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A GRÉCIA E NÓS

por Manuel Sousa Dias, em 10.11.15

Os gregos deram tiros para baixo sem saber que acertavam nos pés. A coligação de esquerda olha para a Grécia e para as eleições em Portugal e conclui que os portugueses votaram e decidiram tirar os calos nos pés com caçadeira.

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publicado às 15:03

ESTRELAS, PLANETAS E CALHAUS

por Manuel Sousa Dias, em 20.10.15

O país está calmamente entretido a encadear clips uns nos outros enquanto o PS leva a cabo a sua missão de unir as várias esquerdas numa só frente comum de combate à austeridade e ao neoliberalismo da PaF. A coisa tem de levar o seu tempo, até porque cada apoio é mais um degrau subido por António Costa na sua ascensão a estrela principal do sistema político português. Trata-se de colocar ordem num sistema complexo em torno da força gravítica do PS e de António Costa, sistema este no qual pretendem que coabitem alguns planetas (PCP e Bloco), algumas polémicas científicas em relação ao estatuto de alguns corpos celestes (o PCP garante que Heloísa Apolônia é uma lua enquanto outros garantem que, como Plutão, não passa de um grande calhau) e muitos corpos celestes de trajetória errante tais como o caso do Agir, Livre, Movimento Alternativa Socialista, Movimento Tempo de Avançar, Manifesto 3D, Associação Forum Manifesto e Renovação Comunista, calhaus estes de volumes variáveis e de difícil cartografia no espaço e no tempo. As opiniões dividem-se. Uns dizem que Deus quer, o homem sonha e a obra nasce. Garantem que é possível ter a esquerda bem orquestrada a gravitar em torno de António Costa. Outros dizem que esse será um sistema instável e que facilmente implodirá, ora porque o Bloco (Política XXI, UDP, Ruptura FER e PSR) só por si já é altamente instável, ora porque a força gravítica de António Costa é fraca para aglutinar na sua órbita tantos corpos celestes, ora porque à estrela em queda António Costa já não resta qualquer chama. E o que pensará o povo? O povo olha para cima e não consegue compreender por que é que alguns insistem teimosamente em tentar fazer um sistema girar em torno de uma estrela menor que caiu em colapso quando vê bem escrito nos céus que esse sistema só poderá acabar mal. Muito mal, sobretudo quando um céu que não escolheu se precipita a cair em cheio bem em cima da sua cabeça

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publicado às 15:17

JÁ EM EXIBIÇÃO

por Manuel Sousa Dias, em 19.10.15

 

costa nilsen FINAL.jpg

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publicado às 04:18

Uma palavra de louvor a Paulo Macedo

por Manuel Sousa Dias, em 22.07.15

Porque muitos de nós, comunicação social, blogosfera e intelectuais de café vivemos no reino do “quanto pior melhor”, quero deixar uma palavra de apreço por Paulo Macedo, actual Ministro da Saúde, a quem acho que o país deve alguns bons serviços. Vou até mais longe acrescentando que se possível fosse clonaria Paulo Macedo e colocaria cada um dos clones em alguns ministérios. Muito se falou do tratamento da hepatite C e dos seus custos, tendo inclusivamente o país vibrado com o apelo de José Carlos Saldanha que para as TVs pediu “Senhor Ministro, não me deixe morrer!!”. Ficou a eloquência do pedido de quem tinha 80% de probabilidades de morrer dentro de um ano, não se falou muito do facto deste doente ter por várias vezes recusado o tratamento através de interferon, o medicamento que durante muito tempo foi o único tratamento no mercado para tratamento da doença - com diversos efeitos secundários e moderadas garantias de eficácia. Portugal foi o primeiro país da UE a comparticipar a totalidade do novo medicamento da Gilead contra a Hepatite C e a introduzi-lo no mercado. O custo deste para o Estado Português, dizem os entendidos, foi bem negociado, tendo o acordo com a farmacêutica fixado que o tratamento seria pago por doente curado. A semana passada encontrei-me com um dos meus amigos mais próximos, que de há muitos anos a esta parte era portador do vírus da Hepatite C, numa estirpe particularmente agressiva e, pior, com uma carga viral elevada, o que a prazo aumentaria dramaticamente a probabilidade de mais tarde padecer de cancro no fígado ou de cirrose. Encontrei-o e estava feliz da vida porque 20 dias antes tinha começado a tomar o novo medicamento e, de acordo com as análises feitas poucos dias antes, o vírus tinha sido erradicado do seu organismo. Estava curado. Cura fulminante. Qualquer um estaria certamente muito contente. Disse-me então que este mérito de Paulo Macedo devia ser louvado, Ministro este que em tantas ocasiões foi o saco de dar pancada preferido de tanta comunicação social. Tiro-lhe o chapéu.

