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Programa para amanhã

por Samuel de Paiva Pires, em 22.04.18

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publicado às 23:19

Portugal? Isn´t that in Spain.

por John Wolf, em 21.04.18

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Há uma boa dúzia de anos visitei Portugalete, Bilbau. Mas isso não vem ao caso. O que vem ao caso é a preocupante constatação de que os meus compatriotas, que agora vêm em força a Portugal, são apenas turistas. Ou seja, na maior parte dos casos envergonham-me - "Oh, wow! Isn´t that neat?" ou "Are you good?". Enfim, deixem-nos vir à vontade para deixar o pilim, mas não lhes perguntem sobre o Brexit, sobre as eleições na Áustria, sobre a Troika - eles pouco ou nada sabem. E foi essa insularidade existencial que elegeu Trump. Tenho a nacionalidade, mas sou crítico como o raio em relação ao dossiê. Não confundamos certas coisas. A "inteligência" americana existe no topo do topo da Ivy League, nos centros de investigação confortados pelas dotações milionárias de civis que escalaram com labor e suor a pirâmide da sociedade. Os americanos que me confortam são aqueles que não tornam à federação. São aqueles que têm uma epifania repentina (não são todas repentinas?) e decidem que ainda vão a tempo de cultivar vistas largas e abandonam a América com a carga pronta e metida nos contentores. Eu sei, também se pode tecer críticas ao atraso de vida em Portugal. Mas hoje não estou para aí virado. Acho que fiquei mesmo irritado quando ontem me cruzei com um compatriota relativamente vocal que envergava uma sweatshirt com o seguinte estampado: "Detroit Dog Savers". E pronto. Fico-me por aqui. Hoje há bola?

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publicado às 13:09

O inverno de todos nós

por Nuno Gonçalo Poças, em 12.04.18

Os dados não são novos, mas insisto neles. Em 1960, nasciam 24 bebés por cada mil residentes. Em 2016, nasciam apenas oito. Em 1960, havia em Portugal 27 idosos por cada cem jovens. Em 2011, para cada cem jovens havia já quase 130 idosos. Podia continuar com outros números, mas o significado de uma taxa de natalidade de 1,2 filhos por mulher, uma das mais baixas do mundo, é evidente: Portugal é um País de bengala e não de risos de crianças.

Este País envelhecido ajuda a explicar muitas das políticas fiscais, orçamentais e de segurança social que têm sido tomadas nos últimos anos. Quem governa anseia por continuar a governar e, como tal, tem a natural tentação de satisfazer clientelas. E as clientelas são os idosos, não são as crianças nem os casais de classe média com filhos. É por isso que a Segurança Social tem uma forte tónica na política de pensões e reformas e praticamente desiste do que seriam incentivos à natalidade. Isto reflecte-se, por exemplo, nos valores que os pais pagam às creches. É absurdo que, num País em que cada mulher tem, em média, apenas um filho, uma família de classe média pague tanto a uma creche comparticipada pela Segurança Social como uma família de milionários. Com excepção das famílias mais carenciadas, qualquer casal de classe média, isto é, com um salário per capita equivalente ao salário médio, que ronda os 750 euros, tem enormes dificuldades para ter mais que um filho.

É verdade que há factores sociais, sobretudo nas grandes cidades, que conduzem ao decréscimo da natalidade, como o hedonismo ou o foco noutras coisas que não a família. Mas também é verdade que em estudos recentes se demonstrou que a grande maioria das mulheres portuguesas pretende ter filhos. Com a crescente dificuldade em aceder ao mercado de trabalho e em estabilizar economicamente um lar, é natural que a maternidade seja adiada – o que explica que a idade média das mulheres no nascimento do primeiro filho seja cada vez mais avançada, ultrapassando já a barreira dos 31 anos de idade.

Ana Alexandra Fernandes, demógrafa da Universidade Nova, alertou recentemente para esta realidade, afirmando que toda a sociedade devia proteger o nascimento de uma criança – desde as entidades empregadoras ao Estado na sua dimensão fiscal, de providência ou de mobilidade.

