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Os índios de Wall Street, por Alberto Gonçalves:
«Nas últimas semanas, diversas cidades dos EUA acolheram manifestações de jovens furiosos. Embora a fúria se prenda com a suspeita de que terão de trabalhar para sobreviver, os jovens preferem inventar razões menos prosaicas e reclamam-se dos "valores" dos acampados de Madrid e dos insurgentes do Norte de África, curiosas inspirações que, no limite, significariam a oposição ao sabonete e, no segundo caso, o desejo de levar uma existência de acordo com os sábios preceitos do Corão.
(...)
É igualmente interessante reparar que o movimento, na verdade de uns escassos milhares, foi iniciado por uma organização anticonsumo (?) chamada Adbusters. Dado que todos ostentam laptops, telemóveis e iPads, ou os aderentes não perceberam bem a ideia ou convenceram-se de que as geringonças tecnológicas da moda são concebidas por pequenos artesãos reunidos em comunas e vendidas sob as regras do comércio dito justo.»
Hipocrisias e contradições, por Carlos Guimarães Pinto:
«Um dos argumentos mais utilizados pelos opinadores de esquerda para justificarem a contradição entre o fim que dão aos seus rendimentos privados e a ideologia que defendem, é o facto de terem que se sujeitar à realidade em que vivem. Mais tarde ou mais cedo, acabam por contra-argumentar que também os defensores de uma economia de mercado se aproveitam dos serviços prestados pelo estado. Este argumento esquece a natureza dos serviços fornecidos pelo mercado e pelo estado. Os produtos disponibilizados pelo mercado garantem sempre a possibilidade de o indivíduo se auto-excluir de os financiar, não usufruindo deles.
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O contra-argumento de que os defensores da economia de mercado utilizam bens públicos também faz pouco sentido. Quando um defensor de uma economia de mercado utiliza serviços públicos não está a contrariar as suas convicções, porque, antes e independentemente de os vir a usufruir, já foi coagido a financiar esses mesmos serviços. O usufruto dos serviços públicos que financiou coercivamente é uma questão de justiça, não de hipocrisia moral.»
Mais socialismo, por Gabriel Silva:
«Nem o Estado percebe pevide de «empreendedorismo» nem de inovação, pelo como pode promover tal coisa? E um empreendedor que precise do Estado ou um inovador, são na verdade uns encostados. O que não é inovação nenhuma nem empreendedorismo, mas sim uma chaga nacional.
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Que ministro é este que entende que existe «capital de risco público»? Se é público, é dinheiro dos contribuintes. Onde está o risco ao se dar esse capital a uns encostados quaisquer? Nenhum! Se correr mal, paciência, o contribuinte fica a penar mais, o gestor passa para outra empresa pública, o encostado vai à sua vidinha e até logo. Se correr bem, como ter a percepção do momento ideal de retirada, ou de investir noutra iniciativa? Um burocrata que usa dinheiro público? Santa paciência! Deixem-se de fosquinhas e chamem as coisas pelos seu nomes verdadeiros: emprestimos, subsídios, subvenções, apoios, benefícios. Em suma, transferência do património dos contribuintes, socialismo.»