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publicado às 14:16

Este país não é para velhos... nem novos...

por Manuel Sousa Dias, em 18.05.15

Como tantos outros estou, à conta da crise, a iniciar outra actividade profissional radicalmente diferente da que até agora - e com bastantes dificuldades - vinha desempenhando enquanto empresário em nome individual. No nosso país nem sempre é fácil mudar de profissão (ou re-inventar-se como agora pretensiosamente se diz) depois de passados os 40 anos, ou 47, no meu caso. Eu, depois de uma sequência de azares, tive sorte. Se por acaso nesta idade se procura trabalho na mesma área de actividade corremos o risco de ser, além de velhos, sobre-qualificados, o que leva muitas empresas a preferir "sangue novo" por tuta e meia em detrimento dos serviços de alguém com experiência cheio de vontade de trabalhar. A desculpa da sobrequalificação é um disparate. Porque não optam as empresas por um profissional de topo que, por força das circunstâncias está a preço de saldo? Recordo-me agora de um internamento hospitalar que tive em Londres há 4 anos e da conversa que tive com um enfermeiro inglês especialmente atencioso e muito simpático. Contou-me ele que até aos 42 tinha sido contabilista mas que estava farto da profissão, pelo que resolveu mudar de vida: estudar enfermagem, profissão a qual, aos 40 e poucos, sentia que era a sua verdadeira vocação. Então fez um ano de universidade, o ano de estágio no hospital, que foi o momento em que o conheci, e iria terminar os seus estudos com mais um ano na universidade. A história dele não é diferente da de tanta gente, em Inglaterra ou por essa Europa fora, na qual a mudança da actividade profissional é uma experiência valorizada profissional e humanamente, para não dizer académicamente. E sem estigmas. As novas oportunidades não são programas de intenções para inglês ver... Em Inglaterra muitos trabalhadores experimentam o "friday night stress", que não é mais do que um despedimento à sexta-feira, seguido de um stress de fim-de-semana, a procura de emprego na segunda-feira, a entrevista à terça e novo emprego na quarta-feira. Okay, talvez esteja a ser um pouco optimista nas virtudes da cultura "hired and fired" anglo-saxónica mas não estarei assim tão longe da realidade. Muito do desemprego que existe é friccional, de trabalhadores entre empregos e de curta duração (não há também tanta dificuldade em mudar de cidade porque, regra geral, não se compra casa, aluga-se). Em Portugal a coisa fia de maneira diferente. Vivemos num país envelhecido e cheio de contrasensos. Por vezes ouvimos dizer que alguém que morreu aos 75 anos morreu novo. Paralelamente ouvimos também que aos 40 estamos muito velhos para iniciar nova carreira porque de facto há poucas oportunidades. Que raio de país este.

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publicado às 19:23

PRESUNÇÃO DE INOCÊNCIA CADA QUAL TOMA A QUE QUER

por Manuel Sousa Dias, em 23.04.15

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Gabriela Canavilhas "rosnou" contra Manuel Maria Carrilho dizendo “Que morra para a vida pública quem agrida e maltrate a mulher”, sugerindo a sua expulsão do PS, por Carrilho ter ele próprio sugerido a expulsão de José Sócrates do seu partido. 

 

Compreende-se a indignação de Gabriela Canavilhas: existe a presunção de inocência e Sócrates não foi ainda julgado nem condenado pela justiça, algo que Manuel Maria Carrilho deveria perceber muito bem porque também ele próprio não foi ainda julgado nem condenado pela justiça, algo que Canavilhas deveria perceber muito bem antes de condenar Carrilho, algo que Carrilho deveria perceber muito bem antes de condenar Sócrates. Já agora, será que alguém do PS pode arrotar esta questão da presunção de inocência ao ouvido da Isabel Moreira? Um caso bicudo, este. 

