Quinta-feira, 17 de Maio de 2012

Num tempo em que os símbolos são ignorados pelas sapiências deste nosso já longo momento histórico, a Chanceler da Alemanha acolheu o recém eleito presidente francês com esta marcha prussiana que nos enche os tímpanos com duas vezes Sedan, Verdun e mais duas entradas em Paris. Poucos terão reparado na ironia subjacente à criteriosa escolha da composição executada pela banda da guarda de honra.

 

A nova Grande Europa é mesmo assim, nela marca o ritmo quem pode e manda. O resto não percebe, é idiota.

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publicado por Nuno Castelo-Branco às 19:33
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Quarta-feira, 16 de Maio de 2012

O agora hiperactivo dr. Mário Soares, naturalmente embandeira em arco com a mais que previsível vitória obtida pelo sr. Hollande, esse "bom socialista e com uma formação académica e política excepcionais" (sic).

 

Estas festas de sucessos eleitorais têm as mais diversas leituras e entre uma certa orfandade sovietista que bem conhecemos, saldam-se sempre por esmagadoras vitórias, mesmo perdendo votos e aproveitando-se os actos para lerem as maiorias ao contrário. O dr. Mário Soares evita a contagem dos votos esquerda-direita, pois sabe perfeitamente que o sr. Hollande deve o passeio pelos salões do Eliseu Napoleão, à boa vontade e teimosia sabotadora anti-Sarkozy da sra. Le Pen. Talvez o ex-presidente acabe por ter alguma razão neste separar de águas entre a direita que no seu douto saber é sempre neo-liberal, ultra-conservadora e populista e a esquerda sempre generosa, nada amiga da plutocracia - essas pérfidas agências pejadas de bons socialistas como o sr. Strauss-Kahn, por exemplo - e completamente blindada aos desvarios do capitalismo selvagem. Essa verdade é tão escusa, como verdadeiro foi o vórtice capitaleiro dos senhores Blair, Brown, González, Zapatero, Fabius, Jospin, Craxi, Prodi, Soares dos anos 76-85, Guterres, Sócrates e claro está, do agora haupt-agente de gás russo Gerhard Schröder. Tudo boa gente, impoluta quanto à finança das negociatas de rumo PPP que acabam sempre cobertas a expensas dos contribuintes. 

 

O dr. Soares não pode reconhecer o papel da senhora Le Pen, aliás largamente beneficiada no constante aumento das suas hostes, por gente que ainda não há muito tempo andava de punho erguido e delirava pela criação do homem novo e de uma "Terra sem amos". Da Internacional ao Horst Wessel Lied vai apenas um passo de ganso e o dr. Soares sabe do que se trata. A Frente Nacional, nos anos oitenta impulsionada por um Mitterrand ansioso por  criar uma clivagem na direita gaullista, pela sua notória abstenção no acto eleitoral de 6 de Maio,  graciosamente ofereceu a vitória a Hollande. A FN fica assim num limbo, naquele espaço de impossível classificação pelos Mários Soares desta Europa sempre em demanda de contrastes branco-preto. Se o nacionalismo, essa invenção da velha esquerda de entusiasmos bastilheiros que estilhaçou a Europa, incluída a portuguesa, é hoje a pecha da direita, a FN é sem qualquer dúvida, de direita. Mas o que dizer então do seu discurso tendencialmente hermético no campo da economia e finanças? O que dizer do subir da parada quanto à intervenção estatal em todos os sectores da sociedade? Como poderemos então classificar aquela mole de gente, aliás pouco dada a molezas burguesas café et croissant au 16º arrondisement e bastante belicosa ao estilo das barricadas parisienses de outros tempos? Ora, a FN aparece nas ruas, como um típico movimento de massas que a esquerda gosta de apresentar como exclusividade sua e sociologicamente, além de uns pós católicos e tradicionalistas reminiscentes de Vichy - outro alfobre de ex-comunistas e bons socialistas como Mitterrand, entre muitos, muitos outros -, os eleitores banlieu de Le Pen, pensam e agem como os comunistas e a "ala esquerda" da antiga SFIO pensavam e agiam. Se assim é, o dr. Soares está perante um democrático dilema: ou ignora completamente a existência de um quinto do eleitorado francês e apenas soma à direita as forças que imbecilmente são crismadas de "clássicas", ou então deverá adicionar aos maoístas, estalinistas, trotsquistas, rebotalho pretensamente "verde" e piratarias diversas, a "esquerda clássica" socialista PS, até agora nitidamente bastante minoritária em França. Para o observador mais distraído, a gente que corre atrás do populista Mellenchon e das migalhas sobreviventes da Guerra Fria correspondem à esquerda, aquilo que a FN é para a direita. Em suma, se Le Pen é de direita, então é visível o estado de inferioridade eleitoral em que a "esquerda" se encontra em França, pois a aritmética é simples: 48% + 20% = 68%.  No entanto, com o empurrão presidencial e mercê do retorcido e escabroso sistema de eleição de duas voltas, o PS poderá talvez surgir na Assembleia Nacional, com algum renovado vigor. A França é uma democracia onde o facto de um candidato ter votos, tal não significar ter possibilidades de ser eleito, devido à política de boicotes orquestrados sob a mesa.

 

Mas sejamos generosos e deixemos todo o espaço para aquelas alegrias pueris que ainda há poucos anos saudaram o advento de Obama - e de Mitterrand, Blair, Schröder, Zapatero ou Sócrates - como o regresso do verdadeiro Messias. A cegueira chegou ao ponto de um chamada - em diplomacia diz-se convite para consultas - de Merkel que convoca Hollande no próprio dia da sua tomada de posse, é vista quase como uma reedição da assinatura de Compiègne naquele já longínquo Outono de 1918. Claro que para os alemães, uns poucos noventa milhões de pacóvios que na ideia do dr. Mário Soares pagam e têm de continuar a pagar, a apressada e solícita chegada de Hollande à Bundeskanzlei de Berlim, soa demasiadamente a uma espécie de Rethondes do Verão de 1940. Aguardemos pelas notícias quanto aos "dinheiros da França", porque as próximas semanas não deixarão de mostrar a realidade que todos intimamente reconhecem, dr. Mário Soares incluído.

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publicado por Nuno Castelo-Branco às 18:22
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Terça-feira, 15 de Maio de 2012

E ainda prometemos que após a Instauração, o 15 de Maio será feriado. Fica assim reposto o necessário equilíbrio.


publicado por Nuno Castelo-Branco às 22:19
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O mais rasteiro populismo tem destas originalidades. O sr. Louçã anda muito aflito pela falta de atenção que os chamados "mercados" têm dado Portugal. Não há dia em que os manigantes da plutocracia não falem da Grécia e de Espanha. Quanto ao nosso país, este momentâneo esquecimento talvez queira significar algo que nada convém aos partisans do "quanto pior, melhor". Sonham com o caos que hipoteticamente lhes daria algum poder. Os garotos crescidos do BE, deviam ter bem presente o facto deste país não ser um retalho de qualquer uma possessão do Sultão de Constantinopla, subitamente trazido ao concerto dos Estados independentes pelo interesse e vontade da Rússia, França e Inglaterra. Por isso mesmo, bem podem as conhecidas milícias de choque bloquistas acender um ou outro fogacho, pois esta população não partiu montras, não roubou lojas, nem incendiou viaturas. São mesmo uns maçadores, estes portugueses velhotes de nove séculos.

 

Aquilo que esta diminuta imitação barata do Syriza devia increpar, é o porquê da situação criada por um Estado tentacular e patrocinador de ruinosas PPP, sugador de impostos e controleiro de todo e qualquer tipo de actividade. É o famoso círculo vicioso, pois se Louçã quer sempre "mais serviços públicos", não existirá outra alternativa senão o constante exigir de mais e mais impostos a cobrar a uma população onde os ricos são uma ínfima minoria. A menos que rico signifique auferir 1500€ mensais. Ora, este é um dos cavalos de batalha de Louçã, oportunistamente acenando com o "roubo dos subsídios de férias e de Natal". Não se entende qualquer coerência no discurso: o BE, partido comunizante, é obviamente favorável a nacionalizações sem quartel, quer rasgar o acordo com a troika cujo dinheiro mensalmente paga os salários e reformas, apoia uma imparável e forte taxação e em simultâneo, pretende um Estado paternalista que invista, subsidie e onde tudo deverá ser grátis? Como?

 

Em pleno século XXI e num país de pequenos proprietários o BE pretende, sem ousar dizê-lo, sovietizar a sociedade. Só visto!


publicado por Nuno Castelo-Branco às 12:59
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O normal Sr. Hollande toma hoje posse do Palácio do Eliseu, local que nos seus melhores dias foi habitado por Bourbons e Bonapartes. Como seria de esperar após o encerramento da sessão, o normal Sr. Hollande partirá em velocidade de jacto para a Alemanha, onde "apresentará credenciais" à Chanceler Merkel.

 

Se ainda há uns dias falava forte e pretendeu mostrar ao mundo uma pose "à De Gaulle", vamos a ver se não regressa de Berlim completamente normalizado, mais um perfeito sucessor de Pierre Laval. Em matéria de Vichy, os socialistas franceses são peritos.  O Sr. Mitterrand e o próprio pai de Hollande, foram dois entre os muitos milhares de consumidores daquelas cristalinas águas.


publicado por Nuno Castelo-Branco às 09:21
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Bem podem gastar algumas horas no desfolhar deste extraordinário blog. Em matéria de estilo, é o melhor postado em Portugal.

