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No meio do muito ruído que vai por aí a respeito da moção de censura do BE, e obviamente concordando com o Pedro, saliento alguns pontos:

 

1 - Mérito para Louçã. Nunca foi tão atacado ad hominem como nos últimos dias. Pode ser uma criança, teimoso, ideologicamente preconceituoso, intelectualmente desonesto e enviesado e ter tendências autoritárias (mesmo totalitaristas). É verdade. Foi oportunista e excessivamente tacticista. Talvez se tenha precipitado inadvertidamente. É tudo verdade. Mas conseguiu recuperar do desaire do apoio a Manuel Alegre, marcar indubitavelmente a agenda (gostei particularmente do argumento de certos militantes do PSD, que acham que por este ser um partido maior que o BE, que não tem que andar a reboque deste, como se o tamanho de um partido tivesse alguma relação causal com o agenda setting, ou não sejam os jornalistas portugueses, na generalidade, alinhados com o BE e PS), e mostrar verdadeiramente as intenções de todos os partidos e actores relevantes - começando, agora, a capitalizar com estas.

 

2 - José Sócrates, sempre ele, continua a resistir a tudo e todos. Melhor, tem encontrado no PSD de Passos Coelho um grande aliado, mesmo passando a vida a enxovalhá-lo, como se viu no fim-de-semana que passou. Começa, até, a ter uma certa aura de invencibilidade, pois que todos parecem ter medo de o enfrentar em eleições.

 

3 - Saem mal na fotografia o PSD e o CDS. Demonstraram não estar assim tão preocupados com o país. De salientar a incoerência de Paulo Portas, que se primeiro se escudou na necessidade de conhecer o texto da moção, agora já veio dizer que o CDS irá abster-se - ainda sem conhecer o texto da moção, texto este que, como aqui escrevi, poderia dizer as maiores alarvidades do mundo que nada aconteceria para além do único resultado prático que seria a queda do governo -, e a falta de coragem de Passos Coelho, que a continuar a salvar José Sócrates como tem feito, corre sérios riscos de começar a ver a sua liderança do PSD ameaçada. Até porque, por tudo o que António Balbino Caldeira já explicou, será praticamente impossível a aprovação de uma moção de censura no parlamento - a não ser que, Passos Coelho e Paulo Portas consigam negociar um altamente improvável acordo com Jerónimo de Sousa.

 

4 - Muitas razões há para que se acabe com o consulado Sócrates assim que possível. Pelo tal interesse nacional, de que este se apropriou indevidamente. Álvaro Santos Pereira, Pinho Cardão (via Blasfémias), e Rui Crull Tabosa demonstram-nas com particular acuidade. O discurso do PSD deveria, na verdade, ter sido do género do que Ricardo G. Francisco recomendou. E a conclusão mais acertada e mais simples que há a retirar de toda esta novela é, sem dúvida, a de Tiago Loureiro: «Esta esquerda sectária e fundamentalista que habita num cantinho em S. Bento prova que a chave para a necessária queda do governo não está numa qualquer moção de censura. Está em Belém.»

 

5 - Perdeu-se uma oportunidade de ouro, com o BE a colocar-se como refém da sua moção de censura e em que se poderia ter dado a estocada final neste desgoverno. Perdemos todos. É pena. Os juros da dívida externa continuam a aumentar, o Estado continua sem ser reformado e reestruturado, a carga fiscal continua a ser brutal, a economia continua a contrair. Continuamos a caminho da tragédia do ano. Mas está tudo bem.

publicado às 22:13


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