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Incompetentes, ignorantes, arrogantes e ... desesperados

por Nuno Castelo-Branco, em 14.11.10

Estes senhores que têm dirigido Portugal ao longo de décadas, acabam de receber um diploma de incompetência. Cansaram-se em justificar a sua ignorância e falta de tino, alegando ser este país um território periférico, longe dos centros de decisão, produção e consumo. Jamais olharam para um mapa com o básico fito de o interpretar naquilo que para eles devia ser mais importante. As rotas comerciais que conduzem as trocas de mercadorias essenciais à manutenção do poder económico, político e cultural do Ocidente, passam-nos mesmo diante dos olhos, disso se tendo apercebido os nossos maiores e delas outrora  tomando posse, mesmo que por um período efémero.

 

Surge agora, como aqui avisámos sem surpresa, a hipótese de Sines. De forma quase indecorosa, berram-se loas aos privilégios desta posição avançada no Atlântico Norte e do seu potencial para catalizar investimentos e saberes que muito poderão fazer por um Portugal à beira da completa exiguidade. Vêm agora os estoriadores do oficionalismo marginal, tecer considerações acerca do "projecto modelar" de outros tempos - que academicamente sempre rejeitaram como negra noite de todos os atrasos -, ao mesmo tempo que maravilhados por esta faísca de imprevista sagacidade, descobrem que Portugal se encontra na confluência das rotas do Suez e do Panamá. Espantosa novidade, arrasador argumento, inacreditável descoberta...

 

Mas afinal, quem é esta gente que decide o futuro de milhões de portugueses?

 

De facto e sem qualquer tipo de ilusões, há que reconhecer a evidência de uma muito tardia tomada de consciência, pois outros já se anteciparam, procurando servir como magnetos do comércio com um Oriente que começou a pesar há já duas décadas. A estupidez e militante imbecilidade de administrações como a de Cavaco Silva, Guterres e subsequentes consumidores de subsídios para esbanjar, mais agravaram o atraso, preocupadas como estavam em mostrar uma pequeno-burguesa mas luzida montra de espelhos, focos de luz de halogéneo frio e uns tantos vidros temperados. Dentro da loja de centro comercial de um subúrbio europeu, prateleiras cheias de nada, talvez esperando por produtos que de fora chegassem, talvez importados com o dinheiro a rodos, concedido por empréstimos que hoje pesam mais que cangas de suplício chinês.

 

Tanto tempo perdido, tantas oportunidades de desenvolvimento, tanto desleixo e inépcia! Agora andam frenéticos a remexer gavetas fechadas hà décadas, procurando projectos que foram promissores. Desta vez, continuam no caminho da precipitação, pois os programas de desenvolvimento devem ser aturadamente avaliados de forma realista, pesando as vantagens dos impactos ambientais, sociais e económicos. Este caso, envolve também uma forte componente política, dadas as implicações com o centro decisor europeu e a intervenção da grande potência emergente, a China. Mas estão com pressa, temendo pelos seus preciosos privilégios e reputação.

 

É esta, a gente da 3ª e da ambicionada 4ª república de alguns. Uma trupe que para este país já consiste em algo mais que uma dolorosa nódoa negra. Tornou-se de facto, num fatal carcinoma que urge remover.

publicado às 17:39


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