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publicado por Nuno Castelo-Branco às 02:59
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Segunda-feira, 14 de Maio de 2012

No dia da comemoração de 50 anos de um bom casamento institucional, também nos chega um bom vento autárquico. Foi detido um ex-alcaide de uma localidade da zona de Málaga, em Espanha. Este membro da I.U. - a "CDU" local, vulgo Partido Comunista -, prevaricou naquele tipo de decisões que aqui em Portugal sobejamente conhecemos. Já está a chegar a altura de no nosso país adoptarmos este género de razia dissuasora. Apenas na região metropolitana de Lisboa, a lista é densa e os desastres urbanísticos imensos, desde demolições, à ocupação indevida de terrenos agrícolas, construção especulativa, mancomunamento com a banca, etc. Tudo aquilo de que o ex-alcaide é acusado, não passa de um fait-divers alfacinha, uma constante nos municípios portugueses. Comecemos por Lisboa e já!


publicado por Nuno Castelo-Branco às 18:34
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Muito se tem especulado acerca do relacionamento entre D. João Carlos I e D. Sofia, os monarcas espanhóis. Se a imprensa aproveita todos os motivos verídicos ou imaginários para vender papel aos maços de tipo "higiénico", a opinião pública é também direccionada para episódios menores e completamente alheios às realidades institucionais. Tal como noutras monarquias europeias, a Coroa tem sido um precioso elo de unidade do Estado, especialmente tratando-se de Espanha, onde os "nacionalismos" estão uma vez mais prontos para mortalmente se digladiarem por um pueblocito, uma nascente de água, pelo Tesouro público do Estado, pelos navios da Armada, pela frota pesqueira ou pior ainda, por fronteiras medievais que satisfaçam pequenas vaidades de um ou outro candidato a caudilho de pacotilha.

 

A Portugal interessa uma Espanha unida, próspera e feliz, a Espanha desta Monarquia. Imaginemos o desastre que significaria uma Espanha fragmentada ao estilo jugoslavo, forçando o nosso governo a discutir águas fluviais, acessos à Europa, delimitação de fronteiras e enxames de refugiados em fuga de micro-potentados andaluzes, leoneses, castelhanos ou galegos?

 

Ao contrário daquilo que ignominiosamente ocorreu nos últimos anos da Monarquia Portuguesa, os Partidos espanhóis têm sabiamente conservado o respeito e intangibilidade da figura do monarca, deixando a iconoclastia para a marginalidade trauliteira, seja ela partidária de caducidades como a ETA, IU e ERC, ou ruidosamente "indignada" de very expensive computador portátil e telemóvel em punho cerrado. 

 

Num casamento presenciado toda a realeza europeia e asiática, João Carlos e Sofia uniram as suas vidas. Pouco nos importa ou interessa se existiu ou existe algo mais que o sentido do dever que juraram carregar até ao fim da sua presença terrena. São conhecidos os flirts de S.M. o Rei de Espanha, assim como são estimadas as suas acções que beneficiam o seu país, tratando-se estas de exercícios de influência junto de governos estrangeiros, ou da eficaz contenção de um qualquer arrivista candidato a ditador perpétuo. O que deve ser criteriosamente analisado é o seu papel institucional e aqui nada existe a apontar. O Rei não interfere nos assuntos da governação, apenas o fazendo quando para tal é solicitado. D. João Carlos jamais se incompatibilizou com qualquer um dos Presidentes do Conselho que o povo espanhol nomeou para a Moncloa e pelo contrário, defendeu-os sempre que atacados por estrangeiros. O Rei jamais dissolveu "por apetência" ou interesse pessoal, qualquer um dos Parlamentos eleitos. O Rei mantém baixo o preço do sustento da Casa Real a cargo dos contribuintes, em flagrante contraste com qualquer uma das repúblicas fronteiriças do Estado espanhol. O Rei mantém as Forças Armadas em passo constitucional, cumpriu e cumpre escrupulosamente a Constituição da qual é sem dúvida o inspirador e símbolo máximo. Internacionalmente, o reconhecimento abre-lhe as portas de todos os palácios de governo e é mesmo a imagem de uma Espanha que apesar de uma crise que decerto passará à história, vive o seu melhor momento desde há mais de quatro séculos. O mesmo se poderá dizer da Rainha Sofia, mulher excepcionalmente inteligente e culta - poliglota, é uma raridade em Espanha -, de uma moderação, rectidão de carácter e sentido de dever sem qualquer contestação. Se a Rainha dá que falar, isso apenas dever-se-á ao seu perfeito sentido do interesse do Estado, à sua acção no campo da cultura e em numerosas instituições dos mais variados cambiantes sociais, assim como ao completo interiorizar de emoções que perturbem a sua missão. Arriscamo-nos mesmo a afirmar que à influência de D. Sofia deve o Rei a Coroa, pois o círculo de hierarcas que rodeava o Generalíssimo Francisco Franco,  não parecia disposto a abrir mão de um poder conquistado pela força das baionetas. Nas Armas de Espanha presentes na Bandeira, existem dois símbolos heráldicos representados pelas colunas de Hércules, marca da soberania do Reino sobre a entrada do Mediterrâneo. Uma mostra a faixa com a inscrição Plus, enquanto a outra ostenta o Ultra. Podia bem ser esta a definição do já longo reinado de D. João Carlos e de D. Sofia.

 

Devido ao infeliz episódio de índole privada recentemente ocorrido e no qual esteve envolvida uma vulgaríssima pistoleira de mau porte e emprestado apelido, em Espanha não haverá qualquer comemoração oficial do cinquentenário do casamento real. É uma falta inexplicável, mesmo tratando-se do momento em que o país está mergulhado numa crise na qual a Monarquia não arca com qualquer tipo de culpa. Mais ainda se pode dizer que a Monarquia representa o mais importante activo político do Estado espanhol, não havendo assim lugar para amuos ou a satisfação do rodízio de intrigas a que a imprensa de  barbudos "intelectuais do whisky" e a imbecil prensa del corazón se dedica. 

 

50 anos deste casamento, são bem o símbolo daquela nova Espanha acima referida e isto devia a Monarquia reter como marca indelével. Como egoístas populares que somos, pouco nos importarão os casos pessoais, os amores e desamores das régias figuras, pois o fulcro da sua existência é a sua permanência ao serviço e isso têm feito de forma exemplar.

 

Parabéns, Majestades.

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publicado por Nuno Castelo-Branco às 09:00
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Domingo, 13 de Maio de 2012

Claro que era de esperar. Bem "guardada e situada", a Sala Thai já é um alvo da habitual depredação que a nossa gente dedica aos monumentos. Há uns dias, um bando de miúdos jogava à bola dentro do espaço e chamados à atenção, tiveram o descaramento de dizer que ..."esta coisa é boa, até tem balizas para os guarda-redes". As "balizas" estão à vista e  numa oportuna interpretação da Sala, dão acesso ao recinto. No chão já existe uma grafitada e também já faltam alguns dos embutidos. 

 

Nada de espantar, até porque assim que se anunciou a chegada desta prenda, aventámos alguns locais onde poderia estar em segurança. Não quiseram saber e o resultado está à vista de todos. 


publicado por Nuno Castelo-Branco às 10:32
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Sábado, 12 de Maio de 2012

A  Q  U  I 

et ici c'est pareil

 

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publicado por Nuno Castelo-Branco às 16:29
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O ainda Presidente helénico tem-se visto grego para tentar travar a realização de outro acto eleitoral. Falhadas as negociações para a formação de um governo que enfrente o caos, o ainda Chefe do Estado convocou os três maiores Partidos (ND, Syriza e Pasok) para uma derradeira ronda, após o que terá reuniões com as outras formações, decerto para a marcação de novas eleições que se adivinham renhidas.

 

Vários cenários são possíveis, desde o desaparecimento do Pasok às mãos do Syriza, até a um correspondente grande reforço do Aurora Dourada. Agora sabe-se que esta formação nacional-socialista muitos votos deve a uma persistente acção social junto das populações desfavorecidas. Não é um caso de admirar, pois cumpre o conhecido, embora esquecido, receituário da militância na Alemanha nos anos 20 e início da década de 30. 

 

O eleitorado também poderá ser facilmente assustado perante as perspectivas catastrofistas, a contragosto voltando apostar nos Partidos tradicionais. Se tal não acontecer e os radicais triunfarem, estará então formada a "tempestade perfeita" e os militares gregos terão um excelente pretexto para uma intervenção. Com a Europa em secreto alívio e queixosos murmúrios de circunstância, aqui está uma verdadeira caixinha de Pandora. Vamos a ver.

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publicado por Nuno Castelo-Branco às 15:31
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cliquem em Collect me. É grátis ;)

http://nunocastelobranco.artistswanted.org/atts2012 

 

Ver mais... )



 

 

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publicado por Nuno Castelo-Branco às 11:50
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Ao contrário daquilo que se pretende fazer crer, a questão dos feriados não se trata de um mero pormenor  ou um patético fait-divers. Além do descarado trabalho gratuito oferecido à cleptocrática "competitividade" mais atrevida, quando se encara o Dia da Restauração da Independência como uma data marginal, existe uma clara mensagem política subjacente. Paulo Portas sabe disso tão bem como o mais comum dos portugueses e dentro do seu Partido o mal-estar é claro, não vale a pena qualquer artifício de ocultação. As paredes do casarão transpiram azedas conversas e sabemos bem o que por lá se passa.

