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A corrida ao ouro (dos outros)

por Nuno Castelo-Branco, em 26.07.11

Não se trata de uma mania. É a realidade incontornável e que explica muita coisa.

publicado às 22:41


6 comentários

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De Estrela N. a 26.07.2011 às 23:25

Excelente!
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De Nuno Oliveira a 27.07.2011 às 01:35

Caro Nuno,
A premissa poderia ser boa, mas falha logo na génese.
Em primeiro lugar, pressupõe-se que seria possível voltarmos ao standard do ouro como valor de troca, isto é, em substituição do dinheiro ou novamente como sustento do mesmo. O sistema actual em que vivemos, baseia-se em dívida, e existe apenas uma pequena percentagem de dinheiro real (mesmo depois de toda a inflação) - há quem fale em 3%, outros em 10%. Para se perceber o que quero dizer com sistema baseado em dívida, exponho um exemplo:
O Nuno vai pedir emprestado 1 martelo. O banco empresta-lhe o martelo e diz-lhe que passa a dever o martelo mais um pedaço dele. Mas se só existe esse martelo, como é que poderá pagar a dívida? É nesse momento que entram os bancos centrais e desvalorizam os martelos colocando mais em circulação. O seu martelo continua a ser insuficiente para pagar a dívida, mas está convencido que,como há mais em circulação, poderá pagar a sua dívida. Só tem de conseguir parte de outro martelo que outro já pediu emprestado. Mesmo que pague, subsiste o facto que o outro que pediu tem 1 martelo subtraído do que o Nuno já pagou. A bolha aumenta ao colocarem mais martelos em circulação para se irem pagando dívidas ao mesmo tempo que se torna cada vez maior a incapacidade de se pagarem as anteriores. Em resumo, se voltasse a acoplar o valor do dinheiro ao ouro existente, teria que eliminar cerca de 90% a 97% do dinheiro, provocando um autêntico desastre económico como nunca visto. Um banco não pode cobrar juros quando não há uma forma, mesmo que artificial como hoje, de o recuperar.
Em segundo lugar, embora mencionado parcialmente no vídeo, os governos eleitos servem o sistema em vez dos eleitores. Mesmo que não seja propositado, qualquer governo que seja eleito passa primeiro por uma fase de candidatura onde só será eleito quem negociar com as corporações e lobbies existentes o financiamento da campanha. E não me venham dizer que quem dá dinheiro aos partidos fá-lo por generosidade. É insofismável.
Em terceiro lugar, passa por cima de algo óbvio - a distribuição da riqueza! O sistema está bem montado para que haja uma ilusão de possibilidade de que é possível ao comum dos mortais ficar com um pedaço da dita riqueza. O tempo vem provando que é mesmo isso: uma ilusão.
Uma quarta situação será a da atribuição errada de valor aos produtos e serviços. Como se pode comparar um quadro de um pintor famoso a uma vaca? Se estiver na Somália, garanto-lhe que a vaca vale bem mais... mas vivemos num mundo em que isso não é verdade.
Tem méritos, esta ideia, mas não resolve o problema de fundo - this society is rigged from the start and we are the pawns!
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De NanBanJin a 27.07.2011 às 03:39