Este deserto demográfico terá, obviamente, consequências devastadoras para a sociedade portuguesa. Seremos cada vez menos, mais velhos e com o Estado mais falido. Incapazes de gerar riqueza, por falta de gente jovem que trabalhe, teremos cada vez mais encargos com pensões e reformas a suportar. É este inverno populacional que nos fará encolher enquanto País e enquanto sociedade. Já não bastava tudo o resto.

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publicado às 09:42

Lula, Feijão e Arroz

por John Wolf, em 09.04.18

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Quando jornalismo se traduz em minudências e insignificâncias deixa de ser jornalismo. Passa a ser uma ementa grosseira, uma reles lista de supermercado. Pensava eu que era apenas a TVI a desviar a atenção dos factos, mas estava redondamente enganado. O Jornal Sol descreve em detalhe o décor da novela da prisão de Lula, mas não ficamos a saber no artigo o mais importante de tudo: as acusações de corrupção que pendem sobre o senhor. Sabemos que mastiga o pão e sorve o café. Sabemos que o seu clube Corinthians não deixou de ter o seu apoio. Sabemos que tem uma sanita e um chuveiro para a higiene confinada a uma cela. Sabemos que um repasto de carne assada, arroz com feijão e macarrão serve para encher o bandulho. E sabemos que não se esqueceram do chuchu. Não sei quem dá as ordens na redacção do jornal Sol, se é o Saraiva grande ou o Saraiva júnior, mas esta peça está ao nível da sarjeta. Mas bate tudo certo. Já tivemos o Sócrates a analisar a vida de gangues e malfeitores, já tivemos o Bruno de Carvalho com um torcicolo verbal e espasmos lombares. O que se seguirá? O que vamos ter de levar de frente, de chapão, na fuça?

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publicado às 19:39

Liberalismo, populismo e tecnocracia

por Samuel de Paiva Pires, em 09.04.18

Jan-Werner Mueller, "Can Liberalism Save Itself?":

Needless to say, technocratic rhetoric provides an excellent opening for populists, because it invites the very questions that populists are wont to ask: Where are the citizens in all this? How can there be a democracy without choices? This is how technocracy and populism can start to reinforce one another. They can seem like opposites – the intellectual versus the emotional, the rational versus the irrational. And yet each is ultimately a form of anti-pluralism.

The technocratic assertion that there is only one rational solution to a problem means that anyone who disagrees with that solution is irrational, just as the populist claim that there is only one authentic popular will means that anyone who disagrees must be a traitor to the people. Lost in the fateful technocratic-populist interplay is everything one might think of as crucial to democracy: competing arguments, an exchange of ideas, compromise. In the absence of democratic discourse, politics becomes a contest between only two options. And those committed to either side share the view that there are never any alternatives.

 

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publicado às 18:54

Cultura Zero

por John Wolf, em 05.04.18

 

