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Ainda a questão dos professores

por João Gomes de Almeida, em 07.12.10

 

Muitas foram as críticas ao meu texto, sobre o não pagamento por parte do estado pelas correcções dos exames do ensino secundário. O argumento principal é o de que "são horas extraordinárias", pelo que este pensamento se resume na questão que o "Luís" me colocou: "se auferisse x euros por 40 horas de trabalho semanais, aceitaria receber esses mesmos x euros por mais 10 horas extra por semana?". Gostei bastante deste paralelo, até porque não existem exames nacionais para serem corrigidos todas as semanas, mesmo assim respondo: sim Luís, aceitaria.

Mas vamos lá às horas extraordinárias. A verdade é que com a flexibilização do mercado de trabalho, que muito em breve terá que acontecer para todas as profissões, aquilo a que chamamos "horas extraordinárias" irá acabar. Vejamos o exemplo de um bancário, que na sua hora de almoço tem que almoçar com um ou dois clientes, que à saída da agência ainda tem que passar por mais dois ou três clientes, que leva trabalho para casa diariamente e que muitas vezes tem que abdicar dos seus fins-de-semana para trabalhar. Todos estes momentos são horas extraordinárias, pelas quais ele não é remunerado - ou melhor, pelo menos no imediato, visto que sendo um bom colaborador terá a hipótese de ascender na sua carreira, através do seu trabalho extra e do seu mérito. Assim acontece em todas as profissões que não são remuneradas pelo estado, em que as pessoas têm que fazer provas da sua competência e em que apenas ascendem de categoria profissional através do seu mérito. É assim com os bancários, como é com os arquitectos, com os publicitários, com os advogados, com os jornalistas, com os gestores de produtos e com muitos outros, que diariamente levam trabalho para casa, que diariamente fazem horas extraordinárias e que trabalham fins-de-semana sem serem remunerados a mais por isso, e sem andarem a reivindicar por causa disso.

Caros amigos funcionários públicos, este é o mercado do século XXI. O melhor é que se adaptem a esta forma de pensar e se esforcem por serem bons profissionais, porque a ascensão automática na carreira, o vínculo laboral para a vida e todas essas regalias, vão ter que acabar, mais cedo ou mais tarde, com ou sem FMI em Portugal.

publicado às 16:50


3 comentários

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De Anónimo a 08.12.2010 às 10:37


É por isso que vou passar o Feriado a corrigir testes. E assim são os fins-de-semana a preparar aulas e materiais e ao fim do dia outras tantas coisas. Você sabe lá!
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De Luís a 08.12.2010 às 18:10

Uma nota: «Estado» e não «estado». 
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De Luís a 08.12.2010 às 18:12

Julgo que só fazem exames nacionais os alunos que querem concorrer ao Ensino Superior? Estarei certo? Se assim for, deverão ser os alunos a pagar a correcção, pois não são «obrigados» a submeter-se a exame. 

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