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O sucesso da Segurança Social

por John Wolf, em 02.01.17

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Imaginem por uns instantes que eram a Catarina Martins. Não estariam a bradar aos céus e a invocar a violação da confidencialidade e o sigilo dos cidadãos? Não entendo como a Segurança Social (SS) possa publicar a lista de devedores e na mesma toada anunciar o seu fracasso na captação das ditas - ou seja, as dívidas à SS efectivamente aumentam. A disseminação do nome de indivíduos e entidades devedores não parece ter surtido efeito dissuasor. Aquela lista afixada, para quem quiser saber, apenas normalizou os processos comportamentais negativos. Reintegra na sociedade portuguesa prevaricadores firmados na praça. Ou seja, se aparece o nome de fulano, então não é assim tão mau que apareça o nome de sicrano. Faria sentido, na base bilateral e exclusiva, ter acesso a essa informação. O fumo denso da geometria variável das dívidas à segurança social serve para camuflar crimes de colarinho branco. Onde está a lista de delinquentes bancários? Onde está a lista de fornecedores que ficaram a arder com o cliente que deu à sola? Esta lista da SS não tem efeito prático algum. Se vasculharmos com algum cuidado na extensa lista lá encontraremos um nome amigo e de certeza um outro governante histórico. Mas ninguém vai de cana ao contrário do que acontece em democracias mais reforçadas.

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publicado às 16:30

Padre Vieira da Silva

por John Wolf, em 17.10.16

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A bíblia do Orçamento de Estado 2017 tem santos de toda a ordem. Os padres da geringonça apresentam-se com sermões de encantar na mesmíssima paróquia. Por um lado, Centeno invoca os caminhos da justiça e das escolhas - a justiça de tirar e a escolha de não admitir -, e Vieira da Silva, que está junto ao altar, vem com o choradinho demagogo do excedente de pobreza. O ministro da solidariedade e afins refere a pobreza infantil numa espécie de chantagem emocional para justificar a carga contrubutiva. Em nome da criança a extensão de Austeridade pode ser justificada. Pobreza infantil é um conceito questionável. Sabemos o que quer dizer  Vieira, mas não sabe expressar-se. É a pobreza dos progenitores que conduz à precariedade infantil. As crianças não devem ser ricas nem pobres. Não devem trabalhar. É bom saber que o convento das belas intenções tem o apoio da Fundação Francisco Manuel (dos Santos!). A gerin do PS e a gonça do BE e PCP subscrevem esta fórmula de intensificação da miséria para ver se o povo engole a pílula de mais austeridade. Mas algo não bate certo. Não era suposto o desemprego estar a baixar e a economia a crescer? Se isso fosse verdade, o Vieira da Silva não vinha com esta cantiga de orfanato. O excelso ministro já teve diversas oportunidades para governar e erradicar a pobreza, mas qualquer coisa falhou ou faltou. É de uma baixeza franciscana servirem-se dos pequenotes para galgar as margens contributivas dos portugueses. Parece aquela conversa de ocasião com que nos cruzamos por aí: não é para mim, é para uma criancinha.

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publicado às 09:52

Reformas antecipadas a arder

por John Wolf, em 16.05.16

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A aceleração dos pedidos de reforma antecipada nos últimos 5 meses exige uma interpretação minuciosa. Indica certas aflições. As pessoas entre os 55 e 60 anos já viram governos e mais governos passar-se-lhes à frente. Já sentiram maior ou menor segurança em relação ao seu futuro. Já viveram intervenções do Fundo Monetário Internacional. Já tiveram de apertar o cinto vezes sem conta. O governo de inspiração socialista e natureza solidária não parece instigar grande confiança nos cidadãos portugueses perto da idade de reforma. Os governos socialistas, dada a sua natureza, dependem de um vasto corpo de legionários públicos. Foram esses funcionários que os elegeram à luz da certas promessas salariais e a reposição de privilégios. O actual governo anda um pouco baralhado. Por um lado, sem o declarar, gostaria de pôr a correr as brigadas infindáveis de trabalhadores do Estado e por outro lado irá sentir dificuldades de tesouraria para fazer face à grande demanda de reformas antecipadas. Ou seja, para continuar a merecer o estado de graça dos "seus" eleitores tem de continuar com a conversa do primado do funcionalismo público, mas sabe que tem de atenuar o fardo financeiro das reformas antecipadas. Os contribuintes deste escalão laboral, que já foram enganados vezes sem conta por governos de todas as cores e feitios, ainda têm instinto de sobrevivência. Querem fugir da casa que está prestes a arder. Já toparam as fagulhas. E não acreditam nos bombeiros.

