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O bisturi

por Nuno Castelo-Branco, em 14.10.10

Ontem houve uma romaria banqueira. Um a um, os principais decisores daquilo que os portugueses têm nas contas onde duvidosamente se refugiam os esqueléticos salários, desfilaram na sede do PSD. Longe vão os tempos, em que os cortesãos e representantes das forças vivas, se acotovelavam na antecâmara do delfim que em breve subiria ao poder. Apesar de tudo, esta inusitada roda-viva na visita a Passos Coelho, apenas pode indiciar uma de duas coisas, ou então, ambas as possibilidades numa só: a pressão sobre a posição de rejeição que o presidente do PSD há muito tomou, ou um aproximar de posições, dado um previsível "render da guarda" no antigo convento expropriado.

 

Neste momento, acreditamos mais na primeira hipótese. A banca foi de tal forma determinante nestes últimos cinco anos de gestão governamental e as interdependências Partido-Balcão tão evidentes, que se torna difícil não pensar no obsessivo desejo de manutenção do status quo. Terá assim a banca portuguesa uma autonomia tal, para poder pressionar e decidir acima do normal jogo político constitucional? Dependente dos fluxos monetários emprestados pelo estrangeiro, o que receará mais? A falência? Os homens dos "investimentos" saíram de fácies enfadado e foram parcos na informação prestada aos órgãos de comunicação social. Em "banquês", isso apenas poderá significar o insucesso na missão que alguém lhes incumbiu, interna ou externamente. Ou então, pelo contrário, estamos perante excelentes actores de um teatro que certamente não será de comédia.

 

Os portugueses sempre esperaram e quiseram a opção pelo "tanto faz PS ou PSD", desde que funcione. Pelos vistos, Passos não está disposto a facilmente ceder, possibilidade esta tão mais insólita, porque proveniente de um tradicionalmente camaleónico Partido que para espanto geral, parece querer mudar algo.

 

Aguardemos, embora as expectativas sejam moderadas, quase descrentes. Sem o atrevimento de comparações desfasadas de uma triste e caótica realidade nacional, com os aspectos comezinhos de ocasionais inflamações cutâneas, julga-se que o enfermeiro de serviço apenas terá de optar entre a aplicação de mais uns frascos de Betadine, ou pela simples e radical ablação daquilo que ameça ser um gigantesco furúnculo. Talvez tenha chegado a hora do bisturi.

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publicado às 17:27


1 comentário

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De Nuno Oliveira a 14.10.2010 às 21:18

Nem todos os bisturis do mundo resolvem este problema.
Continuo a insistir que enquanto o povinho não tirar a cabeça da sua cova traseira e começar a ser menos egoísta , nada ira mudar.
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Nem todos os bisturis do mundo resolvem este problema. <BR>Continuo a insistir que enquanto o povinho não tirar a cabeça da sua cova traseira e começar a ser menos egoísta , nada ira mudar. <BR class=incorrect name="incorrect" <a>PPC</A> poderá ser o melhor PM que a historia portuguesa poderá vir a ter (o quanto eu gostaria que assim fosse) mas nada adiantara se a mentalidade portuguesa não mudar. <BR>Enquanto continuar a ouvir frases como - eu (Zé Povinho) pago e pra eles (governo) se preocuparem - como posso eu ficar descansado? <BR>Depois de tudo o que se disse e mostrou nas ultimas eleições , votaram no mesmo... <BR class=incorrect name="incorrect" <a>Estao-se</A> a borrifar. A marimbar. Pouco se lixando. Literalmente a cagar pra isto... <BR>Com um povo assim, como e que alguma vez se pode dizer que ja fomos grandes? <BR>O tamanho do território não expressa grandeza de um povo. <BR>Ou então a queda foi muito grande. Completamente de volta a barbárie .

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