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Não sei se ria, não sei se chore

por Samuel de Paiva Pires, em 11.10.07
Não é porque Menezes ganhe as eleições do PSD, porque Santana Lopes eventualmente assuma a liderança da bancada parlamentar do PSD, ou porque o PS não queira discutir o assunto da corrupção que sabemos que a política em Portugal está a chegar a um estado ridículo. É sobejamente reconhecido por todos que a democracia portuguesa se expressa numa alternância entre os partidos siameses do centrão, protagonizada pelas pseudo-elites desta república à beira-mar plantada.

Com este sistema já todos estamos conformados, até porque decorre da estabilização de uma linha de pensamento caracterizada como ocidental, ou de forma mais restrita, europeísta, que marca a estabilidade política que vai permitindo um certo crescimento e desenvolvimento económico-social, não só do país, mas da União Europeia.

Mas quando, depois da badalada questão da DREN, agentes da PSP se portam como a orwelliana polícia do pensamento, Rodrigues dos Santos se vê envolvido numa guerra com a RTP pelas suas acusações de interferência da administração da empresa pública em matéria editorial (obviamente que há uma evidente conotação e influência político-ideológica, que decorre da tempóraria representatividade partidária na liderança do aparelho estatal, de forma mais directa ou indirecta, por vezes até imperceptível), e na mesma semana vemos supostos comunistas a protestarem contra a acção da PSP e contra o governo, e o PNR colocar um cartaz onde clama pela liberdade dos nacionalistas, não sei se ria, não sei se chore.

É irónico e hilariante ver comunistas e nacionalistas de extrema-direita a protestar contra um suposto centro-esquerda, que eventualmente até poderia ser o centro-direita, reclamando por liberdade.

Pergunto-me se o obscurantismo que se tem feito em torno do regime do Estado-novo não servirá para legitimar um regime que tem evidentes falhas democráticas que apenas pontualmente se manifestam e imediatamente são reprimidas.

Autoritarismo, totalitarismo ou nacionalismo não são conceitos de direita. São tanto de direita quanto de esquerda, como ensina Hannah Arendt.

Parece que afinal há um Salazar dentro de cada um de nós, que se manifesta quando os outros se opõem à corrente de pensamento maioritária e supostamente única.

Já não sei que diga...só sei que nada sei...não sei se ria, não sei se chore...

(em cima, "O Grito", famoso quadro do pintor norueguês Edvard Munch)

publicado às 23:01


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