 

No que respeita ao 5 de Outubro  que cada vez mais é bem um símbolo do estado a que chegámos, é tão válida a exigência da sua re-imposição arbitrária, como seria o regresso do 24 de Julho, essa sim, uma data prenhe de consequências para o erguer do Portugal de base constitucional que a nossa classe política de forma tão sonora defende. O 5 de Outubro é uma nódoa negra, uma já caquética vergonha dispensável. Se alguns deputados resolverem retirar o mamarracho estatuário que preside aos trabalhos no Parlamento, melhor ainda. Não faz falta alguma.


publicado por Nuno Castelo-Branco às 11:06
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Sexta-feira, 11 de Maio de 2012


publicado por Nuno Castelo-Branco às 17:37
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Assistirmos ao debate sobre a alteração das leis laborais, foi o mesmo que estarmos num pic-nic cheio de formigas na toalha estendida sobre a relva. Bem sabemos que dada a conveniência do politicamente correcto, assume-se que a Sra. Assunção Esteves ascendeu a um certo firmamento onde tudo lhe será permitido e desculpado. Mas, francamente, como aqui já tínhamos dito, é penosa a sua prestação na condução dos trabalhos parlamentares. Ao fim de um ano, esta santa ainda não percebeu bem como a geringonça funciona, os vices corrigem-na ponto sim ponto não e até deputadas há que se atrevem a interpelá-la, questionando-a acerca do que se está a votar! Um atraso de vida, o que não obsta a que andem por aí uns crânios que a querem no lugar do profano Cavaco Silva.

 

Ainda há uns dias, a televisão proporcionou-nos um daqueles parlamentos infantis organizados dentro dos muros de S. Bento e por incrível que vos possa parecer, a brincadeira de crianças funciona de forma mais ordeira e organizada.

 

Se a Maçonaria já não tem um nome mais capaz para dirigir a A.R., talvez fosse melhor recrutar um daqueles miúdos do "outro parlamento". 

 

* Uma nota positiva: o deputado Ribeiro e Castro manteve a sua coluna vertebral e votou em conformidade com a sua rejeição do obliterar do 1º de Dezembro. 


publicado por Nuno Castelo-Branco às 13:15
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Quinta-feira, 10 de Maio de 2012

Segue-se agora o Pasok, com o resultado que já se prevê.

 

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publicado por Nuno Castelo-Branco às 00:20
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Quarta-feira, 9 de Maio de 2012

 

Se repararem no recorte de um cartaz PCE que surge no topo direito da imagem, verificarão que pouco ou nada mudou entre os camaradas da ínfima Izquierda Unida - em Espanha e tal como aqui ocorre, preferem o travestismo e escondem a foice e o martelo em hora de eleições -, lídimos descendentes dos facínoras de Paracuellos, os sanguinários responsáveis pelo eclodir da Guerra Civil de 1936-39 e consequente ditadura.

 

São todos da mesma cepa. Todas as charla(tanice)s sobre "democracia", "igualdade", Justiça" e "paz", escondem aquilo que preparam se por absurdo alguma vez conseguirem tomar o poder. Tivemos um ténue vislumbre do processo em 1974-76 e bastou-nos. Estão sem sorte, pois Melo Antunes já não poderá servir de guardião.

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publicado por Nuno Castelo-Branco às 16:15
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Terça-feira, 8 de Maio de 2012

 

Digam o que disserem, Mário Soares não é um qualquer. Com quase noventa anos neste mundo, não há dia em que não nos surja nas páginas dos jornais ou em programas ou noticiários televisivos. Isso deve querer dizer algo e o Senhor bem poderia agir em conformidade. Infelizmente tal não está a suceder e multiplicam-se as boutades, algumas das quais sem qualquer importância, enquanto outras poderão ser desastrosas e bem ao estilo daquelas que há mais de três décadas indelevelmente marcaram a sua fulgurante carreira. 

 

Ancho como um balão Montgolfier, o franco-cata vento ex-Presidente da República espicaça o Partido Socialista, pretendendo o rasgar do acordo celebrado entre os Partidos do arco da governação e aqueles que emprestaram dinheiro a um regime falido, desacreditado e à beira da ruptura. Ficamos então a saber que em matéria de acordos internacionais, o pensamento de Mário Soares apega-se a outros princípios que não os da lisura e honra da palavra dada por Portugal. Insinua-se assim que Tratados e acordos não passam de folhas de papel a desfazer em fanicos. Era isso mesmo o que os alemães diziam em 1914, quando violaram o Tratado internacional que declarava a neutralidade e inviolabilidade das fronteiras da Bélgica. 

 

Estes oligarcas estão loucos, ou é esta a verdadeira noção de honra da República. Contabilizados 102 anos de nefasta existência, concluímos que nunca a teve e jamais a terá.

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publicado por Nuno Castelo-Branco às 20:33
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...de adicionar estes mauzinhos à vossa lista de visitas diárias. 

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publicado por Nuno Castelo-Branco às 20:31
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Há umas horas, o telejornal dedicou-se a comparações entre Carla Bruni e a "companheira" - termo ridículo e equivalente ao "camarada" que Ségolène teve - de Hollande. Com o ar mais sério deste mundo, a pateta francesa que ia debitando os renseignements, disse que ao contrário de uma "Bruni que se apaixonou pelo grotesco presidente da França", a blondasse chimique Valérie Massonneau caiu roída de amores - por incrível que vos pareça! - pelo sr. François, "precisamente quando este fazia a sua travessia no deserto". Como se a há muito milionária Carla Bruni, precisasse de um tostão que fosse do Sr. Sarkozy. Piroseiras postas de lado, a arrogância da insinuação, o descarado chamar de poufiasse - mais ou menos puta em português - à fulana morena auburn que sai, é bem sintomática de uma certa hegemonia da estupidez caviarista e profundo preconceito que grassa em certas hostes. Mesmo que em certos casos tenham alguma razão que não quanto a putismos, até porque a Bruni pré-Sarko era gauche caviar e de que maneira. O problema é esse mesmo, a "traição ao clube". Umas são más, são as putas da direita. Outras, mesmo que putas sejam, transfiguram-se em santas, porque usam um bendito lencinho rosa-vermelho Chanel ao pescoço. Parece não ser este o caso da menina Valérie, mas daí a transformá-la numa "analista política", vai um grande passo. Sabendo-se o que é e para tipo de leitores existe a Paris Match onde a "companheira" fainava, esta algaraviada de aldrabices e êxtases bacocos, consegue o selo necessário para autenticar um novo "produto de marca": é claro que a tal Valérie vem de uma "família pobre, pai inválido, mãe funcionária subalterna de ginásio e um batalhão de irmãos e irmãos". Como talvez terá sido ceifeira de mãos calejadas e andava vestida de bata de griffe YSL nas horas livres, julgamos que foi por isso mesmo escolhida para nova "camarada" do sr. Hollande. Aliás, quando surge na televisão, lembramo-nos logo da Catarina Eufémia ou da Madame Min. Enfim, mais uma pequena novela neo-realista ao estilo Antonioni e tão do agrado da escribalhada do Expresso do sr. golfista Balsemão, outra vítima do capitalismo neo-liberal.

 

Apenas uma nota final. Caviar Beluga ou "caviar" Monoprix, a Valérie Massonneau descasou-se, mas como o nome do ex, de seu nome Trierweiller, soava melhor, continua a usá-lo. Um gesto político de benfazejas e amplas consequências para uma futura amizade com a Chanceler de Berlim, pois esse apelido tresanda a arianismo outre-Rhin. Nem uma joint-venture Holla-Caras faria melhor.

 

Este é um post assumidamente asqueroso, nojento. Pois é, mas nem por isso menos verdadeiro e há que reconhecer o facto de estarmos um bocado fartos de dar a outra face. Agora continuarão a esbofetear-nos dia sim-dia sim, mas também levam a dobrar.

 

 

Adenda: por um leitor, fiquei a saber algo mais acerca da pobreza franciscana dos Massonneau, uma família de "banqueiros pelintras". 


publicado por Nuno Castelo-Branco às 00:28
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Segunda-feira, 7 de Maio de 2012

Ficamos todos ansiosos por decifrar a mensagem anti-capitalista das CGTP, PC, BE, balsemeiros Miguéis Sousa Tavares, Daniéis Oliveira e piriquitas oxigenadas deste mundo e arredores. Exploração capitalista? Como? Com um bodo  destes? Talvez o Pingo Doce seja uma entidade paternalista, estragando o proletariado com "descontos despropositados" e pior ainda, subornando os seus empregados com "salários imerecidos". Pelo menos, numa coisa se pareceu com a defunta URSS: os supermercados ficaram com as prateleiras vazias. Neste caso, "Por Bem". 

 

Expliquem-nos, por favor.


publicado por Nuno Castelo-Branco às 21:05
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Domingo, 6 de Maio de 2012

Primeira atitude, um telefonema para Berlim:... "Madame, on veut pas la Ligne Maginot". Tudo na mesma. Verão.

 

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publicado por Nuno Castelo-Branco às 20:27
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Sábado, 5 de Maio de 2012

Como seria de esperar, vão emergindo todo o tipo de suposições acerca do desaparecimento de Lenine, hoje transformado numa múmia no parque temático do Kremlin, mas sem a dignidade de um bíblico Ramsés II. Desde AVC até ao cómodo envenenamento ministrado pelo Sr. Estaline, tudo pode ser aventado, excluindo-se apenas aquilo que todos há muito sabem e devido a pruridos moralóides, não dizem: sífilis.


publicado por Nuno Castelo-Branco às 11:18
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Pois, também me parece


publicado por Nuno Castelo-Branco às 10:50
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Sexta-feira, 4 de Maio de 2012

Finalmente, um pouco de acção. Não sendo este blog um grande entusiasta de ocupações selvagens, neste caso estamos totalmente de acordo com a atitude. Este prédio já foi aqui mencionado na nossa rubrica "Lisboa Arruinada" e sendo um belíssimo exemplar a fazer-nos recordar Paris, está há longos anos votado ao mais abjecto abandono. A proprietária do imóvel é a "Cãbra" Municipal de Lisboa. Neste post, deixámos um curioso episódio que demonstra bem o laxismo imperante nos Paços do Concelho.

