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Causa Real - a minha posição

por João Gomes de Almeida, em 19.06.11

 

Na minha condição de monárquico, associado da Real Associação de Lisboa, colaborador do Estado Sentido e amigo do Nuno e do Samuel, sinto-me na obrigação de esclarecer alguns aspectos, relativos a este texto aqui publicado. De facto, não tentei de forma alguma, em momento ao algum, ser um ponto de cisão entre todos aqueles que se assumindo monárquicos, diariamente trabalham em prol deste ideal que nos é tão querido.

 

No entanto, não posso deixar de discordar com a estratégia que tem sido levada acabo, nos últimos anos, pelos dirigentes da Causa Real. Compreendo pois que este dirigentes, como tal, são responsáveis por tudo o que de bom, mas também de menos bom, tem acontecido às estruturas monárquicas do nosso país. Ainda neste sentido, sou favorável uma ampla discussão sobre o futuro da Causa Real, o seu papel na sociedade e a forma como a sua comunicação é feita - para sabermos, desta forma, se o ideário monárquico tem chegado da melhor forma à população, ou seja, a todos aqueles portugueses que poderão tornar viável uma eventual mudança de sistema político.

 

Neste sentido e porque acredito na discussão plural e democrática de todas as ideias (pelo menos aquelas que são dadas por quem apenas quer bem à nossa causa), deixo ficar a minha humilde contribuição, que em tempo algum, repito, pretende ser um ponto de cisão para com aqueles que democraticamente foram eleitos pelos monárquicos para os representarem e dinamizarem a Causa Real.

 

1) Não concordo com o posicionamento estratégico dado à marca "Causa Real", através da sua agenda de actividades. Por outros palavras, qual é o nosso público-alvo? Presumo que me responderão: todos os portugueses. Será que chegamos a todos portugueses através da realização de um "Jantar dos Conjurados", no Convento do Beato, onde as pessoas vão de fato e gravata e pagam 30€ por pessoa e 15€ se forem mais jovens? Acham que a maioria do povo português se identifica com isto? Não estaremos a comunicar apenas para uma elite e afastar o comum português? Da mesma forma, poderia dar o exemplo das touradas reais, como a realizada anualmente em Évora e das noites de fados promovidas por várias estruturas da Causa Real, para além dos concursos de hipismo realizados na Comporta e afins.

 

2) Não concordo com a falta de debate existente nas estruturas. Penso que deveriam existir mais fóruns de discussão entre monárquicos, onde fossem convidadas personalidades da sociedade civil, de todos os espectros partidários e religiosos, de forma a demonstrarmos a nossa abertura.

 

3) Sou favorável à limitação de mandatos nas estruturas monárquicas, de forma a que nenhum associado das reais associações ou Causa Real possa ser dirigente da mesma estrutura por mais de dois mandatos consecutivos. Desta forma, promovemos a transparência e rejuvenescemos as estruturas.

 

4) Sou favorável a que as acções de promoção do ideário monárquico sejam feitas não só junto das escolas e universidades, mas principalmente junto da população que mais motivos tem para estar desagradada com o regime: os desempregados e os mais pobres. Aqueles aos quais as nossas ideias não chegam através de jantares de 30€, touradas e noites de fados.

 

5) Sou favorável a uma maior ousadia na forma como promovemos a Causa Real. Através de acções de marketing viral, descolando o rótulo de passadistas e antiquados, que tantas vezes infelizmente nos colam. Temos o exemplo da bandeira na Câmara Municipal de Lisboa, que resultou muito bem e precisamos de mais acções do género, usufruindo do bom trabalho que já tem sido realizado nas redes sociais, coordenado e muito bem, pelo João Távora.

 

6) Sou favorável a que as mulheres e os mais jovens assumam um papel de maior protagonismo nos órgãos dirigentes da Causa Real.

 

7) Sou favorável a que a Causa Real seja representativa do Portugal moderno, inscrevendo nos seus estatutos a laicidade, como um dos seus pilares organizativos.  Funcionando ainda como um pólo de aproximação entre religiões, nunca esquecendo que o Rei moderno é o Rei de todos os portugueses.

 

8) Sou favorável a que a eleição do presidente da Causa Real seja feita por voto directo de todos os associados de todas as reais associações.

 

9) Sou favorável a acções de âmbito ecologista e de responsabilidade ambiental. Como forma, de mantermos o nosso selo de pioneiros desta área, que é a causa política do futuro e da qual o Rei deve ser o protagonista.

 

10) Sou favorável a que a Causa Real, através do seu site, nos enforme semanalmente sobre as suas actividades e agenda dos seus dirigentes, de forma a que possamos divulgar melhor todo o trabalho que tem sido feito e que, reconheço, em parte desconhecia.

 

 

Adenda - Não sei quem é o Rui Crull Tabosa e não percebo o porquê de lançar insinuações sobre mim, afirmando que eu faço "canalhices" e "insinuaçõeszecas". Penso que ele também não me conhece.

