresentando-o sob as mais sombrias cores, mesmo reconhecendo a vital necessidade de preservação da frente oriental que dados os efectivos e a imensidão da Rússia, garantiam uma previsível vitória final contra a Alemanha. 

 

Apenas alguns anos após a derrota de Tsushima, a Rússia surgia como um prodigioso polo de desenvolvimento, numa complementaridade de sectores apenas possível por uma imensa riqueza geológica, vastíssima superfície de boas terras aráveis e uma população em rápido crescimento e em acelerada fase de urbanização. Como exemplo, os ricos campos petrolíferos do Cáucaso prometiam igualar e até sobrepujar a extracção norte-americana, o que ameaçava directamente os conglomerados empresariais do sector, cerceando-lhes os lucros, concorrendo na distribuição e consequentemente, implicando um crescimento explosivo da indústria russa. No horizonte surgia a ameaça de um colossal concorrente comercial. Assim sendo, todo o estranho processo revolucionário que conduziu a dupla Lenine-Trostky ao poder, obedecerá a múltiplos factores: pela parte das Potências Centrais - oportunistamente acusadas após a guerra de terem sido as responsáveis pela introdução da "mala de bacilos" leninista na Rússia -, interessava a eliminação da frente leste que consumia uma enorme quantidade de efectivos militares, dada a extensão dos territórios onde os exércitos combatiam. O acesso às matérias primas, recursos agrícolas e o sempre presente jogo da geopolítica - onde imperava o princípio da prevalência futura do bloco Eurásia -, consistiram em factores não desdenháveis, dada a situação de estrangulamento imposto aos Centrais pelo bloqueio naval  aliado.  Os milhões de dólares vertidos nos cofres que financiaram a Revolução, a protecção a Trotsky nos EUA - muito assistido e rodeado de luxos cuja proveniência era ao tempo desconhecida - e finalmente, tudo o que decorreu após a 1ª revolução que conduziu Kerensky ao poder, indicia um claro interesse ocidental na subversão da ordem imperial. Caído o regime, a Rússia remeteu-se a um longo período de ruína económica, total dependência de fornecimento de máquinas e equipamentos industriais, colapso agrícola, maciça fuga de quadros técnicos e de gestão, turbulência política e purgas, selváticos morticínios e volatilização do país como agente de primeira grandeza na cena internacional. De facto, a subversão do regime de Nicolau II, a sua queda e o consequente atraso de décadas, cumpriram plenamente os objectivos ocidentais.

 

O Irão consiste num caso diferente, apesar de existirem algumas semelhanças num processo de alteração da ordem política, económica e social. Não possui nem de longe o peso da grande potência europeia cujas fronteiras ocidentais lhe permitem o exercício de esquemas de influência e de "direitos de reserva" na zona báltica, balcânica e do mar Negro. Embora seja com a China, o derradeiro sobrevivente dos impérios da Antiguidade - e isto significa muito para uma população orgulhosa do seu passado histórico -, o Irão apenas pode exercer uma certa hegemonia consentida naquela área do Médio Oriente, sem que tal signifique ombrear com as aparentemente declinantes potências europeias e muito menos, com a grande China, a imensa Rússia ou os EUA. O Xá caiu devido a uma multiplicidade de eventos e mais importante ainda, de factores a priori exteriores a qualquer acto político, económico e até de organização interna do seu regime. Deixou de interessar aos americanos, que neste caso parece terem querido imitar a teoria da Soberania Limitada de Brezhnev, aplicada pela URSS aos seus satélites do leste europeu. No auge da Guerra Fria e com uma interminável instabilidade nascida da independência e consolidação de Israel, parecia lógico e imprescindível, o apoio ocidental aos Pahlevi. O Xá surgia como a única garantia de um certo estilo de vida profundamente influenciado pelos euro-americanos do pós-guerra, segurança regional, poderosa intervenção no sentido de impedir o uso do petróleo como arma desorganizadora da economia de mercado, não sendo também possível negligenciar o factor militar que o quinto exército do mundo representava para a manutenção do status quo na zona. No entanto, os jornais e as televisões ocidentais saturavam os noticiários com denúncias de tortura, dispêndio de recursos com a defesa, "corrupção consumista de privilegiados", desrespeito pelas tradições de antanho, etc. Teciam-se as mais fantasiosas teorias acerca de um futuro mais ou menos distante, quando ameaçado de esgotamento dos lençóis petrolíferos, Reza Pahlevi decidisse apoderar-se dos campos situados nos países vizinhos, previsivelmente no Iraque, Kuwait e Arábia Saudita, fazendo ressurgir o extenso império persa dos tempos imediatamente anteriores a Alexandre.

