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Mádio Oriente: o fogo que alastra

por Nuno Castelo-Branco, em 29.01.11

Como reagiriam as potências ocidentais, a uma súbita irrupção de violência nas ruas de Lisboa ou de Atenas? Apelariam à contenção das forças de segurança? Declarariam haver necessidade de reformas?

 

Já crepita o fogo por todo o norte de África e no flanco sul da península arábica, o Iémen também entrou na corrente de sublevações que se generalizam. Nem mesmo o regime de Kaddafy parece seguro e apenas são respeitados os Chefes de Estado da Jordânia e do Marrocos, duas monarquias com forte apoio popular, dois países que têm merecido uma grande compreensão da sempre ansiosa diplomacia ocidental. Cremos que o verdadeiro alvo é outro, mais precisamente a Arábia Saudita. A queda do regime de Riade é um velho projecto dos extremistas muçulmanos, sabedores da total dependência europeia e americana, da boa vontade deste regime tacitamente seu aliado.  Como aqui dissemos e aqui se diz, a Irmandade Muçulmana (1) - que possui um programa claro - não deverá ser alheia a estas ocorrências. Há trinta anos caia baleado o general Anwar el-Sadat, vítima da aproximação aos EUA, da paz com Israel e da protecção concedida a outro alvo primordial, o Xá Mohamed Reza Pahlavi. O resultado está à vista e a "Europa" teima em contemporizar.

 

Até ao momento, não há notícias de distúrbios nos países cujos regimes se têm mantido como fortes esteios dos grupos radicais. Nem a Síria de Assad ou o Irão - que já reprimiu a sua revolta de 2010 -, parecem ameaçados.

 

As próximas semanas confirmarão se o rastilho foi incendiado por quem pensamos ser a cabeça destes movimentos. No entanto, não será muito arriscado prever que uma vez mais, os Estados Unidos "perderão" o Egipto.

 

(1) The process of settlement [of Islam in the United States] is a "Civilization-Jihadist" process with all the word means. The Ikhwan must understand that all their work in America is a kind of grand Jihad in eliminating and destroying the Western civilization from within and "sabotaging" their miserable house by their hands and the hands of the believers so that it is eliminated and God's religion is made victorious over all religions. Without this level of understanding, we are not up to this challenge and have not prepared ourselves for Jihad yet. It is a Muslim's destiny to perform Jihad and work wherever he is and wherever he lands until the final hour comes, and there is no escape from that destiny except for those who choose to slack.

publicado às 09:15


2 comentários

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De Francisco Castelo Branco a 29.01.2011 às 23:10


Era bom que isto chegasse ao Irão, mas se atinge a Arabia Saudita, caiem os poderes dos sheiks e magnatas do petroleo.

Este ano de 2011 vai ser muito importante
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De Jorge Velasco a 30.01.2011 às 04:26

Nuno, não se esqueça da questão do Suez, mais de 30% dos barcos petrolíferos do mundo, passam por lá.
Um abraço do Jorge.

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