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Jerónimo Martins: uma decisão natural

por Pedro Quartin Graça, em 03.01.12

Soube-se ontem que a Jerónimo Martins, através de um comunicado divulgado na página da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários, deu nota pública dos contornos do negócio entre as duas sociedades comerciais pertencentes a Alexandre Soares dos Santos: a Sociedade Francisco Manuel dos Santos, SGPS SA (com sede em Portugal) vendeu mais de 353 milhões de acções, correspondentes a 56,1% do capital do Grupo Jerónimo Martins, à Sociedade Francisco Manuel dos Santos BV (com sede na Holanda).

Apesar da sede passar a estar localizada na Holanda, o controlo do grupo continuará a pertencer à sociedade portuguesa através de um acordo parassocial também firmado. Na prática isto significa que as mais-valias e os dividendos são atribuídos à sociedade holandesa sendo que, todavia, o controlo continua a ser exercido pela sociedade portuguesa.

Muitos foram os comentadores que se apressaram hoje a criticar tal decisão. Sinceramente não percebemos o motivo. Na verdade, o facto de o nosso País pertencer à UE permite que, de acordo com a lei, as sociedades comerciais portuguesas, como as de qualquer outro Estado-membro, possam utilizar a legislação em vigor de acordo com os seus interesses comerciais. Não nos esqueçamos que o objectivo de uma sociedade comercial é precisamente a obtenção de lucro. 

Num País como o nosso em que, ano sim, ano não, se assiste a enormes transformações no regime fiscal das SGPS, em que o Estado é o primeiro, através da legislação que cria, a não favorecer a estabilidade dos negócios, em que o Fisco apenas se preocupa com o saque fiscal e não com a durabilidade e a estabilidade dos contribuintes, sejam eles sociedades ou individuais, só um mau gestor não tomaria, ainda que a contragosto, uma decisão como aquela que  Alexandre Soares dos Santos tomou. E Soares dos Santos não é um mau gestor, muito pelo contrário. É dos poucos que em Portugal tem sabido defender os nossos valores e colocar, de forma criteriosa, "o dedo na ferida". Mas a paciência tem limites e estes foram atingidos. Só o Governo não o compreendeu. E, com a miopia revelada, acabou por deitar tudo a perder.

De que serve  o Governo anunciar que pretende ir buscar novos investimentos estrangeiros quando não consegue sequer cuidar dos melhores investimentos nacionais? Que lhes sirva de lição. Vamos ver é se dela retiram qualquer benefício útil para o futuro. No que me toca tenho as maiores dúvidas.

publicado às 09:30


13 comentários

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De Nuno Castelo-Branco a 03.01.2012 às 09:57

É o vício do sugadouro que dá de comer a aquilo que bem conhecemos. Sinceramente, não sei como pretendem atrair capitas, mesmo os chineses, por exemplo. 
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De Nuno Castelo-Branco a 03.01.2012 às 10:18

dizia, capitais.
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De Samuel de Paiva Pires a 03.01.2012 às 10:21

Nem mais!
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De Carlos Velasco a 03.01.2012 às 11:45

Caro Sr. Quartin Graça,

Noto que vivemos agora num ciclo vicioso e vou escrever sobre o assunto mais tarde. Os aumentos de impostos, nesse momento, só deprimem mais a economia, e por sua vez isso leva a que as metas de défice sejam seguidamente quebradas, justificando por sua vez mais aumentos de impostos.
Quem pode, tira o dinheiro de Portugal, quem não pode, se f...
Só há uma maneira de quebrar o ciclo, que é cortar os impostos e os gastos públicos, porém, com o cuidado de se manter um superavit. Não vejo maneira de o fazer a não ser que o governo corte 30% nos gastos, o que implicará o corte dos salários da função pública. Mas os funcionários públicos só aceitariam tal coisa se os político dessem o exemplo, acabando com as pensões para quem exerceu cargos electivos e cortando os seus salários numa proporção ainda maior.
Porém, não vejo que isso possa acontecer. A agenda dos políticos do regime, ditada por interesses estrangeiros que financiaram e financiam os partidos, é a implosão de Portugal como nação soberana. O acabamos com eles, ou eles acabam com nós.

Um abraço.
 