 

O ocidente acolheu "exilados políticos", mimou a elite reaccionária religiosa com todas as garantias de sobrevivência e possibilidades de agir politicamente. De facto, a França consistiu num autêntico alfobre subversivo, a partir do qual Khomeiny fazia chegar as suas mensagens ao Irão, sem que as autoridades de Paris se preocupassem em impor as elementares regras de abstinência de qualquer actividade política contra um país com os quais mantinha normais relações diplomáticas e que podia ser mesmo considerado como um bom cliente e aliado.  Tal como Lenine foi transportado num combóio da Reichsbann em direcção a S. Petersburgo, o Ocidente fez embarcar o aiatolá a bordo de um avião da Air France, arruinando-se assim cinco décadas de modernização imposta pelo regime imperial. Conhecem-se os resultados desastrosos, sobretudo para a segurança internacional na zona do Médio Oriente. Daquele avião saiu o agente que conduziria à rápida radicalização e sonhos expansionistas de Saddam Hussein, assim como uma pungente vaga terrorista que a partir de então assolou o mundo, ameaçou a segurança colectiva e internamente, fez o país retroceder  muitas décadas naquilo que o progresso social pode significar. No entanto, a queda do Xá afastou por trinta anos, a consecução de um poder hegemónico que ameaçasse seriamente os grandes interesses do sector energético ocidental e toda uma indústria que dele depende. 

 

Esmagada a ameaça iraquiana, volatilizado o Estado no país vizinho e normalizada a situação interna de consolidação do regime teocrático, o Irão preparava-se para subir um patamar julgado improvável há apenas uma década. Teerão tem o perfeito conhecimento do poder dissuasor que a arma final, a bomba atómica, significa para a generalidade da opinião pública americana e europeia, para não dizermos mundial. Um ataque ao estilo "Tempestade do Deserto" e as suas variantes de 2003, tornam-se senão impossíveis, muito problemáticas em termos de consequências imediatas, dado o correspondente desconhecimento do paradeiro de uma parte do arsenal nuclear da antiga URSS, a fuga de segredos tecnológicos militares e a contratação de especialistas por parte de quem almeja a conseguir a chamada arma final. Existindo arsenais nucleares em Israel, na Índia  e no Paquistão, a proliferação poderá tornar-se incontrolável e especialmente catastrófica, devido à tentação em propiciar recursos nucleares a grupos terroristas internacionais, o uso da ameaça bélica para resolver conflitos fronteiriços ou o desencadear destes sob a protecção do guarda-chuva atómico.

 

O regime dos aiatolás promoveu afincadamente a latente situação de guerra no Líbano, patrocinou a criação de Jihads e Hezbollahs, além de claramente ser um dos intervenientes no conflito iraquiano, dada a importância da comunidade xiita neste país. Num momento em que a situação parecia destinada a um nítido aumento de importância da influência iraniana além fronteiras - impossibilitando qualquer solução para a longa crise israelo-palestiniana -, o regime de Khamenei e da sua excrescência civil, o sr. Ahmadinejad, encontra-se sob o crivo da chamada "opinião pública mundial" que há meses vem sido mobilizada de forma discreta mas persistente, no sentido de encarar benevolamente a outorga da condição de Estado pária a um ameaçador, retrógrado e belicoso Irão. O próprio poder instituído em Teerão, corresponde exactamente ao modelo que uma Europa há muito rejeitou, mercê de uma já secular campanha de laicização da sociedade que hoje, pode vislumbrar na antiga Pérsia, uma reedição de um anacrónico esquema organizacional da sociedade. Os ocidentais são por regra  anticlericais e a actual legislação iraniana, a assumida desigualdade de género, os discursos grosseiros, provocadores e radicais de um Ahmadinejad, fazem muito pela criação do tal bem conhecido "estado de espírito" que prepara a opinião pública para a urgente remoção de um tumor maligno na política mundial. De facto, nem Khatami, nem Khamenei, Ahmadinejad ou Moussavi, possuem uma ínfima parte da bonomia, nem do cosmopilitismo refinado e modernizante do Xá, o que facilita enormemente a missão desagregadora a que os media ocidentais se dedicarão com cada vez maior veemência. O Xá, era "um como nós", autoritário, sem dúvida, mas seguro e moderno.

 

O Supremo Líder, o aiatolá Khamenei, acusa as potências ocidentais - nomeadamente os EUA e o Reino Unido - de  promoverem uma campanha de desestabilização da situação interna iraniana. Sabe do que fala, até porque o seu poder deriva exactamente daqueles já longínquos dias de 1978-79, quando essas mesmas potências ocidentais ajudaram a promover a queda do Xá e indirectamente, o estabelecimento da república islâmica. Não só é possível que Khamenei esteja coberto de razão, como também é muito provável. Nesta conjuntura, o regime tal como o conhecemos, tem os dias contados. Agora, tudo se limita a uma simples questão de tempo.

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publicado às 22:25

Resistir para ajudar.

por Nuno Castelo-Branco, em 24.06.09

  

 

Estas duas últimas semanas têm correspondido plenamente aos anseios seculares da chamada Ummah. De facto, o mundo muçulmano tem preenchido os cabeçalhos da imprensa escrita, enquanto beneficia igualmente da duvidosa honra de abertura de todos os telejornais.

