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A lontrinha e a lambisgóia

por Nuno Castelo-Branco, em 24.01.12

Uma lontra saiu esta manhã do mar e sentou-se numa cadeira de esplanada, gozando os raios deste sol de inverno. Cena adorável.

 

Uma gordíssima lambisgóia saiu de um buraco já há mais de cem anos e instalou-se aqui mesmo à beira Atlântico, sendo até agora impossível reenviá-la á origem. Uma maçada que nos tem saído bem cara.

publicado às 23:00


11 comentários

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De Nuno Castelo-Branco a 25.01.2012 às 23:20

Precisamente por isso, Nuno! UM Presidente jamais poderá estar numa posição que lhe permita as reformas de que necessitamos. Não pode porque deve e teme. Pior ainda, tem de negociar com os próprios apoiantes e sabemos como eles funcionam. Já experimentámos todos os tipos de República e ficamos sempre num beco sem saída: a parlamentar que deu os resultados que se conhecem e que alguns tentam desculpar com a Grande Guerra que a gente republicana desesperadamente quis pelas razões conhecidas. A presidencial, efémera, bonapartista, oca e com claros indícios de poder pessoal e a caminho da arbitrariedade: acabou com uns tiros na gare do Rossio e com o reinício da guerra civil de baixa intensidade. A II que mais propriamente devia ser denominada de III (o sidonismo foi algo de diferente do costismo bernardinista), é mais difícil de a definirmos, pois teoricamente o Presidente era de jure o chefe supremo do Estado e com poderes muito latos, mas quem governava e manobrava era o Dr. Salazar. E temos agora esta a tal carne-peixe semi isto e semi aquilo. Os acontecimentos sucedem-se e já indiciam o que sucederá mais tarde ou mais cedo.


Sim, por princípio todos os homens nascem iguais e presumivelmente, da mesma proveniência carnal. Como lhe dizia mais acima, os princípios são eloquentes mas completamente vazios de conteúdo. Parece paradoxal que aquilo que universalmente se consideram democracias avançadas e estáveis são precisamente Monarquias. Bem sei que alegará com o "poder decorativo" do Chefe de Estado? Será assim em Espanha? E na Bélgica? E quanto à Noruega onde Harald V pode presidir a Conselhos de Ministros? Serão países menos democráticos do que a França, a Itália ou Portugal? Já agora, explique-me como é que um país plurinacional como a Espanha, onde existe um Parlamento fraccionado e composto pelos ditos representantes de regiões que se "detestam", consegue funcionar sem dissoluções de Assembleia, sem quedas de governo antes do fim dos mandatos? 


Nada deve ser considerado um tabu e para mim, a questão do regime não é. Discuta-se então a conveniência e a viabilidade de cada uma das formas de representação do Estado, coisa jamais feita em Portugal. Agora, desiludam-se aqueles que pensam numa simples questão formal: a Monarquia deve significar uma profunda reforma e precisamente no sentido de mantermos a democracia, adaptada às nossas necessidades e claro está, ao claro desejo da maioria da população que decerto não a quererá perder.  A verdade é que "isto" está a dar as últimas, como se costuma dizer e sinceramente, não vejo qualquer possibilidade de regeneração mantendo-se a estrutura essencial. É preciso que a forma mude para que as alterações sejam visíveis e ainda mais importantes, perceptíveis a todos. É que a seguir, podemos desde já passar à educação cívica das novas gerações - História, Português, etc -, à política externa que felizmente começa a ir no sentido certo desde há uns três ou quatro anos, as Forças Armadas (aspecto essencial e constantemente ultrajado), o património. Tudo está ligado da forma mais íntima e não há maneira de se fazer algo sem um programa muito concreto e multidisciplinar.