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Portugal sofre de pseudo-elitismo crónico. O mito sagrado da cultura tem servido fetiches de diversa ordem, mas sobretudo para invocar poderes sobrenaturais e reclamar dinheiro dos contribuintes. Em nome de causas maiores, do bem público e do dever do Estado, um conjunto alargado de "estruturas" (termo querido da Catarina Martins) tem recebido, a fundo quase perdido, somas interessantes para tirar o povo da sua ignóbil miséria cultural. São estes agentes em missão de salvamento que resgataram Portugal profundo da tirania da estupidez e ignorância. O contínuo endeusamento de uns quantos "grandes", que consubstanciam a máxima "em terra de cegos quem tem olho é rei", é o derradeiro responsável. São esses iluminados, tocados pela magistratura do privilégio da corte de vantagem, das ligações especiais, que foram levados em ombros na luta cultural de classes levada a cabo pelas Esquerdas, ditas titulares exclusivas das artes performativas e do seu integral entendimento. No entanto, o modelo (falido, falhado) não se localiza na régua ideológica ou partidária, nada tem a ver com a Esquerda ou a Direita. É problema de fabrico. É uma patologia respeitante à matriz estatutária do país que distingue despudoradamente a superioridade cultural de uns e afasta a mediocridade avultada de outros. Confirmamos a eternização dos mesmos jogadores. São eles; políticos-poetas, escritores-aclamados, críticos-intocáveis, actores-consagrados, cantoras-diva e encenadores-inamovíveis que degeneram a possível e desejável alteração das regras, do modelo. São esses mesmos, próximos da poltrona do funcionalismo público, que não desejam grandes sacudidelas. Para eles, a cultura deve estar divorciada do mercado, porque o público nada sabe e portanto não saberia distinguir uma ópera bufa de uma simples libertação de gases. Os agentes ditos culturais não entenderam pelo menos duas coisas: a arte é sinónimo de ruptura e desequilíbrio. E os empreendimentos culturais financiam-se de um modo social, sem ser necessariamente socialista, mas intensamente escrutinado em função dos valores investidos e do retorno qualitativo e expectável das obras de arte apresentadas. Neste capítulo das artes e da cultura, da programação e dos modelos de financiamento, poucos o sabem fazer como os americanos. Ora vejam este exemplo e descubram as diferenças. Isto é apenas dinheiro dos contribuintes. Mais nada.

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publicado às 16:23

Programa para amanhã

por Samuel de Paiva Pires, em 04.04.18

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publicado às 22:36

De outro mundo

por Samuel de Paiva Pires, em 03.04.18

Já houve muitos golos de bicicleta na história do futebol. Mas executados como o de Cristiano Ronaldo hoje, a correr em direcção à bola, com uma movimentação acrobática digna de um ginasta, àquela altura e de deixarem o guarda-redes (Buffon, diga-se de passagem) pregado ao chão, só me recordo de ver noutro jogador: o capitão Tsubasa.

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publicado às 22:32

Quem nada deve, nada PS

por John Wolf, em 02.04.18

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Ana Catarina Mendes mostra-se altiva e defende os camaradas socialistas com especial nobreza e carácter - em especial aqueles que fizeram fortuna alegadamente com contactos coleccionados à pala da actividade política. A secretária-geral adjunta não concorda que se controlem os rendimentos dos políticos. O contrário de "quem nada deve nada teme" parece ser o lema orientador das suas consternações. Na entrevista, "para distrair" a malta, refere aquela bandeira de democratização, aquele preservativo para ocasiões especiais - a regionalização ou a descentralização. E acrescenta que já tem saudades de Mário Centeno num futuro governo. Mais bizarro ainda é a definição dos temas-chave para a próxima legislatura: "clima, digitalização, demografia e desigualdades." Faz lembrar tudo e nada, mas sobretudo uma certa incoerência intelectual de natureza orgânica e conceptual. Ora vejamos; o clima já fugiu a sete pés de este governo que, no meio do caos do planeamento florestal preventivo de incêndios, leva tudo pela frente, com a imposição do desbaste da mata. A digitalização parece-me uma jogada para dar razão a Sócrates e revalidar as suas teses Simplex e Magalhães. A demografia é aquela que se conhece - velha, emigrada e pouco dada à reprodução. E a expressão "desigualdades" é apenas um erro de semântica. Queriam dizer igualdade do género, mudança de sexo, cães e cadelas no restaurante, etc, etc. Ana Catarina Mendes faz bem em olhar para o futuro, mas existe um limite no que diz respeito ao que os outros devem ou não devem fazer. Sentimos, por entre estas linhas ténues de afirmações, um certo desleixo em relação aos parceiros do Bloco de Esquerda e do Partido Comunista Português. Quem não soubesse melhor diria que o Partido Socialista já governa em maioria absoluta. Não precisa de ninguém e sabe tudo. Vamos lá controlar as contas dos barões socialistas e já falamos, está bem?

