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A lontrinha e a lambisgóia

por Nuno Castelo-Branco, em 24.01.12

Uma lontra saiu esta manhã do mar e sentou-se numa cadeira de esplanada, gozando os raios deste sol de inverno. Cena adorável.

 

Uma gordíssima lambisgóia saiu de um buraco já há mais de cem anos e instalou-se aqui mesmo à beira Atlântico, sendo até agora impossível reenviá-la á origem. Uma maçada que nos tem saído bem cara.

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publicado às 23:00


11 comentários

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De Nuno Oliveira a 25.01.2012 às 01:15

Caro Nuno,

Concordo com muitas das suas ideias. Mas há uma coisa em que insiste de que discordo totalmente - que temos os políticos que temos por sermos uma República. Dou-lhe como exemplo a monarquia Britânica. Como pode justificar Blair, Brown e Cameron? Estagiaram em algum parlamento republicano? Como justifica Zapatero? O problema não estará neste facto mas num domínio do dinheiro sobre a liberdade individual. Que procure subserviência monárquica, assim como muitos outros procuram algo que os liberte dos seus medos, ainda consigo entender. Já não entendo que a queira impor a outros. Parece-me uma pessoa demasiado racional para tal. Neste mundo de corporações que dominam os Estados, comummente intitulado de fascismo, acha mesmo que fará alguma diferença se temos um rei ou um presidente. Vejo que investiga e está atento a muitos assuntos para além da causa monárquica, pelo qual o louvo e sigo. Mas a sua causa monárquica é uma distracção do que é realmente importante - quem nos gere na realidade e com que fim.
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De Miguel a 25.01.2012 às 02:07

Caro Nuno Oliveira,
Peço-lhe que veja os bons e não os maus exemplos. Os bons que por sinal são tantas e tantas vezes citados  pelos... republicanos. Pegue na Bélgica, na Suécia ou no Japão. Mas não seguirei este caminho fácil. Digo-lhe antes assim "Quem impôs o quê a quem?" 
Ou "Sabe que a constituição proíbe a qualquer outra forma de governo que não seja republicana?"
Suponho que não. Assim como partirei do princípio que não consiga compreender que vive num país que não pode falar em legitimidade, a não ser que ache legítimo matar para chegar ao poder. Repare que nem Bélgica, nem Suécia, nem a maior parte dos países monárquicos se vendem com a facilidade com que vê Portugal vendido. Pegue na Holanda também. Repare que na maioria são países com menos população que Portugal, perdão do que a república portuguesa, Portugal já não existe, mas isso não sabia, certo?
Mas fala de liberdade... que é diferente de libertinagem! A primeira medida foi pôr uma prostituta a representar a república de tão vendida que é! Mas escolha uma pessoa para presidente. Este último teve "maioria" (entenda-se, menos de 1/5 da população votante) mas bastava-lhe um voto, nem que fosse o dele, desde que os outros não votassem! Como "quase" não há mortos a votar nesta respública... tem também a liberdade de fazer aquilo que o partido ou o grupo que mais dinheiro lá meteu disser, senão.... enfim! Fica o desabafo!
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De Nuno Oliveira a 25.01.2012 às 02:57

Caro Miguel,
Nem a Bélgica nem a Holanda nem a Suécia são países livres. Pertencem a uma União Europeia que tem um Presidente não eleito pelo povo e que produz a maioria da legislação actual. O que quer dizer, penso eu, é que se vive melhor nesses países porque os seus povos optaram por serem mais competitivos, palavra muito em voga. Mas a Bélgica, por exemplo, está na calha para ser resgatada. Como serão 60% dos países até 2050, segundo um artigo que li há uns anos. Estão todos endividados. Aquilo que estou a tentar explicar é que não faz diferença ser uma monarquia ou não. A constituição pode ser mudada se reunir representantes suficientes para o fazer. Não é grave. O problema é que as pessoas não sabem o poder que têm. A maioria são ignorantes. Os gregos, nesse aspecto, dão nos verdadeiras lições. Os ingleses também o fazem. Assim como os "odiados" espanhóis. Mas há uma coisa que é certa. Se o rei que apanhar for mau, você não tem legitimidade para o trocar numa monarquia. Há necessidades muito mais prementes nesta sociedade que se resolvem independentemente de sermos república ou monarquia. Eu compreendo o seu desabafo. Mas há muito que se pode fazer para impedir a influência do poder económico, haja pessoas suficientemente atentas e conhecedoras na verdadeira realidade.  Não se impede a influência do compadrio só porque se tem um rei...
Quanto a legitimidade, quem é que a deu ao primeiro rei? O Papa? Não aceito a autoridade de alguém sem significado para mim. Quanto à prostituta, é trabalhadora da profissão mais antiga e, para mim, uma como outra qualquer. Nem mais nem menos que um rei.
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De Nuno Castelo-Branco a 25.01.2012 às 17:30