Caro Nuno,
No essencial concordo com a contraposição aqui deixada pelo Nuno Oliveira.É que, sejamos honestos, aparte o facto de o vídeo  que dá o mote ao post ser mais-que-óbvia propaganda panfletária de um lobby muito bem identificado (o que de per si nem é pecado algum), em qualquer recurso é evidente que a realidade económico-monetária do nosso tempo nem pouco mais ou menos pode ser reduzida a termos e conclusões deste simplismo.
A verdade — e para tanto basta olhar de relance para as 3 maiores economias do mundo, E.U.A., R.P.China e Japão, e facilmente concluímos que o 'músculo' de qualquer um dos três não emana das respectivas capacidades de aforro, mas sim do que lhes dá causa: produção industrial, em grande, de bens de uso e consumo de grande procura e numa escala inacessível à larga maioria dos seus potenciais concorrentes, ou seja pura simples capacidade de produção de riqueza, e o resto, como se costuma dizer, é cantiga!  
Não deixam de ser, qualquer uma das três economias referidas, enormes balões de contradições — não me canso de o dizer: fala-se hoje do perigo do descalabro da dívida soberana norte-americana, mas não há país mais 'tecnicamente falido' que este que me acolhe — o velho Japão (défice orçamental actual na casa dos 235% do respectivo P.I.B. [umas 17 a 25 'Grécias'], e isto muito antes do terramoto de 11.03...).  Alguém deu por ela?... Muito poucos, essa é que é a verdade. E não porque não tenha corrido tinta o bastante sobre o assunto desde a implosão da 'economia-bolha' japonesa de há vinte anos a esta parte, mas pur'e simplesmente porque a capacidade produtiva (ou seja a capacidade real de gerar liquidez) deste país nunca esteve em causa — ao contrário de outros cujo o nome aqui me dispenso invocar... Pois que, na verdade, são grandes as diferenças entre quem produz algo "que se veja" (ainda que em dificuldades) e um qualquer desempregado crónico de longa duração, há anos a viver do fundo de desemprego.  Esta comparação, em meu modesto parecer, é a que melhor reflecte a realidade dos nossos dias.


Amigáveis saudações a toda a equipa,


Luís F. Afonso, NBJ, Japão.
  
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De Nuno Castelo-Branco a 27.07.2011 às 15:39

Caros Nuno e Nam Ban Jin,


Jamais disse que seria possível regressar ao padrão ouro, dadas as actuais condições económicas num mundo muito mais vasto - em termos políticos, de produção e de consumo - que aquele existente no período em que o ouro servia de medida global. No entanto, este período de crise tem assistido a uma corrida aos chamados activos  mais perenes, entre os quais se encontra aquele metal. Sabendo nós que as reservas portuguesas estão muito longe de poderem cobrir a dívida, resta-nos então questionar acerca do cíclico interesse que de fora chega acerca da (im)possível alienação das mesmas. Parece quase uma obsessão, originando todo o tipo de manias da conspiração. É perigoso.  Não sabemos o que o futuro próximo nos reserva e tal como no alegre início do verão de 1914, algo de pouco agradável poderá suceder, remetendo-nos para um tipo de vida que há muito esquecemos. 
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De Carlos Velasco a 27.07.2011 às 18:46

Caro Nuno,

Não seria impossível retornar ao padrão-ouro, ou a um não padrão onde o ouro, a prata e as moedas poderiam competir livremente. A questão seria em que ponto o mercado precificaria a moeda se o monopólio das emissões fosse extinto. Poderia haver duas soluções para tal. Uma seria deixar o mercado estabelecer o câmbio realista entre a moeda e os metais preciosos, outra seria a troca da moeda no câmbio actual por títulos de dívida.
Ainda haveria outras questões a tratar, como a organização do sistema bancário e os mecanismos de defesa comercial. Mas nada disso é difícil de se realizar. Quanto aos que dizem que a economia moderna não pode funcionar com o padrão-ouro, respondo que ela funciona mal por não o adoptar. Isso é o que chamam de Fear Mongering.
Muitos falam de uma suposta crise por falta de numerário que se seguiria, mas isso é uma falácia. os preços se ajustam automaticamente à moeda disponível. Estudando a história americana, por exemplo, se vê o quanto os EUA cresceram sustentavelmente por duas décadas quando algo semelhante foi feito durante a presidência de Jackson.
Mais diria. Não existe outro sistema monetário compatível com o estado de direito, que pressupõe o respeito pela propriedade privada, a não ser um baseado em ouro ou prata.
O resto é conversa de cocainômano da City ou de Manhattan.

Um abraço.
 

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