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MANIFESTO: INSTAURAR A DEMOCRACIA, RESTAURAR A MONARQUIA

por Pedro Quartin Graça, em 01.02.12

 

Vivemos dias dificeis. Todos o sabemos. Mas isso não serve nem chega. Se a  resignação é inútil,  a indignação sem objectivo não é um valor em si. É tempo de fazer. É tempo de escolher como fazer.

 

Fazer o diagnóstico das nossas fraquezas é fácil e não é mais do que reiterar o óbvio ululante. Dar uma esperança real é o mais dificil: perante o preocupante enfraquecer das estruturas democráticas; a visível delapidação dos valores morais na política; o estado caótico da nossa justiça e a sua aparente dependência das mais diversas forças de influência; e finalmente (e provavelmente o mais importante) uma ameaça de perda de soberania - os portugueses não têm razões para confiar no seu futuro.

 

Nós, cidadãos portugueses, com as mesmas preocupações com que todos vivemos, queremos dizer: há alternativa. Há soluções que contêm valores.  É isso que nos une. É isso que nos move. É isso que propomos.

 

Perante um regime em liberdade mas em que a verdadeira democracia está ausente, torna-se urgente uma chefia de Estado independente e supra-partidária. Isto só pode ser garantido, zelado e velado por um chefe de Estado eleito pela história. Alguém que, ao olhar para trás, perceba as pegadas históricas e que nos diga de onde viemos. Alguém que, ao olhar para a frente, veja uma continuidade e não uma ruptura episódica, ditada por interesses partidários presos apenas ao espírito do tempo. Alguém que una e não exclua. Um Chefe de Estado que esteja ao serviço da Nação e que não se sirva dela. Portugal precisa de uma Monarquia. Portugal precisa de um Rei.

 

Nós, democratas de sempre, apelamos a uma séria discussão em torno da nossa chefia de Estado. Apelamos a que exista uma mobilização da sociedade civil em torno do debate sobre o regime que, há uma centena de anos, foi imposto ao nosso povo pela lei das armas e precedido de um grave homicídio, que nunca foi julgado. Democratas de sempre, não aceitamos que uma chefia de Estado se legitime na espuma de dogmas passados e vontades impostas, em que ao povo português continue a ser negada a possibilidade de escolher um futuro possível e digno.   A razão democrática e a justiça histórica abona a favor dos nossos príncipios. Da nossa verdade.

 

Acreditamos que o Senhor D. Duarte de Bragança - único e legítimo pretendente ao trono português - poderá dignificar a chefia de Estado portuguesa. Pela história que representa e que nos une. Pela liberdade que garante a ausência total de facturas a qualquer eleitorado ou clientela.  

 

Nós, mulheres e homens livres, empenhados cidadãos portugueses, das mais diversas tendências políticas e partidárias, com os mais diversos credos religiosos, decidimos dar mais este passo para que esta esperança se realize. Acreditar que temos uma agenda ideológica seria negar a independência que nos junta em torno de uma chefia de Estado. Que  nos une pela diversidade e não pela opinião política. A política é uma coisa, o Rei é outra. Esta é a questão.

 

Portugal só poderá ser universal se as instituições mantiverem a credibilidade histórica.

 

Nós, monárquicos, portugueses e  democratas de sempre não desistimos de Portugal.  

 

Assinam:

 

Gonçalo Ribeiro Telles

Abel Silva Mota (advogado)

Aline Gallasch-Hall (docente universitária)

Ana Firmo Ferreira (publicitária)

António Pinto Coelho (empresário)

Filipe Ribeiro de Menezes (historiador)

João Gomes de Almeida (publicitário)

Ivan Roque Duarte (jurista)

Luís Coimbra (engenheiro)

Maria João Quintans (paleógrafa)

Miguel Esteves Cardoso (escritor e cronista)

Nuno Miguel Guedes (jornalista)

Paulo Tavares Cadete (gestor)

Pedro Ayres Magalhães (músico)

Pedro Ferreira da Costa (publicitário)

Pedro Policarpo (economista)

Pedro Quartin Graça (professor universitário)

Ricardo Gomes da Silva (empresário)

 

E-mail: restauraramonarquia@gmail.com

 

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publicado às 18:29


3 comentários

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De Renato a 01.02.2012 às 13:06

Vocês acreditam que o vosso pretendente ao trono dignificará a chefia de Estado. Ora, obviamente, poderá haver quem não concorde que o Dom Duarte seja o mehor chefe de Estado. Portanto, deverá ir a eleições. Não é ele com certeza o único com pretensão e capacidades para chefiar o Estado português.
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De WZD a 01.02.2012 às 19:58

Simples: Cortes. Basta reunir as Cortes.

A questão que se coloca a seguir é esta: quem se qualifica para estar presente e ter voz nas Cortes?

Os concelhos e os nobres de antigamente há muito que desapareceram, restam apenas os membros do clero...
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De WZD a 02.02.2012 às 00:50

A última vez que as tivemos Cortes, ou Cortes Gerais e Extraordinárias da Nação Portuguesa, foi em 1820, convocadas para elaborar a Constituição de 1822. Isto se descontarmos as de 1828, convocadas por D. Miguel I, para o reconhecerem como único herdeiro legítimo de D. João VI. Antes destas duas, temos apenas as "Últimas Cortes" de Lisboa em 1697-98, convocadas por D. Pedro II.

O modelo medieval de nobres, clero e homens-bons dos concelhos dificilmente será aplicável nos dias de hoje. Na prática, será o parlamento quem terá de pronunciar-se sobre o assunto.

No actual contexto social, económico e político, a questão da monarquia é a última das nossas preocupações, mas se lá para o final do ano, ou a meio de 2013 (caso lá chegarmos), se verificar que a situação actual se tornar quase-catastrófica , entenda-se, saída de Portugal do Euro, desvalorização de 20% a 30% do novo escudo, subida incomportável das taxas de juro e da inflação, saída dos mercados de dívida soberana, podemos enfrentar um cenário de agitação social bastante convulso e não é de de descartar que no meio dessa confusão, alguém isento tente colocar a água na fervura e se há alguém sem responsabilidades nesta terceira república capaz de orientar e de confortar os desesperados, esse alguém precisará da ajuda de todos os que quiserem aproveitar o momento extremamente delicado para traçar um rumo diferente, que nos tire do buraco.

Mas para isso, é preciso que em vez de  nos "guerrearmos" e dividir-mo-nos em lados separados sem qualquer hipótese de chegar a consensos importantes, passemos antes a olhar para aquilo que nos une e temos em comum. Procurar o que nos une nas diferenças será sempre um bom começo.

Mas o mais certo é muitos de nós deixar-mo-nos enredar nas teias que os "puppet masters" tecem e que vão continuar a tecer e continuarmos presos na ilusão de que decidimos alguma coisa importante ou que seja do nosso interesse neste mundo...

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