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publicado às 20:18

Dois vigaristas compulsivos

por Manuel Sousa Dias, em 28.03.15

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publicado às 05:08

Mais um frete jornalístico a António Costa

por Manuel Sousa Dias, em 23.03.15

http://www.publico.pt/politica/noticia/os-12-alquimistas-de-costa-1689973

 

De destacar o estilo gradiloquente e sebastianesco do texto de Nuno Sá Lourenço.

 

Entre os 12 alquimistas que irão transmutar metais inferiores em ouro para António Costa - e encher os cofres do estado - temos Vieira da Silva, Elisa Ferreira e João Galamba e outros místicos ligados ao PS e ao mundo académico.

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publicado às 18:36

Homens à beira de um ataque de nervos

por Manuel Sousa Dias, em 19.03.15

Após a decisão do colectivo de juízes sobre o prisioneiro 44 com base nos fortes indícios de culpabilidade do ex-PM, estranha-se a total ausência de reacções por parte de responsáveis do PS, por parte de ex-ministros do seu governo, de pessoas que trabalharam com ele ou de outros com responsabilidades políticas. Não há um. UM!

 

Sei lá, uma a manifestação de vontade de que seja feita justiça, um reafirmar do "à politica o que é da política patata patati..." sem quaisquer ambiguidades, a defesa da honra de um governo, ou de um partido, ou de alguém que não quer que pairem sombras sobre a sua respeitabilidade. Zero.

 

Compreende-se o choque do PS, perante o apertar do cerco a José Sócrates, não se compreende a apoplexia, a ausência de damage control ou o assobiar para o alto.

 

O PS não há meio de descolar do PSD mas parece-me que a continuar com a cabeça enfiada na areia vai finalmente descolar... no sentido descendente... em prol dos auto-proclamados irmãos do Syrisa, claro.

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publicado às 16:03

CML e o socialismo na gaveta (dos espanhóis)

por Manuel Sousa Dias, em 05.03.15

Depois de muitos anos fechada, eis que a nova Piscina dos Olivais reabriu ao público. A notícia, tal como tem vindo a ser transmitida na comunicação social – sempre a boa imprensa de António Costa!! -, parece muito boa mas, enquanto lisboeta, olivalense e antigo frequentador deste espaço ímpar nos Olivais, parece-me que o espaço ficou bem pior. 1000 vezes pior, para ser mais preciso.

 

O espaço reabriu através de uma concessão a uma empresa espanhola, que nele investiu 10 milhões de euros depois de ter encerrado desde o início do século.

 

Primeira critica: Socialismo na gaveta; este espaço, outrora um espaço municipal foi cedido a interesses privados. Os munícipes, ou utentes, passam a clientes. A concessão é de 35 anos. Sim, leu bem, 35!!

 

Segunda critica: desvirtuamento do projecto inicial, no qual eram valorizadas as actividades ao ar livre, por entre espaços verdes bem cuidados, como, aliás, é apanágio dos Olivais. Ar livre? Espaços verdes? Não. O mercado pede é actividades indoor.

 

Terceira crítica: Então e o espaço exterior, anteriormente constituído por jardins, campos de ténis, campos de jogos e mini-golf? Não. O mercado pediu um parque de estacionamento para 300 automóveis.

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Quarta critica: Em que se distingue este fitness club dos demais? Aparte o seu gigantismo, em nada. Mas como o povo gosta de coisas gigantes, aqui temos o Colombo dos fitness-clubs, com seis estúdios para aulas em grupo, uma sala de fitness, sala de máquinas, zona termal (piscinas, sauna, banho turco), padel e 300 lugares de estacionamento, claro.

 

Quinta critica: Projecto feito às três pancadas. Além das árvores arrancadas, relvados destruídos, campos de jogos abatidos, estacionamento XL, temos também a antiga bancada de 50 metros da piscina da anterior piscina olimpica virada para... a parede exterior das piscinas... Será projecto do Salgado?

