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A lontrinha e a lambisgóia

por Nuno Castelo-Branco, em 24.01.12

Uma lontra saiu esta manhã do mar e sentou-se numa cadeira de esplanada, gozando os raios deste sol de inverno. Cena adorável.

 

Uma gordíssima lambisgóia saiu de um buraco já há mais de cem anos e instalou-se aqui mesmo à beira Atlântico, sendo até agora impossível reenviá-la á origem. Uma maçada que nos tem saído bem cara.

publicado às 23:00


5 comentários

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De Nuno Oliveira a 25.01.2012 às 01:15

Caro Nuno,

Concordo com muitas das suas ideias. Mas há uma coisa em que insiste de que discordo totalmente - que temos os políticos que temos por sermos uma República. Dou-lhe como exemplo a monarquia Britânica. Como pode justificar Blair, Brown e Cameron? Estagiaram em algum parlamento republicano? Como justifica Zapatero? O problema não estará neste facto mas num domínio do dinheiro sobre a liberdade individual. Que procure subserviência monárquica, assim como muitos outros procuram algo que os liberte dos seus medos, ainda consigo entender. Já não entendo que a queira impor a outros. Parece-me uma pessoa demasiado racional para tal. Neste mundo de corporações que dominam os Estados, comummente intitulado de fascismo, acha mesmo que fará alguma diferença se temos um rei ou um presidente. Vejo que investiga e está atento a muitos assuntos para além da causa monárquica, pelo qual o louvo e sigo. Mas a sua causa monárquica é uma distracção do que é realmente importante - quem nos gere na realidade e com que fim.
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De Nuno Castelo-Branco a 25.01.2012 às 17:30

Caro Nuno, jamais leu uma única linha da minha autoria, na qual afirme que assim somos devido à República. O problema é bem mais fundo como os republicanos deveriam ter nisso pensado antes de terem feito asneiras durante mais de trinta anos e e mesmo após a vitória dos eu golpe de 1908-10. Claro que jamais afirmaremos que tudo será excelente no caso de substituímos o Presidente pelo Rei. Seria indecente persistir em enganar as pessoas tal como até aos nossos dias habitualmente se faz de forma descarada.
Esta deveria ser uma resposta longuíssima, pois o assunto é complexo e sinceramente lhe digo que quase tudo está por fazer, especialmente no que respeita à organização do Estado, o ponto essencial para que a sociedade civil se liberte ou disso tenha qualquer possibilidade. Assim, vejamos alguns aspectos:
1. Organização constitucional. 
Não precisamos de textos prolixos ou programáticos, bastando um sucinto enunciado de direitos e deveres, comuns a todas as sociedades como aquelas que os comunistas normalmente designam de "democracias burguesas". Os Tratados internacionais assinados por Portugal e subjacentes à nossa pertença às Nações Unidas, já são fonte suficiente de Direito dos povos e isto deve ser levado ao seu sentido mais estrito e fundamentado nas instituições nacionais, na separação de poderes, etc. 
Há que eliminar a enorme quantidade de instituições supérfluas e bastas vezes redundantes, pasto para vaidades de casta , grupos de pressão política e interesses que também têm ramificações claramente económicas. PGR's, Supremos, excesso de Tribunais e respectivas isenções em termos de mordomias, tudo isto deve ser abolido sem qualquer hesitação (vidé Dinamarca, por ex.9
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De Nuno Castelo-Branco a 25.01.2012 às 17:36

A própria composição da representação nacional, é arcaica, completamente alheia à realidade nacional e àquilo que a população mais interessada pela coisa pública pretende e quer. Quando há décadas se verberava uma Câmara Alta não dependente do mesmo esquema electivo da Câmara Baixa - aliás única na A.R. -, apontava-se com o fascismo, corporativismo, etc. Ora, nada é mais desejado pelos sindicatos, entidades patronais, academias ou municípios, senão uma efectiva participação na fiscalização e e certa medida, na formulação legislativa. Tal deve obedecer a critérios que devem ter em conta as necessidades momentâneas do país, dependendo os lugares das referidas instituições que nomeiam os seus representantes. É claro que a Câmara Baixa estará sucintamente presente e em proporção ao peso eleitoral de cada Partido, mas sempre por delegação. Isto evitara a repetição de erros crassos nos planos de desenvolvimento - Portugal é um país dependente do Estado, disso não tenhamos ilusões - e a falta de fiscalização é um autêntico drama que mina qualquer hipótese de desenvolvimento sustentado e de acordo com as reais necessidades das regiões e em reflexo, do todo nacional. 
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De Nuno Castelo-Branco a 25.01.2012 às 17:52

