Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]



Apostila à situação

por João Pinto Bastos, em 28.03.14

Entendamo-nos: a segurança social dos mais idosos não é matéria com que se deva brincar, instilando na cidadania uma incerteza mais consentânea com a práxis apolítica dos estados totalitários. O cidadão comum necessita de alguma segurança nos seus teres e haveres, e não de brincadeiras infantis que só levam à exasperação colectiva. A própria reacção do primeiro-ministro, na sua candura dolosa, demonstra que este Governo, exceptuando a mestria política de Paulo Portas, que manifestamente não dá para tudo, não tem rei nem roque. 3 anos volvidos de austerismo merkeliano, com muito imposto pago para alimentar credores rapaces, o país ainda não conseguiu interiorizar a gravidade da situação, e, ao que tudo indica, jamais o conseguirá. É este o retrato de um situacionismo que não ata nem desata.

 

Publicado aqui.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 14:58

A materialização da liberdade

por João Pinto Bastos, em 25.02.14

Pensar a liberdade, num cenário de escassez de recursos, demanda amiúde uma rigorosíssima análise da realidade, o que, como é bem sabido, nem sempre é observado pelos mequetrefes intelectualeiros do costume. Nos dias que correm, atulhados, como estamos, na empáfia da ruína moral e colectiva, a liberdade tornou-se num assunto menor que não ocupa, em rigor, um único segundo da parca inteligência dos sandeus que dominam a academia. É por isso que a reflexão intelectual hegemónica no debate público fez de temas como a liberdade, a democracia, a economia política ou a distribuição do produto social, coisas menores servilmente subordinadas a projectos de pesquisa assentes em desiderataobscurantistas. A acuidade deste problema é ainda maior se pensarmos, por exemplo, no facto de a crise económica e social da contemporaneidade não ter estimulado um debate normativo suficientemente esclarecedor sobre os rumos a tomar perante o ocaso de um modelo social e económico irremediavelmente falho. Sabe-se, empírica e racionalmente, que o Estado social construído no bojo da II Guerra Mundial tem de ser reformulado sob pena de arrastar consigo a falência irredenta do organismo social, porém, também é certo e conhecido que a reconfiguração das instituições matriciais desse modelo não comporta um desenho normativo arrimado no pressuposto falível de que o poder estadual não pode nem deve, de modo algum, intervir na sociedade civil de molde a corrigir desigualdades na atribuição dos recursos societários. É aqui, justamente neste ponto, que a leitura liberal efectuada nos últimos anos por alguns intelectuais peca por defeito. Peca, sobretudo, na concepção holística da liberdade e do papel do Estado. Em primeiro lugar, a tese de que o construtivismo social (Estado de Bem-Estar) engenhosamente gerado pelos modelos sociais dos trente glorieuses deve dar lugar a uma interacção feita de e para os indivíduos oblitera um factor nada despiciendo, nomeadamente o facto de, no contexto presente, não ser de todo possível o indivíduo alicerçar um plano de vida crível e razoável sem o concurso regulatório do poder público. Dito de outro modo, no contexto económico presente, marcado por uma mundialização económica eivada de uma pluraridade de fontes de poder, é um erro sustentar que o ambiente idealizado pelo liberalismo clássico ilustrado é facilmente transponível para a realidade actual. Não o é pela simples razão de não existirem - aliás, em bom rigor, nunca existiram - mercados perfeitamente competitivos, ancorados no equilíbro geral teorizado por Walras. O exame positivo dos mercados revela-nos, ademais, uma cristalização de formas oligopólicas e monopólicas que impedem, como é bom de ver, a validade de uma concepção teorética envolta num individualismo alheio à mecânica social. Em segundo lugar, a inevitável reforma dos Estados Sociais não deve fazer tábua rasa da imperiosa necessidade de assegurar um mínimo social, isto é, os cortes em certos agregados da despesa social, assim como a abertura à iniciativa privada e à dita sociedade civil de certos componentes do Estado de Bem-Estar, terão forçosamente de ser acompanhados de um reforço regulatório por banda do Estado. Mais: a prossecução de uma agenda assente na liberdade para todos (liberdade enquanto autonomia irrestrita na realização individual dos planos de vida) terá de repensar a correcção ex-ante dos desiquilíbrios sociais, limitando a intervenção estadual ex-post à conformação regulatória dos mercados. Isto significa, primeirissimamente, a garantia de uma distribuição equânime da igualdade de oportunidades, dando consistência material às opções de cada um. Em suma, a liberdade que importa defender, sobretudo nos tempos vindouros, é uma liberdade material acompanhada da respectiva propriedade. É aqui, neste quesito, que uma concepção verdadeiramente moderna da liberdade terá de assentar os seus arraiais. Por conseguinte, o virar de página do Estado Social só fará sentido se a isso estiver subjacente uma liberdade material ancorada na propriedade, porque, como escreveram os antigos, os Maquiavel, os Cícero, os Locke, os Smith ou os Jefferson, a liberdade só é plenamente gozada se cada cidadão possuir o autogoverno da sua pessoa. É assim que, em resumo, se constrói uma res publica realmente inclusiva.