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publicado às 09:30

Orçamento número 44

por John Wolf, em 23.02.16

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Alguém pode ajudar? Estou a tentar falar com o ministro Vieira da Silva. Já liguei para o Parlamento uma série de vezes e informam-me que o senhor está a discursar e que está muito ocupado. Está a falar insistentemente sobre evasão fiscal e do delapidar de contas públicas. E também sobre solidariedade. Mas esqueceu-se de um pequeno pormenor que não deve fazer parte dos capítulos do Orçamento de Estado de 2016. Gostava de saber que medidas de controlo e sanção serão implementadas por forma a que alguém do aparelho de poder não deite a mão a dinheiro alheio? Sim, estou a pensar em José Sócrates. O herói do Simplex. O homem do Magalhães. E alegadamente o homem dos offshores e malas de euros. Gostava de saber qual o impacto orçamental dos devaneios do número 44 nos anos passados e vindouros? Ao bom estilo socialista, a memória é selectiva. Não lhes convém lembrar essa pedra no sapato. Vieira da Silva, campeão da solidariedade, não passa de um dispensador de frases-feitas, de um mero gestor de máximas socialistas completamente desfasadas da realidade. O governo em funções declama a poesia de justiça económica e social, mas não explica como vai financiar a fantasia. As contas não irão bater certo por mais que insistam na superioridade moral. Onde está o corte nas gorduras do Estado que escorreram em tantos cartazes de campanha do Partido Socialista? Como irão gerar emprego? Não explicam. Mas garantem que o crescimento económico é uma dimensão sem ligação ao emprego. Ora para isso acontecer, as contribuições fiscais têm de aumentar. E aqui reside grande parte da mentira económica e financeira que não passará em claro junto dos credores internacionais e dos eleitores. O Orçamento de Estado (OE) respeita a Constituição (?), repetem eles como se fosse uma mantra, mas esqueçem que esse "diploma" não é uma ferramenta de governação. Quanto muito será um modelo de orientação. E aqui reside mais um problema. A sua ortodoxia ideológica, fruto de calores revolucionários, tem sido o entrave, uma parte do conjunto de obstáculos à modernização de Portugal, mas também do Estado e da administração pública. O debate de apresentação e aprovação do OE não sai daquela sala. Não passa do Parlamento. Não migra para a verdadeira dimensão da realidade portuguesa. O governo, defendendo-se sem ser atacado, demonstra a sua vulnerabilidade. Nem sequer consegue liderar da retaguarda. E espelha irremediavelmente algo complexo e pertença da realidade política nacional. A ideologia, seja qual for, domina para bem e para mal. E os socialistas são particularmente dotados na expressão dessa cegueira. Chamem Sócrates que ele deve saber responder a questões de superioridade moral e ética.

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publicado às 15:15

O governo e o índice de erecção

por John Wolf, em 17.12.15

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Fico furioso quando me mentem. Não me refiro a esse caso patológico cujo nome recuso escrever. O actual governo da República Socialista de Portugal não fala a verdade. Em vez disso lança uma neblina para confundir os mais incautos. A aprovação do aumento de dois milhões de pensões não passa disso mesmo. Não é preciso ser um astrofísico-financeiro para perceber o truque. O tão aclamado aumento está, efectivamente, indexado à inflação, e acontece que na Zona Euro não se avista uma pontinha da mesma. O Banco Central Europeu confirma esse facto ao manter a sua posição de expansionismo monetário. Nesse medida, o pensionista nacional não deve morder este isco. A linha populista que atiram, tem, além do mais, um peso-morto no seu fim. A ficção monetária e a alegada reposição do poder de compra terá de ser compensada com mais medidas trans-demagógicas. Ou seja, o softcore desta medida fácil e aparatosa terá de ser contrabalançado por medidas XXX. Para cada decisão sexy do governo, terá de haver outra sado-maso. Onde é que o Vieira da Silva pensa que está? Nos EUA? Aí sim, já há sintomas de erecção inflacionista, e a domina Janet Yellen, ciente dos perigos que espreitam, começou ontem a fechar a torneira da liquidez ao subir a taxa de juro de referência. "Indexado à inflação" é como oferecer preservativos a um náufrago que se encontra a solo numa ilha selvagem.