 

Trata-se de uma notoriedade pelas piores razões. A informação global, ao invés de apresentar esta "civilização" com as pinceladas do já há muito fanado brilho do Califado de Córdova, mostra-nos o culminar de um processo já vetusto de uma época em que saídas da camisa de forças do colonialismo - ou mandato - ocidental,  as sociedades de matriz maometana procuraram afirmar uma improvável identidade comum, apenas possível pela crença religiosa. De Marrocos ao Bornéu, jamais existiu essa imaginada unidade que os proselitistas exaltam no fervor dos sentidos, diante das multidões receptivas a uma qualquer mensagem de esperança. Profundamente humilhadas por um longo processo histórico que as conduziu a uma estratificação social - logo político-económica - vexatória a que se resignaram, as gentes recentemente definidas em termos de nação pelas fronteiras de Estados gizados a régua e esquadro pelos nazarin, encontraram num  perdido passado de expansão militar, re-descoberta dos Clássicos e construção de impérios relativamente efémeros, um hipotético modelo orientador para um porvir que emanando directamente do Todo Poderoso, apenas significaria a recompensa pela cornucópia da glória, abundância e superioridade da sua identitária fé. Pouco importariam as realidades apresentadas por uma Turquia em secularização coerciva, uma Argélia satelitizada pela suserania da Santa Mãe do materialismo russo-soviético, ou ainda, a da antiga Pérsia que queria surgir diante da Europa como sua directa antepassada, sem a mediação incómoda  aferrada pelos cavaleiros vindos do deserto do sul e que de cimitarra a tinha subjugado. Pareciam ser aspectos menores diante daquilo que verdadeiramente era capaz de unificar de este para oeste, um novo mundo em formação. Impossível.

 

A realidade internacional saída da II Guerra Mundial e que mergulhando na Guerra Fria dividiu as principais - e até aí hegemónicas - potências  europeias em dois campos, definiu os blocos em liça pela supremacia. Sendo o bloco norte americano um natural prolongamento da Europa, os novos Estados do hemisfério sul continuaram fatalmente a servir como móbil nos jogos de poder, definindo desde a independência qual o dois dos Grandes - os EUA e a URSS - corresponderiam aos desígnios das elites formadas pelo colonialismo e que recentemente chegadas ao poder, esperavam ansiosamente  afirmar-se no palco internacional, por esta forma consolidando  a sua prevalência interna.

 

Embora os europeus e os "árabes" estejam separados por esse mar-de-ninguém que é o Mediterrâneo, desde sempre a História mostrou existir um "amigo e protector" dos muçulmanos. Francisco I de França abasteceu as galeras da Sublime Porta, contrariando a aventura do império mundial de Carlos V. Luís XIV aproveitou o avanço otomano contra Viena, atacando a rectaguarda dos Habsburgo em Espanha, nos Países Baixos, no Franco-Condado e nos mares. Napoleão imaginou uma aliança com o sultão, para poder submeter o bloco austríaco e condicionar os ímpetos do fogoso czar Alexandre. Guilherme II apresentou a Constantinopla a conveniência da assistência prussiana, assumindo-se como protector de um império cujos achaques de "homem doente da Europa" faziam adivinhar um fim próximo. Hitler recebeu o Grande Mufti  de Jerusalém - o único homem a quem permitiu o uso de um cafetã na sua presença - , sancionou o ingresso de combatentes pelo Islão nas SS e no Mein Kampf, afirmava a conveniência que o credo de Mafoma significaria para a organização da sua própria Jihad em direcção a um Lebensraum não apenas material, mas perfeitamente correspondente aos velhos mitos germânicos dos tempos  da vida nas florestas, em oposição à decadência de uma Roma invejada e porque inatingível, tornara-se desprezível e pouco animosa.

 

Uma lista dos chamados grandes homens do século árabe  - na conhecida e errónea vulgarização do termo pelos ocidentais - das independências, demonstra-nos a simples não existência de um único que sendo perfeitamente autónomo relativamente ao odiado Ocidente, pudesse imitar o tolerante e grande chefe que fora o Saladino dos tempos áureos de Bagdade. O líbio Idris, o saudita Ibn-Saud, os egípcios Faruk e Nasser, a plêiade de quase desconhecidos generais que sucessivamente se sentaram no trono do menino Faiçal II do Iraque, os novos Khan-presidentes do artificial Paquistão, os Ben Bella,  Bourgibas, Assads, Kaddafys e tantos, tantos outros que a história apenas reconhecerá em notas de rodapé, nenhum deles foi capaz de oferecer ao seu povo, um modelo definido de ordem, prosperidade e sobretudo, de reconhecimento geral pelo brilho de uma cultura já há muito assimilada pelos europeus. Arrancaram à terra as suas riquezas, desbaratando-as em novéis palácios de Mil e Uma Noites de pesadelos de tortura, guerras, extorsão e preconceitos anacrónicos. Entre todos os "grandes dirigentes muçulmanos", apenas dois perfazem integralmente o arquétipo do homem diligente, moderno e senhor das suas acções que fora de portas é um igual entre os maiores: Attaturk e Mohammad Reza Pahlavi - seguindo o programa modernizador do pai -, estes directos herdeiros de um outro mundo velho de muitos séculos e que compreenderam a necessidade de adequar a sociedade aos tempos da tecnologia, universalidade da Lei e liberdade nacional, bem diferente do complexo e muitas vezes equívoco conceito que a restringe à esfera pessoal do anónimo. 