Por respeito ao João Távora, ao Duarte Calvão e ao José Mendonça da Cruz, que foram meus colegas de blog, não vou responder a provocações e muito menos entrar neste registo de linguagem.

publicado às 19:00


18 comentários

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De Pedro a 19.06.2011 às 20:01

100% a favor!
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De Anónimo a 19.06.2011 às 20:17

mas reis, marialvas e gerações descendentes de tesos não combina, ó migo. qual causa real, qual carapuça! conjurados, fardados, qual quê, esse tipo de monarquia já não se usa, ó camões anda cá, dá-lhes com o velho do restelo. 
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De Rui Monteiro a 19.06.2011 às 20:24

O João vive para a Causa e não vive da Causa, aí há uma grande diferença em relação a alguns ditos monárquicos.  Como tal não tem problemas em dizer o que sente e o aflige como monárquico, mas principalmente como Realista tal como eu.

Se há alguma confusão em algumas cabeças o "Realista" defende a legitimidade de uma família ou monarca, o "Monárquico" defende a "Tradição da Monarquia" e tudo o que lhe está associado.  Se há dúvidas basta ver aqui : http://en.wikipedia.org/wiki/Royalist

Ora o problema é que "Causa Monárquica" para além de defender a legitimidade de D.Duarte de Bragança tem de conquistar o público que está indeciso o que está mal informado sobre o que é um Regime Monárquico.

O João quer como eu conhece a realidade do dia à dia, conhece os problemas do "Povo" e sabe que não é fácil convencer pessoas que não sabem se têm algo a perder ou a ganhar com uma mudança de Regime. O problema é que o "Povo" que constitui a maioria do eleitorado que pode mudar uma Constituição à partida é mal informado de que pode perder porque fica mais "caro".

Não é a segregar o "Povo" com atitudes e actividades só para alguns que alguma vez vamos mudar o estado em que estamos ...

Os tempos que aí vêem vão ser muito difíceis, os mais Pobres são os que vão sentir mais na pele ... como tencionam dizer-lhes sobre o que a "Causa Monárquica" pode fazer por eles ? ou prentendem que a "Causa Monárquica" faça só por "alguns" ?
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De João Gomes de Almeida a 19.06.2011 às 21:30

Muito obrigado Rui!


Um forte abraço.
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De José Tomaz de Mello Breyner a 20.06.2011 às 10:55

Rui Monteiro,

Alguém vive da causa?
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De Anónimo a 19.06.2011 às 20:30


olhe só a sorte de escrever no estado sentido, vista o fato, ponha a gravata e porte-se à altura. Vá aos fados. veja se as meias não estão rotas, senão está tramado.
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De Ricardo Gomes da Silva a 19.06.2011 às 21:10

Caro João Gomes...não percebo a relevância da discussão.Os pontos que define já foram discutidos e as limitações de todos eles são conhecidas.


Se o intento é fazer mais rombos no barco  desconheço qualquer estrutura que possa substituir a Causa.Arriscamo-nos a destruir a unica coisa que vai funcionando (convem referir que o PPM e a Causa passaram o teste essencial de qualquer organização, que é sobreviver aos fundadores)
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De João Gomes de Almeida a 19.06.2011 às 21:30

Ricardo,


Como sabes não pretendo fazer nenhum rombo. Pelo contrário, apenas quero contribuir para o debate de ideias entre monárquicos e ajudar a encontrar soluções, humildemente e estando disponível para tudo aquilo em que conseguir ser útil.


Um abraço.
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De João Távora a 19.06.2011 às 21:32

Quase tudo o que escreves faz parte das preocupações da Direcção da Causa, são prioridades gritantes para as quais estamos a trabalhar arduamente. Quem queira ajudar, junte-se a nós através das Reais Associações. Todos somos poucos.
Abraço
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De Anónimo a 19.06.2011 às 22:54


Como realista convicto tenho dificuldade em me associar a uma Real Associação pois elas são, realmente, associações de irrealidade, de tão longe que estão da sociedade. Partilho por isso a posição de João Gomes de Almeida, mas ainda iria mais longe: as organizações monárquicos têm de decidir claramente se estão com Évora-Monte ou com a vilafrancada. Enquanto não se limpar essa questão de uma vez por todas, não se chegará muito longe. Nem precisamos de ser muitos. Precisamos é de ser justos e de estarmos todos do mesmo lado.
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De Filipe Manuel Dias Neto a 20.06.2011 às 01:00

Li o texto, e os textos a que está relacionado, bem como os comentários.

