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Todos concordamos na imperiosa necessidade de Portugal regressar a um espaço económico que durante largas décadas proporcionou a viabilidade de indústrias, garantiu o comércio, dinamizou a marinha mercante. O antigo Ultramar, onde o Brasil se torna cada vez mais numa garantia de crescimento para os investidores, é a única alternativa à completa absorção portuguesa pela Espanha. A insignificância dos nossos números e possibilidades no quadro europeu, implica encarar as realidades, não como uma fatalidade, mas como a oportunidade para prolongar a manutenção da autonomia política.
O caso angolano inclui-se neste necessário regresso ao Sul. Ninguém contesta os benefícios mútuos que são possíveis pela cooperação entre empresas, servindo os Estados para o necessário apoio legal e por vezes, financeiro. No entanto, surgem situações que são obscuras e de difícil compreensão por parte da maioria dos contribuintes portugueses. O recente caso do "investimento de milhões" na Zon, carece do pleno esclarecimento da situação. Isabel dos Santos não é uma instituição bancária ou o nome de um país situado nos trópicos. É tão só, a filha do presidente de Angola. Nem sequer sendo necessário averiguar a proveniência de fundos aparentemente disponibilizados para uma operação daquela envergadura - conhecendo-se a politicamente normal permeabilidade entre bens pessoais dos chefes africanos e aqueles que pertencem ao Estado -, surgem algumas interrogações.
O caso BPN/SLN, onde uma boa parte do sistema instalado aparece implicado em negócios que oficialmente legais, são contudo contestáveis no plano ético - as habilmente esquecidas "acções presidenciais" a mais de 120% de juros/ano, por exemplo -, consistem num bom exemplo da actual situação que os agentes políticos pressurosamente procuraram minimizar através da intervenção, mormente via Caixa Geral de Depósitos. Bem pode o ministro Teixeira dos Santos reclamar que da parte do Estado - quer dizer, do contribuinte -, não saiu um único cêntimo para a cobertura dos astronómicos prejuízos derivados do roubo. Ninguém acredita. Politicamente, os termos valem o que valem e se para a comunicação social surge sempre o peculato como a necessária e terminologicamente correcta válvula de escape que disfarça o assalto aos bolsos dos indefesos, todos sabemos que o dinheiro aplicado na salvação do BPN tem claros indícios da acção dos responsáveis políticos em Portugal. É aquilo que no jargão militar se chama colmatar brechas.
O investimento da família Dos Santos em Portugal, pode ser desejável, bem vindo e tranquilizador para a eficiência e modernização das empresas, logo, do trabalho. Mas há que garantir a plena certeza da proveniência daqueles mais de cento e sessenta milhões que entram na Zon. Agora, corre pelas ruas a notícia ou boato, do financiamento ter sido propiciado pela Caixa Geral de Depósitos e assim, ficamos sem saber se o dinheiro do alegado investimento provém do património de outrem, ou bem pelo contrário, sai dos cofres da CGD, como forma de compensação de hipotéticos prejuízos decorrentes das actividades financeiras da presidencial família na banca portuguesa.
Pairam ainda, as fortes suspeitas acerca da apressada intervenção do Estado na salvação do BPN/SLN, alfobre de sonoros nomes do regime. Mas quem poderá esclarecer cabalmente a situação?
Este pode ser mais um pau de dinamite para a tal "situação explosiva" que Cavaco Silva acena. Conhecedor dos jogos da plutocracia, bem sabe do que fala e sobretudo, teme.