 

A "Cãbra" tem o seu prédio de portas e janelas escancaradas, pretendendo vê-lo em condições tais que seja urgente a demolição. Não há outra explicação para este tipo de abandono. 

 

Que os "okupas" ali fiquem e façam o melhor que conseguirem, evitando a ruína completa. Bem vistas as coisas, a "Cãbra" Municipal de Lisboa devia ser objecto de uma extensiva política de expropriação. 

 


publicado por Nuno Castelo-Branco às 14:05
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Quinta-feira, 3 de Maio de 2012

Foto capturada ao Aventar

Estamos num dilema. Os comunistas do PC e os estalino-trotsquistas Beluga do BE, dizem tratar-se de um ataque aos trabalhadores que sem preços mixurucos, de certeza iriam comemorar o 1º de Maio. A CGTP está furiosa, acusando o Pingo Doce de explorar os trabalhadores e os clientes. Como assim, quando sabemos algo acerca da farta compensação por um dia de trabalho num feriado? 

 

A conclusão a tirar vai no sentido do "quanto pior, melhor". Uma redução de 50% dos preços dá que pensar e o Pingo Doce praticou preços de loja chinesa. Que bom seria se tal acontecesse uma vez por semana. Aquele turbilhão de gente a esbanjar dinheiro e ao estalo por vinte pacotes de Harpic para a sanita - finalmente alguém compra alguma coisa neste país -, a bicha para o pão, a bicha para a carne, a bicha para o leite, a bicha para o arroz e para as massas, a bicha para o papel higiénico e por aí fora... Que nostalgia dos bons tempos da União Soviética, quando os meu amigos Andrei, Vladimir e Alex acordavam à uma da manhã, ficando ao fresco de 15 graus abaixo de zero na rua, ansiosamente esperando comprar algum açúcar. Era assim mesmo e durante anos a fio, aquela família de Kiev revezava-se em cada noite para poder aceder a alguns abastecimentos de "luxo burguês". E agora, por cá temos o tal  governo liberal a meter-se onde não é chamado.

 

No alegre Portugal de 1975-1976, foi quase o mesmo. No Campo Grande, mesmo diante da hoje arruinada Piscina Municipal, existia uma padaria a uns metros da porta do nosso prédio e à mesma distância no lado oposto, um "supermercado" Val do Rio. Aos sábados, a bicha para o pão era um espectáculo destinado a fotos da Time e o berreiro contra os açambarcadores que levassem mais de seis carcaças, uma coisa digna de figurar nos anais na Tomada da Bastilha. No Val do Rio, a despenteada senhora da caixa barafustava com quem se atrevesse a infringir o racionamento: "só pode levar dois pacotes de leite! Só pode levar um pacote de manteiga ou um quilo de arroz! Você é um açambarcador fascista, vê-se logo que é retornado!" (berros) Com apenas quinze anos, fazia os recados de casa, adorava aquele pagode, ria-me a bom rir. Sobretudo, tinha a língua bem escamada de farpas e respondia-lhe à letra de uma forma tal que a fulana chegou a ameaçar-me com o COPCON.

 

Ena... pelos vistos, o Pingo Doce provou que o país abarrota de fascistas de cidade e subúrbio. E de retornados "dos de cá" e do Brasil, também. Aos feriados, no "sítio do costume".

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publicado por Nuno Castelo-Branco às 09:21
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Terça-feira, 1 de Maio de 2012

Após a fragorosa vitória na guerra de 1870-71, Bismarck sabia bem o que dizia, quando considerava a hipótese de uma restauração da Monarquia francesa um imediato casus belli. Tinha as suas razões para apostar no sempre instável regime republicano e as décadas que decorreram até à I Guerra Mundial, foram pontilhadas de casos que alternavam tentativas de feitos espectaculares no ultramar, com os aspectos mais sórdidos do período dito liberal. Se a grande Guerra propiciou a União Sagrada que fez frente aos Impérios Centrais, logo os anos vinte e trinta fizeram regressar aquele clima de não declarada guerra civil, esse fervilhante viveiro que ditaria uma vez mais,  uma rápida e clamorosa derrota frente à Wehrmacht. Nas duas derradeiras décadas do século XIX e no período da Belle Époque, deram brado os casos do general Boulanger, o embraçoso episódio Dreyfus, as constantes ruínas empresariais e escândalos financeiros, a total capitulação que os ingleses impuseram em Fachoda - esse sim e que ao invés do "nosso", consistiu num Ultimatum com perdas bem reais - ou a deriva populista que encontrou na Igreja o alvo ideal, enfim, alguns episódios bem conhecidos e que para os cem anos seguintes permaneceram presentes na discussão da coisa política em França.

 

É desejável a vitória de F. Follande. Aparentemente, a opinião geral, mesmo aquela veiculada em surdina pelos seus próprios apoiantes, considera o homem "um molusco" sans aucun intérêt, querendo isto dizer ser ele pertença daquela zona desinteressante, cinzenta e sem chama ou grandes princípios, que desde há três décadas tomou de assalto muitos dos países da antiga CEE, precisamente aquela imensa coorte de gente ligada a escritórios de advogados, gurus dos truques baixos nas Bolsas e economistas yuppies do início da histeria colectiva desencadeada nos tempos da administração do Presidente Reagan. Oxalá nos enganemos. A premissa do "Tudo será cada vez Melhor", o absurdo princípio do politicamente correcto, a obrigatória posição dos braços abertos em accueill à n'importe qui parce que oui e a demencial padronização ditada pela moda financiada pelos conglomerados económicos e financeiros, fizeram o resto. Toda a Europa foi devastada por uma febre do lucro a todo o custo que nos primeiros momentos prometia um gargantuesco banquete a todos, mas que decorridos uns poucos anos, marcou o inevitável declínio daquilo a que hoje se designa de U.E. No campo da geopolítica, o caso francês torna-se ainda mais evidente, pois a derrota na II Guerra Mundial obrigou o país a uma Entente com a inimiga hereditária, sendo esta a principal razão para concertar o supremo esforço na tentativa da criação de um espaço de paz e de pujança económica capaz de garantir algum do passado lustro que durante cinco séculos fez brilhar a grande península crismada de continente. Por outras palavras, a França contrariadamente reconheceu a sua descida no ranking das Grandes Potências.

 

 

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publicado por Nuno Castelo-Branco às 02:56
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Segunda-feira, 30 de Abril de 2012

Após o resultado das últimas eleições, seria de esperar que passo a passo o executivo tentasse a total islamização de todos os serviços públicos. Iniciou o processo através de novas regras a impor à televisão estatal marroquina. Além dos cinco chamamentos diários à oração, quis colocar um ponto final nas emissões em francês, dedicando aquele espaço à religião e à quase certa difusão de um bem conhecido reaccionarismo que se tem livremente instalado de Tunis ao Cairo.

 

O monarca opôs-se, acompanhado pelos partidos da oposição parlamentar e numerosas personalidades da sociedade civil, destacando-se conhecidos intelectuais marroquinos.

 

O primeiro-ministro Benkiran atreve-se agora a afirmar que "os reis não estão forçosamente rodeados de boas pessoas (...), podem estar rodeados de inimigos que serão os primeiros a deixá-los cair" Indo ainda mais longe vai ameaçando que "a Primavera árabe ainda não terminou e poderá voltar". 

 

Estamos então perante o dilema de num país que votou maioritariamente no partido islamita, o Rei ser obrigado a intervir para garantir aquilo que segundo as suas palavras, é o "dever do respeito da pluralidade cultural e linguística de Marrocos".

 

Oxalá os Estados Unidos não tenham qualquer súbito interesse na desestabilização do nosso vizinho do sul.


publicado por Nuno Castelo-Branco às 16:45
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Agora ficamos a saber que Bin Laden tinha um certo sentido de humor e que além de ser adepto de um "viagra natural" - caramba, nem sequer mencionam o nome do produto? -, era cuidadoso com o seu aspecto, tendo à sua disposição uma panóplia de loções e tintas para o cabelo. Enfim, cuidava da sua imagem. Dadas as fotos que dele conhecemos, imaginemos o que seriam se não fosse assim tão aplicado com a sua apolínea beleza...

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publicado por Nuno Castelo-Branco às 12:11
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Domingo, 29 de Abril de 2012

"Nos tempos que correm, da plutocracia desvairada, da arte-negócio e das "indústrias culturais", é quase impossível que homens destes surjam. A arte, a cultura e o ensino são aristocráticas por antonomásia. Ai de quem os queira transformar em meras mercadorias. Aqui está o epitáfio da cultura."


publicado por Nuno Castelo-Branco às 12:56
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Sábado, 28 de Abril de 2012

Que se faça então jurisprudência, cerceando-se as extorsões e abusos.

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publicado por Nuno Castelo-Branco às 23:07
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Não se sabe o nome da sumidade, mas sabemos que representa Portugal nada mais nada menos, senão na mais importante cidade asiática da nossa História. Ouçam a charla e se quiserem um comentário em regra, esse já foi deixado pelo Miguel no Combustões.