 

Créditos fotográficos: OBSERVADOR

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publicado às 17:10

Das ondas de indignação nas redes sociais

por Samuel de Paiva Pires, em 31.03.18

 

 

Byung Chul-Han, No Enxame:

As ondas de indignação são extremamente eficazes na mobilização e aglutinação da atenção. Mas, devido ao seu carácter fluido e à sua volatilidade, não são adequadas para a configuração do discurso público, do espaço público. São, para esse efeito, demasiado incontroláveis, incalculáveis, instáveis, efémeras e amorfas. Crescem subitamente e desfazem-se com a mesma rapidez. O que as assemelha às smart mobs (“multidões inteligentes”). Carecem da estabilidade, da constância e da continuidade indispensáveis ao discurso público. Não é possível integrá-las num contexto discursivo estável. As ondas de indignação surgem, muitas vezes, perante acontecimentos cuja importância social é bastante reduzida.

A sociedade da indignação é uma sociedade do escândalo. É desprovida de firmeza, de contenção. A rebeldia, a histeria e a obstinação peculiares das ondas de indignação não permitem qualquer comunicação discreta e objectiva, qualquer diálogo, qualquer debate. Ora, a contenção é constitutiva da esfera pública. E a formação do público requer a distância. Além disso, as ondas de indignação só em escassa medida são identificáveis com a comunidade. Por isso, não constroem um nós estável que exprima uma estrutura do cuidado do social no seu conjunto. E, do mesmo modo, a preocupação dos indignados pouco afecta a sociedade no seu conjunto, porque exprime, em grande medida, um cuidado de si. Daí que, de novo, rapidamente se dissipe.

A primeira palavra da Ilíada é menin - ou seja, a cólera. “Canta, ó deusa, a cólera de Aquiles, o Pelida”, lemos no início da primeira narrativa da cultura ocidental. Aqui, a cólera pode cantar-se porque suporta, estrutura, anima e vitaliza. É o meio heróico por excelência da acção. A Ilíada é um canto da cólera. Trata-se de uma ira narrativa, épica, porque produz certas acções. Distingue-se por isso da fúria que surge como efeito das ondas de indignação. A indignação digital não pode cantar-se. Não é capaz nem de acção nem de narração. É, antes, um estado afectivo que não desenvolve qualquer força potente de acção. A distracção generalizada, característica da sociedade actual, não permite a emergência da energia épica da ira. A cólera, na plenitude do seu sentido, é mais do que um estado afectivo. É a capacidade de interromper um estado de coisas existente e de fazer começar um novo estado de coisas. A actual multidão indignada é extremamente fugaz e dispersa. Falta-lhe por completo a massa, a gravidade, necessária à acção. Não engendra qualquer futuro.

 

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publicado às 22:20

Portugal e os irmãos Kamov

por John Wolf, em 31.03.18

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Portugal tem alguma experiência no jogo-duplo. Durante a Segunda Grande Guerra sabemos que no tabuleiro geopolítico a nação teve de conviver com o regime Nazi sem descurar a sua apetência Aliada. Com alguns fez o negócio do volfrâmio, e com outros acertou rendas para bases militares. Se Portugal fosse a Áustria entenderia perfeitamente a sua neutralidade para com os russos. Não expulsava quem quer que fosse. Mas Portugal não deve grande coisa à Rússia. Em 1955 foi a União Soviética que ofereceu o país à Áustria, desde que este mantivesse a sua neutralidade quando e se as coisas dessem para o torto - chegou esse momento. Basta visitar Viena para apontar o dedo a uma quantidade assinalável de bancos russos, muitos deles "boutique", feitos à escala de oligarcas. Mas há mais, para aqueles que se deixam encantar por lirismos e distrair por valsas de Mozart - a Áustria não é um estado-membro da NATO ao invês de Portugal que é um dos seus fundadores desde 1949. Por outro lado, não vejo grandes negócios em curso com os russos - esqueçam os Kamov. O problema essencial é outro. Jerónimo de Sousa e Catarina Martins são pacifistas. Não acreditam na exclusão. Mas por outro lado odeiam a NATO. Sim, andam confusos. O ministério dos negócios estrangeiros parece estar agarrado, encostado à parede - assemelha-se a uma menina medrosa. Quando esgotarem os embaixadores para a troca, é bem provável que Portugal fique com uma mão cheia de nada. Na vida, tal como nos negócios estrangeiros, devemos assumir posições, dar a cara e respeitar os princípios orientadores de democracias e alianças. Portugal não faz nem uma coisa nem outra. Terá sido envenenado? Ou será que basta uma repreensão escrita e siga para bingo?

