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Cavaco, o "repovoador"

por Nuno Castelo-Branco, em 10.06.11

Disse hoje ser imperioso um "repovoamento agrário do interior". Bem esquecido dos tempos em que era o 1º Ministro do governo que seguiu fielmente os interesses da agricultura dos mais poderosos Estados da então CEE, agora pretende o regresso de portugueses à lavra da terra. Saberá o Sr. Cavaco Silva que esta não é uma profissão de oportunidades sacadas em três anos de frequência de salas de aula? Afinal, para que serviu o abandono de quintas ou de grandes, médias e pequenas explorações agrícolas? De que serviram os loteamentos de terra arável que para sempre desapareceram sobre camadas de betão? Onde estão os centros distribuidores de produtos agrícolas portugueses? Saberá o Sr. Cavaco Silva que na Estrada Nacional que liga Lisboa a Leiria, é possível comprarmos sacas de 20 quilos de batatas a sete Euros? Batatas grandes, bonitas, saborosas e portuguesas que não encontram compradores nas empresas distribuidoras, hoje controladas pelos estrangeiros. Dizendo batatas, também poderemos referir cenouras, couves, nabos, morangos, cerejas, maçãs, laranjas e outros produtos impossíveis de encontrar nos mercados nacionais. Estão ali, à beira da estrada e à sua espera.

 

Cavaco Silva foi o 1º Ministro dos jeeps, croissanterias, condomínios, jogatanas de bolsa, entrega das avenidas aos interesses imobiliários estrangeiros, cursos de manicura, time-shares, yuppies e outros desastres anunciados. Julga que voltar à terra é um trabalho fácil, para isso bastando uns tantos discursos? A menos que queira empunhar uma chibata e organizar uma Grande Caminhada forçada, tal coisa é serviço para duas gerações.

 

Para começar, bem pode ir preparando os seus próprios netos. 

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publicado às 18:55


10 comentários

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De Olindo Iglesias a 10.06.2011 às 20:02

Touché :)
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De editor69 a 10.06.2011 às 22:37

Nuno...Já me fizeste gargalhar hoje. :)
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De Jorge Perestrelo a 13.06.2011 às 10:34


Um texto certeiro, escrito com aplomb e lucidez. O que não é vulgar numa blogosfera condicionada pela razão lusa: o viver-se, em geral e interiormente, entre a sacristia, mesmo laica, a tasca e o campo da bola.
 That's the spirit, sir.
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De Luis O. a 14.06.2011 às 09:46

Moro no interior e tenho um vaso com salsa. Isso faz de mim um novo agricultor ou um bimbo? Ou ambos?
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De Nuno Castelo-Branco a 14.06.2011 às 18:11

Faz de si um apreciador gourmet em espaços zen de uma lounge...
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De Luis O. a 15.06.2011 às 15:05

Não me escreva gourmet. Lembro-me logo daquelas batatas da avozinha, embaladas em vácuo dourado :D
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De Joana a 14.06.2011 às 10:39

Partilhei. Que bom que ainda há pessoas com memória.
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De Anónimo a 14.06.2011 às 11:25

Na mouche, Nuno!.
Os políticos ainda pensam que o repovoamento do interior se resolve com conversa ou palavreado de novas oportunidades.
Por acaso não saberão que para viver da  agricultura, além de sujar as mãos e suar muito,  é necessário que haja redes de venda dos produtos na altura certa, sem burocracias e entraves, como a dita "certificação"?

  
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De Francisco Bexiga a 14.06.2011 às 11:32

Não há palavras para descrever este energúmeno. E sim, refiro-me ao Presidente.

Sinceramente, é com muito apreço que leio este artigo, pois sempre que tenciono escrever sobre este senhor dá-me uma azia!
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De Nuno Castelo-Branco a 14.06.2011 às 18:12

Ainda bem que não sou o único. Estas modas, estas modas desta gente...!

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