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Foi há sensivelmente um ano que publiquei aqui o texto que se segue. Parece-me que o mesmo continua e continuará bastante actual, agora que se aproxima o evento em causa.

 

Caríssimas e caríssimos,

 

Dirijo-me a vós para manifestar a minha preocupação com o que irá ocorrer no próximo fim-de-semana na Quinta da Atalaia, no Seixal. A tradicional festa da rentrée política do Partido Comunista Português, vulgo Festa do Avante, é, sem dúvida, uma peça basilar da contribuição deste Partido do sistema para a manutenção do regime. Nunca fui à Festa do Avante. Provavelmente nunca irei. Das poucas vezes em que me desafiaram a ir, o intuito era o de realizar video-reportagens cómicas, como é óbvio. Mas nunca aconteceu, e ainda bem, até porque provavelmente seríamos espancados. Por princípio, por coerência para com o quadro ético e moral que vai regendo os meus actos e omissões, não poderei alguma vez estar presente em tal evento. Sou um liberal e um humanista, pelo que ideais comunistas não se coadunam com a minha maneira de ser.

 

A verdade é que, por detrás da aparente retórica reivindicativa está uma latente ideologia que, em minha opinião, só em mentes tenebrosas, estúpidas ou ignorantes pode ainda fazer sentido. Sim, foi isso mesmo que leram. Digo-o abertamente, e já passarei a explicar o porquê destas três categorias e cabe a vós decidir se fazem parte de alguma delas. Claro que não são categorias estanques, podendo coexistir elementos de uma com outra ou mesmo entre as três.

 

Para os que estejam eventualmente chocados ou irritados com a minha frontalidade, devo dizer que para escrever este texto me inspirei num livro que por estes dias está na minha mesa de cabeceira, O Elogio da Intolerância, do famosíssimo intelectual progressista da esquerda moderna, Slavoj Zizek. De facto, não pode haver tolerância para com a intolerância comunista.

 

Vou discorrer sobre as três categorias em ordem inversa à que foram nomeadas. Na terceira categoria creio que se insere a maior parte dos indivíduos que se dizem comunistas ou que simpatizam, não necessariamente de forma militante, com tais ideais. Nunca leram Marx ou Lenine, desconhecem a História do Séc. XX - em particular os crimes horrendos cometidos pela União Soviética, China Maoísta e experiências comunistas em países mais pequenos, como os do Sudeste Asiático, do continente Africano ou da América Latina -, e não sabem o que foi o Processo Revolucionário em Curso (PREC) que se deu a seguir ao 25 de Abril de 1974 em Portugal, em que ocupações de terrenos e casas, espancamentos e assassinatos foram actos considerados normais. Provavelmente, trajam regularmente as T-shirts estampadas com o rosto de Che Guevara, sem saberem sequer que este foi, como referem Humberto Fontova ou Alvaro Vargas Llosa, responsável pelas execuções de centenas de pessoas e pela ruína da economia cubana. Aliás, se os restos mortais de Che Guevara estiverem numa qualquer tumba, este deve-se contorcer com a doce ironia do destino que é o capitalismo lucrar com estas T-shirts. Em relação a estas mentes, ignorantes, não posso senão sentir pena e esperar que, mais cedo ou mais tarde, como acontece com muitos, venham a aperceber-se realmente do que é o comunismo e, consequentemente, a afastar-se deste - conheço uns quantos, e alguns até estão na equipa deste blog.

 

 

