Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]




Um governo que dá vontade de ficar em Portugal

por Samuel de Paiva Pires, em 18.06.11

 

Para aqueles, como eu, que têm vindo cada vez mais a pensar ou mesmo a encetar esforços para emigrar, julgo que este governo é uma óptima notícia. É um governo cuja rectidão e excelência intelectual nos moraliza a todos para levantar o país do buraco para o qual o socialismo nos levou, e isso é algo que nem José Sócrates nem o Partido Socialista alguma vez conseguiriam fazer com a sua tendência para o culto da mediocridade - dando de barato a incompetência de Sócrates e a política baseada na propaganda, basta recordarmos alguns dos Ministros de Sócrates: Santos Silva, Silva Pereira, António Mendonça, Alberto Martins, Isabel Alçada, Jorge Lacão, Maria de Lurdes Rodrigues e a inesquecível dupla Mário Lino & Manuel Pinho, esses arautos da "ministerialidade".

 

Tenho ouvido e lido muita gente nas últimas horas, dando particular relevo à falta de experiência dos Ministros nomeados, à falta de "pesos-pesados" (alguns como os de Sócrates, que acima referi?!). Contudo, uma análise mais ponderada, como aquela que Pedro Santos Guerreiro faz, parece-me bem mais pertinente. Este é um governo bem estruturado, com gente que pensa e sabe pensar, que não se rege pelos vícios habituais da "pulhítica" portuguesa, com percursos académicos e profissionais notáveis. Mais, é um governo jovem, o que denota mais energia e mais empenho para recuperar Portugal do que poderíamos ter da parte de alguns dos chamados "pesos-pesados".

 

Este governo tem, em termos políticos, como aponta o Pedro Santos Guerreiro, um tripé assente em Passos Coelho, Paulo Portas e Miguel Relvas. Estes três homens serão a muralha política, a linha de combate à oposição e à pressão social que inevitavelmente aumentará em resultado da aplicação do acordo com a UE e o FMI. Portas terá um papel importantíssimo de credibilização da nossa imagem externa extremamente fragilizada, sendo ainda particularmente importante a sua articulação com o Ministro das Finanças, para que possamos estoicamente aguentar a pressão e a expectativa dos nossos parceiros internacionais quanto ao nosso futuro. Miguel Relvas, por seu lado, será o homem forte do governo no parlamento, onde a oposição promete não dar tréguas, nem mesmo com o PS ainda completamente estilhaçado. A Passos Coelho caberá a gestão de uma excelente equipa  pela qual terá que muitas vezes dar o corpo às balas, em resultado das medidas mais impopulares que os Ministros venham a aplicar. 

 

Dos Ministros do PSD e do CDS, nota positiva para os seus perfis de reconhecida seriedade e competência. Sem dúvida a maior surpresa, neste campo, terá sido a nomeação de Assunção Cristas, uma aposta pessoal de Paulo Portas, a quem é incumbida uma pasta gigantesca que junta Ambiente, Território, Mar e Agricultura. Este é um dos Ministérios em que a revelação dos nomes dos Secretários de Estado será mais aguardada, mas estou em crer que, pelo perfil trabalhador e pelas competências que já demonstrou possuir, Assunção Cristas será uma aposta ganha. Pedro Mota Soares é também ele uma aposta de Paulo Portas, depois de já ter dado bastas provas da sua competência no Grupo Parlamentar do CDS. Quanto ao PSD, Aguiar-Branco na Defesa parece-me uma escolha natural e que agradará aos militares em geral. Em relação a Miguel Macedo, um dos políticos da nossa praça que mais aprecio, pela postura educada e um trato que, infelizmente, já não é habitual na política portuguesa, embora tenha a certeza que a sua competência será novamente demonstrada numa pasta onde esta sua postura lhe granjeará respeito e margem de manobra junto das lideranças das diversas forças da autoridade que terá que gerir, fico sinceramente com pena de não o ver na pasta que Miguel Relvas ocupará. Isto deve-se à minha opinião de que Miguel Macedo tem a postura de um parlamentar clássico, daquele tipo de parlamentar que já raramente se vai encontrando, que não só tem prazer em exercer essa função como granjeia à própria função uma certa nobreza de carácter e postura que há muito vem faltando na Assembleia da República. Depois do excelente trabalho como líder parlamentar do PSD, tenho a certeza que o parlamento sentirá a sua falta. Neste capítulo, fico apenas apreensivo em relação a Paula Teixeira da Cruz. Embora o profundo conhecimento que tem do sistema de justiça seja um trunfo inegável, a sua personalidade tende a não gerar grandes simpatias, em resultado da sua frontalidade. Isto pode ser complicadíssimo numa pasta onde alguns dos lóbis são dos mais poderosos no país, e onde não conta com um apoio muito grande do acordo com a troika, conforme aponta Pedro Santos Guerreiro.

 

Por último, as maiores supresas deste governo, os independentes que ficam em quatro das pastas centrais da acção governativa. Nas Finanças, Vítor Gaspar, que até há bem poucas horas desconhecia, parece ser uma excelente aposta naquela que será a pasta principal do governo. Na Economia, a surpresa que se chama Álvaro Santos Pereira, uma das referências da blogosfera lusa (continuará, enquanto Ministro, a escrever no seu blog?), ainda que desconhecido do grande público, é uma excelente notícia. Assim como também são excelentes notícias duas personalidades fortíssimas que irão enfrentar alguns dos lóbis mais poderosos do país. Nuno Crato na Educação e Ensino Superior, e Paulo Macedo na Saúde. Podemos imaginar o corropio que têm sido estas últimas horas nos corredores do Ministério da Educação e nas cabeças e telemóveis de muitos médicos, farmacêuticos e profissionais destas duas áreas.  

 

Para finalizar, importa ainda salientar que se há algo que distingue grandes líderes de pseudo-líderes, é o rodearem-se de pessoas inteligentes nas equipas que lideram. Sócrates preferiu sempre incompetentes. Passos Coelho e Paulo Portas não têm medo de se rodear de pessoas de gabarito intelectual incomparavelmente superior aos seus próprios. Faltam agora os Secretários de Estado, mas este é o tempo de deitar mãos ao trabalho. Este é um governo que não pode falhar e que já começou a marcar pontos. Temos todos que dar o nosso melhor para que o nosso futuro enquanto estado soberano financeira e economicamente viável seja uma realidade. Se cada um de nós, nas suas vidas, cumprir a sua função com dedicação e empenho, já será uma grande ajuda. Este é um governo que dá vontade de ficar em Portugal. Ao trabalho.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 00:14


2 comentários

Imagem de perfil

De Nuno Castelo-Branco a 18.06.2011 às 02:06

Sem sequer me dar a grande trabalho de pesquisa, lá vejo nomes da Causa Real e bem nos postos cimeiros. Pelo menos, 1/3 do executivo. 
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 18.06.2011 às 12:48

Nuno, está a ser muito pessimista. Que eu tenha contado, mais de metade do governo derrubaria a república hoje mesmo. 

Comentar post







Arquivo

  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2017
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2016
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2015
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2014
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2013
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2012
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2011
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2010
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2009
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2008
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2007
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D

Links

Estados protegidos

  •  
  • Estados amigos

  •  
  • Estados soberanos

  •  
  • Estados soberanos de outras línguas

  •  
  • Monarquia

  •  
  • Monarquia em outras línguas

  •  
  • Think tanks e organizações nacionais

  •  
  • Think tanks e organizações estrangeiros

  •  
  • Informação nacional

  •  
  • Informação internacional

  •  
  • Revistas