Não valerá a pena alongarmo-nos acerca do sistema eleitoral da actualidade, completamente caduco, abusivo, destruidor da imagem da democracia e um autêntico iman para o compadrio, mediocridade, caciquismo e inoperância. Duvido muito que haja a mínima vontade em modificá-lo - pergunte ao PS/PSD -, coisa que fatalmente conduzirá o sistema vigente a uma ruptura. Veremos. 


temos agora o problema da forma republicana do Estado, aliás absoluta, sem possibilidade de discussão, imposta, profundamente elitista e completamente partidarizada. Não querendo perder tempo com capciosas formulações político-filosóficas sempre tendentes a reduzirem-se à enumeração de "grandes princípios" desfasados da realidade - esta é uma especialidade portuguesa, copiada de França -, vamos directos ao tema: não é possível qualquer tipo de verdadeira reorganização constitucional, recorrendo uma vez mais à falhada e arcaica fórmula republicana. Na verdade, as principais fontes emanadoras do poder de facto, não são eleitas, nem existe um único mortal que reivindique essa "imperiosa" necessidade. Inevitavelmente, uma reformulação da organização estatal pressupõe outro tipo de poderes para as regiões - que hoje apenas se reduzem a duas e que por sinal, exercem contínua chantagem sobre o todo, ameaçando com uma fictícia secessão! - , municípios e todo o quadro local, etc. É praticamente inevitável a aproximação das nossas regiões às suas congéneres além-fronteira, pois as realidades económicas locais e o desejo de racionalização de meios, imporá este caminho como coisa natural. Assim, para um país quase milenar como Portugal, não estranhemos se um dia o Presidente eleito pelos dois grandes centros urbanos, pouco ou nada significar para quem viva em Valença ou Estremoz, por exemplo. Por alguma razão, ACS foi eleito por ...23% do corpo eleitoral. 23%! É o PR de Lisboa e do Porto e pouco mais. Por outro lado, há que atender à profunda modificação do próprio conceito de portugalidade, hoje muito mais amplo que aquele existente em 1974, consubstanciando-se em alguns países cuja relevância e conhecida. bastará observarmos o papel do rei João Carlos nas cimeiras ibero-americanas - com os presidentes portugueses ao mesmo nível dos demais - e verificarmos o estado de profunda inferioridade anímica em que nos encontramos. Um perigo facilmente resolúvel. 
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De Nuno Castelo-Branco a 25.01.2012 às 18:05

Por outro lado e como acima mencionava, Portugal não se pode dar ao luxo de perder a soberania sobre os arquipélagos atlânticos, dada a crescente importância económica e geoestratégica daquele espaço, aliás necessário para uma futura coordenação de interesses com o Brasil. Esta é a realidade que teimam em não quer ver. Infalivelmente, tal espaço será reivindicado por uma massa anónima, estranha e prepotente que se chamará "comunidade europeia" e isto em claro prejuízo dos nossos interesses, mesmo até aqueles que se prendem com a nossa autonomia nacional, bastante reduzida a uma dimensão cultural.  Assim, será necessária a transferência de poderes para essas duas regiões autónomas, retirando o ónus "colonial" que nos é sempre apontado e as escandalosas chantagens que são constantes e rotineiras. Responsabilizará os dirigentes locais e fará com que vejam o seu interesse em permanecerem no todo nacional que por si, já é diminuto. Com uma Monarquia, teremos um caminho desimpedido e capaz de contentar o orgulho local, essa é a verdade. Por alguma razão, os mais radicais do esquema partidário catalão e basco, são curiosamente - ou não -, aqueles que exigem o fim da realeza em Espanha. Sabem o que significa e há que dar razão a essa estratégia, embora dela discordemos totalmente.
Em suma, sem Monarquia, não há reformulação do Estado e a articulação político-constitucional às necessidades económicas, hoje sempre em constante modificação, devido a uma catastrófica anarquia na "política" de desenvolvimento. Sem Monarquia, é impossível um repensar do municipalismo e das suas necessárias federações. Sem  uma Monarquia, mitigar-se-á cada vez mais o próprio posicionamento de Portugal na CPLP. Não quero falar nos gastos próprios dos dois princípios da forma do Estado - estão á vista, bastará atravessar a fronteira -, pois são coisa quase folclórica e apenas devem ser criticáveis sob o ponto de vista de visibilidade interna e externa e do prestígio da instituição que deve reflectir-se no país.


Se o Nuno quiser continuar a aturar-me, poderei continuar longamente a deixar neste espaço as minhas opiniões. Podemos mesmo passar ao actual estado de liquidação do nosso património, à educação nacional, e outros temas. Está quase tudo por fazer e a verdade é que poucos almejam a que algo evolua. 

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