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publicado às 08:53

Democracia e autoritarismo

por Samuel de Paiva Pires, em 29.03.18

Hoje, no Jornal Económico, podem encontrar um excelente trabalho do Gustavo Sampaio para o qual contribuí com alguns comentários.

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publicado às 13:47

As Rosas do Fernando

por John Wolf, em 23.03.18

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Já havia tido a ocasião de testemunhar a ortodoxia preconceituosa e irascível de Fernando Rosas há um bom par de anos na apresentação de uma obra escrita a quatro mãos, por si e pelo Prof. Mendo Castro Henriques (sim, despromovi o Rosas - não é professor, é sargento-môr) - "1910 a duas vozes" - na Livraria Buchholz em 2010 (estou ali de blazer claro, e já careca...). Sem o mínimo de fair-play intelectual e sem denotar vestígios de democraticidade e tolerância, Fernando Rosas arrasou a historiografia monárquica apresentada por Mendo Castro Henriques, insultando o co-autor do livro e humilhando o público vindo em paz. Penso que as palavras exactas foram: "recuso debater o que quer que seja para além da República". Portanto, o que agora sucede no que toca à homossexualidade de Adolfo Mesquita Nunes e as palavras proferidas, assenta que nem luvas ao carácter de alguém que não se inibe na demonstração do seu nível ético. Resta saber se a Comissão para a Igualdade de Género actuará juridicamente à luz de afirmações atentatórias à liberdade de orientação sexual, aliás consagrada na Constituição da República Portuguesa. Mas nem precisamos de ir por aí. Trata-se de algo diverso. Rosas já não tem força na verga intelectual para se digladiar com o avantajado Adolfo Mesquita Nunes. O Fernando Rosas tem-nos pendurados. E não falo de suspensórios.

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publicado às 14:13

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publicado às 11:22

Sócrates e os estudantes de Berquelei

por John Wolf, em 20.03.18

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José Sócrates regressa a Coimbra por obra e graça de uma geração de estudantes eticamente falida. Não existe outro modo de descrever aqueles que avalizam a presença de um arguido que tanto dano causou a Portugal. Intelectualmente, o ex-primeiro ministro nada tem a oferecer. Subiu àquele posto de comando nacional pelas portas e travessas ardilosas da pequena política do maior partido de Portugal. Não existe tese que o valha. Não existe Paris que o sirva. Não existe tortura que possa servir de alibi. Os estudantes, organizadores do certame, espelham bem a ausência de valores e princípios. Resta saber se trouxeram a trouxa imoral de casa ou são já um produto da academia. Confundem liberdade de expressão, com promiscuidade e pressão. Se os académicos de Coimbra são a amostra de Portugal do presente e do futuro, estamos completamente arrumados.

 

(nesta imagem, estes encapotados estendem a carpete a outro sagrado político de nome Lula)

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publicado às 10:33

António Costa empossou os Media

por John Wolf, em 16.03.18

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António Costa empossou os Media. Os meios de comunicação social são agora membros oficiais do governo. E falharam - não preveniram a prevenção - nem avisaram que os incêndios estavam ao virar da esquina. Sérgio Figueiredo da TVI aproveitou a deixa para escrever mais umas frases do guião da ficção nacional. Aquela estação, segundo o próprio, não se retrata nas palavras do primeiro-ministro. A TVI fez todas as campanhas de redenção que pôde - como se não pertencesse à grande casa ibérica socialista dos media. Mas já que estamos numa de verdade e consequência, e depois de avistar o Mário Nogueira, o Arménio Carlos e a coqueluxo Ana Avoila, diria que estamos em franca época de greves. Ou seja, não há nada a reportar, muito menos a prevenir. A função pública está na rua em protesto porque está intensamente satisfeita com as promessas governativas do seu governo de Esquerda. Da minha parte, e no que toca a bloguismos e silogismos, avisarei a tempo e horas a população das trapalhices e falcatruas do governo. Essas são fáceis de estimar. Se eu fosse medium ou vidente, propunha uma greve dos Media, para ver como o governo deixaria de funcionar.

