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Quem não se lembra da família de Saddam Hussein e em especial, dos dilectos filhos que trouxe ao mundo na Mesopotâmia? 

 

Uday, aquele que tanto apreciava a administração de venenos e era useiro de choques eléctricos, celebrizou-se pelos seus safaris desportivos quando fazia alinhar prisioneiros, exercitando o dedo no gatilho. "Diz-se que" gostava de ouvir as cabeças estourarem pelo impacto das balas e dissertava acerca da diferença de sons, consoante a capacidade craniana de cada um.

 

Qusay era um passarinho das ilhas, um raio de sol que adorava desportos aquáticos e "diz-se que" mandava alguns acompanhantes atirarem-se ao Eufrates, para depois, em forte trovoada de gargalhadas, alvejá-los à distância. Além destes justificáveis momentos de lazer, estes queridos cordeirinhos desempenhavam os seus trabalhos nas forças de segurança e claro está, embrenharam-se a fundo no mundo dos “negócios”. Acabaram sob os focos da ribalta e da forma como assistimos quase em directo, pela tv. 

 

Os filhos de Mubarak não eram dados a luna parks de balas, electrólises e outras habilidades do estilo. Preferiam o método da engorda de contas bancárias e da apropriação da coisa pública, como se privada fosse. Decerto terão melhor sorte e um destino infinitamente mais consentâneo com os desígnios do nem sempre Misericordioso. Apesar de tudo, o pai foi, de longe, o mais mal tratado pela imprensa ocidental. Sabe-se lá porquê...

 

Vamos agora a quem mais importa, pois os pretéritos são isso mesmo: passado. Os adoráveis querubins da família Kadhafi, tornaram-se conhecidos urbi et orbi. Não são manequins, embora os saca rolhas sejam empunhados para as badaladas pândegas intra e extra-fronteiras. Passearam-se pelo ocidente, deram-se a “ares” no Departamento de Estado americano, apertaram mãos a torto e a direito. O mais conhecido, o sr. Seif – o tal “mitra” que bem conhecemos via CNN -, ostenta a invejável denominação de “sabre do islão” seja lá o que isso queira dizer. Ficamo-nos pela imaginação… Pelo "que dizem", é um liberal, coisa que por aquelas paragens, pouco quererá significar. Recebeu apoteoticamente o responsável pelo atentado de Lockerbie, envolveu-se no escabroso caso das enfermeiras búlgaras e infalivelmente, faz o que bem entende no mundo dos “negócios”, também dirigindo uma estação de televisão. Nos últimos dias, organizou as limpezas de gente em Trípoli, ao estilo das suas sumptuosas borgas bem regadas com Moet et Chandon. Um mártir do dever.

 

O segundo mitra, o rouxinolzinho dos bosques Saadi, - casado com uma menina inevitavelmente Vanessa, de apelido Hassler - era "jogador de futebol profissional" e chegando ao fim da carreira desportiva, decidiu-se pelo comando de uma unidade de elite do exército. Decerto dele ouviremos falar nos próximos dias, a menos que já esteja a caminho de Pequim, Caracas ou Pyong-Yang.  Parece ter algo em comum com mais um mitra, a gazelinha da planície Moatassem - a epítome acabada do mitra-em-chefe! - o caudilho do Conselho de Segurança Nacional, responsável pela chegada dos contingentes de mercenários que garantem a segurança da sua tribo familiar. Já tentou um golpe de Estado, "diz-se que" é fã dos copos e de artistas de variedades, pagas a peso de ouro retirado dos cofres do Estado, propriedade do pai.

 

Falta o quarto mitra, o pombinho dos pomares  Hannibal – não, não é esse em que já estão a pensar -, também famoso pelos copos e "diz-se que" é grande adepto de pancadarias em discotecas, pugilismo em amantes grávidas, chibatadas na criadagem, condução a alta velocidade e em contra-mão. Adora bater em todos e "diz-se que" nem a própria mulher escapa a esta espécie de Mike Tyson tripolitano.

 

É esta a republicana gente que manda, põe e dispõe na Líbia. Grandes revolucionários, uns bolinhos de mel que fazem inveja a qualquer cordeirinho dos prados. Não nos admiremos muito se um dia destes viermos a saber que alguém de longe, muito longe, lhes fez chegar a casa, umas recordações da Vista Alegre. 

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publicado às 17:03


1 comentário

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De Carlos Velasco a 25.02.2011 às 18:41

Caro Nuno,

E por cá, onde o socialismo também é a regra, nem uday nem qusay de cima. Apesar de ainda não se praticar muito mais do que actos de violência sexual contra menores, já faltou bem mais para que os bem conectados pudessem dar tiros impunemente em quem não pertence à máquina do poder.
De resto, como vão os filhos dos sampaios, soares, almeidas santos e ferros rodrigues da vida? Será que algum faz algo que nada tenha a ver com o estado ou com empresas que vivem do erário?

Um abraço.

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