 

Publicado aqui.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 15:02

O messianismo social-democrático

por João Pinto Bastos, em 20.02.14

Não, Henrique, a resposta à questão "qual a principal tarefa da Europa nos próximos anos?" não é assim tão linear, prova disso é o facto de haver muito boa gente que pensa o problema europeu de um modo bem distinto do propugnado pelos apóstolos do modelo social tale quale. Mas deixando de lado esta pequena minudência, há, efectivamente, a consciência funda de que a saída da crise não poderá dispensar duas coisas, a saber: 1) a reforma ampla e transversal dos distintos modelos de protecção social estabelecidos no pós-guerra, 2) a fixação de mínimos sociais, isto é, a reforma do indispensável sem que, contudo, os mais desfavorecidos sejam abandonados ao acaso assimétrico dos mercados. Estas duas condições, que perpassam alguma da literatura publicada no último lustro, não foram, que eu saiba, suficientemente dilucidadas pelas elites políticas europeias. Aliás, como é por de mais conhecido, o debate público tem assentado num conjunto de falácias que, pela sua ampla difusão, têm impedido o esclarecimento cabal da cidadania. Falácias essas que vão desde o mito do "os portugueses viveram acima das suas possibilidades" (o carro-chefe de algum "liberalismo" pouco ilustrado) até à tese, aventada pela grande maioria das esquerdas, de que o Estado Social é intocável. É bom de ver que com uma esfera pública tolhida por pontos de vista tão alheios à realidade não é de todo possível esclarecer a cidadania dos ingentes desafios que impendem sobre o país, e, já agora, sobre a Europa. O que importa, desde já, sublinhar é o facto de a crise presente socavar, sem apelo nem agravo, a belle époque regressiva dos últimos decénios. O crédito fácil minguou e a paciência dos cidadãos/súbditos já não é, propriamente, a mesma. O que sairá daqui ninguém sabe, o certo é que Estados gordos e mercados politicamente dominados por rentistas salafrários já não são remédios que funcionem. De resto, nunca foram.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 15:14

A Itália do não-compromisso histórico

por João Pinto Bastos, em 17.02.14

Dizia um conhecido colunista italiano que a Itália é pior do que o Terceiro Mundo. A avaliação é, em si, de uma clareza à prova de bala. A verdade é que desde a unificação política, lograda no século XIX, a Itália foi amiúde incapaz de organizar um modelo de Estado que suprisse, com suficiência, os problemas políticos de uma comunidade, por norma, frágil e quebradiça. Um tormento que, volvidos tantos anos, continua a dar sinais de não esmorecer. A semana que passou foi, a esse título, um boníssimo exemplo da sobredita maleita. Para não variar, os italianos ficaram, pela enésima vez, sem Governo. A coisa explica-se em pouquíssimas palavras: o Governo em exercício de funções não comprazia os egos ambiciosos dos seus chefes de fila. Cumprindo a vetusta tradição de uma República já velha, a partidocracia empurrou para fora de campo um primeiro-ministro que, inábil e pouco talentoso, só teve tempo para afirmar que se "alguém quer o meu lugar, que o diga". A frase resume o teatro de marionetas vigente em terras mazzinianas. Sai Letta, acoimado de incapaz pelos seus correligionários, e entra Renzi, que só vê poder, imagem e dinheiro à frente da sua jovial carantonha. A lógica é simples e paradigmática: ou o Governo serve os interesses da partidocracia, distribuindo as costumeiras prebendas aos comensais de sempre, ou, então, a porta será, novamente, a serventia da casa. Entretanto, no meio deste festival de egos ensoberbecidos, a economia italiana, presa de múltiplas insuficiências, não ata nem desata. E é aqui, neste quesito em particular, que a situação tenderá a complicar-se. É que o euro, não obstante a hegemonia tangencial exercida pelos teutónicos, é um assunto ainda por deslindar. Tanto é que a recente euforia em torno de uma suposta recuperação da economia europeia - que tem, de facto, alguma verdade - pode cair facilmente por terra com a emergência, em qualquer lado, de um "cisne negro" que tombe de vez a frágil arquitectura da moeda única. Uma confusão pespegada, portanto. No fundo, o que a questão italiana tem revelado à saciedade é que o país dos De Gasperi e dos Berlinguer retrocedeu a um estado de infância ininteligente, no qual não há realidade alguma que sobrepuje os calculismos de ocasião. Pensar que há algumas décadas atrás a Itália possuía um Partido Comunista que era, contra todos os prognósticos, capaz de dialogar e pactuar com a direita democrata-cristã, e que, hoje, volvidos alguns anos, o centro-esquerda e o centro-direita vivem em arrufos constantes, faz-nos pensar até que ponto a política italiana se tornou numa imensa ironia. Uma ironia em que o maior perdedor é, como não poderia deixar de ser, o cidadão comum.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 17:49

