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Líbia: como dizíamos, aí está a mão britânica

por Nuno Castelo-Branco, em 06.03.11

Não é uma crítica, antes pelo contrário. Desde cedo, a relação entre as informações que foram ficando disponíveis, assim como a leitura das reacções vindas de Londres -  a posição oficial de Downing Street e os comunicados da Casa Real líbia, além dos eventos no terreno -, levaram-nos a aventar a hipótese de uma colaboração britânica no levantamento anti-Kadhafi. Parece que não nos enganámos.

 

Diz o Publico que o ..."ministro Liam Fox explicou que a missão estava em Bengasi para colaborar com a insurreição para garantir o fim do regime de Khadafi".

 

Como se depreende, o governo de Sua Majestade não se intimida e aqui estará uma parte da explicação dos acontecimentos. Felizmente, há quem na Europa diz e faz algo de concreto. A Grã-Bretanha no seu melhor.  

 

Entretanto, os combates continuam na zona costeira central do país e parece-nos ilusória qualquer consideração definitiva acerca do resultado da luta. As distâncias são enormes, a "frente" limita-se a uma estreita faixa que segue a Via Balbia e para uma vitória total, torna-se necessária a posse de importantes efectivos, bem organizados, equipados e coordenados. Ora, tal não parece estar a acontecer.

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publicado às 17:46


11 comentários

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De Carlos Velasco a 06.03.2011 às 20:31

Caro Nuno,

Não sou daqueles que nutrem uma doença mental bastante comum e que alguns desavisados confundem com a anglofilia, enfermidade que em fase avançada chega ao ponto de levar o doente a se vestir como os ingleses e querer que Portugal seja uma cópia do Reino Unido, mas assumo que sou um admirador e amigo dos povos britânicos. 
É com alegria que observo que o Reino Unido começa a acordar; não apenas pela simpatia que nutro por ele, mas também por saber que uma Inglaterra forte proclamará a sua independência e isso levará à derrota do projecto internacional-socialista, conhecido por União Europeia pelos profanos e como 4º Reich pelos íntimos.
O nosso velho amigo John Bull faz muita falta nos dias de hoje. 

Um abraço.
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De Carlos Novais a 07.03.2011 às 08:58

Não vejo qualquer interesse na intervenção numa guerra civil ou de mudança de regime interno em processo revolucionário. Regra geral um estado escolher uma das partes e tomar parte dela traz maus resultados a médio prazo, e se isso for norma, ou seja cada estado a escolher uma parte em todos os processos similares que acontecerem, o mais provável será resultar guerras generalizadas (já que cada estado escolhe uma parte e depois tem de enfrentar os outros que escolhem outra parte). Podem existir excepções, mas ano vejo  muitas. Se o Império Britânico tivesse feito isso na guerra dita civil americana com grande probabilidade teria sido a favor do Sul.
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De Nuno Castelo-Branco a 07.03.2011 às 11:05

Irá a Líbia para a divisão? É uma hipótese. Quanto a idílios libertários, não acredito neles e sinceramente, não me parece ser uma boa ideia o ocidente embarcar facilmente nesse tipo de conversa. Se a solução encontrada for discreta e consentânea com a nossa segurança e interesses, óptimo. mas Kadhafi deve sair, custe o que custar. Nem que seja por um ajuste de contas que tarda.
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De Carlos Novais a 07.03.2011 às 11:40

"Kadhafi deve sair, custe o que custar."


exactamente, porque agora com ajuda externa, porque agora esta a perder...?  porque um homem mau? agora tornou-se mau? mas já foi muito mais mau há muito tempo, recentemente era realisticamente aceite pela diplomacia.


A monarquia saudita também tem de sair "custe o que custar", ou não, so ate estar em posição debilitada internamente e ai aparecem os ímpetos de libertação dos povos?


"Quanto a idílicos"


quem esta a ser idílico, romântico, quem sabe algo optimista?


Um ponto: ninguém esta defender Kaddafi entenda-se...mas a questionar o realismo e lógica do intervencionismo exterior em processos de mudança de regime. 


