De Sónia a 21.09.2011 às 12:37
É uma espécie de grito do Ipiranga.
Parece-me que as redes sociais e a Internet em geral, permitem que as conversas se alarguem a mais pessoas que pensam da mesma maneira.
Como é que é possível alguém ter vontade de trabalhar "até às 500", pagar impostos, segurança social e ser tratado a pontapé pelo Estado, pelos serviços do Estado e por grande parte do patronato? Entregar metade do que ganhamos e ter pior qualidade de vida do que nos países nórdicos, onde os cidadãos entregam metade dos seus ganhos e têm cuidados de saúde, de educação, etc e por aí fora, garantidos?
Ver gente corrupta e incompetente durante anos a fio a saltitar de cadeirinha em cadeirinha, a fugirem do país com milhões nos bolsos, outros que por cá andam destroem as terras, cidades, vilas, regiões que supostamente deveriam gerir, com saber e coerência e empenho, e andam por aí em carros e vidas de luxo à nossa conta... Está (quase) tudo ao contrário!
Um serviço público que deveria contribuir para termos um povo mais esclarecido, inteligente, consciente, responsável, livre, educado, serve para quê? Estou a pagar o quê? E a quem?
Nunca vi as estradas da capital onde nasci, cresci e vivo, sem buracos! E vá lá que vi um esforço valente para acabar com as "favelas" de Lisboa.
Eu não sei é como é que os portugueses ainda não se revoltaram a sério! Não têm tempo para se coçar. É tudo caríssimo, como se se vivesse em Paris. É insuportável. Quem vem de fora ainda nos pergunta: Como é que com esses salários conseguem viver? Sim, gente que ganha o dobro e tem tudo mais barato.
É óbvio que os portugueses neste grupo sonhem com cocos e em parar. Porque já chega! São pessoas, são seres humanos, não deveriam ser "escravos". Deveriam ser todos tratados com dignidade. A maioria não nasceu ensinada, nem em berços de ouro - e os tiques saloios de provinciano-burguês estão em cada esquina: O que está a dar é mostrar o que não se é, nunca se foi e ainda por cima nem conseguem imitar, porque desconhecem, nunca viram, na realidade.
Oh Pedro, tudo isto é normal. A "lei da causa-consequência" é válida. Só creio que este grupo de portugueses ainda não viveu no estrangeiro para perceber o que pode construir no seu país, com o que tem.
Vender copos nas praias a alemães? E que tal vendê-los agente de várias nacionalidades incluindo (espero eu sempre que em maioria, pois seria bom sinal) a nossa? É preferível do que vendê-los a ingleses que vêem para aqui fazer figuras tristes, com bebedeiras de caixão à cova, gritaria e escândalos no "Allgarve" - que também é bom para matar os filhos ou deixá-los a jeito - aliás, nada que essa mesma estirpe de ingleses não faça nos fins-de-semana "low cost" em Amesterdão...
Há 15 e 20 anos atrás dizia a pessoas na casa dos trinta ou quarenta anos de idade: "Não desanimem. É possível." Compreendo-os hoje melhor, a diferença é que continuo a acreditar que é possível.
A este grupo, não me importava nada de mandar viver fora do país, em países ditos "civilizados", para verem o que é bom e o que faz falta e depois regressariam.
Já Eça dizia nos "Maias", que enquanto ser tão afortunado a quem tinha sido possível viajar, aprender... nada fez pelo seu país a não ser achincalhar quem não teve a mesma oportunidade. Através de um personagem, ficou bem sublinhada essa atitude "comezinha".
Um abraço,
Sónia