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publicado às 20:23

Do pato-bravismo

por Nuno Gonçalo Poças, em 14.03.18

O novo-rico é o primeiro rico da família e, ao contrário dos velhos-ricos, sabe bem que foi ele o primeiro não-pobre da sua casa. Aprecia que o tratem por doutor ou por engenheiro, mesmo quando não é doutor nem engenheiro. O novo-rico gosta de carros, relógios e sapatos, geralmente mais feios que bonitos e, quando não gosta, é pelo menos apreciador de mandar toda a gente à merda porque o dinheiro permite mandar à merda como nenhuma outra coisa no mundo. Acham os novos-ricos, como os pequenos-novos-ricos (um género de novo-rico que, já não sendo pobre, não deixa de viver uns degraus acima dos velhos-pobres lá de casa), que na vida tudo se compra e que o que conta é ser mais rico para comprar mais coisas. Portugal investiu muito no novo-riquismo, mesmo contra algumas vontades mais adeptas da velha-pobreza. A direita dos patos bravos viu no novo-riquismo o sucesso do País. A esquerda operária não os suporta, apesar de desejar todos os dias vir a pertencer ao clube dos novos-ricos - sendo que, à esquerda, mesmo um novo-rico nunca é um novo-rico, é sempre um intelectual com massa que pede redistribuição só com o dinheiro dos outros patos-bravos. A direita queque nunca suportou os novos-ricos, dos pequenos e médios intelectuais, da ostentação do material, da pouca cultura e da falta de mundo, preferindo os velhos-pobres de que se recorda mais ou menos pela hora das refeições. A esquerda queque detesta, como a sua irmã queque da direita, o novo-riquismo, que lhe rouba protagonismo, mas abomina também o pequeno-novo-riquismo, os tais homens que, não tendo alcançado o nível financeiro de um pato-bravo, sempre conseguiram comprar, com empréstimo a quarenta anos, um T3 nos subúrbios. Na verdade, nunca ninguém quis saber da classe média, na sua generalidade pequena-nova-rica. Uns optaram por olhar para cima e acolher os patos-bravos. Outros olharam mais para cima, e ligeiramente para o lado, recusando a bandalheira que é o novo-riquismo. Outros olharam para baixo e viram na ascensão novo-riquista uma parolada, glorificando quem nada tinha e rezando para que continuasse a nada ter. Este tomatal de novos-ricos durou mais ou menos vinte anos e acabou quando acabou o dinheiro, para agora voltar com ares mais cosmopolitas e mais gourmet. Ao longo destes anos todos, parece-me facilmente constatável que nunca ninguém quis saber da classe média para nada. Ela, a classe média, se se estabilizou, se ganhou mundo e cultura, se estudou e comprou casa, foi porque se esforçou e porque não se deslumbrou, foi porque teve a coragem de ir mais longe e o medo conservador de não ir tão longe assim. A classe média fez por si porque os novos-ricos fizeram mais ainda por eles próprios. Mérito têm todos, pois sim. Mas era fácil de perceber que um País não constrói alicerces nas areias movediças do pato-bravismo. Perceber a crise é também perceber isto.