 

Fracassaram nos seus propósitos, pois ansiosos em ir sempre mais além e de forma acelerada, não conseguiram ser totalmente compreendidos e acompanhados por sociedades resignadas e estruturadas de uma forma conceptual diametralmente oposta à do modelo que lhes ditava a moda, organizava os serviços essenciais a um Estado, criava o consumo e estabelecia os parâmetros de conduta. Se Attaturk ainda permanece hoje como uma referência ciosamente guardada pela vigilância que os militares exercem sobre as sucessivas interpretações do próprio khemalismo, o grande homem que foi o Xá Reza Pahlavi, acabou deposto pela conjugação de factores que não podia controlar. O auge do confronto EUA-URSS no ocaso da Guerra Fria; os choques petrolíferos nos quais procurou ser um elemento apaziguador - que lhe granjeou acirrados ódios internos e entre os "irmãos de fé" -; a oposição de um clero profundamente patriarcal e de uma mentalidade onde prevalecia o espírito da organização rural em contraposto à "prostituída" vida urbana e finalmente, as consequências  inevitáveis do seu desejo de independência e de igualdade entre os grandes, condenaram-no a um fracasso que criou uma inédita situação internacional que hoje parece finalmente evoluir de forma abrupta e inesperada.

 

Esta dualidade amor-ódio pelo Ocidente, pode ser afinal, um grande e poderoso móbil para mais uma e talvez derradeira aproximação do Ocidente, a um "mundo muçulmano" desconfiado, hesitante, mas talvez ainda possível de subtrair à total capitulação perante uma interpretação abusiva de um passado cada vez mais anacrónico. Usam e idolatram a tecnologia nazarin, organizam as suas cidades sob a métrica nazarin, organizam-se em termos legais numa mescla impossível do primado constitucional-legal nazarin, com os preceitos próprios para a salvaguarda identitária das já há muito desaparecidas tribos do deserto do século VI. Encandeados pela luz das nossas urbes são para a Europa atraídos como ferro para imã, mas a coacção moral e física de uns tantos, julga poder convencer a massa expectante, da prometida conquista que vingue a própria impotência.

 

A única fórmula possível de assistência naquela demanda pelo progresso, consiste na manutenção de uma posição firme, inabalável. Qualquer cedência ao capricho de assembleias de homens sábios, condena aquelas sociedades a um desastroso fracasso, do qual nós próprios seremos as preferenciais vítimas. Há que resistir.

 

 

 

 

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publicado às 17:03

 

 

…contado pelo jornal Avante!
 
Enquanto fazia uma pequena pesquisa para a frequência de Introdução às Ciências Políticas e Sociais, fui parar ao site do Jornal Avante (salvo erro por ter pesquisado “Teoria Marxista”). Por curiosidade pesquisei Estaline (Staline) no motor de busca; trago-vos aqui um pouco do que encontrei (Não estão por ordem cronológica).

 

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Importante: As imagens aqui expostas pertencem à galeria online disponibilizada pelo Órgão Central do Partido Comunista Português. O que está aqui apresentado é apenas um conjunto de títulos de notícias, assim sendo coloco como legenda das mesmas uma ligação para o número do Jornal Avante a que correspondem, para que tenham acesso a toda a informação que este disponibiliza.

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publicado às 23:10

50 anos depois - Curiosidades na Corrida ao Espaço

por Paulo Soska Oliveira, em 02.01.09

Luna 1

 

A 2 de Janeiro de 1959, a sonda Luna 1 tornava-se no primeiro objecto a superar a Velocidade de Escape deste planeta.

 

Com efeito, a URSS continuava os seus sucessos no campo da Conquista Espacial, à custa da economia planeada, e conquistando o primeiro ponto na Corrida à Lua, que acabaria por perder a 20 de Julho de 1969 quando Neil Armstrong se tornaria no primeiro humano a pisar solo não terrestre.

 

A Luna 1, além de todas as outras experiências científicas que ajudou a realizar, tornou-se também no primeiro cometa artifical ao libertar para o espaço uma nuvem de sódio, sendo visível desde o Oceano Indíco durante alguns minutos.

 

Pelo meio da sua missão, esta sonda tornava-se também no primeiro objecto artifical a atingir uma órbita heliocêntrica.

 

 

 

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publicado às 10:16

 

