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Esta manhã decidi-me a um passeio de bicicleta pela Baixa. Desde que me ofereceram um Órbita "modelo vintage", o artefacto tornou-se no meu normal meio de transporte para pequenas distâncias. Por vezes, dou o devido descanso aos ténis e a única maçada, talvez consista na falta de respeito que os automobilistas têm por quem não esteja a bordo de uma luxuosa sucata a prazo.
Enfim, parei junto à loja de um amigo nas Portas de Santo Antão e escutei uma conversa de um grupo de estrangeiros que sentados à volta da mesa de um restaurante de esplanada, teciam loas à cidade em que vivemos. A opinião é sempre a mesma, desde a magnificência dos edificios, às perspectivas, luminosidade, espantosa riqueza cénica e imponência monumental de um passado que ainda persiste. A revolta perante o estado de abandono, demolições e adulteração de fachadas, é a constante que não podemos deixar de registar, aliás já bastas vezes aqui manifestada na rubrica Lisboa Arruinada. Um exemplo daquilo que esta cidade poderia ser, está patente no trabalho da melhor fotógrafa destas velhas pedras.
Ainda ontem, um dos representantes patronais recebidos pelos Reichsprotektors da troika, dizia aos jornalistas que os regentes sentiram-se ultrajados pelo catastrófico aspecto dos edifícios de uma capital que já foi cabeça do mais longevo Império do ocidente.
Neste precioso guia das mais belas cidades do mundo, Lisboa surge em quarto lugar. Teremos incapazes a comandar-nos há demasiadas décadas, ou será necessário um flautista de Hamlin que os conduza a um mergulho no Tejo?