Na segunda categoria, a das mentes estúpidas, encontram-se todos aqueles que, ao contrário dos ignorantes, até leram alguns dos autores comunistas e conhecem minimamente a História Contemporânea. Contudo, normalmente condenam que milhões de pessoas tivessem sido mortas em nome do comunismo (estimam-se em cerca de cem milhões, de acordo com o Livro Negro do Comunismo), mas na sua cabeça faz sentido toda a pseudo-científica (como demonstram Karl Popper ou Friedrich Hayek) construção teórica marxista, ou seja, um alargado conjunto de equívocos, como faz notar Raymond Aron. Muitos são professores, médicos, engenheiros, arquitectos e afins. Pessoas que, pelas suas capacidades cognitivas e formação académica, teriam a obrigação de compreender que o comunismo é um anacronismo desprovido de qualquer sentido. Continuam a achar que no fim, "O Sol brilhará para todos nós", dando razão a Popper quando este afirma que uma teoria que anuncia a sua concretização sempre para o futuro não é passível de ser testada, não podendo, por isso, ser considerada uma teoria científica mas, tão somente, uma profecia. E sendo uma profecia, entramos no domínio das crenças, que o comunismo de facto é, sendo herdeiro do projecto Iluminista racionalista, que John Gray descontrói em A Morte da Utopia ou Gray's Anatomy. Nada mais é do que um sucedâneo ateísta da religião cristã (como praticamente todas as ideologias originadas no Ocidente, diga-se de passagem), baseado numa escatologia milenarista segundo a qual, após o Apocalipse, o mundo será um lugar melhor. Acontece que as várias tentativas de colocar a Utopia em prática, sistematicamente levaram ao Terror, tendo os jacobinos da Revolução Francesa servido de inspiração às demais experiências - na verdade, Gray mostra que o Terror é um instrumento basilar de qualquer regime comunista, como o próprio Lenine considerou -, em que os fins passam a justificar os meios, tendo o colectivismo e o ideal do bem-estar igualitário da comunidade primazia sobre qualquer vida humana. O indivíduo é completamente anulado em face da comunidade e do Estado, pelo que se a sua morte servir os propósitos deste, os fiéis camaradas não hesitarão em providenciá-la. A História demonstrou-nos inequivocamente que todas as experiências do comunismo real levaram a uma nivelação por baixo, ou seja, pela pobreza, e a uma completa sujeição dos indivíduos aos ditâmes do Estado comunista. Os que discordavam deste, normalmente acabavam torturados e/ou mortos (não, os Gulags não eram campos de férias, como alguns jocosamente verborreiam). Como referido, os indivíduos que se inserem na segunda categoria, a da estupidez, normalmente até condenam a justificação dos meios pelos fins, ou seja, a morte de alguém simplesmente porque discorda da ortodoxia comunista, pelo que se torna paradoxal que se considerem comunistas, dado que o comunismo pressupõe o Terror. É uma absoluta incoerência e, portanto, uma estupidez.

 

 

Por último, na primeira categoria, a das mentes tenebrosas, incluem-se todos aqueles para quem a verbosidade pseudo-científica do comunismo faz sentido, embora em parte possam ser ignorantes, caso desconheçam os postulados teóricos e práticos da ideologia que dizem defender; estúpidos, ao acreditarem que o comunismo faz sentido; ou então completamente tenebrosos e perigosos: sabem muito bem o que é o comunismo, conhecem os efeitos das suas várias experiências reais, e ao contrário dos da segunda categoria, acham que os fins justificam os meios, não hesitando em relativizar milhões de mortos, demonstrando um total desrespeito pela vida humana. São sanguinários em potência, que num sistema que lhes permitisse dar largas às suas crenças, não hesitariam em voltar a repetir e agravar o tipo de atitudes que caracterizaram a União Soviética ou o PREC. Consideram Cuba um país magnífico, têm Fidel Castro e Hugo Chávez como referências e chegam ao dislate de considerar a Coreia do Norte uma democracia. Não hesitariam em sacrificar milhões de pessoas para alcançar os supostos benefícios que o Apocalipse traria. Têm ainda por hábito as práticas do negacionismo e manipulação da História, tentando escamotear a realidade e moldá-la aos seus propósitos, tal como George Orwell ilustrou na famosa distopia intitulada 1984.

 

Em traços largos, é basicamente isto que resume a minha posição em relação ao comunismo. Dúvidas, questões e insultos aceitam-se, para a caixa de comentários, e-mail ou via Facebook. Diga-se ainda, de passagem, que tenho vários amigos e conhecidos naturais dos mais diversos países da antiga órbita soviética. Absolutamente nenhum tem saudades da União Soviética ou do comunismo. São, aliás, os mais fortemente anti-comunistas, que ficam chocados quando lhes digo que em Portugal PCP e BE representam quase 20 % do eleitorado.

 

Indivíduos pertencentes às três categorias trabalham afincadamente na organização da Festa do Avante. Outros apenas vão à Festa. Mas, muitos mais indivíduos que não são comunistas nela participam. Aliás, muitos deles filiam-se ideologicamente em correntes opostas ao comunismo. Normalmente, dizem que vão à Festa do Avante não por quaisquer motivos ideológicos ou políticos, mas pura e simplesmente para se divertirem. Seja por acção, omissão ou indiferença o que é facto é que ajudam a financiar e suportar em termos de imagem um Partido que, para além de convidar terroristas (FARC) e representantes de regimes tenebrosos a estarem presentes neste evento, é um anacronismo responsável em larga escala pelo atraso do país.