Uma sociedade doente

por João Pinto Bastos, em 12.02.14

21 sem-abrigo com estudos superiores. Confesso que ao ler esta notícia fiquei sumamente chocado. Não é que, note-se, os sem-abrigo com estudos superiores sejam, por força desse facto, dignos de uma piedade mais achacadiça, em comparação com os restantes sem-abrigo, porém, é no mínimo dilacerante verificar que a sociedade portuguesa contemporânea, mole e amoral, logrou a proeza de atirar para o caixote do lixo gente que, em condições normais, deveria estar perfeitamente integrada na comunidade. Um entulho moral, portanto. Mas há nesta nova, diligentemente trazida aos leitores pelo Diário de Notícias, um aspecto que cumpre não desprezar, designadamente o facto de, em democracia (e, nós, para todos os efeitos, vivemos sob o imperium de um regime nominalmente democrático), não ser de todo sustentável um grande fosso social entre os mais ricos e os mais pobres. Por outras palavras, níveis de desigualdade excessivamente elevados fazem mal à coesão social de uma comunidade democrática. E isto não é, em boa verdade, um facto que possa dividir em campos irremediavelmente opostos socialistas e liberais, comunistas e democratas-cristãos. Mais: ainda que alguns liberais de pacotilha julguem o contrário, há, em certas situações, a necessidade de agir colectivamente (com o concurso do poder estadual, como é por de mais evidente) de modo a melhor afrontar estas chagas sociais. O Estado quando confrontado com fenómenos de absoluta carestia material deve, obrigatoriamente, agir, e tem, em face disso, de mitigar os efeitos mais deletérios de uma pobreza muitas vezes involuntária. Bem sei que isto contende com aquela ideia um pouco desfasada da realidade de que a liberdade implica, por assim dizer, uma não interferência absoluta na esfera privada de cada um, mas a verdade é que a sociedade moderna, com a sua teia de relações e transacções, atingiu uma complexidade tal que já não admite, em situações de grande miséria social, uma não intervenção minimizadora por banda dos poderes públicos. A liberdade é, como se tem visto em muitos rincões, um conceito moldado das mais variadas formas, mas o certo é que sem uma base material inteiramente plausível (propriedade) não é possível falar de uma liberdade que seja verdadeiramente sentida e gozada. E, no caso em apreço, é claríssimo que os 21 sem-abrigo com estudos superiores não dispõem dessa liberdade, isto é, de uma liberdade que só faz sentido se for devidamente acompanhada da tão incompreendida propriedade. É disto, pois, que se trata, da liberdade e da propriedade rectamente concatenadas. É por isso que, não obstante a berraria que por vezes ainda se ouve por aí, é absolutamente fundamental repensar, de um modo humanista, o Estado Social, reformando o inevitável, sem, contudo, esquecer que a Questão Social do século XIX poderá, a qualquer momento, reemergir na cena política. Estou certo de que as elites portuguesas e europeias não desejam de todo tal ocorrência.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 22:59

A propósito das praxes

por João Pinto Bastos, em 04.02.14

A propósito das praxes, já reparei que ninguém sabe o que é o Código Penal, porém, esclarecendo os espíritos mais cediços, posso afiançar-vos que se trata de um complexo legislativo onde estão preceituadas cum grano salis as sanções dos crimes juridificados pela comunidade. Isto é, a cada crime corresponde uma determinada sanção. Como decerto calcularão, isto vale, também, para as ditas praxes. É que, para dizer-vos a verdade, já estou um pouco cansado da imensa berraria derramada em torno desta questiúncula-mor, sendo que não me é de todo agradável ligar o aparelho das mil e uma maravilhas e deparar-me com um qualquer "Dux" de 50 anos a tagarelar a sua incorrigível ignorância para tutti quanti. Investiguem, pois, o que tiverem a investigar, e condenem quem, comprovadamente, tiver furado as malhas da legalidade, mas, por favor, calem-se de uma vez por todas com esta nojeira das praxes. Para ignorantes deslavados, já bastam os alarves que permitem e protagonizam estes desfiles bovinos.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 14:27

Um bom conselho

por João Pinto Bastos, em 29.01.14

Já que alguns dos periódicos da nossa praça decidiram fazer uma revisitação jornaleira da I Guerra Mundial, não seria de todo desavisada a aplicação, em simultâneo, desse capital de pesquisa na oferta, sem quaisquer contrapartidas, de "As Consequências Económicas da Paz" de John Maynard Keynes. Seria, até, vistas bem as coisas, uma boa forma de compreender, num exercício de prognose, o que poderá estar reservado ao continente europeu, caso algumas das engenharias políticas e económicas propugnadas pela finança insindincada sejam levadas avante. Os leitores, entre os quais me incluo, agradeceriam, decerto, esse esforço.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 17:54

