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Da auto-transcendência em Nietzsche

por Samuel de Paiva Pires, em 15.01.12

Roger Scruton, Guia de Filosofia para Pessoas Inteligentes:

 

«Foi Max Stirner quem anunciou ao mundo, em 1845, que Deus está morto. Repetindo o obituário em Assim Falou Zaratustra, Nietzsche deu-se perspicazmente conta de que a espécie humana acharia duro viver com as notícias e, por conseguinte, que algo devia ser oferecido como consolação. Se não há um ser transcendental, sugeriu ele, só podemos ir ao encontro das nossas aspirações por auto-transcendência, pela dominação da natureza humana, na versão superior e mais forte dela, que é o Übermensch. Uns quantos discípulos tentaram seguir o conselho de Nietzsche, com resultados por regra tão desagradáveis para outros que foi a própria tentativa que se descredibilizou. O mínimo que se pode dizer é que, se se é um Übermensch, é melhor manter o silêncio sobre esse dado. De facto, a moral da auto-transcendência de Nietzsche mostra o sentido da religião para seres como nós: a fé é um triunfo supremo sobre a nossa solidão transcendental; sem ela, ou fazemos dessa solidão uma virtude, como fez Nietzsche, ou vivemos num nível menos exaltado. O anúncio da morte de Deus é menos uma declaração sobre Deus, do que uma declaração sobre nós.» 

publicado às 15:04


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