Para os mais distraídos, Marx e Lenine foram dois burgueses que viveram nos séculos XIX e XX respectivamente. O primeiro escreveu, entre outras obras, o Manifesto do Partido Comunista, um livro dividido em quatro pequenos capítulos: “Burgueses e proletários”, “Proletários e Comunistas”,”Literatura Socialista e Comunista” e “Posição dos comunistas para com os diversos partidos oposicionistas”. O segundo foi um exilado na Suíça, que aquando da revolução de Fevereiro de 1917, voltou para a pátria mãe para poder assistir de perto a uma demonstração de artilharia medieval.
Pegando no I Capitulo do Manifesto de Marx e Engels, ficamos a perceber que livres e escravos, barões e servos, proletários e burgueses são afinal dois extremos imutáveis cuja relação seria sempre hostil. No caso de Barões e servos e em alturas de escravidão, ainda podemos perceber que o ambiente era hostil (muitas vezes os senhores não pediam por favor no fim de ordenarem seja o que for) … No caso dos séculos XX e XXI acho que é grotesco pensar que há uma barreira tão grande entre “povo” e a “burguesia” nas sociedades ocidentais, quem o afirme só o poderá fazer legitimamente se enquadrar num destes padrões: o desconhecimento da raspadinha (principal meio de ascensão em sociedades ocidentais, ao alcance de um proletário cuja fábrica ou oficina tenha nas proximidades um quiosque) ou então viciou-se no filme “Coreia do Norte, jornadas de uma democracia”.
No seu grande rol de intervenções, Marx afirmou em 1884 que a religião é o ópio do povo. Quanto a esta afirmação devemos dar o desconto ao senhor alemão; se ele fosse a uma quinta à noite ao Bairro Alto, perceberia certamente que o ópio é o ópio do povo. Voltando agora a coisas sérias, Bernardino Soares é um político… (peço desculpa). Apesar do que disse anteriormente, acho que algum crédito deve ser dado a diversos políticos comunistas como Estaline; citando Diácono Remédios “Este Estaline apesar de todos os defeitos de ser comunista, tinha o seu lado bom pois aniquilou muitos dos seus colaboradores comunistas” para além disso tinha uma posição democrática em relação aos seus opositores, como podemos verificar no caso Trotsky, que lamentavelmente morreu durante o período de férias de Natal no México (Ironia).
Lenine foi sem dúvida um governante fiel aos ideais marxistas, tendo a sua primeira grande medida uma Nova Política Económica, que assentava no desenvolvimento da Indústria, de uma forma capitalista (visto que o capitalismo não era assim tão mau como diziam), explica a NEP como sendo uma medida que nos faz dar um passo atrás para dar dois à frente, a intenção era boa, mas infelizmente Lenine tropeçou com esta história dos passos e Estaline resolveu substituir esta política pelos planos quinquenais, o que agradou bastante às populações mobilizadas (Ironia).
Houve uma coisa que Marx, Lenine e todos os outros se esqueceram de referir; a corrupção não é algo exclusivo das “classes superiores”, todo o homem que se vê com tamanho poder rara ou dificilmente se desprende do mesmo, daí o mal das ditaduras, não têm um prazo definido nem uma obrigatoriedade ideológica ou política.
Não querendo difamar ou chacotear o sentimento e ideais comunistas (que respeito tal como qualquer pensamento livre), penso ser mais que óbvio que olhar a história de um lado sem conhecer os outros, nos faz ter uma visão errónea da realidade do mundo. Enquanto pensadores livres não nos podemos limitar a ouvir a história dos três porquinhos contada pelos pobres cujas casas foram sopradas.
 

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publicado às 23:15

 

A 4 de Julho de 1943, um estranho acidente aéreo em Gibraltar, vitimava o chefe do governo polaco no exílio, o general Sikorski. Para a Polónia ocupada, este militar era o símbolo da resistência à ocupação decorrente do Pacto germano-russo de 23 de Agosto de 1939 e emulava perante os seus compatriotas, o papel desempenhado pelo general De Gaulle junto dos franceses.

 

Após o Armistício de Rethondes e tal como o chefe da França Livre, Sikorski decidiu passar o núcleo de resistência para a Inglaterra, onde se dedicou à formação de unidades de combate polacas integradas no exército britânico. A situação da Polónia diferenciava-se do posicionamento de Londres perante o Eixo, pois a evidente convergência de interesses entre o Reich e a URSS, tinha como base de sustentação a partilha do país que conduzira à declaração de guerra de 3 de Setembro. Se a primeira fase do conflito conformou os esforços de Sikorski na estreita cooperação com o War Cabinet de Londres, o início da Operação Barbaruiva trouxe imediatas dificuldades ao relacionamento entre os novos aliados, ambos muito interessados em soluções completamente diferentes para o futuro do ressurgimento da Polónia como Estado independente. Inicialmente, os britânicos pretendiam honrar os seus compromissos que previam a manutenção do status quo das fronteiras anteriores à guerra, enquanto numa primeira fase da invasão da Rússia, Estaline preferisse não se pronunciar acerca do verdadeiro projecto de anexação soviético, já estabelecido pelo tratado celebrado com Ribbentrop em Moscovo. Desta forma, a possibilidade de renunciar aos territórios polacos  situados a leste da Linha Curzon, estava de antemão posta fora de qualquer cogitação. Estaline pretendia um claro avanço territorial para ocidente que lhe permitia intervir decisivamente na Europa Central e nos Balcãs, transformando toda a vasta região num conjunto de Estados vassalos e de preferência, com forte presença militar russa.

 

A necessidade de chegar a um acordo levou Sikorski a negociar com Moscovo, sabendo-se que na URSS vegetavam nas mais miseráveis condições milhares de militares e civis polacos, mas a informação alemã acerca dos massacres de Katyn perpetrados pelo NKVD, viria a criar um fosso intransponível entre o governo polaco de Londres e o regime de Estaline. Em consequência, foi organizado um governo fantoche pró-russo, assim como um exército polaco sob férreo controle  do Stavka, o que aparentemente facilitaria a aceitação da entrada do Exército Vermelho na Polónia, numa fase da guerra em que a Wehrmacht recuava e tornava evidente o desenlace do conflito.