Começo por dizer ao João Gomes de Almeida que subscrevo inteiramente o seu texto e as ideias que lançou. Já tive oportunidade de expressar a necessidade de um trabalho conjunto a nível das Reais, e que por falta de coordenação acaba por não acontecer. Cada Real acaba a lutar sozinha... isto é, as que lutam, pois outras estão paradas, entregues a direcções que nada fazem pela causa e nem deixam fazer. Dá-me impressão até que algumas consideram que a Causa Monárquica deve ser um exclusivo dos descendentes da nobreza titular, isto é, uma coisa de "alguns". E daí surgem as touradas e jantares e et caetera. Acontece que, assim, a Causa morre. Não tenhamos ilusões! É necessário desempoeirar a causa, e guardar de vez discussões de heráldica e genealogia e falar de Portugal. O país mudou e procura quem saiba dar solução aos problemas de hoje. Se a Causa não estiver preparada para propor soluções e lutar de modo activo pelo que quer, perde com isso.  Daí a importância do debate, sempre com base no respeito mútuo, coisa que falta na República, onde o debate é baseado na troca de insultos e não na troca de argumentos. Por outro lado, o tema da laicidade também é fundamental. Não só por respeito para com os não católicos, mas também porque é importante ao monarca ser rei de todos, não apenas dos que são cristãos católicos. Quanto à ousadia... sou favorável não apenas a isso, mas a um uso mais sábio, e frequente, dos media, de modo a mostrar que a Causa Monárquica não é um grupo de senhores engravatados e com aneis de brasão... mas sim um grupo de senhores e senhoras, jovens e menos jovens, que tem ideias para Portugal e mostra que as tem. E nisso, os jovens terão um papel a cumprir... pois a Causa precisa deles, precisa de sangue novo.

Aproveito para endereçar ao Sr. João Távora e restante Direcção da Causa Real os meus parabéns pelos planos e acção até agora feitos. E espero que não percam de vista essas preocupações, e as aspirações dos monárquicos, que esperam que a Causa Real seja, de facto, um órgão coordenador, e mobilizador das vontades e esforços que, até agora, têm andado separados.

Por outro lado, venho dizer ao Sr. Ricardo Gomes da Silva o seguinte: num dos textos anteriores, fez a seguinte afirmação: "Agora se a discussão tem alguma relação com o nobre das salsichas que vai ser eleito para a semana para a Presidência da AR (...)". Pois bem, Sr. Ricardo Gomes da Silva... sempre o entendi como homem correcto e respeitador, e fico muito triste ao ler isto. Primeiro, não vem a propósito falar do Dr. Fernando Nobre aqui. Muito menos em tais palavras! Por favor, pode ter as opiniões que quiser, mas se quer criticar, critique quando oportuno, e pelo menos mostre algum respeito! É que, que eu saiba, o Dr. Fernando Nobre não lhe fez mal nenhum para ser agora o "nobre das salsichas"! Eu também critico muita gente mas tento não descer de nível! Esperava mais de si.
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De Pedro Quartin Graça a 20.06.2011 às 06:46

Toda a razão ao João!
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De José Tomaz de Mello Breyner a 20.06.2011 às 08:31

Se o João tivesse publicado este texto há um ano atrás eu diria : CONCORDO a 100%. Neste momento, em que uma nova Direcção acaba de ser eleita, e que todos os que estamos mais ligados ao movimento Monárquico, sabemos serem estas exactamente as preocupações da nova Direcção, acho a publicação deste texto um pouco prematura. Podia o João Gomes de Almeida ter esperado que a actual estrutura dirigente acabasse de "arrumar a casa" e só então pronunciar-se. Normalmente há um período de "Estado de Graça" que não foi respeitado.
De qualquer maneira concordo com grande parte do que o João aqui diz, embora na prática as coisas não sejam assim tão fáceis.
Um abraço
JTMB
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De José A. Peres Silva Bastos a 20.06.2011 às 09:57


De facto, a Causa Real nos tempos que correm precisa de maior visibilidade. Quando em tertúlia com amigos, explico as vantagens da Monarquia versus República, salta sempre uma questão: Então porque esperam? Não acham que esta é a oportunidade para apresentar uma alternativa de regime ao "Povo"? Sim...ao "Povo". É sobre este problema, que me debato. O "Povo" não conhece a Monarquia, esta anda devagar...devagarinho, e quando dermos por ela, a oportunidade já passou. Às vezes, questiono-me, se o actual regime não tem dado a autorização de brincarmos às Monarquias, dando-nos alguma ocupação? Bem, penso que será um tema bastante interessante de reflectir. AS estruturas da Causa Real, têm que ser pró-activas, com políticas de proximidade, levando o ideário monárquico, aos bairros, às escolas, às instituições, às freguesias, promovendo debates e ideias, oferecendo e repondo a verdade histórica...enfim promover um sentimento "Pátrio". Mas par isso, é necessário contar com todos...TODOS, não podemos ficar em cas e no sofá, quando os outros dão muito de si em prol da Causa Real, isso é muito pouco e perde-se a legitimidade de criticar. Continuo a acreditar, que apesar dos meus 48 anos, irei assistir à reposição da bandeira azul e branca, no entanto, lanço um repto: AVANÇAR JÀ...SENÃO FAZ-SE TARDE.
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De WZD a 24.06.2011 às 19:05

De acordo. Proactividade precisa-se! Image

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