Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]




FMI: e se dissessem a verdade?

por Nuno Castelo-Branco, em 14.01.11

Ruínas num tempo perdido

 

Sendo a actual campanha eleitoral, um mero expediente de calendário para a nanidade que a instituição presidencial representa - como ontem surpreendentemente muito bem avisou o candidato Coelho, a presidência da República, nem sequer é um Poder Moderador -, o país devia preocupar-se mais com a questão das finanças públicas e sobretudo, com uma economia estagnada e sem grandes perspectivas de futuro. O FMI tem sido apresentado como um perigo iminente, como se Portugal corresse o risco de ser colocado sob ocupação de tropa estrangeira. Estando reduzido a um protectorado da ainda indefinível liderança europeia comandada por Berlim, os leilões da dívida soberana têm atraído compradores, que se para a maioria são desconhecidos, para alguns significam apenas uma intervenção indirecta do BCE, significando isto, a salvaguarda do Deutsche Mark, o conhecido Euro.

 

Como se justifica então, a disparatada alegria pela venda de títulos, quando os juros são estratosféricos e já apontados como ruinosos? A resposta deverá procurar-se nos meandros da política europeia e dentro de portas, no regime português. A chegada do FMI poderia significar um mais rigoroso controlo sobre as contas públicas, onde a despesa e o desperdício de recursos é por demais evidente. Juros mais baixos, adiamento sine die de determinadas obras de fachada, racionalização do sector empresarial do Estado, ou a questão das parcerias público-privadas, consistem em temas pouco interessantes para quem vê o Estado como um campo de acção para os conhecidos caçadores-recolectores. Os agentes políticos alegam abertamente a "humilhação" do país, no caso da intervenção do FMI ser necessária. Não existiu qualquer tipo de "humilhação" quando tal aconteceu há perto de três décadas e pelo contrário, os benefícios foram evidentes. Poucos portugueses quererão a entrada de estrangeiros na condução dos negócios do país, mas este, é um dado há muito adquirido, principalmente após Maastricht. O problema consiste na humilhação dos donos do regime, expostos na praça pública como os uivantes incompetentes e gananciosos que todos sabemos serem.

 

Se for essa a verdade, onde está o problema?

publicado às 12:04


4 comentários

Sem imagem de perfil

De Nuno Oliveira a 14.01.2011 às 19:10

Caro Nuno,

Já alguma vez se perguntou verdadeiramente sobre a origem do dinheiro?

O dinheiro que serve para nos "comprarem" a emissão de dívida portuguesa...

De onde provém?

Que aconteceria aos portugueses se não pagassem o que devem aos "mercados"?

O que aconteceria a estes "beneméritos" "subscritores" da nossa dívida pública se não lhes pagarmos? O que será que ele nos emprestaram? Foi dinheiro "vivo" ou terá sido um papel que tem lá um valor escrito?

Se foi dinheiro "vivo", até sou da opinião que lhes devíamos pagar. Mas... e se foi só um papel que tem escrito um valor qualquer? Você consegue pregar um prego com um papel que tem um martelo desenhado?

E se nós pagarmos a nossa dívida com outro papel que tem lá escrito um valor qualquer?

Todos discutem se deixamos entrar o FMI ou não. Mas a discussão principal deveria ser o que é o dinheiro que dizem que nós devemos...
Imagem de perfil

De Nuno Castelo-Branco a 15.01.2011 às 10:00

Há uns dois ou três anos, dizia algo de parecido num post. Esses números flutuam no éter. pelo menos, é o que se diz.
Sem imagem de perfil

De Nuno Oliveira a 15.01.2011 às 11:01

Tem duas formas de agir perante a sua resposta. Ou ignora e continua a viver a sua vida enquanto o mantêm debaixo do calcanhar financeiro ou investiga se isto é verdade. Depois de descobrir se é verdade, tem mais duas formas de agir. Ou ignora e guarda o conhecimento para si ou tenta transmitir esse conhecimento a outros.

Se todos tentarmos transmitir os nosos conhecimentos uns aos outros, deixará de haver uma luta pelo poder.

Knowledge is Power. E se esse conhecimento for igual para todos ninguém sobressai.

Daí a importância para os políticos e os financeiros controlarem a quantidade de informação a que nós "comuns mortais" temos acesso.
Imagem de perfil

De Samuel de Paiva Pires a 15.01.2011 às 15:00

Touché!

Comentar post







Arquivo

  1. 2021
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2020
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2019
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2018
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2017
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2016
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2015
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2014
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2013
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2012
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2011
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2010
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2009
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D
  170. 2008
  171. J
  172. F
  173. M
  174. A
  175. M
  176. J
  177. J
  178. A
  179. S
  180. O
  181. N
  182. D
  183. 2007
  184. J
  185. F
  186. M
  187. A
  188. M
  189. J
  190. J
  191. A
  192. S
  193. O
  194. N
  195. D

Links

Estados protegidos

  •  
  • Estados amigos

  •  
  • Estados soberanos

  •  
  • Estados soberanos de outras línguas

  •  
  • Monarquia

  •  
  • Monarquia em outras línguas

  •  
  • Think tanks e organizações nacionais

  •  
  • Think tanks e organizações estrangeiros

  •  
  • Informação nacional

  •  
  • Informação internacional

  •  
  • Revistas