* Quanto á sua sugestão presidencial, morreria de susto e assumo aquilo que o leito mais abaixo diz: sou um simples borra-botas, Nuno Oliveira. A questão da Monarquia deve ser vista como um geral acto de despreendimento por parte de todos. Acredite no que lhe digo: nem todos podem chegar a Belém e só lá entra quem os grandes interesses querem, uns discretos, outros um tanto ou quanto auríferos. Ou tem ilusões quanto a isso?
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De Nuno Oliveira a 26.01.2012 às 02:38

Toda a questão da discussão da monarquia vs. república é pura perda de tempo quando o mal situa-se na realidade de democracia vs. fascismo ou corporativismo. E esta realidade é facilmente demonstrável em qualquer república ou monarquia ocidental. Sinto-me deveras frustrado ver pessoas com calibre intelectual perderem-se na espuma quando deviam concentrar-se no que a causa. Não há monarca que impeça o verdadeiro poder - o económico. Aliás, não faz diferença se é monarca ou não, basta que tenha coluna vertebral. Sim. Tem razão no que diz sobre a realidade eleitoral. Já escrevi por diversas vezes sobre isso mas se quiser saber o que realmente penso pode ler aqui (http://www.avilanua.blogspot.com/2011/11/paradigma-do-espectro-politico.html) e aqui (http://www.avilanua.blogspot.com/2011/11/democracia-para-o-bem-da-maioria.html). Se não é possível qualquer pessoa chegar ao poder, nem no sistema americano, sem dúvida um dos melhores com uma constituição das mais bem feitas até aos dias de hoje, algo está mal. A maioria das pessoas consideram possível ganharem o euromilhões que, segundo as estatísticas, é 16 vezes menos provável do que serem atingidas por um relâmpago, e insistem em considerar todos os acontecimentos económicos e políticos mundiais como coincidências. São fenómenos. Nada do que está a acontecer é por acaso. A não ser que acreditem que é possível ganhar várias vezes a lotaria como o Valentim Loureiro. Esta cegueira é induzida por uma comunicação social comandada pelos grande grupos económicos (peço desculpa se pareço o Jerónimo...), por uma crescente incapacidade do cidadão normal ter tempo para se coçar e investigar a realidade escondida, por uma tremenda ignorância das pessoas perante a realidade económica mundial e, acima de tudo, por uma educação na base da competição e medo do desconhecido. Medo de não pagar as contas e ficar sem o carro, a casa, o IPAD e o IPhone e o Wii (não sei se é assim que se chama!). Medo de ser considerado diferente e ser ostracizado. Medo de ser livre! Esta sociedade está edificada num conceito totalmente abstracto - o conceito de valor dum mero pedaço de papel que não simboliza nada. Consegue explicar-me de onde apareceram os quase 600 biliões de euros (creio que é o valor correcto) que o BCE colocou na banca recentemente? Não conseguirá pois aparecem do ar. Qual passe de magia. A realidade é que custa ao BCE o mesmo valor imprimir notas de €5 ou notas de €500. Mas a nós, cidadãos desta UE, é nos cobrado mais quantos mais zeros colocam na nota. É tudo muito engraçado e aparentemente complexo mas no fim do mês concluímos que temos de trabalhar mais para pagar uma dívida que alguém produziu sem o nosso consentimento. Isto tudo terá um fim. E temo que não faltará muito. Há uma implosão financeira prestes a acontecer em todos os países. Todos têm dívida pública. E não vale a pena enganarem-nos dizendo que os Alemães ou os Japoneses estão safos porque a sua é devida a credores nacionais. Quando deixarem de ter a quem vender os seus produtos verão que as suas economias são tão frágeis quanto as em que eles se apoiam.

Não quero ser arauto da desgraça, mas sei que se não começarmos a abrir os olhos de uma vez por todas, continuando a discutir temas secundários que só convêm ao status quo,  atingiremos esse limite.

É por isso que gosto de ler muitos dos temas que traz a este blog. Mas frustra-me o banho de espuma em que se banha quando fala da monarquia - eles são todos da mesma família e todos abençoados pelo Vaticano. São parte do status quo que nos tem prejudicado ao longo dos séculos. Chamar república a isto que temos em Portugal ou Alemanha ou França ou Itália é pura ilusão. Mas achar que a Suécia ou a Bélgica ou a Holanda não fazem parte do sistema... é perguntar ao príncipe Bernardo da Holanda (sei que já faleceu) quando iniciou o famoso e secreto grupo elitista denominado Bilderberg...

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