 

O ministro Paulo Portas tem mais uns anos para pôr a casa em ordem. Já não é sem tempo, até porque os problemas com as representações diplomáticas não se circunscrevem a croqueteiros militantes e ajuramentados em Paris, Bruxelas e arredores. Pelos vistos, a missão consular em Goa deveria significar algo mais que repastos de badji puri, sarapatel, balchões vários, chacuti e neste caso, chamuças de coirato. 


publicado por Nuno Castelo-Branco às 22:19
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Parece ter sido a acção do nobelizado Saramago. Isto não se trata de qualquer oposição a fascismos ou caudilheirismos peninsulares, mas tão simplesmente uma obstrução à recolha de pecúlios pelo fisco, em suma, taras do capitalismo. Claro que ninguém a isso se atreverá, pois o trapinho vermelho ao pescoço tudo faz esquecer, mas seria conveniente cruzarem-se as informações dos fiscos de Espanha e de Portugal para tudo ficar transparente. Ou não será assim?


publicado por Nuno Castelo-Branco às 21:34
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A sempre irritada jornalista do ex-poder já ansioso por regrassar ao buffet, cita um fulanóide qualquer, não sabemos quem -  o marido da Dª Rosete? -, talvez com intuitos condenatórios. Mas vamos então à trombeta da arauto:

 

1. "É altura de os Portugueses despertarem da letargia em que têm vivido e perceberem claramente que só uma grande mobilização da sociedade civil permitirá garantir um rumo de futuro."

 

Qual é a dúvida? Acabaram-se os TGV's, aeroportos à cata de terrenos "amigos do seu amigo", centros comerciais à beira-Tejo, bunkers de contentores, BPN's, pedincha atrás de pedincha no estrangeiro e ainda conseguimos fazer com que um certo caramelo fosse flanar à beira Sena. O 16ème é uma espécie de resort caro, mas num país tão desigual, ele e os seus estão do outro lado que pode, quer, manda e consome. O lado da casa nostra Câncio. Quanto a isso estamos descansados, não letárgicos.

 

2."É oportuno tomar uma posição clara contra a iniquidade, o medo e o conformismo que se estão a instalar na nossa sociedade."

 

Tem razão. Acabaram os telefonemas benditinos para as sedes dos jornais, os traficozinhos nas secretas que têm de ser mais discretas e o "tem de ser" que uma certa trupe impunha a seu bel-prazer, correndo a pontapé jornalistas, chantageando emissoras, etc.

 

3. "Precisamos de uma política humana, orientada para as pessoas concretas, para famílias inteiras que enfrentam privações absolutamente inadmissíveis num país europeu do século XXI."

 

Estamos de acordo. É uma pena o regime não ter pensado nisso nos últimos, digamos, trinta e sete anos. Onde estava a casa nostra Câncio há seis, há cinco, quatro, três, dois anos? No Reino da Suécia? No Reino da Dinamarca? No Reino da Noruega? No Reino da Austrália? No Reino do Canadá? No Império do Japão? No Grão-Ducado do Luxemburgo? No Reino dos Países Baixos? No Principado do Liechtenstein? Se por infelicidade esteve a residir na República Portuguesa, deve ter andado muito distraída ou então, em rendosamente confortáveis companhias.

 

4."Portugal é já o país da União Europeia com maiores desigualdades sociais."

 

Tem toda a razão e muito têm os caviaristas camaradas da casa nostra Câncio contribuído para tal, desde a transumância de pastos ministeriais para pastagens betoneiras, banqueiras etc, até às mordomias "inerentes e adquiridas a 199Km à hora", comissionismo militante à cata de obra pública e outros números de circo. Quantos polícias tem cada português para a sua protecção privada e à conta do Estado? 14?

 

Não se rale, vai tudo andando e talvez dentro de um ou dois anos a situação comece a melhorar. Mais crivados não podíamos estar e para esse recorde Guiness, devemos agradecer o colaboracionismo de Fernanda Câncio que ao longo de anos foi desvelada protectora de todo o tipo  "desígnios", "paradigmas" e outras jarrinhas decorativas que envolvem desperdício, abuso de poder, ocultação da verdade e crendices messiânicas.

 

Vá lá, hoje é sábado e a casa nostra servir-lhe-á mais um carpaccio  bastante apetitoso. Para entrada, serve. Os pobres que se fiquem pelos rodízios ou pelo McDonalds, não é? Gente fina e nariguda é outra louça.


publicado por Nuno Castelo-Branco às 15:38
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Sexta-feira, 27 de Abril de 2012

 

A cônjuge do Sr. Obama decidiu-se por umas férias em Espanha, não dispensando a visita aos monarcas do país vizinho. Tudo estaria muito certo e perfeitamente compreensível, se o passeio não tivesse envolvido despesas pagas pelos contribuintes. Ainda há uma semana, o madrileno El País abria as suas páginas a "indignações" - sem que o Rei lhes sacasse um cêntimo - dos do costume. O que terão agora a dizer os republicanos? 

 

379.000 Euros em cinco dias, um bom regabofe! Mas tudo será desculpável, tratando-se da santidade Obama.


publicado por Nuno Castelo-Branco às 13:15
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Quinta-feira, 26 de Abril de 2012

 

Retratado por Dáh-Lee?

 

O Correio da Manhã, divulga hoje a realidade securtitária em torno do ex-presidente Mário Soares. A juntar ao famoso carro dos 190Km/hora, agora temos polícias à dúzia. "O Estado é que vai pagar", será decerto a resposta mais correcta.

 

Por mera curiosidade, aqui deixamos alguns comentários postados no fórum da GNR:

 

"Soares tem casas guardadas por dezenas de PSP", "Também tem Guardas na sua casa de Colares...", "Eu já lá fiz serviço e na altura tinha umas condições miseráveis para dois guardas que faziam 6 horas de serviço.", "o pai da democracia...com pais destes como nao havemos de estar na m..........que estamos.....", "E alguém consegue explicar o porquê de tal situação????Não bastava terem só segurança quando exerciam funções presidenciais???Agora já na reforma e com dezenas de elementos da PSP/GNR a fazerem-lhe segurança!!Quanto custa isto ao estado?", "Li no jornal que são 14 os escravos ás ordens deste "Marajá ", "Turnos de 6 horas dia e noite.Nem por isso o exmo arrogante respeita quem o guarda. E não é que a maioria do povo Português venera um homem que foi um dos maiores inimigos do erário publico! Somando a isto ,os milhões que gastou em viagens ,por esse mundo fora, compostas de dezenas comitivas instalados em hotel 5 * onde só a "realeza" pode por lá passar.", "Já ouvi historias engraçadas desse "senhor mário"... sempre a entalar os militares que prestavam serviço para a sua segurança..."

 

Há ditos que não podem ser aqui publicados, mas se a curiosidade vos abrasar, poderão visitar estas edificantes páginas. Se a gente que lê o El País soubesse disto, talvez começasse a usar meia dúzia de neurónios antes de colocar em causa a Monarquia.

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publicado por Nuno Castelo-Branco às 19:13
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Quarta-feira, 25 de Abril de 2012

Com uma saudação ao estilo Breivik, os militares norte-coreanos prosseguem as coreografias de entretenimento, consagrando a sucessão Kim.  Evocando a "ideia Zuche", uma espécie de contrafacção fanqueira das colectâneas de textos de Marx e Lenine, garantem poder liquidar os  americanos através de um só golpe, aproveitando para prometerem a redução da Coreia do Sul a cinzas. 

 

Aqui está um tipo de regime cheio de optimismos e entusiasmos, recorrendo a todos os pretextos para realçar o papel dos militares. Para aquele que hoje numa Lisboa chuvosa dizia que o Parlamento não representa o povo, a "ideia Zuche" poderá ser uma hipótese a considerar, apesar deste tipo de coisas que alguns preferem esconder. A grande questão a colocar é de peso, pois os amuados ausentes nas comemorações oficiais - pelo menos os nomes mais sonantes - deverão ter engordado cada um deles, um mínimo de 40Kg desde 1974.  Ora, isso é escandalosamente notório e proporciona um confortável crescimento pneumático de mais de 1Kg/ano. Espantoso.


publicado por Nuno Castelo-Branco às 19:54
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PSD: "comemorar não é lembrar, comemorar é honrar".

Tudo muito bonito, mas há muita gente que ainda se lembra. Lembra-se das bestialidades em 74 e 75 pronunciadas por Sá Carneiro, lembra-se dos silêncios quando não declarado conluio no sórdido "caso descolonização". Claro que nos lembraremos dos governos do Sr. Cavaco Silva e da destruição de centenas de milhar de postos de trabalho. Claro que nos lembraremos da abertura do Estado a gangs de patifes da pior espécie que o tornaram pasto para privados apetites financeiros. Claro que nos lembraremos de certa gente sentada no Conselho de Estado, do BPN, da construção do CCB, das auto-estradas, etc. Claro que nos lembraremos.

 

PS: “o rumo do crescimento e do progresso foi invertido” . Eles lá sabem do assunto, pois sendo exímios no desperdício, má gestão, abuso de confiança e reserva mental, estão cientes da situação do edifício do qual foram os principais engenheiros.

Ridícula, esta obsessão pueril pela França, evocando o Sr. Hollande. Acusam os outros de submissão aos alemães - quando eles próprios são um caniche concebido pelo SPD e até há um ano, os preferidos da Sra. Merkel - e hoje imploram por Hollande. A França consiste numa hemorróida de muitas gerações, pois a qualquer prurido do Sr. Clemenceau ou Poincaré, já o biltre Afonso Costa de imediato corria ao farmacêutico da esquina, não fosse cair tonto pela janela do eléctrico.

 

CDS“A vida em liberdade e democracia, apesar da sua extraordinária complexidade, é um bem absoluto de que não queremos abdicar”.  Fique o Largo do Caldas certo de que Mário Soares e outros de menor coturno abdicam facilmente dessa liberdade, sempre que não forem eles a deter as chaves dos ministérios, ou melhor, a combinação das fechaduras dos cofres dos mesmos. Quanto ao mais, o CDS deve advertir os seus sócios acerca daqueles assuntos que envolvem comissões, abates de árvores e outras questões pendentes.

