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Do maior patriota dos nossos tempos à tragédia do ano

por Samuel de Paiva Pires, em 15.01.11

 

(Nero, tocando e cantando alegremente. Imagem retirada do filme Quo Vadis)

 

Ultimamente, deseperado e sem qualquer tipo de argumentação lógica e racional que possa presidir à justificação dos seus actos "orgulhosamente sós", mas colectivamente suicidas, José Sócrates recuperou para o discurso político quotidiano uma palavra há muito relegada para o baú do "fascismo": pátria.

 

Ao fazê-lo, trouxe o debate político para um campo que padece de alguma irracionalidade, dada a ênfase quanto a sentimentos em relação ao país ou comunidade de origem. Realce-se que, sendo Sócrates um indivíduo de duvidosa capacidade intelectual, interrogo-me sobre se alguma vez sequer se debruçou sobre o conceito de pátria e/ou patriotismo. Com a agravante que esta manobra socrática pretende trazer mais legitimidade ao mesmo e automaticamente (diria até, magicamente), julga o Primeiro-Ministro, deixar KO qualquer adversário das suas medidas. Há, nisto, a clara sensação de que as influências de Hugo Chávez se começam a fazer notar em José Sócrates.

 

Acontece que, para qualquer pessoa minimamente atenta ao que se passa à sua volta, resulta claro, independentemente de qualquer ideologia (duvido até que José Sócrates tenha alguma que não seja a do profundo amor e admiração que sente pela sua própria pessoa, proporcional ao desdém que sente pelos portugueses em geral), que o Primeiro-Ministro, de patriota tem muito pouco, ou não esteja a levar o país - e, com ele, a União Europeia -, para o abismo. Na verdade, José Sócrates pode conseguir aquilo mesmo que o seu gigantesco ego mais almeja: ficar nos anais da História. No caso, como o homem que precipitou o fim da União Europeia - ou, quiçá, o princípio da Federação Europeia.

 

Já todos sabemos o que disse Paul Krugman, o economista preferido dos socialistas - pelo menos desde 2008 -, e que o estado de histerismo de Sócrates e Teixeira dos Santos, em relação à operação de colocação de dívida pública que teve lugar esta semana, é bem ilustrativo de como estamos a ser desgovernados por indivíduos que, começo a suspeitar, padecem de um qualquer problema do foro psicológico. A situação, de resto, foi bem analisada por José Manuel Fernandes, entre outros. E o caminho, também ele foi bem assinalado por António Nogueira Leite.

 

De forma mais incisiva, o que pretendo dizer é que José Sócrates deveria abster-se de utilizar no seu repertório argumentativo qualquer referência à pátria. Um homem que por pura teimosia, por não querer admitir os seus erros, por recusar pedir o auxílio do FMI - que quanto mais cedo se der melhor - está disposto a continuar a endividar desalmadamente o país e os portugueses (os de agora e os das gerações que ainda nem nasceram), não tem nada de patriota. Na verdade, este homem está a matar Portugal.

 

Pior, José Sócrates já não consegue enganar ninguém. E os portugueses, vendo-se em dificuldades que se agravam de dia para dia, começam a ficar saturados dos seus números de circo. Revoltados mesmo. Não sei o que nos reserva o ano de 2011. Mas, após as presidenciais, as convulsões e as pressões vão tornar-se cada vez mais frequentes. Até porque falta colocar muitos títulos da dívida pública nos mercados.  E o que é facto é que precisamos desesperadamente que José Sócrates largue o poder. Os custos da sua manutenção no poder tornaram-se demasiado altos, demasiado insustentáveis para que os portugueses continuem a assistir impávidos e serenos a estes números.

 

Se Cavaco Silva - sim, falo dando já por garantido que vai ganhar as eleições - não dissolver a Assembleia da República (brevemente escreverei sobre isto e sobre porque acho que Cavaco é também um dos principais responsáveis pela actual situação), e/ou se não for apresentada e aprovada uma moção de censura nesta, quer-me parecer que algo de trágico se vai passar no país. Seja o nosso colapso, que, por arrasto, levará a Espanha e toda a União Europeia consigo, ou seja outra tragédia qualquer, o que me parece é que a saturação dos portugueses em relação a José Sócrates está, também ela, a atingir níveis preocupantes. Quanto ao nosso povo, por muitos qualificado como de "brandos costumes", um mito criado pelo Estado Novo, talvez a memória histórica colectiva traga ao de cima certas atitudes que forjaram a nossa identidade ao longo dos séculos. E o que menos precisamos, nesta hora difícil, é de uma "catástrofe de proporções historicamente singulares para nós e para os nossos filhos", nas palavras de Nogueira Leite.

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