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publicado às 17:46

Mais um frete jornalístico a António Costa

por Manuel Sousa Dias, em 23.03.15

http://www.publico.pt/politica/noticia/os-12-alquimistas-de-costa-1689973

 

De destacar o estilo gradiloquente e sebastianesco do texto de Nuno Sá Lourenço.

 

Entre os 12 alquimistas que irão transmutar metais inferiores em ouro para António Costa - e encher os cofres do estado - temos Vieira da Silva, Elisa Ferreira e João Galamba e outros místicos ligados ao PS e ao mundo académico.

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publicado às 18:36

Microfones e subvenções vitalícias

por John Wolf, em 20.11.14

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Os portugueses já deveriam saber como isto funciona. Os actores apresentam um espectáculo notável e o público deixa-se ir, julgando se tratar da atracção principal da noite. No palco dois personagens desenvolvem um sketch em torno de um microfone, um enredo com picos de tensão e comédia, e enquanto a plateia assiste impávida e serena ao tira-teimas, uma outra troupe, em toda parecida à primeira, saca do guião umas linhas mais cínicas, um monólogo expectável de toda uma classe política: o regresso das subvenções vitalícias dos políticos. O esquema, usado vezes sem conta em política, geralmente funciona. Quando não há palhaços disponíveis, o futebol também serve para distrair. Ou uma outra trivialidade picante, sórdida. O vice-presidente da bancada socialista foi o encenador escolhido para dar esta pancada na moleira dos portugueses. Vieira da Silva, cujo semblante serve perfeitamente para estas encomendas, não nos faz esperar pela tomada de posse de António Costa para provar que o mundo tornará a ser como era. Nada mudou nem mudará. O Partido Socialista que se apresenta (sempre) como o bom da fita neste péssimo filme, não passa afinal de um intérprete da mesma mediocridade. Falam com saudade da revolução, mas são uns fracos, uns vendidos. A reforma de Estado nunca será avistada nos termos em que o país exige. Assim que o Largo do Rato voltar a mandar neste cangalho, iremos assistir a um processo de retorno aos dinheiros fáceis de um qualquer programa comunitário. Os portugueses têm todas as razões para estarem arruinados. Isto não se endireita com uma simples mudança de personagens.

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publicado às 20:20

Os fanáticos da dívida e o PS

por John Wolf, em 20.10.14

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O Partido Socialista (PS) afirma que é contra o "fanatismo da austeridade", como se não fizesse parte da história que conduziu a esse estado clínico. Para demonstrar boa-vontade e fair-play, o PS deveria reconhecer que os loucos que agora apertam o cinto dos portugueses também são seus filhos - são monstros criados por si. Foram décadas de gestão esbanjadora que tornaram a dívida avassaladora e crónica. Há algo de incoerente nesta abordagem. Não foi José Sócrates que jurou que a dívida não se resolve? Que a dívida é um bicho para se ir gerindo? Alguém acredita que é possível fazer tábua rasa da realidade financeira, que é adversamente negativa, e começar de novo como se nada fosse? A haver uma renegociação da dívida, que desconto será efectivamente obtido na factura? Olhar para o problema através da óptica europeia faz sentido, mas também faz sentido reflectir sobre o impacto que as doutrinas alegadamente socialistas tiveram na estrutura económica e social da Europa - as ilações ideológicas ainda não foram tiradas, o mea culpa ainda não foi feito. Esta iniciativa de pré-executivo é um claro indicador de que existe a noção no PS que os problemas económico-sociais são grandes demais para a sua camioneta. Aos poucos, porque são ratos, percebem que devem meter todos ao barulho. Uns quantos do Manifesto 74, e ainda outros provenientes de outras latitudes. Resta saber como os socialistas, após anos de rejeição ideológica da receita de Angela Merkel, vão encetar negociações com a mesma senhora que lá estará para os receber. Prevejo que, se e quando chegarem ao poder, todo o gás da claque da oposição socialista seja convertido em algo mais etéreo, contraditório. Embora de momento ainda sejam do contra, quando forem governo e a Realpolitik de Bruxelas lhes bater na cara, aposto que vão comer e calar. E nesse momento passarão a ter outra dívida para com os eleitores portugueses. Para já o PS ainda pensa ter bom crédito dos eleitores. Veremos.

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publicado às 17:23






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