 

Se sabem o que é/foi o comunismo, então são também estúpidos por participarem nesta festa. Se não sabem, deveriam tentar fazer algo para colmatar a ignorância. Quando forem à Festa do Avante e disserem que não são comunistas, lembrem-se que estão directa ou indirectamente a contribuir para suportar um Partido que desvaloriza a vida humana, defende regimes tenebrosos onde campos de concentração, maus tratos, assassinatos e genocídios foram ou são um hábito regularmente praticado, e que, no nosso país, defende apenas e só (por via da CGTP e de um velho acordo obtido em sede de Concertação Social), a geração dos direitos adquiridos cujos salários e regalias são pagos com os impostos do vosso mísero ordenado ganho nos call-centers e lojas de roupa. Gente pouco ou nada letrada, que mal sabe ligar um computador, que apenas causa entropia na Administração Pública, que tornou as gerações mais jovens reféns dos seus direitos adquiridos, ou que em virtude de a antiguidade ser um posto, são pouco ou nada produtivos nas empresas onde jovens trabalham em condições precárias a recibos verdes, sem qualquer garantia a não ser a de serem praticamente extorquidos dos seus míseros ordenados, por via dos elevadíssimos impostos.

 

Não se esqueçam de ir à Festa do Avante, mesmo que vos tenham negado abonos ou bolsas de estudo, que tenham fechado centros de saúde ou maternidades, em virtude de cortes orçamentais, enquanto os velhinhos e conservadores comunistas continuam a defender aqueles elevados salários na Função Pública, em comparação com a média da Função Pública dos restantes países europeus, ou com a média dos salários no sector privado em Portugal, nem sequer hesitando em continuar a pedir aumentos quando são pedidos sacríficios a todos - afinal, como verdadeiros comunistas, olham primeiro para o seu umbigo, e a comunidade que se dane.

 

Se preferem continuar ignorantes acerca do comunismo e continuar a ir à Festa do Avante, não se esqueçam, pelo menos, que estão a contribuir para manter um Partido que na prática defende a manutenção dos jovens na precariedade, reféns dos direitos adquiridos das gerações mais velhas, ou seja, o status quo. Não se esqueçam que estão a contribuir para um partido que defende a sujeição da vossa liberdade e do vosso futuro às regalias dos direitos adquiridos.

 

Todos os partidos têm culpas no cartório quanto à situação do país, perpassado pela corrupção, insegurança, injustiça, facilitismo no ensino, desordenamento territorial e elevado endividamento externo. Mas o PCP é, sem dúvida, para além de ideologicamente tenebroso, um partido que directa e indirectamente, tem contribuido para esta situação, quer por via de exigências desligadas da realidade, quer por ruínosas gestões em executivos autárquicos.

 

Quando forem à Festa do Avante, não se esqueçam que estão a contribuir para algo grotesco!

 

Com os melhores cumprimentos

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publicado às 13:04


11 comentários

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De Já fui a 26.08.2011 às 14:25

No pós 25 de Abril e durante o PREC fui activista e militante de extrema-esquerda.
O dia-a-dia de militância fez-me perceber que para além da retórica no papel, existem pessoas que a aplicam e essas não me convenciam o suficiente.
Hoje, com muitos mais anos de "calo" fico contente por aos vinte e poucos anos e sem nenhuma cultura política anterior, ter percebido que aquele não era o meu lado da barricada.
Pena é que ainda hoje esteja em cima do muro sem saber qual dos lados é menos mau!
Revejo-me e à maioria do povo como os novos escravos a quem nos foi permitido viver numa cela com todas as comodidades desde que as paguemos e bem pagas aos nossos carcereiros.
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De Nuno Castelo-Branco a 26.08.2011 às 17:27

Agora, os cartazes da dita festa anunciam ópera. A coisa está a subir de nível. Sugerimos que incluam as seguintes no repertório:


Il mondo della luna
La clemenza di Tito
La gazza ladra
Il pirata
Der Vampyr
La sonnambula
I puritani
A Life for the Tsar
Un ballo in maschera
La forza del destino
Mefistofele
Götterdämmerung


e fechando a temporada, Pagliacci
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De tiago a 26.08.2011 às 18:14