 

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Sexta critica: Os munícipes, perdão, clientes, passam a pagar 39,90€ mensais por um livre trânsito. Segundo Jorge Máximo, Vereador do PS da Câmara Municipal de Lisboa, “vamos ver até que ponto temos legitimidade para interferir na regulação de preços”, como disse em entrevista recente ao Público.

 

Coisas positivas? Bem o preço é competitivo face a outros empreendimentos da mesma natureza, esqueça-se o facto (já agora, importante) que este era um espaço municipal que agora passou a ser um espaço comercial.

 

Que dizer então da Piscina do Campo Grande e da Piscina do Areeiro? Estão ambas a ser alvo de investimentos da mesma natureza, igualmente de investidores espanhóis, ficando ainda por apurar se vai ser sujeito a abate espaço do jardim do Campo Grande em favor de mais um gigante espaço de estacionamento. Referiu ainda Jorge Máximo que o valor de investimento do grupo espanhol na Piscina do Campo Grande ascende a 10 milhões de euros e que estão igualmente a ser feitos investimentos avultados na piscina do Areeiro com vista à apresentação do mesmo tipo de serviços. Todos estes investimentos privados proporcionaram à câmara de Lisboa abster-se de fazer investimentos de cerca de 21 milhões de euros, de acordo com o mesmo autarca.

 

Refira-se ainda que em termos de piscinas municipais as coisas não vão muito bem. A Piscina Municipal da Penha de França encontra-se encerrada desde 2011. A Piscina da Avenida de Ceuta, inaugurada por Santana Lopes, encontra-se encerrada desde 2008. As restantes encontram-se encerradas ou altamente condicionadas aos munícipes em regime livre depois das 18 horas em virtude de estarem concessionadas a clubes ou associações.

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publicado às 17:02

As esquerdas e a realidade

por Manuel Sousa Dias, em 05.03.15

Há dias foi publicada a notícia de que a Joana Amaral Dias abandonou o projecto Juntos Podemos para criar o seu próprio projecto denominado Agir. Esta tem sido a patética e monty pythiana história da extrema-esquerda portuguesa, que não se cansa de lembrar a necessidade de encontrar uma plataforma de entendimento entre as várias esquerdas mas que nunca a consegue materializar.

 

Se não me falha a memória, pois são tantos os partidos e movimentos, nos últimos dois anos surgiram o Movimento Alternativa Socialista, Partido Livre, Movimento Tempo de Avançar, Manifesto 3D, Associação Fórum Manifesto, Renovação Comunista e, agora, Agir. Ah, mas na extrema esquerda ainda temos o Bloco de Esquerda (que só por ironia se designa de “Bloco”) e o Partido Comunista Português. Tem sido uma novela a história de tentativas de entendimento, as zangas, as divergências irreconciliáveis e as rupturas.

 

Entretanto as notícias que nos chegam da Grécia dão conta da fragilidade interna do Syrisa, com demasiadas vozes dissonantes dentro do partido que não conseguem engolir as “concessões” feitas à Troika, quero dizer, aos parceiros, nem a quebra de promessas eleitorais, para não falar do eventual terceiro resgate.

 

A esquerda e, em particular, a extrema-esquerda, está em crise. Em crise porque as várias esquerdas não se entendem, não fazem cedências, não têm uma cultura de negociação, cada uma delas reclama-se como sendo mais à esquerda, mais purista e detentora de mais boas intenções do que a esquerda imediatamente ao lado. Em crise sobretudo porque não tem soluções realistas para além do “que se lixe a Troika”, para além dos mercados. A saga do Syrisa veio dar um banho de realidade às várias esquerdas. É que, como dizia Woody Allen, “detesto a realidade mas ainda é o melhor sítio para comer um bom bife”. Que o digam os gregos.

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publicado às 13:55

Pois

por Manuel Sousa Dias, em 06.02.15

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A Ministra da Justiça receia que o principio da separação de poderes seja colocado em causa se o PS chegar ao poder. Também eu.

 

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publicado às 17:53

A natureza da extrema esquerda

por Manuel Sousa Dias, em 06.02.15

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Depois da tournée europeia sem resultados  além de um perder da face ao vivo e a cores, qual a saída para a extrema-esquerda anti-capitalista-anti-globalização-anti-mercados-anti-Europa-anti-euro grega? Ser ela própria, claro!!