O caviar intragável

por João Pinto Bastos, em 29.01.14

Pois é, parece que à esquerda não há, efectivamente, nada de novo debaixo do sol.O Bloco, fazendo jus à sua tradição de parlapatice enfatuada, vai-se esfumando progressivamente, levando, nessa espiral destrutiva, os pouquíssimos rostos mediaticamente apelativos que ainda restavam nas caves bolorentas da Almirante Reis. A coisa tem uma história e genealogia próprias, que, para abreviar o possível cansaço dos leitores com as tranquibérnias do esquerdismo caviar, se resume no facto de a tradição política da extrema-esquerda ter no seu âmago constitutivo o dissídio e o confronto intestinos. Nada que, em boa verdade, surpreenda os espectadores mais cautos das guerras civis da esquerda portuguesa. Aliás, se há ilação que se pode retirar da imensa confusão em que caiu o Bloco de Esquerda é que o aggiornamento das esquerdas portuguesas, sob este regime, e com estes protagonistas políticos, é, ao cabo, uma autêntica miragem. Passada uma década e meia, o Bloco implode sem que, ao menos, tenha logrado europeizar, política e intelectualmente, um sistema político configurado às arrecuas. Mas, no fundo, o que tem de ser tem sempre muita força, e, neste caso, a força reside inapelavelmente do lado dos que desejam, sem desprimor para Schumpeter, a destruição pouco criativa da civilidade inerente ao bom trato da coisa pública. O problema é que, com esta implosão, a governabilidade futura do país ficará, em grande medida, superiormente limitada. Mais: pensar numa esquerda que governe unida, carregando solidariamente as dores da governação, é, para todos os efeitos, uma ilusão que doravante, atenta a crise presente, importa não alimentar. Tudo leva a crer, portanto, que serão os portugueses a pagar, mais uma vez, a factura desta romaria festiva, pela singela razão de que não será de todo possível regenerar a República sem uma extrema-esquerda que entre no arco da governabilidade, desobstruindo, com essa abertura, o imobilismo político crismado pelo PREC. Foi isto que, com muita bufonaria política à mistura, o séquito de Louçã diligentemente legou aos seus compatriotas.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 01:03

A barbaridade praxeira

por João Pinto Bastos, em 25.01.14

A temática das praxes, e o ruído que as mesmas têm levantado mediaticamente - ruído esse que deu origem, veja-se só, a artigos de fundo de José Pacheco Pereira e Vasco Pulido Valente -, tem, em rigor, um aspecto que, devidamente sopesado, não é de todo de desprezar. Esse aspecto contende com algo que é, a meu ver, a essência de uma sociedade medularmente civilizada: a liberdade. Quando iniciei a minha licenciatura em Direito na Universidade Católica, recordo-me, perfeitamente, de, nas primeiras semanas, ter frequentado a praxe da respectiva universidade. Recordo-me, também, de não ter ficado, pelas razões que têm sido abundamente discreteadas neste blogue e nos media, grandemente impressionado com as "sevícias" moralóides perpetradas pelos Duxes de ocasião, sendo que, passado algum tempo, abandonei, sem qualquer prurido, aqueles espectáculos alarves. O problema aqui, e que já na altura discuti com alguns colegas, prende-se com o facto de as praxes servirem, as mais das vezes, senão mesmo em todas as circunstâncias, de poiso à ignorância mais alambicada que pulula nas universidades portuguesas. O argumento da integração é, na verdade, sumamente ridículo. Em primeiro lugar, qualquer aluno que entre numa universidade não necessita de nenhum ritual bovino (que, alguns, no auge da sua parvoeira, pretendem iniciático, sem sequer saberem o que isso significa) para se integrar no ambiente em questão. Aliás, parte-se do pressuposto que uma pessoa com 18 anos de idade é, para todos os efeitos, um(a) adulto(a) que sabe desenvencilhar-se, com liberdade e bom senso, dos problemas que possam inopinadamente surgir. Em segundo lugar, não se integra ninguém com insultos, calúnias, difamações, e ofensas gratuitas. A não ser que, para muito boa gente, tratar outros seres humanos, que só por acaso são colegas de curso, por "cabra", "vaca", "filho da puta", "cabrão", entre outros, seja algo normal e até aconselhável. A meu ver, civilizado como sou, não creio que estes apodos sejam, na verdade, um indício de integração saudável nas estruturas de uma determinada instituição. Em terceiro lugar, e last but not the least, não é por acaso que as praxes são dominadas por alunos insistentemente reprovadores. Como é certo e sabido, as praxes são, para estes frustrados baderneiros, o instrumento perfeito para a humilhação imberbe de todos aqueles que fazem do trabalho e do mérito o seu leit-motiv universitário. Bem se vê pelo que atrás foi dito que tudo o que gira em torno da praxe tem, no fundo, uma dimensão patológica que importa não descurar. Cá no Porto, cidade onde vivo, existe, por exemplo, o Hospital Magalhães Lemos, que está devidamente apetrechado para lidar com este tipo de casos. É por estas e por outras que, desde há muito, sou um apologista estrénuo do fim implacável destas aberrações pseudo-integradoras. Porque, como já foi referido noutros fóruns, e bem, a Universidade serve, acima de tudo, para o estudo, e não para a alarvice superiormente chancelada. 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 14:53

