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Quinta da Marinha/Quinta do Mocho

por Nuno Castelo-Branco, em 18.08.11

Substituindo o seu primo direito Alfredo Barroso, ontem foi a vez de João Soares nos esclarecer acerca do seu total e imóvel irrealismo e ainda acirrada teimosia acerca de uma Europa que fatalmente deixará de existir. É fácil falar-se de "generosidade, abertura, liberdades e paz", mas essa CEE do pós-guerra, transformou-se em algo que mercê das políticas de expansão conjuntamente gizada por socialistas e liberais-conservadores, tornaram-na num mero pasto especulativo que a desindustrializou, provocou uma promessa de bem próximo caos social e implicou uma irreparável perda de proeminência mundial. 

 

Em 1870, uma delirante Paris saíu à rua e declarou a guerra bramindo ensurdecedores à Berlin! que logo se tornariam num murmúrio de decepção. De facto, a arrogância napoleónica havia criado a Alemanha-nação que nas mentes de todos já era indivisível. O sobrinho do Grande, limitou-se a empurrá-la para o facto consumado que contra os desejos de Viena e dos príncipes alemães, instauraria o império. "A culpa é da Alemanha". Um frase de hora de café a meio da manhã, proferida há muitos anos quando procurando a revanche a todo o transe, a França desperdiçou uma oportunidade para reeditar em 1919, aquilo de que beneficiara quando do final da nefasta experiência bonapartista no continente. Após vinte anos de ruínas, extorsão económica, destruição do direito das nações e dos Estados, do livre arbítrio da prepotência  diplomática, a França sentou-se à mesa da negociação, enquanto para os alemães de 1918-19, o Diktat foi a norma. Não existe melhor palavra para designar Versalhes, senão Diktat e agora imaginemos o que diria J.S. no caso do oposto ter acontecido, sendo a querida França o objecto da voracidade vencedora. Voltando ao "a Alemanha que pague!", o filho de Mário Soares, reedita o erro que levou exasperados eleitores a democraticamente conduzirem Hitler ao poder. Para os jovens alemães de hoje, Hitler significará exactamente o mesmo que Salazar representa para os frequentadores das noitadas do Bairro Alto. Pouco ou nada. Foi esta a educação que os socialistas, demo-cristãos e liberais providenciaram. João Soares afina pelo diapasão estabelecido por Clemenceau e sequazes e mais vai acrescentando, quando declara que a Alemanha "não pagou o suficiente". Tudo consiste, afinal, em mais uma questão de contabilidade. Há que pagar, pagar e pagar, enquanto for possível espremer a vaca leiteira. Tendo sido um claro beneficiário dessa forma de resgate, o nosso país contou com Bona nos momentos mais difíceis que se seguiram aos acontecimentos de 1961, tanto na frente militar, como na diplomacia, economia e ainda mais tarde, no rescaldo da catastrófica experiência do PREC. Soares é ingrato ou pelo menos, um esquecido de conveniência. O seu Partido nada mais foi durante muito tempo, senão uma sucursal do SPD e da Fundação Ebert de que quase totalmente dependia para se guindar à condição cimeira em Portugal. Para nem sequer falarmos da providencial ajuda alemã durante aquele período em que os EUA pareciam desinteressar-se da sorte de Soares-pai e do apêndice nacional que representava. 

 

Voltando ao não-debate Soares-Caeiro e passando sobre o atestado de ignorância que J.S. passou a si próprio quando declarou o "guilty" alemão nas duas guerras mundiais - para ele, tudo se resume a uma espécie de "dois em um" -, talvez fosse melhor para o comentador nocturno, se se desse ao trabalho de minimamente preparar este tipo de actividade lúdica que é susceptível de ser assistida por uns tantos milhares de curiosos. Para não irmos ainda mais atrás nas brumas dos séculos, a França, a eterna "França soarista", semeou prodigamente a lavra que mais tarde recolheria. Habituou-se a ver a Alemanha como uma espécie de pombal de múltiplas casotas, decidindo eliminar aquelas que mais lhe convinham, ou procedendo a periódicas rapinas de ovos no recinto. Assim foi durante os séculos XVI, XVII e XVIII e aos extensivos extermínios da população além-Reno, seguiram-se pilhagens, manipulações territoriais e intrigas que visavam a permanente discórdia no espaço do então Sacro Império Romano-Germânico. O mesmo aconteceu quanto à Itália. A investida de Napoleão ousou ir mais longe, anexando suculentos bocados germânicos, ao mesmo tempo que os submetia a uma lei de extorsão que cento e trinta anos volvidos, propiciaria uma excelente base de trabalho aos serviços de organização da guerra económica do III Reich. Base económica, militar e cultural, há que dizê-lo, até porque um passeio ao Louvre, consiste num bom exemplo daquilo que Soares não quer ver, mesmo que no dito museu, institutos públicos, bibliotecas e casas particulares, se encontrem valiosos despojos da passagem francesa por Portugal. 

 

Soares ainda fala do terrorista Breivik, aproveitando para a conhecida rábula da "vitimização socialista". Restará sabermos quem foram os padrinhos de Brevik quando do seu ingresso numa discreta organização local. O equívoco é tão mais flagrante, quando se sabe que a contemporização socialista para com a total e  ligeiramente assumida deterioração daquele outrora e abusivo "conceito Europa", consistiu na política oficial dos grandes centros de decisão europeus. Os socialistas fizeram o jogo de poder que lhes convinha - o do dinheiro fácil -, pactuando com a entrada de grandes hostes de inimigos declarados ou resignados, daquilo que os europeus consideram ser a Democracia. Os arredores das cidades europeias, uma das quais durante muito tempo gerida por Soares, conheceram uma catastrófica fase de degração, sufocadas por periferias em tudo estranhas ao bom ordenamento e à manutenção da paz social. Foi a ânsia do lucro e a fome controleira de postos e lugares rendosos, que nos conduziram para uma situação sem remédio visível. A ideia disparatada de ceder perante aqueles que rapidamente enviariam Soares para um buraco onde seria impiedosamente lapidado, é por si um insulto à inteligência. 

 

O novo capítulo versará uma estorieta bem conhecida, em suma, a do calote a pagar pelo outro, o "pérfido rico" que espreita a oportunidade. Esta oportunidade é-lhe oferecida de bandeja e servida pelos roliços dedos dos Joões Soares que por essa Europa fora, vão dizendo ser necessário um certo federalismo contra a vontade dos povos que dele nem querem ouvir falar, pois sabem o que significa em matéria de roubo, falta de respeito, prepotência, abuso e eternização nababa dos mesmos de sempre. A ser federal, quem pensa João Soares  ser o beneficiário dirigente dessa federação? A resposta é evidente e queira ou não queira, a Alemanha que tanto receio lhe causa, tornar-se-ia hegemónica, remetendo a França para uma disfarçada espécie de Reichsland à imagem da Alsácia-Lorena de há cem anos. 

 

João Soares e partenaire Teresa Caeiro, numa das vossas próximas deslocações a um repasto na zona da Quinta da Marinha, façam um pequeno desvio e visitem um desses bairros que um pretenso multiculturalismo explorador criou. É obra vossa e dos vossos. 

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publicado às 13:30


1 comentário

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De Carlos Velasco a 20.08.2011 às 20:25

Caro Nuno,

A opinião dessa deformação ambulante vale tanto quanto um balão cheio de gases resultantes da digestão animal.

Um abraço.

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