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publicado às 17:42

SYRISA E MERKEL

por Manuel Sousa Dias, em 28.01.15

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Foi esta a capa da revista do Expresso que coincidiu com a vinda de Angela Merkel a Lisboa em Novembro de 2012. A fotografia, deselegantemente dramatizada em Photoshop, era reflexo dum sentimento forte entre muitos jornalistas, políticos e gente com demasiado tempo de antena: uma Angela Merkel vampira de visita ao pais a ser sugado.

 

Parece ser com o mesmo sentimento anti-Merkel-anti-austeridade-anti-ajustamento que os noticiários vão dando conta da grande vitória do Syrisa na Grécia e de um primeiro-ministro da extrema esquerda cujo primeiro acto oficial foi prestar homenagem a duzentos comunistas gregos fuzilados pelos nazis. De Tsipras espera-se demasiado: renegociar a dívida grega, implementar medidas sociais dispendiosas para quem tem bolsos vazios e, de uma penada, acabar com a austeridade; e fim da austeridade não apenas na Grécia mas também numa vaga que se arraste aos outros países “sob o jugo” alemão – a Europa –, assim espera a esquerda dos vários Podemos, de Hollande e, já agora, de António Costa, desejoso de cavalgar uma onda que não é sua. É obra.

 

Contrariando um pouco o optimismo exagerado deste sector que espera ventos fortes vindos da extrema esquerda, diz-me algum bom senso que talvez apenas se afigure alguma benevolência no alargamento dos prazos da dívida da Grécia, pois não vejo como perdoar mais uma vez aos gregos as suas dívidas, a sua escandalosa fuga aos impostos e a sua falta de vontade em ajustar o seu país a padrões mais europeus de organização de estado e produtividade. Sim, “ajustar”, não apenas cortar, como melhor fez a Irlanda ou pior está a fazer Portugal. E não parece que o Syrisa esteja com vontade de ajustar ou cortar, a ver pelas medidas de esquerda de carácter imediato – o aumento do salário mínimo para 750 euros e cuidados de saúde universais e gratuitos.

 

Alguma coisa positiva além de um novo debate sobre a Europa o Syrisa eventualmente trará: mais exigência fiscal, incidindo, e muito bem!, “nos ricos que paguem a crise”, em particular, as grandes fortunas gregas, que são muitas, que se escapam às malhas da fiscalidade grega (as que não tiverem tempo de escapar). Se a extrema esquerda do Syrisa vai pôr os ricos alemães a pagar a crise grega ainda estamos para ver.

 

E a austeridade? As notícias da morte da austeridade estão a ser amplamente exageradas por aqueles que continuam a tentar vender a ideia que era tecnicamente possível a Portugal passar pelo processo de ajustamento e continuar a crescer, da mesma maneira que era possível pedir a um doente com uma anemia grave chegar ao fim de uma maratona com um lugar no pódio. Sim, a palavra de ordem é “crescimento”, mas utilizando uma outra palavra da moda que serve para tudo, este crescimento tem de ser sustentável. Vão chegar os milhões do Pacote Draghi e adivinha-se quem esfregue já as mãos por pensar em governar novamente com dinheiro a queimar o fundo dos bolsos. A escassez é o alicerce de toda a teoria económica. Haja alguém que, apesar da caricatura desagradável de vampira, coloque algum bom senso no dinheiro que vai entrar, que é pouco e deve ser bem gerido, por mais desagradável que este zelo nos pareça uma ingerência nos nossos estados soberanos, não é?

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publicado às 02:42

Espanto

por Manuel Sousa Dias, em 18.01.15

Sou um desencantado, poucas coisas me espantam. No entanto espanta-me o facto do partido que no passado recente nos deu o político mais sujo de sempre estar à frente nas sondagens. Espanta-me que para uma maioria dos eleitores seja aparentemente indiferente irem ser governados pelos antigos yes-men desse pm de tão má memória. Espanta-me porque de facto é espantoso.