 

PC e colónia verde: Acusa a direita - ou seja, todo o restante Parlamento - de ter  transformado Portugal “numa enorme junta de freguesia”, “num protectorado da Alemanha”. Interessante, este artifício parido por quem marejava os olhos de lágrimas de contentamente, nos tempos em que a União Soviética "protegia" metade da Europa - uma boa parte da Alemanha incluída - num sistema colonial jamais visto. Quanto à alegação da junta de freguesia, nisso está o PC certo, até porque quem passeie por "juntas de freguesia" onde o PC dominou durante décadas - áreas de Sintra, Loures, Barreiro, Vila Franca, Sacavém, Almada, Seixal, Moita, Amora, Costa de Caparica, Trafaria, Amadora, Cacém e dúzias de Quintas do Mocho, ficará com uma ideia de como Portugal seria nas mãos da comandita do "homenzinho novo". Má construção, péssimas estradas e acessos secundários, saneamento miserável, lixeiras a céu aberto, um pesadelo suburbano mercê dos negócios com "arquitectos e engenheiros" do betão de 3ª categoria. Em suma, viveiros de criminalidade. E falam eles dos outros?

 

BE: realmente, os "ricos que paguem a crise". Assim sendo, dêem os próprios bloquistas o exemplo.

 

Cavaco Silva“Temos todos o dever de mostrar que somos um país credível e com potencialidades que tantas vezes são ignoradas”.

Conhecendo-se o currículo do orador, resta-nos imaginar aquilo que os estrangeiros pensarão acerca deste país que o elegeu para Chefe do Estado. Ele sintetiza bem a imagem que temos "lá fora".

 

Bem, já ouvi o suficiente. Agora, vou regalar-me com um almoço que preparei: frango ao estilo da Kentucky Fried Chicken com toneladas de piri-piri, acompanhado por massa "parafuso" tricolor, salteada em azeite e alho. Fico-me por aqui.


publicado por Nuno Castelo-Branco às 11:46
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O Expresso mostra hoje alguns murais pintados nas paredes de Lisboa. Um deles, é bastante familiar. Estive envolvido nessa acção de propaganda e na série hoje publicada, surge na foto nº 17.

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publicado por Nuno Castelo-Branco às 11:45
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Este é um dos maiores, aqui bem explicado pelo Miguel. 

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publicado por Nuno Castelo-Branco às 10:52
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Uma alemã tumescente de furores uterinos, caçou um incauto num bar de Munique, levando-o para casa. Após repetidas prestações na Garagem da Vizinha, o pobre bávaro não aguentava mais e ainda por cima acabou sequestrado pela famélica gretchen. A coisa envolveu um pelotão policial que forçando a entrada no apartamento ainda teve de resistir a uma tentativa de abuso sexual. No país do programa Lebensborn, é assim.

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publicado por Nuno Castelo-Branco às 10:15
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Era o delírio. Naquele dia 25 de Abril de 1828, a Rainha surgiu à população da capital, percorrendo as ruas numa carruagem aberta e acompanhada pelo filho D. Miguel. Os loucos "vivas!" aos monarcas, alternando com o foguetório e os "morras" à gente da política partidária, soavam como o trovão da tempestade que desabaria sobre um país logo invadido e mutilado pelo sopro da ventania dos negócios convenientes às grandes potências. 

 

Era o 25 de Abril e a Rainha coberta de cravos vermelhos, sorria no dia da sua festa.

 

Feliz 237º aniversário, Majestade


publicado por Nuno Castelo-Branco às 01:15
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Terça-feira, 24 de Abril de 2012

Mário Soares vem agora dizer que ..."o governo está a vender as jóias da Coroa" (salvo seja, após aquele esquisitíssimo roubo holandês que cheira a "esquema bem montado", só nos faltava mais essa...).

 

Agora, passamos a deixar aqui algumas das verdadeiras jóias que o regime atirou ao lixo ou pior ainda, deu a comer as pérolas aos porcos bem refastelados num poder que sem a golpada jamais sonhariam ter:

 

Angola, Moçambique, Cabo-Verde, Guiné, S. Tomé e Príncipe, Timor, Macau, pescas, indústria, agricultura, marinha mercante, o Escudo, as reservas de ouro do BdP, as finanças sólidas, a separação entre a política e a plutocracia, o bom ensino, o Serviço Militar Obrigatório, o controlo efectivo das fronteiras do país.

 

Estas eram as jóias da Coroa, Dr. Mário Soares. O resto que menciona, não passa de pechisbeque para enganar jet-set regimental. Fancaria enche-panças, agora sob a fórmula PPP e etc. 

 

Hoje encontramo-nos na mais vergonhosa e total submissão ao poder estrangeiro que a UE, a finança agiota e os seus correspondentes internos impõem.

 

 

* Com boa parte disto, acho que até o jojoratazana concorda.

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publicado por Nuno Castelo-Branco às 16:36
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Por esta forma de ver as coisas como elas não são, não haverá mais comemorações quando a geração da engorda bater a bota. É assim que estes amuos pela exclusividade podem ser entendidos. Disto podem estar descansados: até ao momento final, haverá farta gamela. Para nós, os da carruagem de segunda classe, nem por isso. É que toda a gente já percebeu que vivemos uma ditadura de Estado, onde o roubo se reveste de fórmulas jurídicas tendentes ao completo saque da classe média através do conglomerado de instituições parasitárias - uma das quais é a República -, PPP, ou bancos falidos nacionalizados. Tudo isto, sob o férreo controlo de uma imprensa pretensamente livre e verdadeiro instrumento de bem conhecidos gangs de sacripantas.

 

Como diz Ricardo Costa, Mário Soares cometeu mais um erro. Crasso.


publicado por Nuno Castelo-Branco às 16:24
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Segunda-feira, 23 de Abril de 2012

...e vão ver como os "pesos pesados" Soares, Lourenço e habituais convivas aparecem em massa. Esta gente que julga que "só há democracia" quando são os deles a bater o tambor, conduz-nos directamente à fábula da raposa e das uvas. Uma desgraça, até porque Portugal está-se nas tintas para a chantagem que fica entre os próprios.


publicado por Nuno Castelo-Branco às 23:08
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O achispalhado Coronel Vasco Lourenço e a sua coutada associativa, não comemorarão o 25 de Abril oficial. Ainda ontem, um tal General Assunção de quem jamais tinha ouvido falar, dizia ser da responsabilidade dos Partidos do arco governamental, a situação catastrófica em que nos encontramos. Claro que sugeria outras "alternativas" (partidárias), precisamente aquelas que nos conduziriam a uma ditadura bananeira.

 

Estes empresários ex-dragonados, são lestos no alijar das próprias responsabilidades. É  que a "situação" não caiu do céu aos trambolhões. Entre uns pás e uns acordos no café da esquina, fosse a Pastelaria Bijou ou outra, as suas acções desembocaram no esquema vigente. E contra isto não há argumentos.

 

O que se torna insuportável, é esta sempre presente ameaça de reincidència ao estilo jagunço e isto vindo de gente sem a mínima aptidão para sequer reger uma freguesia. Falam do contrato social establecido pela Constituição da República Portuguesa e do seu rompimento pelo governo.  Esperemos que fiquem pelas bazófias.


publicado por Nuno Castelo-Branco às 11:31
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Domingo, 22 de Abril de 2012

O homem é horroroso. Ordinário a fazer juz ao péssimo porte, língua afiada para a gracejola de beco de doca e um enorme baú de esperadas  vulgaridades, este perfeito bon à rien foi um poço de promessas e de todos os arrivismos, tudo fazendo para chegar a este resultado. Vencido à tangente por um molusco, tem uma Sra. Le Pen a morder-lhe as canelas. Quanto ao resto, já se confirma aquilo que todos desconfiávamos: o fulano que tanto podia ser candidato pela extrema-direita como pela extrema-esquerda, a coqueluche do luso Bloco, ficou-se naquele residualismo que pouco conta, apenas sobressaindo entre outras ninharias presentes no cortejo.

 

O que a França tem visto nestes últimos 40 anos, roça a risota em pleno teatro do guignol: o Giscard dos negócios vergonhosos e do petit commerce africain, o Mitterrand das escutas, silenciamento de opositores, mortes misteriosas e semeador de sedícias, o Chirac semi-presidiário militante e agora isto que ainda está e aquilo que talvez venha, são  um panorama desolador.

 

A ideia de um país que teve Luís IX, Henrique IV, Luís XIV, os dois Bonapartes e até De Gaulle como Chefes do Estado, ver-se reduzido ao espampanante bordel cor de rosa da dupla Sarkozy-Bruni, é sintomático. Enfim, c'est la République e o que ainda há para dizer está aqui, como é costume.


publicado por Nuno Castelo-Branco às 19:55
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Sábado, 21 de Abril de 2012

Há noventa anos, o abjecto regime da I República tinha na GNR a sua guarda pretoriana, armada até aos dentes com metralhadoras e canhões de tiro rápido. Hoje é voz comum a alegação de serem as Forças Armadas uma mera empresa que faz o serviço de protecção dos detentores do poder, sejam eles quem forem. Nada mais existe de perigoso.

 

Embora possa desagradar a alguma gente formatada pelo ravismo dependente do subsídio, de uma coisa poderão estar certos: no caso da instauração da Monarquia, será desejável o imediato restaurar do Serviço Militar Obrigatório. Esperemos que compreendam.


publicado por Nuno Castelo-Branco às 22:00
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Iune mánhifique préstácion pólitique diu "francófóne" Máriô Suárreze à lá têlêvisiõ francéze. Ici, ô Combustões. LOL!

