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Democracia, por Vasco Pulido Valente

por Pedro Quartin Graça, em 11.12.11

11-12-2011 - Público

O veto da Inglaterra na última cimeira foi invariavelmente explicado pelo interesse (ou interesses) nacionais que ela queria proteger, e antes de mais nada a primazia da City como praça financeira. Este preconceito tem tradições. Já Napoleão dizia que a Inglaterra era um país de merceeiros. Não ocorreu a ninguém que as razões fossem outras. Mas basta conhecer o sítio e um pouco da velha história dela para se perceber que a Inglaterra nunca engoliria o plano de Merkel, porque ele na essência limita os poderes do Parlamento, que são a origem e o fundamento da legitimidade e do Estado. Um Parlamento que aceitasse a tutoria orçamental da burocracia de Bruxelas, que ninguém elegeu e não precisa de responder perante ninguém, deixava de ser o Parlamento e a Inglaterra deixava de ser a Inglaterra.

Claro que a sra. Merkel não é Hitler ou o imperador Guilherme II e não quer hoje, como ontem, dominar a Europa. Mas basta comparar o mapa da Alemanha nazi em 1943 com o mapa da UE para se descobrir um ponto interessante: tirando menos de meia dúzia de excepções, os dois quase coincidem. Se em vez de um mapa militar, esse mapa fosse político, descreveria com exactidão a força da democracia na "Europa". No Sul e Sudeste, por exemplo, a democracia ainda não chegou aos cem anos e continua a não se distinguir pelos seus costumes. No centro, é o resultado recente do colapso do império soviético. Só no Norte e em franjas do Noroeste, ela faz parte de uma velha cultura nacional. Não admira que a prepotência de Sarkozy e Merkel não perturbe por aí além os 27. Estão habituados.

Quanto a Portugal, com uma interminável ditadura, um ensaio de revolução "leninista" e uma Constituição absurda, que, apesar de revista, vai persistentemente conservando restos do marxismo vulgar e as fantasias da esquerda de 1970, não promete muito. Nem a vida política, como se formou e desenvolveu a partir de 1980, com a sua pública tolerância da corrupção e da intriga, ajudou a que se formasse uma consciência cívica. Os sobressaltos que de quando em quando imaginários perigos para a nossa imaginária soberania provocam no coração sensível de alguns patriotas não passam, no fundo, de uma retórica obsoleta e relutante. Por isso, Passos Coelho não sofreu com certeza uma dor lancinante com a assinatura do acordo intergovernamental de anteontem. A democracia não lhe pesa, nem nos pesa a nós.

publicado às 12:46


3 comentários

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De Marco Rosa a 13.12.2011 às 13:15

Srs, bem-vindos ao século XXI

http://www.guardian.co.uk/business/2011/dec/12/britain-ruled-by-banks
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De Anónimo a 16.12.2011 às 14:28

Ouví esta manhã na Ant.1 que o Senhor tratou o Nicolas Sarkozy de "tonto". Apetece-me dizer-lhe: Deus queira que seja tão tonto como ele! Mas quem é o senhor para se permitir insultar o Presidente da República Francesa ? Um pouco de respeito para uma pessoa que chegou onde chegou! Não é dado a qualquer um ! Veja se se atrevia de chamar de tonto o Presidente da República Portuguesa?
Depois, nenhum Presidente da França trabalhou como este ! Dias e noites sem contar  para tentar resolver os problemas inerentes à crise que atravessamos! Pode ele não actuar no sentido que muitas pessoas reclamam mas é sempre com respeito que se deve comentar. Faz o que pode face a uma Senhora Angela Merkel que está em posição de força sabendo também que ele quer manter esta aliança forte que existe entre os dois paises .
De uma francesa que não admite a má educação.
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De Pedro Quartin Graça a 16.12.2011 às 16:04

Foi Vasco Pulido Valente que tratou Sarkosy por tonto? Desconhecia.

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