Caro Nuno, jamais leu uma única linha da minha autoria, na qual afirme que assim somos devido à República. O problema é bem mais fundo como os republicanos deveriam ter nisso pensado antes de terem feito asneiras durante mais de trinta anos e e mesmo após a vitória dos eu golpe de 1908-10. Claro que jamais afirmaremos que tudo será excelente no caso de substituímos o Presidente pelo Rei. Seria indecente persistir em enganar as pessoas tal como até aos nossos dias habitualmente se faz de forma descarada.
Esta deveria ser uma resposta longuíssima, pois o assunto é complexo e sinceramente lhe digo que quase tudo está por fazer, especialmente no que respeita à organização do Estado, o ponto essencial para que a sociedade civil se liberte ou disso tenha qualquer possibilidade. Assim, vejamos alguns aspectos:
1. Organização constitucional. 
Não precisamos de textos prolixos ou programáticos, bastando um sucinto enunciado de direitos e deveres, comuns a todas as sociedades como aquelas que os comunistas normalmente designam de "democracias burguesas". Os Tratados internacionais assinados por Portugal e subjacentes à nossa pertença às Nações Unidas, já são fonte suficiente de Direito dos povos e isto deve ser levado ao seu sentido mais estrito e fundamentado nas instituições nacionais, na separação de poderes, etc. 
Há que eliminar a enorme quantidade de instituições supérfluas e bastas vezes redundantes, pasto para vaidades de casta , grupos de pressão política e interesses que também têm ramificações claramente económicas. PGR's, Supremos, excesso de Tribunais e respectivas isenções em termos de mordomias, tudo isto deve ser abolido sem qualquer hesitação (vidé Dinamarca, por ex.9
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De Nuno Castelo-Branco a 25.01.2012 às 17:36

A própria composição da representação nacional, é arcaica, completamente alheia à realidade nacional e àquilo que a população mais interessada pela coisa pública pretende e quer. Quando há décadas se verberava uma Câmara Alta não dependente do mesmo esquema electivo da Câmara Baixa - aliás única na A.R. -, apontava-se com o fascismo, corporativismo, etc. Ora, nada é mais desejado pelos sindicatos, entidades patronais, academias ou municípios, senão uma efectiva participação na fiscalização e e certa medida, na formulação legislativa. Tal deve obedecer a critérios que devem ter em conta as necessidades momentâneas do país, dependendo os lugares das referidas instituições que nomeiam os seus representantes. É claro que a Câmara Baixa estará sucintamente presente e em proporção ao peso eleitoral de cada Partido, mas sempre por delegação. Isto evitara a repetição de erros crassos nos planos de desenvolvimento - Portugal é um país dependente do Estado, disso não tenhamos ilusões - e a falta de fiscalização é um autêntico drama que mina qualquer hipótese de desenvolvimento sustentado e de acordo com as reais necessidades das regiões e em reflexo, do todo nacional. 
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De Nuno Castelo-Branco a 25.01.2012 às 17:52

Não valerá a pena alongarmo-nos acerca do sistema eleitoral da actualidade, completamente caduco, abusivo, destruidor da imagem da democracia e um autêntico iman para o compadrio, mediocridade, caciquismo e inoperância. Duvido muito que haja a mínima vontade em modificá-lo - pergunte ao PS/PSD -, coisa que fatalmente conduzirá o sistema vigente a uma ruptura. Veremos. 