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publicado por Nuno Castelo-Branco às 12:02
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Sexta-feira, 20 de Abril de 2012

Não sei nem me interessa minimamente o que dizem os manuais da "superioridade moral comunista", quando o assunto a tratar é a bigamia. Provavelmente, será mais um "desviacionismo pequeno-burguês" a pedir o epíteto de "inimigo do povo". Ora, o camarada Otelo orgulhosamente assume-a, bem ao contrário de muitos que por ai andam a "fazer serão" pelas leitarias nocturnas da Duque de Loulé, uma ou duas vezes por semana. Assim, ficamos a saber que lucky Otelo tem duas mulheres, mas há que deixar uma questão:

 

Como reagirá este portento de previsíveis proezas sexuais, se um dia destes as senhoras Dina e Filomena também decidirem - com todo o direito! - enveredar pela bigamia, arranjando cada uma delas para os dias sem Otelo, um matulão ersatz? Que tal?


publicado por Nuno Castelo-Branco às 19:08
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.

 

Uma excepcional mulher que por muitas razões nos faz recordar,

 

Ver mais... )

 


publicado por Nuno Castelo-Branco às 15:13
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Num daqueles exercícios que antecipam sonhos em noites de verão, Carlos Vidal deixa-nos um relato acerca de um hipotético golpe de Estado conduzido pela "esquerda militar" - ou melhor, pelo PC ajudado por turras estrangeiros - , envolvendo violências várias, assaltos à mão armada a domicílios e uma clara ameaça à integridade física de Cavaco Silva e de Pedro Passos Coelho. A vertigem do "sangue purificador", como é costume.

 

Eles são mesmo assim. Sonham com um Chezinho qualquer que desate a fuzilar gente no Campo Pequeno e de repente, sai-lhes um Pinochet que fará precisamente o mesmo. Isto, num país que aboliu a pena de morte há 150 anos.

 

Nada a temer, são parvoíces de primavera.


publicado por Nuno Castelo-Branco às 09:32
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Quinta-feira, 19 de Abril de 2012

Por volta das sete da tarde, uma pateta debitava algumas notícias na SIC Notícias e com o ar mais sério deste mundo, remoía as questões relacionadas com aquilo que de Espanha nos tem chegado nos últimos dias. Mais precisamente, a vozita comprazia-se em sublinhar os  OITO MILHÕES de Euros que a Coroa custa aos contribuintes espanhóis, logo acrescentando como estocada final que ..."a partir de agora, todos os actos da Família Real serão totalmente monitorizados e públicos". Melhor dizendo, os seus membros deixam de ter vida privada. Que felicidade.

 

Que gente descarada é esta que se atreve a sequer comentar casos destes, quando vive num país onde o Chefe de Estado teve ou tem ligações no mínimo indecentes, é um autêntico foco infeccioso na unidade nacional, foi e é um péssimo político para os interesses do país e um nulo embaixador daquilo que deveria ser Portugal? Que "lata" é esta, batida por uma qualquer papagaia que se atreve a ler um teleponto absurdo, quando tivemos vigaristas semi-presidiários sentados no Conselho de Estado, presidentes que viajavam para o Japão et ailleurs a bordo de aviões da TAP abarrotando de amigos, amigas e outros coriféus do estilo, com despesas de uísque a 2.000 contos/viagem, tudo isto à conta do contribuinte? Dúzias e dúzias de viagens com centenas de comensais - até bobos iam -, escapadelas em Falcon a 1.000 contos à hora, desvios de última hora para chapinhar patas nas cálidas águas do Índico, etc, etc? Que topete é este, quando se sabe que em Portugal sabemos da existência de casos onde as provas foram claramente silenciadas através da retirada de livros do mercado, surgindo patentes os vasos comunicantes entre a cúpula do Estado e os mais sórdidos interesses particulares? Que televisão é esta que ousa dar relevância - apresentando sem cessar o balir dos deputados da ridiculamente ultra-minoritária I.U., o travesti do extinto PCE - a um claro disparate que não envolveu abuso de poder, roubo ou má gestão de fundos públicos, quando em Portugal tivemos alguém que ao contrário da absolutamente impoluta observância constitucional de João Carlos I, teve o desplante de dissolver um Parlamento maioritário, apenas para deixar entrar e escandalosamente cooperar com mais uns tantos cavalos de Tróia da nossa ruína?

 

Mas afinal que gente é esta? Como se atrevem?

 

Por um décimo daquilo que acima está exposto, a Monarquia devia ser esta noite instaurada, nem que fosse a tiro de canhão.


publicado por Nuno Castelo-Branco às 23:19
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Quarta-feira, 18 de Abril de 2012

O súbito impulso patrioteiro da viúva Kirchner, parece estar naquele plano furta-cores ainda impossível de perfeita identificação. Se por um lado a famiglia Eskenazi, velha comparsa do defunto Nestor em não menos conhecidas negociatas está agora na berlinda, por outro lado, há quem afirme que a expropriação da YPF, se deveu à oposição da Casa Rosada - sob pressão dos EUA - à venda desta empresa aos chineses da estatal Sinopec. Os próximos meses nos confirmarão qual destas hipóteses é a verdadeira. 


publicado por Nuno Castelo-Branco às 23:46
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"Lo siento mucho. Me he equivocado y no volverá a ocurrir".

 

Foram estas as palavras de João Carlos I, Rei de Leão e Castela, de Aragão, de Granada, Navarra e da Galiza, enfim, daquele espaço internacionalmente conhecido por Espanha. Os jornais do país vizinho dizem tratar-se de um gesto inédito por parte de uma autoridade política. Pois foi o Rei o primeiro a fazê-lo. 

 

Muito a propósito, já alguém nos pediu desculpa por alguma coisa?

 

Alguma vez escutou qualquer escusa a propósito das perseguições políticas, espancamentos públicos, assaltos e destruição de jornais, invasão de propriedade, eleições fraudulentas, subversão da ordem da Carta Constitucional, assassinatos patrocinados pelos mais altos titulares do poder político, destruição da economia, corrupção generalizada e fuga em massa de população durante a I República Portuguesa?

 

Nunca.

 

Alguma vez ouviu qualquer um dos antigos hierarcas da II República escusar-se pela ditadura, prisões arbitrárias, julgamentos farsa, tortura de opositores, assumido e satisfeito desleixo na formação cívica e intelectual da população, irresponsável política ultramarina que significou o desastre para 30 milhões de criaturas, ou a arrogância imobilista que a mania da exclusividade no poder implicava?

 

Nunca.

 

Alguma vez escutou Spínola, Costa Gomes, Eanes, Soares, Sampaio ou Cavaco reconhecer os escabrosos e sempre bem escondidos eventos da descolonização, a liquidação do aparelho produtivo durante o PREC, as ocupações, espancamento de "miúdos fascistas" no COPCON, saneamentos selvagens, ruinosos tratados de adesão à então CEE, a entrega do país aos milhafres da plutocracia internacional que conduziram à perda de centenas de milhar de postos de trabalho, ao abandono dos campos e da faina marítima? Alguma vez ouviu gente persignar-se por vergonhas como a dissolução parlamentar de Sampaio, os deboches imobiliários, as escutas ilegais, a paródia da Justiça a soldo dos omnipotentes, o Caso Emáudio, os Freeport, os parasitários "estudos" para aeroportos, PPP, contentores e TGV, as bilionárias derrapagens orçamentais nas obras públicas, o arrasar dos nossos centros urbanos, as vigarices banqueiras que envolviam acções "fora de bolsa", as transferências secretas de incalculáveis somas para paraísos fiscais, as propriedades jamais registadas ou indexadas ao fisco?

 

Nunca, a III República jamais o fez ou fa-lo-á.

 

O Rei de Espanha desceu do seu trono e pediu desculpas pela falta de sensibilidade. Não cometeu qualquer acto ilegal, não perjurou, roubou ou conluiou fosse com quem fosse. Partiu de férias na pior altura e apenas por isso mesmo, foi alvo de uma bem coordenada "campanha de indignição pública", excelente válvula de escape para os mesmos de sempre, precisamente aqueles que trazem hoje a Espanha para um dos piores momentos da vida deste regime que já conta duas gerações.

 

Percebem a diferença? 


publicado por Nuno Castelo-Branco às 14:53
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Terça-feira, 17 de Abril de 2012

Sem sequer recorrermos às elaboradas teses velhas de séculos que consolidaram ou pelo contrário procuraram minar o poder real, parece-nos certo atalhar e colocar como padrão esta verdade insuspeita e indesmentível: o edifício monárquico do Estado é o mais justo, mais estável e aquele que propicia a melhor harmonia social.

 

O Rei João Carlos I cometeu um erro crasso, dando o gosto ao dedo no gatilho. Desde sempre a caça me pareceu uma coisa detestável e ainda criança, vivendo no paraíso cinegético que era Moçambique, sempre me recusei a esse tipo de "cretinismo escopeteiro". No caso em questão, um disparate imperdoável, uma indecência, mesmo que esta caçada tenha respeitado a legalidade e o excesso da população de elefantes na zona. O Rei não deve fazê-lo. É tão simples quanto isto.

