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Sirivannavari Nariratana
Um observador internacional geralmente bem informado, garantia-me que no próprio dia da supressão do acampamento red, eclodiria um "golpe de Estado" que deporia o Primeiro-Ministro Abhisit, alçando o General Prayuth ao poder. Após ler o amável e-mail, não consegui crer no conteúdo do mesmo. Como seria possível as Forças Armadas cometerem um desvario destes, após uma tão brilhante vitória e quase sem baixas? Uma falta de atenção por parte dos observadores colocados em Bangkok.
A queda de Abhisit tem sido o constante móbil dos mais díspares grupos na cena subversiva que ia destruindo o Reino. Todas as técnicas foram tentadas, desde o fomentar - ou melhor, o desejo de tal - a divisão em todas as forças de segurança, ao alijar de todas as culpas para a responsabilidade das autoridades. Como se os terroristas ali tivessem estado legal e pacificamente! Como se não tivessem utilizado os escudos humanos, pagos ou reféns declarados. Como se não tivessem invadido um hospital público, numa acção apenas com precedentes na pior fase da II Guerra Mundial.
Sendo um moderado e educado homem da política, Abhisit parece ser indesejável precisamente por quem o devia apoiar a todo o transe. É o homem que compreende os europeus, sejam eles os que vivem nesta pequena península da Ásia ocidental, ou aqueles que se estabeleceram no Novo Mundo. Abhisit detesta o derrame de sangue, crê profundamente num sistema liberal e representativo e é incansável defensor da identidade nacional tailandesa. Pouco ou nada lhe poderão apontar. Porquê tanto despeito, tanta vontade em destruir aquele que durante muitos anos poderá ser o elemento essencial que faltava à democratização do país, segundo padrões bastante aproximados daqueles que vivemos? Muito estranho, este processo de liquidação.
Não houve um banho de sangue. Os reds renderam-se ou fugiram sem qualquer dignidade, mostrando aquilo que todos já sabíamos há meses. Os reds provocaram uma hecatombe sem precedentes e demonstraram ao mundo que o apodo de terroristas que o governo utiliza para designar os activistas, era e é verdadeiro. Não houve golpe de Estado e as Forças Armadas parecem estar firmes e coesas. A Casa Real esteve como sempre, à altura dos supremos interesses do Estado, sendo mesmo generosamente condescendente para com quem tentou provocar a sua queda (Seh Deng).
O último recurso? O Partido Thaksinista - cujo travesti dá pelo nome de Pueh Thai - propõe agora uma moção de censura que possibilite a queda do Primeiro-Ministro. Contando com "insanáveis divisões" na coligação governamental, apresenta esta cartada que impeça o exercício da justiça. Não têm emenda e sempre quero ver se os "observadores bem informados" deixarão ou não, de promover mais esta escapatória. Cá estarei à espera.
Entretanto, aqui vos deixo a foto da princesa Sirivannavara Nariratana, neta do Rei Bhumibol Adulyadej. Linda!