Socialistas, unam-se ou calem-se!

por João Pinto Bastos, em 25.01.14

Penso sempre, em todas as circunstâncias possíveis e imaginárias, na urgência de as elites portuguesas acometerem um exercício político assente no pactismo. Mas, passado algum tempo, a razão, essa eterna inimiga da falácia desbragada, obriga-me, quase que por inerência, a repensar o meu antigo zelo compromissório em face do que os responsáveis máximos do Partido Socialista proclamam aqui ou alhures. Não é que, perdoem-me a franqueza, as palavras de Seguro e companhia galambeana tenham, em rigor, a menor relevância prática e política para quem investe e dá o pastel ao Estado português, porque do parlapié ao fazer, isto é, do dichote ao meter as mãos na massa da governação vai, inegavelmente, uma grande distância. Contudo, é por de mais cansativo ter, diariamente, de observar as piruetas demagógicas do maior partido da oposição. No fundo, é esta a consequência maior de termos, enquanto país, guinado intelectualmente em direcção a um irracionalismo surrealizado, em que a verdade é um conceito, frequentemente, amoldado pelo "legislador" tribunício de ocasião. Com um pouco mais de empirismo na análise, talvez não se verificassem algumas destas penosas atoardas. Por enquanto, resta-nos a nós, portugueses da não-esquerda, observar e lamentar. Com algum riso à mistura.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 13:41

Os ventos da fome e do autoritarismo

por João Pinto Bastos, em 25.01.14

Dizia Benjamin que a história não é um continuum guiado pelo Progresso. Nem pela razão, acrescentaria eu. Porém, há quem pense de um modo bem distinto. Só isso explica que ainda haja por aí quem se surpreenda com o facto de, em muitas latitudes, haver povos e regiões que não dão um único centavo pela Ideia democrática. No fundo, o que importa relevar é que os tempos de domínio intangível do eurocentrismo findaram. Com ou sem liberdade, com ou sem democracia de tipo ocidental, o que interessa às grandes massas, muitas vezes famintas, deste mundo é, perdoem-me a ironia deslocada, a concretização prática do famoso slogan do PPD/PSD: paz, e, sobretudo, pão, e, depois, com algum jeitinho, a liberdade. É bom que se entenda isto, porque já não há, em rigor, espaço e manobra para semeaduras atabalhoadas de um tipo de liberdade que nós, ocidentais, há muito que deixámos de compreender.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 13:32

Programa para quinta-feira à noite

por João Pinto Bastos, em 23.01.14

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 00:35

A euforia poetizante de Lourenço

por João Pinto Bastos, em 22.01.14

À semelhança do meu mui estimado Eduardo Lourenço, também não pedi às nossas elites dirigentes para acumularem a dívida que, levianamente, acumularam, fazendo tábua rasa dos mais elementares princípios da boa governação económica. O problema é que, sem que ninguém, no seio da cidadania, dissesse fosse o que fosse para obstar à deriva dividocrática da República,  exceptuando alguns "jovens" do Restelo, a partidocracia portuguesa desgraçou, em meia dúzia de anos, um país que, por força dos sofrimentos pretéritos, merecia melhor sorte. A situação "humilhante" de que fala, com alguma pitada de ironia, Lourenço é, muito resumidamente, o triste corolário de uma cultura de facilitismo que penetrou de alto a baixo toda a sociedade portuguesa, recauchutando um sistema político já de si bastante permeável à demagogia e ao bloqueio. É por isso que, sem esgaravatar muito, o soi-disant "milagre português", assente nos "esquemas de sobrevivência", é, inevitavelmente, uma espécie de arrimo último da intelectualidade que se recusa a raciocinar fora da caixa. Eduardo Lourenço, não obstante a sua profunda inteligência, não foge, nestas declarações, da mediania intelectual infelizmente tão característica do regime. Não é que, note-se, eu refute a validade da tese que prescreve que o português, ao longo dos séculos e das mais complexas situações, foi e é um homem, inerentemente, desengonçado, capaz de fugir, passe o plebeísmo, com uma perna às costas dos obstáculos mais periculosos. Não nego, repito, esta obviedade, que é, aliás, facilmente perscrutável numa análise atenta da nossa história. Porém, o desafio que impende sobre o nosso país, atentas as dificuldades presentes, exige uma resposta de outro recorte, que começa, em primeiro lugar, naquilo a que, indirectamente, Lourenço se referiu, ainda que sem lhe dar o verdadeiro nome: a cultura do consenso. De facto, como disse o filósofo-mor da identidade portuguesa, a democracia não pode nem deve excluir ninguém, e o primeiro passo para levar avante este preceito reside na interiorização por banda dos dirigentes dos principais partidos do regime da necessidade de pactuar sobre o essencial. Essa cultura pactista exige o compromisso máximo de todos, desde os partidos até à restante sociedade civil, e demanda, também, uma compreensão diferente sobre a portugalidade e a cultura que se deseja (re)construir para que o Portugal dos nossos filhos e netos tenha viabilidade. O consenso, democraticamente deliberado, é o alfa e o ómega da sobrevivência futura, e não será, com toda a certeza, com "euforias" desbragadamente revolucionárias que se logrará ultrapassar a presente crise. O consenso faz-se da cedência com convicção, acordando no fundamental, sem deixar, contudo, de lado os princípios norteadores de cada um. É disto que Portugal precisa, e não de devaneios poetizantes que não levam, manifestamente, a lado algum. E Eduardo Lourenço sabe, melhor do que ninguém, que as coisas são mesmo assim.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 23:25