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publicado às 05:44

António Costa e o "socialismo ambiental"

por Manuel Sousa Dias, em 14.01.15

A partir de amanhã deixam de poder circular na zona central de Lisboa automóveis com data de matrícula anteriores a 2000 e 1996 - os segundos com uma restrição de área maior. Com esta medida - que se deve a razões ambientais - milhares de pessoas que por razões profissionais ou familiares precisam de usar o seu automóvel nas suas deslocações diárias vão ter de deixar de o fazer se não tiverem meios para financiar uma viatura mais recente. Como uma desgraça nunca vem só, para agravar a situação os seus automóveis anteriores a 2000 desvalorizarão até ao valor de uma bota velha.

Este tipo de medidas ambientais que obrigam a deitar fora o automóvel velho e comprar o novo são sempre bastante questionáveis, uma vez que o aproveitamento de materiais recicláveis de um automóvel é uma pequena fracção do seu peso total, o que faz com que o custo ambiental do abate de uma viatura antiga seja na realidade bem maior do que a sua manutenção, mesmo apesar da sua emissão de partículas para a atmosfera (veremos que medidas terão os ambientalistas para a proliferação de ferro-velho, ou pior, plástico velho).

Mas há outra solução com vista à redução de emissões? Há. A medida adoptada por outras cidades europeias, tais como Atenas, que limita a circulação de viaturas a x dias por semana consoante a sua matrícula (algarismo par ou ímpar) é mais justa, porque é transversal a todos os automóveis, independentemente da sua gama ou data de matrícula, não afectando apenas os condutores que não têm dinheiro para comprar carro novo, ao mesmo tempo que limita o número de automóveis na cidade e, consequentemente, reduzindo emissões. Pode até dizer-se que a medida grega é até mais socialista, se bem que o "socialismo" para António Costa é um pouco como as sondagens, isto é, há para todos os gostos e vale o que vale.

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publicado às 19:58

Boas Notícias

por Manuel Sousa Dias, em 12.01.15

Uma boa notícia que surpreendentemente não parece ter recolhido previsível entusiasmo por parte dos portugueses foi a aparente descoberta de 6 jazidas de petróleo/ gás natural em Portugal continental. De acordo com a empresa prospectora são mais de 43 mil milhões de euros brutos, ou seja, 25% do Produto Interno Bruto de Portugal, o que permitirá, entre outras coisas, transformar Portugal de um pais importador de energia num pais exportador.

 

Dinheiro a entrar a rodos quando o pais se encontra encalacrado em dívidas são certamente boas notícias mas parece que ninguém embarca em histerias. O governo permaneceu em silêncio, sabe-se lá se pelo facto de um dos sócios da IONIQ, a empresa que detectou as várias jazidas, ter sido colega de Pedro Passos Coelho na Fomentivest.

 

Com um território marítimo tão vasto vá-se lá saber se, à semelhança da Noruega, este cantinho à beira mar está plantado sobre um lucrativo lençol de petróleo - que no caso da Noruega é imenso. Alguma vez Portugal constituiria um Fundo do Petróleo controlado pelo governo tal como o pais nórdico fez? Tal como diz Mia Couto, “a maior desgraça de uma nação pobre é que em vez de produzir riqueza, produz ricos”. E os portugueses já viram o suficiente para saberem que já viram demais.

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publicado às 01:21

Gotta love her

por Manuel Sousa Dias, em 08.01.15

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Apesar de não ter o sentido de humor de Alberto João Jardim, Ana Gomes consegue ser sempre imensamente mais cómica

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publicado às 00:27

My name is Hollande. François Hollande

por Manuel Sousa Dias, em 08.01.15

Busca porta-a-porta em Reims dos terroristas islâmicos sob a mira das câmaras dos media? Algo me diz que temos Hollande ao vivo e a cores a mostrar que é um homem de acção. Quem vai à caça com megafone? E o que é feito das operações de busca/captura sorrateiras, silenciosas, inesperadas, eficazes, letais?

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publicado às 00:01

Mas que gente é esta, Mário Soares??

por Manuel Sousa Dias, em 29.12.14

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Mas que gente é esta??

 

L´etat c´est moi.... Non.... c´est nous, mon ami Mário Soares ;) 

 

 

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publicado às 15:47






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