 

Em Espanha existem mais de 3.000.000 de caçadores com licença, entre os quais, infelizmente está o próprio monarca. Embora tal apetite pretensamente desportivo seja para mim uma incógnita, há que reconhecer a sua existência. Se por cá temos republicana gente que parte para carabineiros safaris ou dispendiosíssimas jagatinas de golfe intra e extra fronteiras, tais notícias não passam de curiosidades para cinco minutos de charla. Pois em Espanha a coisa parece ser diferente. Conhecendo-se a situação periclitante da unidade do próprio Estado, há quem procure tirar dividendos de uma desastrada opção lúdica do monarca. Consistiu num inexplicável erro, é verdade, e tratando-se de reis, este tipo de atitudes são escrutinadas da forma impiedosa que se sabe. Qualquer Presidente pode caçar livremente, ter férias por conta de escroques da finança internacional, "vencer eleições" através de fraudes, ser ostensivamente subornado por um qualquer potentado centro-africano, mandar liquidar gente do Greenpeace a bordo do Rainbow Warrior, escutar adversários, criar redes de tráfico de influências, traficar diamantes e marfins de forma impune ou até ir amealhando acções, propriedades fora do registo público e outros malabarismos que a sua posição pública - ou melhor, política - lhe permite.

 

Aos reis, tudo isto está muito justamente vedado. Os monárquicos devem ser e são exigentes.

 

Na longa noite da Tejerada, D. João Carlos obrigou o então garoto D. Filipe a permanecer acordado, assistindo ao desenvolvimento da situação explosiva que o golpe criara no novel regime espanhol. Mais ainda, declarou tê-lo advertido quanto à "profissão real", ..."necessário sendo construí-la dia a dia, incessante e perseverantemente". Aproximando-se dos oitenta anos, o homem que ainda há pouco tempo colocou no seu devido lugar o grotesco chefão de Caracas, parece ter-se esquecido de si próprio, partindo para um safari em terras quentes e ricas em grassa grossa. Fisicamente decaído, surge esgotado e não será difícil compreender o quão trabalhoso é o cargo que ocupa, mesmo descontando o longo período de expectativa e criação das condições que o guindariam ao trono e por sua mão, a Espanha à democracia plena.

 

Uma breve leitura das caixas de comentários nos principais periódicos espanhóis, apenas nos confirmarão muitos dos alegados preconceitos que normalmente são atribuídos aos nossos vizinhos: gente pouco curiosa pelo outro, ensimesmada, fanática por qualquer fait-divers, sanguinolentamente reactiva a qualquer minudência, por muito inconsequente que esta possa ser. É este, o caso. Em suma, bramem pelos oito milhões anuais gastos com a Casa Real - o cerne de todos os discursos é este - , desconhecendo totalmente o que se passa no seu arruinado "vizinho ibérico" e nem sequer sonhando com o elíseo regabofe parisiense. Pior ainda, mergulhados no seu castelhano-centrismo, olvidam o que significa uma república em Espanha, ou seja, a própria extinção desta denominação como uma entidade política no concerto dos Estados. 

 

A Espanha está sob cerrado ataque. Cerrado ataque por parte da mafiosa plutocracia que se faz sentir na questão da dívida soberana e principalmente, cerrado ataque àquilo que neste momento mais deveria preocupar todos os espanhóis: as suas empresas, precisamente esses bem conhecidos polos de criação de riqueza que o regime da Monarquia Parlamentar conseguiu firmar em todo o mundo. Uma patética aventureira de marcantes características caudilhistas, num daqueles enxertos fascisto-leninistas, resolveu-se a uma golpada que precisamente há trinta anos, seria de outra forma tentada pelo seu antecessor Leopoldo Galtieri. Esta expropriação da YPF/Repsol, além de esconder o claro interesse privado da famiglia Eskenazi no assunto, subverte todas as regras do Direito. A um anúncio de expropriação precipitado pela descoberta de novas jazidas petrolíferas, seguiu-se um inopinado e vergonhoso ataque, ocupação da sede e expulsão dos gestores da Repsol e mais ainda, a ameaça de continuação do processo de extorsão, apontando-se o Santander, a Mapfre e a Telefónica como próximos alvos.

 

Entretanto e em Madrid, a dúzia e meia de tricoloridos "demócratas porque nada", insiste em questões próprias do revistismo cor-de-rosa.

 

O Rei errou. Pois sim, e daí?


publicado por Nuno Castelo-Branco às 21:00
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Devido a uma consulta na Biblioteca Nacional, deparei hoje com um daqueles habituais estadões próprios dos grandes acontecimentos que pontilham a nossa vida pública. Cinco limusinas do Estado, uma miríade de seguranças, polícias e calcorreantes coriféus com os eternos fatos cinza-rato. Curioso como convém, questionei acerca de quem estava a visitar o local:

 

-"A primeira dama".

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publicado por Nuno Castelo-Branco às 12:03
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Segunda-feira, 16 de Abril de 2012

Diz o DN que o terrorita Breivik entrou no tribunal de Oslo, fazendo a saudação nazi. Não sabemos o que se terá passado quanto à liturgia nas organizações daquele sector político, mas a imagem mostra outra coisa. Um Breivik de punho fechado acamarada-o a Jerónimo de Sousa e Louçã e talvez aí esteja a razão pela qual o texto não corresponde à foto.

 

Típicas conveniências da bota e da perdigota. 

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publicado por Nuno Castelo-Branco às 09:33
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Sábado, 14 de Abril de 2012

 

 

 

 

 

 

 

O mesmo deve estar a acontecer em todos os talhões reservados aos soldados portugueses caídos no Ultramar. Lembro-me muito bem de visitar as suas bem cuidadas  campas no cemitério de Lourenço Marques, onde frequentemente íamos colocar flores no túmulo do meu avô. Não muito distantes, estavam sepultadas várias gerações de soldados que serviram Portugal. Após a atabalhoada independência de 1975, todos os cemitérios foram votados ao mais completo abandono.

 

Chega hoje a notícia de algo de semelhante em França, precisamente nos cemitérios onde a famigerada "República de 1910" pretendeu santificar-se à custa de uns milhares de mortos saídos do povoléu-carne-para-canhão. Escarnecidos, abandonados sem comando capaz, imundos e cobertos de piolhos, semi-mortos de fome e desmuniciados, os soldados do CEP tiveram o inglório historial que se conhece. 

 

É isto, a República Portuguesa.

 

*Na imagem, o actual aspecto das campas dos militares caídos em Porto Amélia (Pemba, Moçambique), durante a I Guerra Mundial. Não lhes bastou o Costa para a desgraça.


publicado por Nuno Castelo-Branco às 19:24
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Terça-feira, 10 de Abril de 2012

 

Foi assim que aos oito ou nove anos imaginei o fim do Titanic

 

Bem perto da Praça Mac-Mahon, na Rua Consiglieri Pedroso em Lourenço Marques, existia a Papelaria Spanos. Era ali onde os meus pais tinham a assinatura de revistas como Tintim, Pisca-Pisca e os Almanaques Disney, pelos quais eu e o Miguel tanto ansiávamos. Para nossa casa também seguia uma publicação francesa, a Historia, dirigida por Christian Melchior-Bonnet, da Librairie Jules Tallandier. Nela escreviam André Castelot, Christine Garnier, Paul Morand, Alain Decaux, Marcel Brion, Jaques Chastenet, Paul Carell, entre muitos outros nomes da Academia Francesa, da política e da literatura europeia de então.

 

Houve um número que de imediato me chamou a atenção. A imagem da capa era impressionante e mostrava os momentos finais do naufrágio do Titanic. Exigi que o meu pai lesse o que ali vinha escrito em francês e nos meus oito ou nove anos de então, já ouvira algo acerca da tragédia que para muitos ainda não era coisa assim tão longínqua, ocorrida pouco antes do nascimento da nossa avó Irlanda. Com atenção segui a narrativa, desde a partida do navio, até ao momento da fatal colisão com o iceberg. Para sempre retive um trecho marcante, em que o autor relatava o testemunho de sobreviventes que garantiram a ocorrência de episódios de miséria moral que o desespero impôs como norma. Remos esmagando crânios de náufragos que lutavam por um lugar no bote apinhado, ou aquela mulher que usou o anel cravejado de pedraria para desferir um knock-out em alguém que mergulhado na água gélida, tentava fugir à morte que afinal chegaria dentro de momentos. 

 

Já não me recordo de quantos desenhos fiz acerca do Titanic. Se nalguns papéis o navio surgia novinho em folha e fantasiado de chaminés vermelhas que afinal eram amarelas, navegando a todo o vapor e soltando espessa fumarada, noutros a tragédia estava ali bem nítida, apresentada como banda desenhada ou em pequenos instantâneos de episódios que por regra, mais ou menos seguiam aquilo que previamente escutara. Pelos vistos, da antiga Rua Princesa Patrícia nº 1208 da desaparecida Lourenço Marques, sobreviveu qualquer coisa. No montão de papéis de infância - um dos tesouros-ninharia que sobreviveram ao vendaval de 1974 -, descobri dois desenhos guardados pela nossa mãe. Um deles, precisamente o que abre este post, é meu e o outro, a publicar amanhã, do meu irmão Miguel, então com uns seis anos de idade. 

 

Longe ainda estava a voz de Céline Dion e as americanadas fantasias com diamantes azuis, rapazes maravilha sob a forma de um meloso De Caprio-cara-de-pizza e uns tantos relatos verídicos, entremeados com algum sexo sugerido ou transpirado por uma então ainda inexistente Kate Winslet. A RTP anunciava para "dentro de poucos anos" a abertura da sua sucursal em Moçambique e os videos eram ainda coisa própria de sonhos à Júlio Verne. Livros, revistas, os filmes Made in Hollywood e a nossa bonecada, faziam o pleno do sonho.

 

Os lápis de cor e a esferográfica do Miguel, os meus guaches e a tinta da China, chegaram perfeitamente para nos manter viva esta memória que agora cumpre cem anos.

 

Estávamos em 1968, noutro mundo. Aqui está o meu Titanic, um sobrevivente de outro naufrágio.

 

 

 

 


publicado por Nuno Castelo-Branco às 02:38
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