O esquemismo plumitivo

por João Pinto Bastos, em 22.01.14

Pelos vistos, Pessoa tinha, sem que ninguém soubesse, um heterónimo mui esquemista a gerir a sua própria casa.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 23:17

Diz que Hollande mudou

por João Pinto Bastos, em 20.01.14

Dizem as boas e as más línguas que Hollande, finalmente, mudou. Mudou de fato, mudou de mulher, e mudou de discurso. Para quem chegou ao Eliseu como um "mudancista" à moda antiga, esta mudança não é, de facto, um momento desprezível. Mas o momentum de que falamos, e que muitos têm glosado na imprensa internacional, qualificando-o, com uma certa ridicularia conceitual, de "blairização" ou "schroederização" da política francesa, é, no fundo, a constatação de que o debate sobre o euro terminou. A Alemanha venceu-o por goleada, nocauteando, sem dó nem piedade, os seus adversários do sul periférico. A conclusão é simples e nada abonatória para os mal afamados "porcos" europeus, isto é, a permanência no euro dependerá, doravante, do cumprimento escrupuloso dos critérios rigoristas germânicos, pelo que qualquer desvio à regra teutónica implicará ou a revisão célere da matéria dada, ou a expulsão severa de um clube cada vez mais exclusivo. Hollande tardou, e muito, em admitir a franqueza crua da realidade, porém, muito a custo, é certo, soube reconhecê-la. Resta saber se o seu epígono luso, o Seguro inseguro, logrou retirar deste "U-Turn" as devidas ilações. Os últimos sinais não são, propriamente, muito encorajadores. Mas o certo é que Seguro, por mais que esbraceje ou brade aos sete ventos, terá, mais cedo ou mais tarde, de reconhecer que o socialismo despesista de antanho, financiado pela "horripilante" finança internacional, é uma relíquia nada benfazeja de um passado que jamais tornará. É bom que o reconheça o quanto antes, para bem dos nossos bolsos.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 23:47

O espectáculo das condecorações

por João Pinto Bastos, em 20.01.14

Dando de barato o facto de Ronaldo ser, na actualidade, o melhor futebolista do mundo (ainda que isto do "melhor jogador de futebol do mundo" seja, a meu ver, uma fantochada sem quartel), a verdade é que o que se passou, em Belém, há poucas horas atrás foi um espectáculo a que nem a melhor versão dos Gato Fedorento seria capaz de se equiparar. Entendamo-nos: Cristiano Ronaldo é, de feito, um português com méritos mais do que firmados no mundo da bola, sendo que, nos dias que correm, o seu nome é já uma marca global reconhecida em qualquer recanto deste mundo cada vez mais globalizado, porém, não há, na minha óptica, nada, rigorosamente nada, que justifique o pobríssimo espectáculo de variedades criado em torno da atribuição do Grau de Grande Oficial da Ordem do Infante D. Henrique ao craque madridista. Em primeiro lugar, não é minimamente admissível que se faça da entrega de uma condecoração de Estado um circo mediático a que nem o bom português conseguiu escapar às arranhadelas primárias dos intervenientes deste bacanal de gorilas enfatuados. Em segundo lugar, uma condecoração não é, que eu saiba, um troféu laureado que pressuponha um protocolo que mais parece uma derivação pouco original das berrarias tão características das meninas que compõem as claques desportivas americanas. Em terceiro lugar, o argumento do reconhecimento internacional é, a bem da verdade, um argumento pífio, pois, se alinharmos nesse diapasão, há quem tenha feito, com uma influência bem mais vincada, muito mais pela pátria do que Ronaldo. Em quarto lugar, e last but not the least, eu cria, mas pelos vistos erradamente, que a atribuição deste tipo de condecorações era feita no final de uma carreira desportiva. Ao que tudo indica, enganei-me redondamente. Para Cavaco, essas minudências, pura e simplesmente, não existem. Mas já que estamos numa de entregar a torto e a direito condecorações por feitos que pouco ou nada influíram na vida das pessoas, por que não premiar o Grande Oriente Lusitano pela influência subliminar que teve na fundação do F.C. Barcelona? É que, para todos os efeitos, se, hoje, temos o prazer de ver Messi e companhia jogarem, isso deve-se, numa medida nada negligenciável, à Maçonaria portuguesa. Portanto, caríssimo Presidente, se deseja comprar os favores da populaça com condecorações a granel, não se esqueça de agraciar quem, antes de Ronaldo, já fez alguma coisa de útil pelo desporto mundial. 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 23:10