temos agora o problema da forma republicana do Estado, aliás absoluta, sem possibilidade de discussão, imposta, profundamente elitista e completamente partidarizada. Não querendo perder tempo com capciosas formulações político-filosóficas sempre tendentes a reduzirem-se à enumeração de "grandes princípios" desfasados da realidade - esta é uma especialidade portuguesa, copiada de França -, vamos directos ao tema: não é possível qualquer tipo de verdadeira reorganização constitucional, recorrendo uma vez mais à falhada e arcaica fórmula republicana. Na verdade, as principais fontes emanadoras do poder de facto, não são eleitas, nem existe um único mortal que reivindique essa "imperiosa" necessidade. Inevitavelmente, uma reformulação da organização estatal pressupõe outro tipo de poderes para as regiões - que hoje apenas se reduzem a duas e que por sinal, exercem contínua chantagem sobre o todo, ameaçando com uma fictícia secessão! - , municípios e todo o quadro local, etc. É praticamente inevitável a aproximação das nossas regiões às suas congéneres além-fronteira, pois as realidades económicas locais e o desejo de racionalização de meios, imporá este caminho como coisa natural. Assim, para um país quase milenar como Portugal, não estranhemos se um dia o Presidente eleito pelos dois grandes centros urbanos, pouco ou nada significar para quem viva em Valença ou Estremoz, por exemplo. Por alguma razão, ACS foi eleito por ...23% do corpo eleitoral. 23%! É o PR de Lisboa e do Porto e pouco mais. Por outro lado, há que atender à profunda modificação do próprio conceito de portugalidade, hoje muito mais amplo que aquele existente em 1974, consubstanciando-se em alguns países cuja relevância e conhecida. bastará observarmos o papel do rei João Carlos nas cimeiras ibero-americanas - com os presidentes portugueses ao mesmo nível dos demais - e verificarmos o estado de profunda inferioridade anímica em que nos encontramos. Um perigo facilmente resolúvel. 
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De Nuno Castelo-Branco a 25.01.2012 às 18:05

Por outro lado e como acima mencionava, Portugal não se pode dar ao luxo de perder a soberania sobre os arquipélagos atlânticos, dada a crescente importância económica e geoestratégica daquele espaço, aliás necessário para uma futura coordenação de interesses com o Brasil. Esta é a realidade que teimam em não quer ver. Infalivelmente, tal espaço será reivindicado por uma massa anónima, estranha e prepotente que se chamará "comunidade europeia" e isto em claro prejuízo dos nossos interesses, mesmo até aqueles que se prendem com a nossa autonomia nacional, bastante reduzida a uma dimensão cultural.  Assim, será necessária a transferência de poderes para essas duas regiões autónomas, retirando o ónus "colonial" que nos é sempre apontado e as escandalosas chantagens que são constantes e rotineiras. Responsabilizará os dirigentes locais e fará com que vejam o seu interesse em permanecerem no todo nacional que por si, já é diminuto. Com uma Monarquia, teremos um caminho desimpedido e capaz de contentar o orgulho local, essa é a verdade. Por alguma razão, os mais radicais do esquema partidário catalão e basco, são curiosamente - ou não -, aqueles que exigem o fim da realeza em Espanha. Sabem o que significa e há que dar razão a essa estratégia, embora dela discordemos totalmente.
Em suma, sem Monarquia, não há reformulação do Estado e a articulação político-constitucional às necessidades económicas, hoje sempre em constante modificação, devido a uma catastrófica anarquia na "política" de desenvolvimento. Sem Monarquia, é impossível um repensar do municipalismo e das suas necessárias federações. Sem  uma Monarquia, mitigar-se-á cada vez mais o próprio posicionamento de Portugal na CPLP. Não quero falar nos gastos próprios dos dois princípios da forma do Estado - estão á vista, bastará atravessar a fronteira -, pois são coisa quase folclórica e apenas devem ser criticáveis sob o ponto de vista de visibilidade interna e externa e do prestígio da instituição que deve reflectir-se no país.


Se o Nuno quiser continuar a aturar-me, poderei continuar longamente a deixar neste espaço as minhas opiniões. Podemos mesmo passar ao actual estado de liquidação do nosso património, à educação nacional, e outros temas. Está quase tudo por fazer e a verdade é que poucos almejam a que algo evolua. 
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De Nuno Oliveira a 25.01.2012 às 20:02

Como vê, caro Nuno, você dá-me inteira razão. Todas as suas opiniões são válidas e não é rei de Portugal. Logo, para que precisa de um rei, de alguém que possa ter uma posição diferente perante estes temas? E será ingénuo ignorar que nem todos os monárquicos pensam da mesma forma sobre os mesmos. Se juntar a isso o facto de ter nascido um homem livre e ter de se ajoelhar perante outro ser igual a si, só porque teve a sorte (ou o azar) de nascer filho de outros seres idênticos, torna todo o movimento monárquico quase fútil e desnecessário.