A direita costuma(va) ser prudente nestes assuntos.
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De Carlos Novais a 07.03.2011 às 12:11

Ja agora, independentemente da questão geral de principio, cada caso será um caso, e seguramente operações especiais para proteger nacionais em territórios, como parece ter sido o caso, parece adequado. Quanto a Kaddafi espero que a população e os insurgentes consigam obter os seus objectivos.
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De Nuno Castelo-Branco a 07.03.2011 às 16:25

Caro Carlos, creio que já houve "prudência" a mais durante 30 anos, pelo menos. Julgo que estas coisas devem ser vistas friamente e a prova daquilo que se pode esperar de Kadhafi, é o seu discurso chantagista, ameaçando com Al Qaeda - afinal os rebeldes mal sabem manejar armas, pelo que temos visto! -, imigrantes em massa, etc.  Há muito deserto a percorrer por ambos os lados. Quanto aos negócios com a Líbia, Venezuela e outros, parecem-me normais, desde que não exista qualquer compromisso político. No caso português, o governo passou largamente os limites e suspeito que o PSD teria feito o mesmo, tal como outrora aconteceu noutros casos.
Neste preciso momento, o tempo joga a favor de Kadhafi. Exaustão de recursos, pouca ou nenhuma logística, falta de comida no horizonte, etc. Há uns dias o ímpeto era outro. Reconheço que a causa rebelde não parece estar em boa posição, mas golpes de mão poderão mudar algo. O pior é que pouco ou quase nada sabemos. resta-nos tentar perceber.
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De Nuno Castelo-Branco a 07.03.2011 às 16:37

Para nosso bem, do Ocidente, o regime saudita não deve sair "custe o que custar". Deverá ser "convencido a convencer-se (!)" a mudar alguma coisa, porque é isso que certos sectores pretendem. Nem sequer pedem muito, há que reconhecer. Em Marrocos e na Jordânia, os regimes já parecem mais ou menos convencidos e isso nota-se na acalmia imediata. veremos o que os próximos dias trarão. 


Um presidente americano, o sr. Roosevelt (de má memória, dado o péssimo serviço prestado à Europa durante a fase final da guerra), falava da necessidade de suportar o ditador Trujillo, quando um dos membros do seu staff exclamou:
- Mas, senhor presidente, Trujillo é um f.d.p.!
Roosevelt: eu sei, mas ele é o NOSSO f.d.p.!


Carlos, os sauditas são os NOSSOS f.d.p. Kadhafi, tal como Chávez ou os Castros, não é, nunca foi ou será. É demasiadamente errático para se aquietar indefinidamente. 
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De Carlos Novais a 07.03.2011 às 12:29

A coisa parece não ter corrido bem:


The troops arrived in plain clothes and accompanied a “junior diplomat” who had ostensibly been dispatched to “establish relations” with the opposition’s leadership council. The rebels have been in control of virtually the entire eastern half of the nation plus a number of cities in the west for over a week.

But the rebels’ troops spotted the plain clothes troops and hauled them away, worrying that public support would be damaged if they were seen as a Western-backed coup against Gadhafi, one of the chief reasons they have repeatedly spurned US and British offers of military help.

Though the diplomat’s arrival doesn’t appear to have been a major problem, the protest movement has sought international recognition as the “legitimate government of Libya” over the Gadhafi regime, the fact that he showed up uninvited with a unit of soldiers appears to have angered the rebel leadership council, which immediately ordered the lot of them thrown into a military brig.

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De Nuno Castelo-Branco a 07.03.2011 às 16:27

Tiveram toda a razão. Essas coisas devem ser discretas e combinadas de antemão, permitindo um auxílio muito mais substancial. Mísseis Stinger, por exemplo.
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De Carlos Novais a 08.03.2011 às 08:35

Ainda assim não vejo qualquer interesse numa intervenção exterior e parece-me mais um sintoma de humanismo bacoco. A NATO não foi atacada,  não existe nenhum interesse em jogo, a NATO recorde-se bombardeou a Servia durante 72 dias e noites de grande altitude. Os excessos humanistas com o uso da defesa nacional para mim sim são perigosos e em ultima analise contra o interesse nacional.

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