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publicado às 11:16

Quantidade sobre a qualidade

por Samuel de Paiva Pires, em 13.03.18

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Rutger Bregman, Utopia para Realistas:

O optimismo e o pessimismo tornaram-se sinónimos de confiança do consumidor, ou de falta dela. As ideias radicais de um mundo diferente tornaram-se quase literalmente impensáveis. As expectativas do que nós, como sociedade, podemos alcançar sofreram uma erosão drástica, deixando-nos com a verdade nua e crua: sem utopia, só resta a tecnocracia. A política diluiu-se na gestão de problemas. Os eleitores oscilam para um lado e para o outro não porque os partidos sejam muito diferentes entre si, mas porque mal se conseguem distinguir; o que separa hoje a esquerda da direita é um ou dois pontos percentuais no imposto sobre o rendimento.

Vemo-lo no jornalismo, que retrata a política como um jogo em que se apostam não ideais mas carreiras. Vemo-lo na academia, onde andam todos demasiado ocupados a escrever para ler, demasiado ocupados a publicar em vez de debater. De facto, a universidade do século XXI, assim como os hospitais, as escolas e as estações televisivas, assemelha-se antes de mais a uma fábrica. O que conta é cumprir objectivos. Seja o crescimento da economia, as audiências, as publicações: lenta mas inexoravelmente, a quantidade está a substituir a qualidade.

 

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publicado às 17:16

Do wishful thinking de Assunção Cristas

por Samuel de Paiva Pires, em 13.03.18

Fernando Esteves, "O dia em que Assunção Cristas cometeu suicídio"

Vamos a números? O melhor resultado da história do CDS ocorreu nas eleições de 1976, em que teve 16%, correspondentes a 876 mil votos. Em 2011, depois de muitos anos a arrastar-se nas catacumbas das cabines de voto, o partido obteve, sob a liderança de Paulo Portas, outro óptimo resultado: 11,7%, correspondentes a 654 mil votos. Agora o PSD que Assunção quer liquidar: Em 2011, quando Portas obteve um excelente resultado, Passos Coelho obteve 38,6%, correspondentes a 2,1 milhões de votos. Bem mais do que o dobro. E em 2005, quando Santana Lopes concorreu contra José Sócrates e foi vergastado por uma copiosa derrota (uma das piores de sempre), conseguiu 1,6 milhões de votos. Ou seja: o melhor resultado do CDS, que foi conseguido em circunstâncias políticas irrepetíveis, é cerca de metade de um dos piores do PSD.

Ao confundir os seus sonhos com a realidade, a líder do CDS acrescentou à venda que aparentemente já tinha nos olhos (e que ficou bem visível, passe a expressão, na entrevista que concedeu ao Expresso deste fim-de-semana) uma corda em redor do pescoço, porque tornou o CDS – e a sua liderança – refém de um resultado que obviamente não alcançará. É certo que num partido em que a maioria dos militantes está sobretudo confortável a olhar para trás não deixa de ser interessante observar uma líder a tentar fazer o exercício inverso, mas aqui chegados talvez não fosse má ideia que alguém informasse Assunção Cristas de que, nas circunstâncias actuais, olhar para além daquilo que os seus olhos conseguem alcançar não é apenas um erro – é um acto politicamente suicida, manifestamente capaz de lhe arruinar uma carreira que até nem lhe estava a correr mal.

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publicado às 14:32

O regresso da utopia

por Samuel de Paiva Pires, em 12.03.18

No seio do CDS parece ter sido adaptada e adoptada aquela máxima de que uma mentira muitas vezes repetida se torna verdade. No caso, a ideia de que o CDS poderá rapidamente ultrapassar o PSD, tornar-se na principal força partidária à direita e liderar um governo já após as próximas legislativas. É uma ideia fomentada e verbalizada por Assunção Cristas e pessoas que lhe são próximas, os mesmos que falam na necessidade de o CDS se pautar pelo pragmatismo. Pensava que o pragmatismo (ou realismo), que em larga medida se inspira no conservadorismo, aconselhava contra sonhos utópicos e incentivava a ter em consideração as lições da história, a olhar para a realidade política e a actuar no quadro dos constrangimentos que esta apresenta. Mas talvez seja eu que esteja enganado. Vou reler Burke. 

 

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publicado às 00:23






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