Ao aceitar um rei, aceita o facto de que nem todos nascem iguais. Ponto de partida obviamente errado. E não há nada correcto quando a premissa de que parte é errada.

Insisto na minha ideia que a culpa jaz na (in)civilidade portuguesa. Na incapacidade de compreendermos um sistema educacional e uma comunicação social falsos, baseando a sociedade na idolatração do dinheiro e da competição entre nós. Ao mesmo tempo que exibimos um egoísmo tremendo quando os outros são beneficiados e mudamos radicalmente quando nos toca a nós.

Reitero a minha  opinião sobre si. Considero-o bastante no seu conhecimento e opiniões sobre os temas que refere e talvez seja a hora certa de concorrer a Presidente! Receberá o meu voto desde que não queira impor uma monarquia!
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De Nuno Castelo-Branco a 25.01.2012 às 23:20

Precisamente por isso, Nuno! UM Presidente jamais poderá estar numa posição que lhe permita as reformas de que necessitamos. Não pode porque deve e teme. Pior ainda, tem de negociar com os próprios apoiantes e sabemos como eles funcionam. Já experimentámos todos os tipos de República e ficamos sempre num beco sem saída: a parlamentar que deu os resultados que se conhecem e que alguns tentam desculpar com a Grande Guerra que a gente republicana desesperadamente quis pelas razões conhecidas. A presidencial, efémera, bonapartista, oca e com claros indícios de poder pessoal e a caminho da arbitrariedade: acabou com uns tiros na gare do Rossio e com o reinício da guerra civil de baixa intensidade. A II que mais propriamente devia ser denominada de III (o sidonismo foi algo de diferente do costismo bernardinista), é mais difícil de a definirmos, pois teoricamente o Presidente era de jure o chefe supremo do Estado e com poderes muito latos, mas quem governava e manobrava era o Dr. Salazar. E temos agora esta a tal carne-peixe semi isto e semi aquilo. Os acontecimentos sucedem-se e já indiciam o que sucederá mais tarde ou mais cedo.


Sim, por princípio todos os homens nascem iguais e presumivelmente, da mesma proveniência carnal. Como lhe dizia mais acima, os princípios são eloquentes mas completamente vazios de conteúdo. Parece paradoxal que aquilo que universalmente se consideram democracias avançadas e estáveis são precisamente Monarquias. Bem sei que alegará com o "poder decorativo" do Chefe de Estado? Será assim em Espanha? E na Bélgica? E quanto à Noruega onde Harald V pode presidir a Conselhos de Ministros? Serão países menos democráticos do que a França, a Itália ou Portugal? Já agora, explique-me como é que um país plurinacional como a Espanha, onde existe um Parlamento fraccionado e composto pelos ditos representantes de regiões que se "detestam", consegue funcionar sem dissoluções de Assembleia, sem quedas de governo antes do fim dos mandatos? 


Nada deve ser considerado um tabu e para mim, a questão do regime não é. Discuta-se então a conveniência e a viabilidade de cada uma das formas de representação do Estado, coisa jamais feita em Portugal. Agora, desiludam-se aqueles que pensam numa simples questão formal: a Monarquia deve significar uma profunda reforma e precisamente no sentido de mantermos a democracia, adaptada às nossas necessidades e claro está, ao claro desejo da maioria da população que decerto não a quererá perder.  A verdade é que "isto" está a dar as últimas, como se costuma dizer e sinceramente, não vejo qualquer possibilidade de regeneração mantendo-se a estrutura essencial. É preciso que a forma mude para que as alterações sejam visíveis e ainda mais importantes, perceptíveis a todos. É que a seguir, podemos desde já passar à educação cívica das novas gerações - História, Português, etc -, à política externa que felizmente começa a ir no sentido certo desde há uns três ou quatro anos, as Forças Armadas (aspecto essencial e constantemente ultrajado), o património. Tudo está ligado da forma mais íntima e não há maneira de se fazer algo sem um programa muito concreto e multidisciplinar.


