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Na minha condição de monárquico, associado da Real Associação de Lisboa, colaborador do Estado Sentido e amigo do Nuno e do Samuel, sinto-me na obrigação de esclarecer alguns aspectos, relativos a este texto aqui publicado. De facto, não tentei de forma alguma, em momento ao algum, ser um ponto de cisão entre todos aqueles que se assumindo monárquicos, diariamente trabalham em prol deste ideal que nos é tão querido.
No entanto, não posso deixar de discordar com a estratégia que tem sido levada acabo, nos últimos anos, pelos dirigentes da Causa Real. Compreendo pois que este dirigentes, como tal, são responsáveis por tudo o que de bom, mas também de menos bom, tem acontecido às estruturas monárquicas do nosso país. Ainda neste sentido, sou favorável uma ampla discussão sobre o futuro da Causa Real, o seu papel na sociedade e a forma como a sua comunicação é feita - para sabermos, desta forma, se o ideário monárquico tem chegado da melhor forma à população, ou seja, a todos aqueles portugueses que poderão tornar viável uma eventual mudança de sistema político.
Neste sentido e porque acredito na discussão plural e democrática de todas as ideias (pelo menos aquelas que são dadas por quem apenas quer bem à nossa causa), deixo ficar a minha humilde contribuição, que em tempo algum, repito, pretende ser um ponto de cisão para com aqueles que democraticamente foram eleitos pelos monárquicos para os representarem e dinamizarem a Causa Real.
1) Não concordo com o posicionamento estratégico dado à marca "Causa Real", através da sua agenda de actividades. Por outros palavras, qual é o nosso público-alvo? Presumo que me responderão: todos os portugueses. Será que chegamos a todos portugueses através da realização de um "Jantar dos Conjurados", no Convento do Beato, onde as pessoas vão de fato e gravata e pagam 30€ por pessoa e 15€ se forem mais jovens? Acham que a maioria do povo português se identifica com isto? Não estaremos a comunicar apenas para uma elite e afastar o comum português? Da mesma forma, poderia dar o exemplo das touradas reais, como a realizada anualmente em Évora e das noites de fados promovidas por várias estruturas da Causa Real, para além dos concursos de hipismo realizados na Comporta e afins.
2) Não concordo com a falta de debate existente nas estruturas. Penso que deveriam existir mais fóruns de discussão entre monárquicos, onde fossem convidadas personalidades da sociedade civil, de todos os espectros partidários e religiosos, de forma a demonstrarmos a nossa abertura.
3) Sou favorável à limitação de mandatos nas estruturas monárquicas, de forma a que nenhum associado das reais associações ou Causa Real possa ser dirigente da mesma estrutura por mais de dois mandatos consecutivos. Desta forma, promovemos a transparência e rejuvenescemos as estruturas.
4) Sou favorável a que as acções de promoção do ideário monárquico sejam feitas não só junto das escolas e universidades, mas principalmente junto da população que mais motivos tem para estar desagradada com o regime: os desempregados e os mais pobres. Aqueles aos quais as nossas ideias não chegam através de jantares de 30€, touradas e noites de fados.
5) Sou favorável a uma maior ousadia na forma como promovemos a Causa Real. Através de acções de marketing viral, descolando o rótulo de passadistas e antiquados, que tantas vezes infelizmente nos colam. Temos o exemplo da bandeira na Câmara Municipal de Lisboa, que resultou muito bem e precisamos de mais acções do género, usufruindo do bom trabalho que já tem sido realizado nas redes sociais, coordenado e muito bem, pelo João Távora.
6) Sou favorável a que as mulheres e os mais jovens assumam um papel de maior protagonismo nos órgãos dirigentes da Causa Real.
7) Sou favorável a que a Causa Real seja representativa do Portugal moderno, inscrevendo nos seus estatutos a laicidade, como um dos seus pilares organizativos. Funcionando ainda como um pólo de aproximação entre religiões, nunca esquecendo que o Rei moderno é o Rei de todos os portugueses.
8) Sou favorável a que a eleição do presidente da Causa Real seja feita por voto directo de todos os associados de todas as reais associações.
9) Sou favorável a acções de âmbito ecologista e de responsabilidade ambiental. Como forma, de mantermos o nosso selo de pioneiros desta área, que é a causa política do futuro e da qual o Rei deve ser o protagonista.
10) Sou favorável a que a Causa Real, através do seu site, nos enforme semanalmente sobre as suas actividades e agenda dos seus dirigentes, de forma a que possamos divulgar melhor todo o trabalho que tem sido feito e que, reconheço, em parte desconhecia.
Adenda - Não sei quem é o Rui Crull Tabosa e não percebo o porquê de lançar insinuações sobre mim, afirmando que eu faço "canalhices" e "insinuaçõeszecas". Penso que ele também não me conhece.
Por respeito ao João Távora, ao Duarte Calvão e ao José Mendonça da Cruz, que foram meus colegas de blog, não vou responder a provocações e muito menos entrar neste registo de linguagem.