 

Toda a controvérsia inter-aliada, ou melhor, entre os polacos no exílio e o conjunto dos aliados ocidentais e a URSS, residia na dificuldade de estabelecer a Polónia com fronteiras aceites por todos. Para a URSS, isso implicava o reconhecimento da linha estabelecida por Molotv e Ribbentrop, uma das fundamentais causas da própria entrada em guerra da Grã-Bretanha. A rica e multifacetada personalidade de Winston Churchill - estando os ingleses muito dependentes da ajuda norte-americana - poderá ter induzido o Premier a uma daquelas reviravoltas políticas de que foi sempre um destacado protagonista, embora o segredo tenha pautado as suas actividades mais comprometedoras de homem de Estado e de governo. Ainda hoje se discute a autenticidade de uma correspondência mantida com o Duce até aos derradeiros momentos da II Guerra Mundial, mas o facto dos arquivos britânicos não confirmarem ou negarem formalmente a existência da documentação, deixa numerosas questões por responder. Assim, Sikorski - por muitos considerado como homem providencial -, poderá ter-se tornado num permanente incómodo para os ingleses, já colocados num plano secundário entre os chamados Três Grandes, ao lado dos EUA e da URSS.  Sabemos que Roosevelt estava sempre disposto a contemporizar com Estaline e provavelmente Washington pressionou Londres no sentido de forçar os renitentes polacos a aceitar as condições impostas por Moscovo no que respeita á alteração radical de fronteiras. O governo de Sikorski jamais manifestou qualquer interesse em receber compensações em território alemão a norte ou a ocidente, percebendo que a delimitação das fronteiras polacas de 1939 propiciava uma efectiva vantagem nos Países Bálticos e mantinham intacta a possibilidade da manutenção dos Balcãs e da Europa Central fora do domínio soviético. 

 

O inicial silêncio acerca das estranhas circunstâncias que conduziram ao desaparecimento do unanimemente reconhecido chefe do governo polaco e a posterior acção de encobrimento da investigação, deixam intactas as possibilidades de conjecturar acerca das chamadas "teorias da conspiração", uma muito provável verdade habilidosamente oculta durante sessenta anos. A quem aproveitou o crime? Em que circunstâncias foram radicalmente alteradas as históricas fronteiras territoriais - e principalmente étnicas - da Polónia? Qual foi o papel desempenhado pelos governos dos Aliados ocidentais em todo o sórdido, brutal e ilegal  processo da transferência de populações e de territórios? Se hoje ninguém alimenta qualquer tipo de dúvidas acerca da natureza criminosa do regime soviético e dos seus métodos diplomáticos abstrusos  e absolutamente contrários à ética que deve reger - mesmo que apenas na sua forma -  a ordem diplomática internacional, muitas questões continuam sem resposta. Apesar de todas as interrogações e recordando que há apenas duas décadas não existiam os meios de que hoje dispomos para a informação global, é muito fácil imaginar a eliminação selectiva de documentos comprometedores para Londres e Washington, porque para os soviéticos, religiosamente crentes na vitória final do comunismo, o Arquivo foi sempre o destino certo para todo o tipo de documentos escritos, fossem eles de índole pública ou privada. Enfim, os carrascos e os burocratas do PCUS organizaram criteriosamente o infindável processo de acusação que a História lhes reserva. Quanto aos ocidentais, só o futuro o dirá.

 

 

*Post dedicado ao Paulo Soska

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publicado às 15:11

Geórgia, Israel e a propaganda Ocidental

por Paulo Soska Oliveira, em 21.08.08

Torna-se interessante ler o seguinte artigo:

 

Georgian minister tells Israel Radio: Thanks to Israeli training, we're fending off Russian military
By Haaretz Staff

Georgian Minister Temur Yakobashvili yesterday praised Israel for its role in training Georgian troops and said Israel should be proud of its military might.

"Israel should be proud of its military, which trained Georgian soldiers," Yakobashvili, who is Jewish, told Army Radio in Hebrew. He was referring to a private Israeli group Georgia had hired.

Yakobashvili, Georgia's minister of reintegration, said this training enabled Georgia to defend itself against Russian forces in the warfare that erupted last week in the separatist region of South Ossetia, Georgia.

Yakobashvili said a small group of Georgian soldiers were able to wipe out an entire Russian military division, thanks to the Israeli training.

"We killed 60 Russian soldiers yesterday alone," said Yakobashvili. "The Russians have lost more than 50 tanks, and we have shot down 11 of their planes. They have sustained enormous damage in terms of manpower."

Yakobashvili warned that the Russians would try to open another front in Abkhazia, another separatist region in Georgia, and he denied reports that the Georgian army was retreating. "The Georgian forces are not retreating. We move our military according to security needs," he said.

He also denied that Russian troops had struck Georgia's international airport.

"There was no attack on the airport in Tbilisi. It was a factory that produces combat airplanes," said Yakobashvili.