* Quanto á sua sugestão presidencial, morreria de susto e assumo aquilo que o leito mais abaixo diz: sou um simples borra-botas, Nuno Oliveira. A questão da Monarquia deve ser vista como um geral acto de despreendimento por parte de todos. Acredite no que lhe digo: nem todos podem chegar a Belém e só lá entra quem os grandes interesses querem, uns discretos, outros um tanto ou quanto auríferos. Ou tem ilusões quanto a isso?
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De Nuno Oliveira a 26.01.2012 às 02:38

Toda a questão da discussão da monarquia vs. república é pura perda de tempo quando o mal situa-se na realidade de democracia vs. fascismo ou corporativismo. E esta realidade é facilmente demonstrável em qualquer república ou monarquia ocidental. Sinto-me deveras frustrado ver pessoas com calibre intelectual perderem-se na espuma quando deviam concentrar-se no que a causa. Não há monarca que impeça o verdadeiro poder - o económico. Aliás, não faz diferença se é monarca ou não, basta que tenha coluna vertebral. Sim. Tem razão no que diz sobre a realidade eleitoral. Já escrevi por diversas vezes sobre isso mas se quiser saber o que realmente penso pode ler aqui (http://www.avilanua.blogspot.com/2011/11/paradigma-do-espectro-politico.html) e aqui (http://www.avilanua.blogspot.com/2011/11/democracia-para-o-bem-da-maioria.html). Se não é possível qualquer pessoa chegar ao poder, nem no sistema americano, sem dúvida um dos melhores com uma constituição das mais bem feitas até aos dias de hoje, algo está mal. A maioria das pessoas consideram possível ganharem o euromilhões que, segundo as estatísticas, é 16 vezes menos provável do que serem atingidas por um relâmpago, e insistem em considerar todos os acontecimentos económicos e políticos mundiais como coincidências. São fenómenos. Nada do que está a acontecer é por acaso. A não ser que acreditem que é possível ganhar várias vezes a lotaria como o Valentim Loureiro. Esta cegueira é induzida por uma comunicação social comandada pelos grande grupos económicos (peço desculpa se pareço o Jerónimo...), por uma crescente incapacidade do cidadão normal ter tempo para se coçar e investigar a realidade escondida, por uma tremenda ignorância das pessoas perante a realidade económica mundial e, acima de tudo, por uma educação na base da competição e medo do desconhecido. Medo de não pagar as contas e ficar sem o carro, a casa, o IPAD e o IPhone e o Wii (não sei se é assim que se chama!). Medo de ser considerado diferente e ser ostracizado. Medo de ser livre! Esta sociedade está edificada num conceito totalmente abstracto - o conceito de valor dum mero pedaço de papel que não simboliza nada. Consegue explicar-me de onde apareceram os quase 600 biliões de euros (creio que é o valor correcto) que o BCE colocou na banca recentemente? Não conseguirá pois aparecem do ar. Qual passe de magia. A realidade é que custa ao BCE o mesmo valor imprimir notas de €5 ou notas de €500. Mas a nós, cidadãos desta UE, é nos cobrado mais quantos mais zeros colocam na nota. É tudo muito engraçado e aparentemente complexo mas no fim do mês concluímos que temos de trabalhar mais para pagar uma dívida que alguém produziu sem o nosso consentimento. Isto tudo terá um fim. E temo que não faltará muito. Há uma implosão financeira prestes a acontecer em todos os países. Todos têm dívida pública. E não vale a pena enganarem-nos dizendo que os Alemães ou os Japoneses estão safos porque a sua é devida a credores nacionais. Quando deixarem de ter a quem vender os seus produtos verão que as suas economias são tão frágeis quanto as em que eles se apoiam.

Não quero ser arauto da desgraça, mas sei que se não começarmos a abrir os olhos de uma vez por todas, continuando a discutir temas secundários que só convêm ao status quo,  atingiremos esse limite.

É por isso que gosto de ler muitos dos temas que traz a este blog. Mas frustra-me o banho de espuma em que se banha quando fala da monarquia - eles são todos da mesma família e todos abençoados pelo Vaticano. São parte do status quo que nos tem prejudicado ao longo dos séculos. Chamar república a isto que temos em Portugal ou Alemanha ou França ou Itália é pura ilusão. Mas achar que a Suécia ou a Bélgica ou a Holanda não fazem parte do sistema... é perguntar ao príncipe Bernardo da Holanda (sei que já faleceu) quando iniciou o famoso e secreto grupo elitista denominado Bilderberg...
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De Silvino Silvério Parques a 25.01.2012 às 21:08

O próbêma ê ô portuga que ê invejoso e gosta de ser mandado por borra-botas

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