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Esta a frase, retirada d'«A Relíquia», que inspirou Teixeira Lopes na concepção da estátua sita no Largo do Quintela, em Lisboa.
Aquando da inauguração do monumento, oferecido à cidade pelos amigos e admiradores de Eça de Queirós, Ramalho Ortigão, tomou da palavra para dizer: " Não é um retrato literário do insigne escritor que me proponho traçar- o meu fim é unicamente fazer notar a Lisboa que Eça é, como romancista, o mais fundamental e genuinamente lisboeta de todos os escritores nacionais(...).
Lisboa foi o seu laboratório de arte, o seu material de estudo, a sua preocupação de crítico, o seu mundo de escritor(...)e, a pouco e pouco, se tornou ele próprio enraizadamente lisboeta. Os seus contos e as suas novelas são o espelho desse consórcio do seu espírito com o espírito da vida lisbonense(...). E nesse vasto cenário toda uma densa população pulula, ama, pensa, estuda, combate, intriga, devora ou boceja...; contemplando o enigmático vulto de mulher olímpica, agora aqui colocado, junto do vulto do meu saudoso amigo, eu concluo perguntando-me se essa gloriosa figura, em vez de personificar uma pura e etérea abstracção estética, não é antes a estátua mesma de Lisboa".

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publicado às 11:42


9 comentários

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De antonio brito a 07.03.2017 às 09:57

guiado por Saramago que reescreve a  frase, "sobre o diáfano mundo da fantasia a nua ralidade", uma profunda reflexão sobre o papel da escrita como construção e representação mais profunda da realidade, fui visitar a estátua na rua do Alecrim. Foi com tristeza que observei o abandono dos lisboetas de hoje para quem " criou " a Lisboa de ontem. Para ler o dístico, tive que eliminar as ervas e catar as latas de cerveja ali jogadas. Desejo voltar com pás para ali plantar uma flor. Quem teria tempo para me acompanhar no  meio dos carros que sobem?

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