"The whole world is starting to understand that what is happening here will determine the future of this region, the future price of crude oil, the future of central Asia, and the future of NATO," the Georgian minister added. "Every bomb that falls over our heads is an attack on democracy, on the European Union and on America."

 

Algo está podre no reino do Ocidente...
 

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publicado às 09:20

Geórgia e os Neocons

por Paulo Soska Oliveira, em 20.08.08

Transcrevo aqui uma excelente peça de contra-informação ocidental, redigida por Paul Craig Roberts.

 

Paul Roberts - Ex-secretário assistente do Tesouro na administração Reagan. Foi editor associado da página editorial do Wall Street Journal e editor colaborador da National Review. É co-autor de The Tyranny of Good Intentions.

 

 

 

 

The Neocons Do Georgia
Humanity's Greatest Enemy?

 

The success of the Bush Regime’s propaganda, lies, and deception with gullible and inattentive Americans since 9/11 has made it difficult for intelligent, aware people to be optimistic about the future of the United States. For almost 8 years the US media has served as Ministry of Propaganda for a war criminal regime. Americans incapable of thinking for themselves, reading between the lines, or accessing foreign media on the Internet have been brainwashed.

 

As the Nazi propagandist, Joseph Goebbels, said, it is easy to deceive a people. You just tell them they have been attacked and wave the flag.

It certainly worked with Americans.

The gullibility and unconcern of the American people has had many victims. There are 1.25 million dead Iraqis. There are 4 million displaced Iraqis. No one knows how many are maimed and orphaned.

Iraq is in ruins, its infrastructure destroyed by American bombs, missiles, and helicopter gunships.

 

We do not know the death toll in Afghanistan, but even the American puppet regime protests the repeated killings of women and children by US and NATO troops.

 

We don’t know what the death toll would be in Iran if Darth Cheney and the neocons succeed in their plot with Israel to bomb Iran, perhaps with nuclear weapons.

 

What we do know is that all this murder and destruction has no justification and is evil. It is the work of evil men who have no qualms about lying and deceiving in order to kill innocent people to achieve their undeclared agenda.

 

That such evil people have control over the United States government and media damns the American public for eternity.

America will never recover from the shame and dishonor heaped upon her by the neoconned Bush Regime.

The success of the neocon propaganda has been so great that the opposition party has not lifted a finger to rein in the Bush Regime’s criminal actions. Even Obama, who promises “change” is too intimidated by the neocon’s success in brainwashing the American population to do what his supporters hoped he would do and lead us out of the shame in which the neoconned Bush Regime has imprisoned us.

 

This about sums up the pessimistic state in which I existed prior to the go-ahead given by the Bush Regime to its puppet in Georgia to ethnically cleanse South Ossetia of Russians in order to defuse the separatist movement. The American media, aka, the Ministry of Lies and Deceit, again accommodated the criminal Bush Regime and proclaimed “Russian invasion” to cover up the ethnic cleansing of Russians in South Ossetia by the Georgian military assault.

 

Only this time, the rest of the world didn’t buy it. The many years of lies--9/11, Iraqi weapons of mass destruction, al Qaeda connections, yellowcake, anthrax attack, Iranian nukes, “the United States doesn’t torture,” the bombings of weddings, funerals, and children’s soccer games, Abu Ghraib, renditions, Guantanamo, various fabricated “terrorist plots,” the determined assault on civil liberties--have taken their toll on American credibility. No one outside America any longer believes the US media or the US government.

 

The rest of the world reported the facts--an assault on Russian civilians by American and Israeli trained and equipped Georgian troops.

The Bush Regime, overcome by hubris, expected Russia to accept this act of American hegemony. But the Russians did not, and the Georgian military was sent fleeing for its life.

 

The neoconned Republican response to the Russian failure to follow the script and to be intimidated by the “unipower” was so imbecilic that it shattered the brainwashing to which Americans had succumbed.

 

McCain declared: “In the 21st century nations don’t invade other nations.” Imagine the laughs Jon Stewart will get out of this on the Daily Show. In the early years of the 21st century the United States has already invaded two countries and has been beating the drums for attacking a third. President Bush, the chief invader of the 21st century, echoed McCain’s claim that nations don’t invade other nations. http://news.bbc.co.uk/2/hi/europe/7556857.stm

 

This dissonant claim shocked even brainwashed Americans, as readers’ emails reveal. If in the 21st century countries don’t invade other countries, what is Bush doing in Iraq and Afghanistan, and what are the naval armadas and propaganda arrayed against Iran about?

 

Have two of the worst warmongers of modern times--Bush and McCain--called off the US/Israeli attack on Iran? If McCain is elected president, is he going to pull US troops out of Iraq and Afghanistan as “nations don’t invade other nations,” or is President Bush going to beat him to it?

We all know the answer.

 

The two stooges are astonished that the Americans have taught hegemony to Russians, who were previously operating, naively perhaps, on the basis of good will.

Suddenly the Western Europeans have realized that being allied with the United States is like holding a tiger by the tail. No European country wants to be hurled into war with Russia. Germany, France, and Italy must be thanking God they blocked Georgia’s membership in NATO.

