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Via Brasil, ficámos a saber qual a posição do PCP quanto aos assuntos líbios.
Um conhecido potencial colaboracionista de uma Europa que um dia "teria sido ocupada" pela URSS, decidiu-se pela desesperada defesa de Kadhafi. Como é hábito, procurou transplantar uma parte da hagiografia soviética para as dunas do deserto da Marmárica e nem sequer faltou uma alusão ao ataque ao Palácio de Inverno, agora corporizado pelo rei idris. O funcionário em tempo livre Miguel Urbano Rodrigues, segue rigorosamente as directivas habituais, apontando a "desinformação e confusão" semeadas mundo fora. Em suma, papagueia aquilo que a boca de Kadhafi transmite via CNN. A tagarelice velha e relha da "ameaça imperialista", aliada à sempre omnipresente teoria da conspiração, pózinhos milagrosos e danças de bruxas em que os comunistas são peritos, deliciam qualquer leitor interessado numa viagem ao passado, breve de cinco minutos.
Após o inevitável ataque à inofensiva Monarquia dos Senussi, M.U.R. canta hossanas ao regime do coronel saído das areias e a uma ..."estratégia que promoveu o desenvolvimento económico e reduziu desigualdades sociais chocantes. A Líbia aliou-se a países e movimentos que combatiam o imperialismo e o sionismo. Kadhafi fundou universidades e industrias, uma agricultura florescente surgiu das areias do deserto, centenas de milhares de cidadãos tiveram pela primeira vez direito a alojamentos dignos". Tudo isto parece muito idílico, mas infelizmente não corresponde minimamente ao que as imagens têm mostrado, desde a péssima qualidade urbana que por lá se espalha como uma lepra - qualquer centro de cidade na Líbia, mais se assemelha ao pior dos subúrbios da Grande Lisboa -, até ao aspecto paupérrimo e semi-desclaço, de uma população que vive sobre um mar de petróleo. Ávido comprador de material de guerra soviético, o sr. Kadhafi apresenta ao mundo um exército com um aspecto andrajoso, carros blindados enferrujados, tanques debotados e aviões a caírem aos pedaços. Torrou dezenas de biliões em sucata, biliões esses que engordaram as contas do conglomerado militar-industrial da extinta União Soviética.
O sr. Miguel Urbano Rodrigues, não desfia nem uma conta do rosário de atrocidades perpetradas pelo seu camarada de Trípoli, nem sequer tem uma palavra para aquelas que o regime da moribunda "jamahiria" perpetrou contra o seu próprio povo. Este tipo de solidariedades relativas a prazenteiros enforcadores de estudantes e de famílias inteiras, esta condescendência para com bombistas de linhas aéreas e financiadores de patifes da pior espécie como Abu Nidal, Baader-Meinhof, Brigate Rosse, Rote Armee Fraktion e uma imensa panóplia de grupúsculos terroristas mundo fora, elucidam-nos acerca do que ainda fervilha por aquelas néscias cabeças em irrecuperável curto-circuito.
A precisar urgentemente de fosfoglutina, o sr. Rodrigues poderia repensar os eventos que levaram ao saque dos recursos da Ucrânia, países do Cáucaso e da Ásia Central, Roménia Alemanha Oriental, por exemplo. O que tem o sr. Rodrigues a dizer, acerca das "normalizações" imperialistas impostas pelas lagartas dos tanques da URSS? O que lhe pareceu significar a invasão do Afeganistão, a invasão de Angola pelo imperial-internacionalista de bananeira Castro, ou a descarada intervenção na Etiópia com todo o seu cortejo de horrores? A lista é longa, talvez mais ainda que a já provecta idade do sr. Rodrigues.
Fica-nos o aviso acerca de..."dirigentes progressistas latino americanos (que) admitiram como iminente uma intervenção militar da NATO". Sabemos perfeitamente a quem se refere, precisamente aqueles ditadores de pacotilha que sabem pertencer a uma indesejável lista de detritos a reciclar.