Repugnante, lamentável e ilegal

por João Pinto Bastos, em 19.01.14

Para dizer-vos a verdade, o tema da co-adopção não é, na minha modestíssima óptica, um assunto urgente e prioritário, pelo que, em obediência a esta opinião, não irei perder muito tempo com o mesmo. No entanto, não posso deixar de fazer duas ressalvas muito breves a respeito das carambolas políticas protagonizadas pela coligação. Em primeiro lugar, é lamentável que o centro-direita se deixe enredar nas artimanhas "fracturantes" da esquerda liberalóide, banalizando um instituto (referendo) que, pela sua relevância política, deveria estar reservado a temáticas de outra índole. Em segundo lugar, este tema poderia ser dirimido e sujeito a deliberação no Parlamento, dado que os deputados portugueses estão, a avaliar pelo que está prescrito na Constituição, investidos das prerrogativas necessárias para tomarem uma resolução comum, democraticamente sufragada, sobre este assunto. Lamento, pois, que os imberbes políticos da JSD tenham conseguido levar a sua avante, desprestigiando, com a sua tagarelice ignorante, um instituto jurídico que mereceria, a bem da verdade, melhor sorte. Por isso, ainda que me doa um poucochinho, sou obrigado a subscrever a opinião dos socialistas a propósito da realização deste referendo: repugnante, lamentável e ilegal.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 00:24

A excelização da cultura

por João Pinto Bastos, em 16.01.14

O argumentário que tem por base a insuficiência do dinheiro tem, a miúdo,  uma larga precedência sobre os restantes argumentos utilizados no debate público, mais que não seja pelo facto de, como sói dizer-se, não se fazerem omeletas sem os indispensáveis ovos. Para que fique bem claro para o grosso dos leitores que me acompanham, não pertenço, como decerto já repararam, ao campo dos que preconizam o envolvimento do poder estadual em tudo o que gira em torno do sol, mas há, em certas circunstâncias e em certos contextos, excepções à regra. O caso dos 85 Miró em mãos do BPN é, a este respeito, um magnífico exemplo das sobreditas excepções à regra. Como foi extensamente noticiado nos media, o Estado português, representado pelo discretíssimo Jorge Barreto Xavier, entende que a colecção de Miró pertencente ao BPN, que irá brevemente a leilão, não é, sublinhe-se, uma prioridade. Reparem que não estou, propriamente, a advogar uma política global de subsidiação da arte ou do património artístico, mas a verdade é que a saída desta colecção para o estrangeiro, feita, como se sabe, com o objectivo de colmatar financeiramente as roubalheiras dos antigos patrões do BPN, é, atendo-me à mais pura das verdades, uma asneira de proporções diluvianas. A venda desta colecção é, no fundo, o resumo perfeito de uma gestão criminosa que, não obstante a indignação social que legitimamente gerou, permanece judicialmente intocada. Porém, o que verdadeiramente releva desta venda bêpêneira é o total descaso que os nossos governantes fazem da cultura artística. Hoje, a política quotidiana faz-se, as mais das vezes, com uma folha de excel mui polida, na qual as contas dos teres e haveres de cada um surgem assepticamente bem esgaravatas. Num universo deste calibre, não há, manifestamente, espaço para prioridades mais comezinhas. É certo que este problema não é um exclusivo de Portugal, pois em Espanha, para dar um pequeno exemplo, os responsáveis políticos governativos têm-se debatido, ultimamente, com problemas similares, devido ao facto de colecções artísticas de alto gabarito estarem, sem a menor oposição pública e privada, a "fugir" para cantos financeiramente mais desafogados. Há quem diga que isto é a globalização do mercado coleccionista, em que uns, inteligentemente, põem e dispõem, e outros, sobretudo os arruinados, comem e calam. A lógica é pungente, mas oblitera um aspecto fundamental: a saída destas colecções é, inegavelmente, um estupro na identidade cultural dos países afectados por esta contabilidade mecanicista. O que mais irrita no caso destes Miró é a leviandade com que se utiliza o argumento económico, deixando automaticamente de lado considerações de outra ordem. Se a secretaria de Estado da cultura servisse, realmente, para algo de útil, é óbvio que esta colecção, pertencente a uma instituição nacionalizada (logo, pública), estaria, neste preciso momento, a ser reconduzida para algum museu nacional. Mas não, Barreto Xavier, trazendo à liça, pela enésima vez, a sua crudelíssima irrelevância política, prefere dizer que o Estado português dispõe de outras prioridades. E assim se vai desfazendo o acervo cultural de um país.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 01:00

A verrina do esquecimento

por João Pinto Bastos, em 14.01.14

Talvez seja a minha costela judaica a falar mais alto, mas o certo é que, passados dois dias, a inexistência de notícias, tweets e comentários sobre a morte de Sharon diz muito sobre a nossa falta de consciência histórica. Lamento.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 00:07

