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Uma não-manifestação em 6 pontos

por Samuel de Paiva Pires, em 13.03.11

 

1 - Uma manifestação que junta pessoas de todo o espectro ideológico, pessoas alegadamente sem ideologia ou partido político, pessoas que foram lá pela sua própria razão pessoal (desde os jovens desempregados, aos descontentes com Sócrates, passando pelos descontentes com todo o regime e pelos que nem sabiam por que razão estavam ali), mas que, de uma forma ou de outra, acharam por bem manifestar o seu descontentamento com a situação geral do país, não é uma manifestação . É o Festival do Avante

 

2  - Uma manifestação que leva gente a exultar com este confrangedor manifesto, que nada propõe para o país, não é uma manifestação. É uma estupidificação.

 

3 - Uma manifestação com um elevado grau de organização - parem lá com a alarvidade de dizer que foi uma manifestação espontânea - que não consegue ser consequente, que não concebe uma única proposta a não ser as que as premissas do manifesto deixam adivinhar - de índole estatista - que não tem sustentação e coerência interna, e cujos organizadores se refugiam no argumento de que não se acham no direito de propôr seja o que for, mas antes querem que os políticos façam algo para mudar a situação, não é uma manifestação. É uma capitulação perante o Estado e perante aqueles que nos têm vindo a (des)governar. Até dou de bandeja que seja positivo o elevado civismo a que assistimos, a expressão geral de descontentamento e a alegria que perpassou a mesma. Mas esta apenas reforça a legitimidade do Estado, no sentido de os governantes intervirem ainda mais na sociedade com políticas de boas intenções, que a mais das vezes levam a resultados imprevistos e não necessariamente satisfatórios - veja-se a actual situação que o país vive.

 

4 - Uma manifestação que proporciona um espectáculo em que muita gente verbaliza as verborreias desconexas que há muito tempo vinha contendo, não é uma manifestação. É um falhanço do regime. A incapacidade da maior parte dos jovens da minha geração de ter um método, um processo de alcançar os objectivos que pretendam (se é que pretendam alguns), e a incapacidade de serem donos da sua própria vida - criem uma empresa, emigrem, façam por singrar na vida - e de não ficarem à espera do Estado-paizinho, demonstra o generalizado falhanço do sistema de educação, e os efeitos nefastos do assistencialismo (importantíssimo ler isto).

 

5 - Uma manifestação em que muitos participantes repetem até à exaustão a falácia de pertencerem à "geração mais qualificada de sempre", não é uma manifestação. É uma presunção de estatuto artificial que devia envergonhar qualquer um dos seus vociferadores. A verdade é que somos a geração mais certificada de sempre. O que não quer dizer que sejamos a mais qualificada ou competente. A geração dos nossos pais e avós teve cursos muito mais exigentes e que lhes conferiram muito mais competências do que os actuais cursos conferem. E os que nem cursos superiores tinham, possuem na generalidade mais competências do que nós. Nas últimas décadas generalizou-se e massificou-se o ensino superior, diminuindo-lhe a qualidade. Alardear uma certificação formal, que na maioria das vezes deixa adivinhar uma confrangedora capacidade de trabalho, método e competência, não é uma manifestação. É uma demonstração de snobismo pseudo-aristocrático.

 

6 - Uma manifestação em que o principal mote da mesma é uma geração que, não tendo um método ou capacidade de pensar (ponto 5), não fala no que realmente contribui para a actual situação, como por exemplo, a rigidez da legislação laboral e a idiótica lei das rendas, que não está minimamente preocupada com o estapafúrdio endividamento externo a que o actual (des)governo nos submete (ah pois, não querem saber de política, não é verdade?) e para a qual a resposta ao estatismo socialista dos últimos 37 anos é mais socialismo (ler isto), não é uma manifestação. É uma receita para a desgraça.

publicado às 16:18


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