 

The Ukraine, where a sick nationalism has taken hold funded by the neocon National Endowment for Democracy, will be the next conflict between American pretensions and Russia. Russia is being taught by the neocons that freeing the constituent parts of its empire has not resulted in their independence but in their absorption into the American Empire.

Unless enough Americans can overcome their brainwashed state and the rigged Diebold voting machines, turn out the imbecilic Republicans and hold the neoconservatives accountable for their crimes against humanity, a crazed neocon US government will provoke nuclear war with Russia.

The neoconservatives represent the greatest danger ever faced by the United States and the world. Humanity has no greater enemy.

 

Dá que pensar...

 

O original pode ser encontrado aqui

 

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publicado às 08:49

Nada de novo na frente oriental: Vaclav Klaus

por Nuno Castelo-Branco, em 03.07.08

 

O referendo irlandês parece ter aberto a questão da viabilidade da ratificação do Tratado de Lisboa. Se o argumento de Kaczinsky se torna numa mera desculpa circunstancial e de nítido aproveitamento da inesperada oportunidade, as notícias que chegam de Praga colocam o problema noutro patamar.

 

O eurocéptico Vaclav Klaus declara  não se identificar com esta União gizada "à francesa" e na aparência, as suas palavras limitam-se ao reconhecimento do fracassado exercício de unânime aceitação do plano estabelecido pelos chamados Grandes (Alemanha, França, Itãlia, Espanha e o reticente R.U.). 

 

Tal como disséramos no anterior post referente à Polónia, os checos situam-se numa área geográfica onde o equilíbrio do poder se desintegrou após a dissolução da URSS e do Pacto de Varsóvia. A própria partilha da antiga criação versalhesa - a Checoslováquia - em duas identidades estatais independentes, consistiu na consagração do reconhecimento do fim da carta europeia estabelecida pelos vencedores de 1918. De facto, do cordão sanitário imposto pela França à rival Alemanha - Polónia, Checoslováquia, Jugoslávia e grande Roménia -, pouco ou nada resta. Estado com um peso demográfico e económico de algum relevo, a Checoslováquia foi a principal beneficiária do desmembramento do império austro-húngaro, concentrando no seu território, a parte vital da indústria imperial e uma situação estratégica de absoluta e excepcional importância para os franceses. Os Acordos de Munique (1938) indiciaram claramente a fragilidade da realidade multi-étnica, pois a poderosa minoria alemã  - habitante do vasto arco dos Sudetas - jamais fora consultada quanto ao seu destino, forçada a permanecer ligada ao corpo estranho de um Estado no qual não se reconheceu. Um caso paralelo ocorreu na zona oriental, pois a Eslováquia abrigava uma importante minoria húngara e o distrito polaco de Teschen, compondo-se finalmente o mosaico, com a inclusão de uma parte de maioria ucraniana, a Ruténia Subcarpática. Munique colocou a Boémia-Morávia nas mãos do Reich e de imediato, a Eslováquia torna-se num Estado independente, cedendo à Hungria os distritos reivindicados por Budapeste. Num breve hiato de alguns meses, a França via esfumar-se o seu mais importante e poderoso aliado na Europa Central, enquanto a Alemanha adquiria recursos materiais e uma posição de grande conforto estratégico-militar que lhe permitiu a satelitização da Roménia e da Bulgária.

 

O resultado da II Guerra Mundial restaurou uma Checoslováquia amputada da Ruténia - cedida à URSS - e procedeu-se à coerciva expulsão dos três milhões de alemães, tal como ocorrera nas províncias orientais  prussianas, que reverteram para a administração polaca.

 

A Checoslováquia consistiu num importante posto avançado do Exército Vermelho e a revolta e consequente repressão em 1968, demonstraram a firmeza soviética em conservar a ameaça sobre o dispositivo central da NATO na Alemanha Federal, sendo o exército checo dotado de substanciais meios e atribuições num hipotético cenário de conflito.

 

A liquidação do Pacto de Varsóvia e o desmoronamento do império vermelho, ditou o recrudescer das ambições do separatismo eslovaco, que conseguiria reeditar em fronteiras sensivelmente idênticas, a república eslovaca de monsenhor Tiso, aliada de Berlim em 1939-44.

 

A verdadeira questão que hoje se coloca aos checos, consiste nas hipóteses que terá a sobrevivência de uma política independente e consentânea com o seu estatuto de Estado recente e de reduzida dimensão. Quando Bismarck declarava Praga como a chave do controle de toda a Europa central e oriental,  formulava este princípio, baseado na existência da grande massa territorial - e aliada - do império austríaco, um contraponto à Rússia e ao próprio II Reich. A situação é hoje muito diferente e os checos só podem esperar compreensão para os seus desígnios mais básicos de existência, olhando para lá do cabo da Roca e do espaço atlântico, onde os EUA não deixarão decerto, escapar a oportunidade de colocar vitais peças no complexo xadrês que disputa o controle da passagem e acesso às matérias primas que a Ásia Central prodigaliza. Desta forma, a até hoje platónica União Europeia encontrou no seu próprio seio, os previsíveis focos de resistência à instauração da política de conhecido teor e ambição continental que ditou a eclosão de numerosos conflitos pela hegemonia.

 

Nada de novo, na frente oriental.

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publicado às 23:45






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