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"Where are our capital ships?"

por Nuno Castelo-Branco, em 01.10.11

A Madeira e o Porto Santo encontram-se geograficamente mais perto de Marrocos que de Portugal, mas isso não constitui argumento para qualquer reivindicação territorial por parte do reino de Mohamed VI. Bem medidas as milhas náuticas, as Falkland/Malvinas estão praticamente a uma idêntica distância do cone sul-americano.

 

Num sucinto artigo, o Expresso hoje noticia o progressivo esfriamento das relações anglo-argentinas. Nas vésperas do período eleitoral onde pretenderá a reeleição para a presidência, a manicura da Casa Rosada aposta no efeito-patriótico e recorre como qualquer vulgar general ao bom estilo bananeiro, ao "caso Malvinas". O primeiro passo já foi dado, com o levantar de todo o tipo de entraves ao abastecimento das ilhas, sempre dependentes do fornecimento de bens provenientes dos circuitos de distribuição portuária no continente. Assim sendo, a estranha aliança populista que agora une o Brasil, o Uruguai e a Argentina ao quimioterápico e castrista Chávez, visa causar perturbações aos britânicos, cortando-lhes na mercearia. Um acto de quase guerra que poderá ter gravosas consequências, principalmente para a estabilidade da região onde os EUA têm visto decrescer a sua influência. Deste sofrível aliado, os britânicos pouco ou nada poderão contar, a não ser as informações que a tecnologia USA lhes proporcionar. Cameron já anunciou o reforço militar das ilhas e no final de contas feitas, tudo isto poderá não passar de uma rotineira cacofonia para eleitor pampeiro ver.

 

No entanto, o Expresso não menciona um pequeno detalhe que poderá ser decisivo e significar algo mais: pela primeira vez desde há nove décadas, a Royal Navy não possui qualquer capital ship. Esta é mais uma das heranças deixadas pelo "New Labour" do Sr. Blair. Por outras palavras e recuando na história, isto significaria a ausência em Trafalgar de qualquer navio de linha da classe do HMS Victory, ou o inglório e suicidário enfrentar dos couraçados da esquadra de alto-mar do Kaiser, apenas recorrendo a cruzadores e contratorpedeiros arvorando a Union Jack. Menos distante no tempo, imaginemos o que teria acontecido aos britânicos se na Batalha do Mediterrâneo, apenas pudessem ter contado com o Warspite, o Barham e o Valiant, prescindindo do rosário de porta-aviões que acabaram por lhe garantir a vitória contra a Regia Marina? Assim sendo e descontando o forte parlapatonês italiano presente na sociedade argentina, o "madamismo" peronista que pontifica em Buenos Aires, poderá ser tentador para alguns almirantes e generais ainda ressabiados pela derrota de 1982. A ver vamos se entrarão numa aventura que talvez lhes poderá devolver o poder a curto prazo. É duvidoso, mas não impossível.

 

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publicado às 17:34


12 comentários

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De Carlos Velasco a 01.10.2011 às 19:50

Caro Nuno,

 

Isso é um assunto de capital importância e é pena que não se dê ao mesmo a devida atenção. Já quando foi a guerra de 82, só por milagre é que o Reino Unido não sofreu uma catástrofe militar. Com os meios que Lady Thatcher herdou de vários anos de desleixo por acção do Labour, num cenário de guerra tão distante, a força expedicionária britânica, que teve que preparar navios ao improviso e até recorrer a navios civis, arriscou muito. Não fossem as informações dos satélites americanos e o despreparo da Junta Militar argentina, que contava com a aceitação "pragmática" da derrota da parte britânica e não tratou de arranjar mais uma dúzia, ou até mais, de Exocet, antes de atacar, o resultado teria sido outro, e só graças à algumas falhas fortuitas é que os argentinos não tiveram um proveito maior dos poucos que possuíam (acho que eram apenas 6, mas tenho que confirmar).  

E nos dias de hoje, com forças armadas ainda mais debilitadas e um continente sul-americano dominado por agentes do Foro de São Paulo, a coisa seria ainda pior, ainda que as forças armadas argentinas estejam sucateadas. Mas falta pouco para a manicure dominar por completo as forças armadas argentinas, pondo quadros de confiança nas posições-chave, e rearmar a nação platina, que numa emergência poderia ainda contar com carregamentos de armas vindos da China e da Rússia, triangulando a operação através da Venezuela. Os sinais de que isto (o rearmamento argentino) está prestes a acontecer são crescentes, e preocupantes, e não parece ser um acaso que o foco dessa discussão tem sido dado à força de submarinos…  

 

Um abraço.

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De Carlos Velasco a 01.10.2011 às 19:52

Nuno,

Peço desculpa por ter feito o comentário com essa letra grande. É que ao fazer copy/paste, acaba saindo assim quando publico. Que raio de letra desagradável!

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