A minha visão do conclave centrista

por João Pinto Bastos, em 13.01.14

Falar a torto e a direito do "irrevogável" tem como consequência inequívoca a saturação indizível do debate político, centrando, com alguma inabilidade política à mistura, o cerne da luta política no contingente inescrutável. Para mim, e creio que para uma porção significativa da militância centrista, esse episódio foi totalmente esclarecido, pelo que tornar a fustigar Paulo Portas, e, por inerência, o CDS/PP, com esta questiúncula politiqueira é, no fundo, chover no molhado. Ademais, o Congresso de Oliveira do Bairro foi, como pude comprovar in loco na qualidade de delegado, um momento alto no debate político que importa fazer a respeito das grandes pendências do Portugal troikado, e teve, ao inverso do que muitos levianamente alvitraram, intervenções surpreendentemente lúcidas. Mas cingindo-me ao que verdadeiramente interessa, este Congresso é resumível em dois aspectos complementares, que ajudam a perscrutar, com a clarividência exigível, o que irá seguir-se no tablado da política nacional nos meses vindouros: 1) a consolidação, a curto e a médio prazo, da liderança política de Paulo Portas, 2) a confirmação, também a curto e a médio prazo, de uma união mais estreita dos partidos da coligação. O primeiro ponto foi bastamente evidente para os militantes que marcaram presença no Espaço Inovação de Oliveira do Bairro, pois Paulo Portas saiu do Congresso com uma liderança reforçada, tendo um mandato politicamente bem definido na prossecução que ora se espera da agenda do partido no seio da coligação. Há, a este título, um apontamento que não posso deixar de fazer: continua a haver nos media a opinião zombeteira de que o CDS é um partido unipessoal, entregue, fanaticamente, a um só homem que põe e dispõe a seu bel-prazer das peças no tabuleiro partidário. Denegar esta zombaria leva, necessariamente, a que nós, militantes, tenhamos de adquirir elevadas doses de paciência. Mas a realidade é bem diferente, basta olhar para dois factos bem singelos: a existência de uma oposição partidária, liderada por Filipe Anacoreta Correia, que, sem qualquer obstáculo ou impedimento, disse de sua justiça no Congresso e nos media, assim como o facto de as grandes decisões do Congresso terem sido sujeitas a votação secreta, sem que ninguém fosse chantageado a votar em x ou y. Creio que para bom entendedor meia palavra basta, sendo que, no cômputo geral, ficou patente urbi et orbi o carácter eminentemente pluralístico do partido, com todas as vozes, integralmente todas, a serem auscultadas pelo grosso da militância. Em conclusão, ainda que seja estranho para certos comentadeiros, não há, que eu saiba, delinquentes ou inimigos internos no CDS. Já no que toca ao segundo ponto, compreendo e aceito a posição tomada pela liderança do partido no sentido de uma coligação com o PPD/PSD nas próximas eleições europeias. Há, a este respeito, uma análise política que importa não descurar, designadamente a que se prende com o facto de o pós-troika exigir uma união de esforços acrescida, em face das dificuldades políticas e económicas que se adivinham com um mais do que provável programa cautelar. Nesse sentido, um ensaio coligatório pré-eleitoral, já nas eleições europeias, tem, em rigor, toda a lógica deste mundo. Bem sei que para alguns militantes uma coligação pré-eleitoral tenderá a prejudicar o partido (a Alternativa e Responsabilidade bateu neste ponto, a meu ver, erradamente), mas a verdade é, por força das circunstâncias, necessariamente outra. Uma coligação nesse acto eleitoral será, em boa verdade, o método mais indicado para conclamar os dois partidos a uma apologia cuidada do trabalho político desenvolvido e a desenvolver futuramente no âmago da governação. O centro-direita português tem de compreender, de uma vez por todas, que a reforma do regime só fará sentido com um pacto político (eleitoral e não só) alargado, que ouse romper com o imobilismo amordaçante desta República desrepublicanizada. Sem isso, isto é, sem esse trabalho de sapa, político e eleitoral, de pouco valerão os esforços titânicos feitos pelo portugueses até ao momento. O CDS/PP tem, neste capítulo, um papel importantíssimo, não só pela legitimidade política e eleitoral concedida pelo povo português, mas, também, pela pertinência incontestável da tradição política de que é um herdeiro indisputado. Esperemos, portanto, que este Congresso tenha servido, na perfeição, de estopim a uma maior responsabilização dos agentes políticos da governação do país. Estou certíssimo de que com Paulo Portas ao leme este objectivo será plenamente alcançado.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 22:58






Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2015
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2014
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2013
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2012
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2011
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2010
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2009
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2008
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2007
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D

Links

Estados protegidos

  •  
  • Estados amigos

  •  
  • Estados soberanos

  •  
  • Estados soberanos de outras línguas

  •  
  • Monarquia

  •  
  • Monarquia em outras línguas

  •  
  • Think tanks e organizações nacionais

  •  
  • Think tanks e organizações estrangeiros

  •  
  • Informação nacional

  •  
  • Informação internacional

  •  
  • Revistas


    subscrever feeds