A verdade é que acho que o comunismo partilha males com qualquer regime democrático actual, embora com graus diferentes. Os fins continuam a justificar os meios actualmente. O próprio processo democrático é um acto de força perante o individuo. Portanto, se realmente fosse coerente no seu juízo moral, condenaria qualquer participação em festas políticas, esquerda ou direita. Pode considerar que o comunismo é muito pior que o regime actual (com o qual concordo), mas continuam a subsistir muitos dos mesmos principios: roubo de propriedade, dos frutos do trabalho, utilização do medo e propaganda, prisão de milhões de inocentes por "victimless crimes", matanças de milhares de inocentes em guerras, etc..


O comunismo é mau, mas também é o regime em que vivemos - apenas com graus diferentes.
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De José Tomaz de Mello Breyner a 27.08.2011 às 17:56

Caro Samuel,

Eu fui nos primeiros anos em que haviam aquelas barraquinhas da ex URSS. É que vendiam vodka e Caviar do bom a preços da "uva mijona".

Abraço e gosto sempre de te ler
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De Paulo Selão a 29.08.2011 às 12:50

Aqui eu próprio ponho em foco mais uma pérola: http://pedra-no-chinelo.blogspot.com/2011/08/esclarecedor-muito.html (http://pedra-no-chinelo.blogspot.com/2011/08/esclarecedor-muito.html)
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De António a 02.09.2011 às 02:10

Só falta o "mê rique salazar que nunca devia ter morride", e o prefixo "neo" antes do "liberal".

O descaramento é já tanto que raia as atrocidades que visa.

Orwelliano. Kafkiano. Escatológico.

E arteve-se a citar Popper!

"El arte de marear la perdiz", ou "Como darle la vuelta a la tortilla con la cuchara".

Se eu fosse comunista estaria furibundo. Como até nem sou, rio-me da liberdade com que se vão brandindo as agendas "escondidas", como se as últimas eleições fossem carta branca.

Não serão os comunistas, nem os socialistas, nem os social-democratas, e nem sequer os cristãos, a sacudir-vos o coiro.

Serão pessoas sem partido, esfomeadas, saqueadas, vilipendiadas, e furiosas.

Até o Marcelo sabe...
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De Campónio a 02.09.2011 às 12:32

"Como referido, os indivíduos que se inserem na segunda categoria, a da estupidez, normalmente até condenam a justificação dos meios pelos fins, ou seja, a morte de alguém simplesmente porque discorda da ortodoxia comunista, pelo que se torna paradoxal que se considerem comunistas, dado que o comunismo pressupõe o Terror. É uma absoluta incoerência e, portanto, uma estupidez."

Assim sendo neste blog temos muitos estúpidos, aliás, verdadeiras bestas betinhas católicas :)

É preciso algum virtuosismo para escrever um post sobre um tema tão saturado como é este. Tu claramente não a tens e por isso devias-te remeter a temas de algibeira.
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De Anónimo a 10.08.2012 às 12:11

"Diga-se ainda, de passagem, que tenho vários amigos e conhecidos naturais dos mais diversos países da antiga órbita soviética. Absolutamente nenhum tem saudades da União Soviética ou do comunismo."


E no entanto uns 20-30% de Russos continua a votar na extrema-esquerda, comunistas e outros
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De Anónimo a 10.08.2012 às 12:18

O Hugo Chávez também um desses assassinos comunistas agora?

Bem sabemos que você preferia um Pinochet ou Salazar para manter o povinho na ordem.

A crítica à Revolução Francesa também é cómica.

E já agora, qualquer regime que declara uma guerra (como muitos ainda o fazem, incluindo os muy civilizados capitalistas) tem de aceitar que a moralidade de "os fins justificam os meios".
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De Anónimo a 10.08.2012 às 13:54

A referência à opinião de Slavoj Zizek é completamente desonesta.

Zizek não defende a "intolerância" da oposição violenta, defende sim a intolerância da discórdia e recusa de aceitação do capitalismo. Defende a verdadeira oposição ao capitalismo, e ao retorno ao verdadeiro debate política e democratização da economia.

A gente destas andanças parece que anda a viver no século passado, nos tempos da velha senhora ou do antigo regime, onde o povo calava e consentia.

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