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De Pedro Quartin Graça a 03.01.2012 às 11:48

Obrigado pelo seu útil comentário. um abraço.
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De João Vieira a 03.01.2012 às 18:49

Os salários da função pública já foram cortados, os funcionários públicos já perderam os subsídios de Natal e de Férias. A sua proposta é empurrar mais uns quantos para a miséria?
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De Carlos Velasco a 03.01.2012 às 19:17

Respondi o seu comentário mais abaixo. Entretanto, te mostro o que é miséria:

http://www.jn.pt/PaginaInicial/Economia/Interior.aspx?content_id=2217912

É este o resultado de um sistema que destrói a vida de milhões para manter alguns eleitos na segurança dos seus empregos cheios de regalias.
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De Rodrigo a 03.01.2012 às 19:06

Mau gestor é aquele que toma as decisões sem perceber o impacto que uma medida pode ter na sua imagem, e sem perceber efectivamente a importância da imagem para o sucesso da marca. Isso é um mau gestor. Agora vamos ver se a medida não foi contraproducente, produzindo um declínio forte no consumo nos lucros nacionais do Pingo Doce
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De Pedro Quartin Graça a 03.01.2012 às 19:10

Não acredite nisso já que, tirando umas centenas de pessoas, que as há sempre a isso dispostas, ninguém mais deixará de utilizar os "Pingo Doce" para as suas compras. Esta é a minha convicção.
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De Carlos Velasco a 03.01.2012 às 18:58

Miséria? Vá procurar trabalho no sector privado, pagando impostos e sem nenhuma segurança, para saber o que é miséria! Quem não tem emprego público viu o seu nível de vida cair abruptamente nos últimos dez anos para sustentar a ilusão de se manter 700 mil empregados públicos e outros tantos dependentes do erário a viver na sua falsa segurança. Continuamos assim e pode acreditar que já não haverá mais nada para tributar. E aí, o que os senhores farão? Continuarão e endividar o país e a vender o património nacional? Bom, qualquer pessoa de boa fé sabe que chegou o limite, afinal, já ninguém empresta para Portugal e o que sobrou para vender não paga um semestre dos vossos salários. Se o sector público diminuir, a iniciativa privada criará empregos para todos, se continuar como está, ficaremos todos sem nada, a não ser os que criaram tantos empregos insustentáveis para garantir base de apoio de maneira a se agarrar ao poder e roubar, como fez o tal que tem cerca de 380 milhões no Caribe.
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De Sousa Torres a 04.01.2012 às 09:15

O Sr Primeiro Ministro manda-nos sair de Portugal da zona de conforto! que conforto?, só deles para ficarem cá à vontade a mamar e diz temos de empobrecer - mais?; - O esforço da crise está longe de ser repartido por pobres e ricos-"Pingo Doce nunca mais voltem lá!". 19 das 20 empresas do PSI 20 mudaram-se para não pagar impostos em Portugal.
- TEMOS DE FAZER ALGO, ISTO ESTÁ  PIOR QUE NO TEMPO DO SALAZAR E MARCELO CAETANO - É UMA VINGANÇA DO 25 DE ABRIL, O QUE FOI CONSEGUIDO DURANTE DÉCADAS PELOS NOSSOS PAIS  ESTAMOS A PERDER EM 2 OU 3 ANOS!- É A NOSSA VEZ DE FAZER ALGO!
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De GA a 04.01.2012 às 10:08

Pelo que percebo, a falta de orçamento prende-se pela pesada estrutura dos estado, sendo que o estado somos todos nós, entenda-se que há demasiados funcionários públicos (fp), isto desprezando a qualidade dos serviços bem como as qualificações dos mesmos.
Se todos criticam o peso individual dos impostos, porque razão tem a Jerónimo Martins que suportar o peso daqueles que não querem trabalhar (fp).
É verdade, um corte a direito, tanto no peso dos fp como nas regalias dos governantes, isso seria o ideal, mas pergunto, quem tem a coragem e força para o fazer, quando qualquer que seja a medida que o governo toma, os "meninos" incompetentes (fp) fazem greve, estes é que estragaram os seus próprios salários arrastando com eles o resto do País. Se tiverem competência trabalhem no sector privado. Já dizia a minha avó, "quem está mal, que se mude", foi o que este Gestor fez.
Continuem a ir atrás das conversas da "esquerda hipócrita" em busca de direitos conquistados!!mas quais direitos??Tal como os restantes, os da esquerda só lá estão a defender o taxo deles. Promovem greves, consequência, consequência, o patronato deixa de poder pagar, vai tudo para o desemprego.. é o querem, é não fazer nenhum..Mais uma vez suportado pelos restantes da privada que andam a pagar isto..
O governo está a atingir a empresas, os investidores a "emigrarem" por causa dos "intocáveis" (fp).

VÃO TRABALHAR E DEIXEM-SE DE MERDAS

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