Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]
O povo, unido, jamais será vencido! Luta-luta-camarada, luta! Luta-luta-luta, contra a reacção!
E lá ia avenida fora, a mais ampla coligação jamais vista e que abrangia desde o "anarquista" que para o ser basta usar umas rastas e não tomar banho, a comunistas - trotsquistas, maoístas, estalinistas de cartaz do deus em punho, reformadores (?), zuchistas, castristas, "sem-partido" -, jotinhas betos, jotinhas mitras, jotinhas assim-assim, uma data de "alternativos" a eles mesmos, uns gringos italianos a berrar qualquer coisa partisana de fuzilamentos sumários, os infalíveis usuários das dentaduras à Cunhal (da Caixa), uns admiradores dos Kadhafis, muitas senhoras ersatz de franja ex-benzoca da Av. de Roma Alternativa 76 do CDS do "professor" e topo dos cúmulos, admiradores de uma das partes signatárias do Pacto Molotov-Ribbentrop. Foi uma excursão ás farturas, deu para tudo. Ainda bem, gostei de "ver na tv".
Gente precária pobríssima, precária famélica e precária proletária, que precariamente comunicava à viva voz ou dedilhava sms a toda a hora, através de precários telemóveis XPTO chulados aos precários pais presentes ou ausentes. Mariconeras a tiracolo com os precários PC's/FNAC para a reportagem na "rede social", as precárias gangas da Bershka, as precárias riscas da Zara, as precárias lantejoulas da Mango, os "Semartefónes", "Nétebuques", IPOD, IPHONE e IPAD às "resmas e resmas".
No palco ouviu-se pela milionésima vez, a nada precária garganta papuda do Tordo da tourada, a vozita ronhonhó do Janita ou do irmão - sei lá qual deles é?, são iguais! - e os Homens da Luta que para chatice máxima e sincero desgosto meu, parece que já não vão à Eurovisão. Coisas do capitalismo a soldo duma reacção europeia que não permite "letras políticas".
O grande vencedor da tarde?
Aqui está ele. Transpirando-se anti-capitalismo por todos os poros, o precário retempero de forças foi feito na estação McDonald's do Rossio. "Ele" era batatas fritas, "ele" era sundays aos quilos, "ele" era Coca-Cola small, medium ou maxi, "ele" era "maxbârgueres" com/sem queijo, com/sem cebola, com/sem "beicõ", "ele" era "chizequeiques", ou para desenfastiar, "méquechiquenes" quentinhas e dois saquinhos de "quét-châpe". Uma precária carrada de notas de dez Euros despejadas nas caixas registadoras. A Prosegur terá hoje mais trabalho de recolha. É tudo.
Uma precária tarde anti-capitalista bem passada. As precárias bases do PC, PS, CDS, BE e PSD vieram à rua e no próximo sábado, o Expresso lá dirá quantos pontos terão subido ou descido Pedro Passos Coelho e José Sócrates. O Marcelo dos olhinhos brilhantes babar-se-á amanhã à noite, na TVI.
O Bairro Alto já está cheio como numa festa - em "quéque" pronuncia-se "fêsta" - de santos populares. A Trindade já viu piores noites, o Chimarrão-Chiado abarrota de gulosos, o Haagen Dazs serve umas cassatas, as docas vendem pratos por foto e a Portugália mais umas dúzias de bifes com molho. Mais daqui a uma hora, quando bater a meia noite, começa a peregrinação ao Purex, à esquina da Fátima Lopes, Rua do Diário de Notícias, Portas Largas e para uns poucos extenuados manifestantes, uma precária ceiazinha junto à vidraça do Bica do Sapato. Segue-se o Lux e o Kremlin.
E daí?
Apenas isto: kiri-ki,kikikikiki, kiri-ki, kikikik!