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Como é difícil ser liberal em Portugal

por Samuel de Paiva Pires, em 23.09.11

A respeito desta infeliz posição de Carlos Abreu Amorim quanto à criminalização do enriquecimento ilícito,  ler o que escreve hoje João Luís Pinto:

 

«Hoje, o deputado Carlos Abreu Amorim vai contribuir com o seu voto para o estabelecimento de um gravíssimo precedente jurídico com consequências (a ser consentido pelo tribunal constitucional – o que não me alimenta particulares esperanças) inevitáveis, essas sim, para o cercear da esfera privada da liberdade dos cidadãos e para a amplificação desmesurada dos poderes asfixiantes do estado.

 

Vindo de um jurista e qualificado liberal a viver em dificuldade em Portugal, um libelo de defesa apresentado como sendo dos cidadãos cumpridores (temo até pensar o que isso seja) é algo que, se possível de compreender como um devaneio alimentado por um acesso de deslumbre passoscoelhista, não é possível de aceitar e, diria mesmo, de perdoar.

 

Qualificar como um dia histórico para a vida do parlamento português um dia particularmente negro, em que se vai dar um passo significativo não contra a “corrupção” ou os traficantes de influência da esfera do estado – destinatários que só poderão ser engolidos por ingenuidade -, mas sim para colocar um pé na porta na Liberdade e no direito que deve assistir a todos a um processo judicial digno de um Estado de Direito, baseado em regras claras, em igualdade de armas e no assegurar de uma efectiva capacidade de defesa e presunção de inocência dos arguidos, é algo que não pode deixar de me desiludir profundamente.

 

Travestir tudo isto em nome de um populismo justiceiro e de uma capa feita para enganar tolos de que vale a pena sacrificar liberdades fundamentais e princípios em nome de resultados, ver para esse efeito o PSD e o CDS votarem alegre e (pelos vistos) orgulhosamente ao lado da extrema esquerda parlamentar que em outros momentos tanto criticam, é algo que me entristece fortemente e que não posso deixar de assinalar e lamentar.»

 

E como leitura complementar, a respeito da idiotice que é a proposta que o parlamento vai hoje votar, ler o Carlos Loureiro, Pedro Caeiro, Miguel Noronha, André Azevedo Alves e novamente João Luís Pinto.

publicado às 13:15


7 comentários

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De Carlos Velasco a 25.09.2011 às 15:01

Caros,

Entre o vosso entendimento do que é ser liberal, e do que o liberalismo é historicamente, há uma enorme distância, que equivale ao que separa o discurso de um mentiroso da sua prática.
Não fosse assim, Karl Marx não teria proferido elogios ao liberalismo, vendo nele a fase burguesa da revolução, fase essa que sedimentará o terreno ao socialismo, a fase final da revolução que deitará abaixo a civilização greco-judaico-cristã.
Mas, para não ficarmos por aí, poderia também citar o economista Joseph Schumpeter, que demonstrou bem o que digo aqui na sua obra Capitalism, Socialism and Democracy.
Não querendo me alongar, vos sugiro um estudo profundo da história das corporações, dos grupos de interesse e das fundações promovidas por estas, da biografia dos nomes que mais se destacaram na defesa do liberalismo materialista (a Ayn Rand é um bom começo), do resultado prático das revoluções liberais do século XIX e da imensa quantidade de "liberais" que recentemente trataram de nos lembrar dessa realidade tão incómoda que faço questão de referir: a de que o liberalismo não passa da cara metade do socialismo na dialéctica revolucionária.
Querem exemplos dos últimos vinte anos (e nem referirei os "liberais" europeus)? Thaksin, Mel Zelaya, Collor de Mello, Menem, Santos (na Colômbia) e Sebastian Pinera. 
Portanto, não me venham com essa conversa promovida nas universidades e nos partidos acerca da dicotomia socialismo/liberalismo, pois entre acreditar na manada e nos factos puros e duros, ainda que isso custe o isolamento, eu fico com a segunda opção.
Abram os olhos.

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