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Loucuras pampeiras

por Nuno Castelo-Branco, em 03.03.12

Aquela balzaquiana figura que visava alternar a presidência com o marido, decidiu embarcar na perigosa canhoneira em direcção às brumosas Malvinas que se chamam Falkland. Num país que há quase um século vive de olhos lacrimejantes num contínuo Don't cry for me Argentina, cantoria de serviço a generais de aventuras de Tintim, coristas de vaudeville e neste caso, a aparentes manicuras desencartadas, aquelas ilhas separadas por centenas de quilómetros de mar, são olhadas com a mesma excitação reservada à selecção nacional pampeira.

 

Às febris cabecinhas da Casa Rosada, pouco interessará o princípio da soberania baseada na vontade das populações, uma vez que em termos internos, os argentinos têm alternados fervores descamisados à boca das urnas, com aquele outro conhecido tratamento que no chicote e nos óculos escuros encontra os melhores símbolos de poder. Nada de novo.

 

A incontornável alegação de o arquipélago "pertencer à Argentina porque se situa nas imediações", poderia colocar Portugal e Espanha perante um dilema semelhante, não fosse o Rei Moamede VI um homem mais consciente das realidades. É que tanto a Madeira como as Canárias se encontram nas imediações das praias marroquinas, nem por isso deixando de ser menos portuguesas ou espanholas. Tal como nas Falklands, Gibraltar ou Ceuta, as respectivas populações assim desejam continuar.

 

É claro que toda a histeria kirchnista se deve sobretudo a questões de petróleo e outros bens a explorar, servindo o nacionalismo como enquadramento. Tomem os generais e almirantes argentinos em boa nota a determinação britânica, apesar da viúva Kirchner, agora no uso de clara retórica chavista, ter presente o facto do essencial hiato de cobertura aeronaval que causa alguns embaraços ao trabalho que a Royal Navy. Em caso de imperiosa necessidade, os britânicos não hesitarão em executar o serviço de defesa das ilhas, quanto a isso não haja qualquer tipo de ilusão. Apesar de ainda terem de esperar mais uns dois ou três anos pela entrada de serviço dos porta-aviões, nas próprias ilhas podem colocar valiosos recursos militares, capazes de afastar as muito descuidadas forças armadas argentinas.

 

Londres nem sequer precisará de acrescentar uma única palavra à sintomática declaração de Roger Edwards, presidente da Assembleia Legislativa de um arquipélago sem população argentina"os voos de Buenos Aires são tão prováveis quanto a Falkland Air Service (companhia aérea de voos entre as ilhas) aterrar na Lua".


publicado às 10:22


2 comentários

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De xico a 03.03.2012 às 14:13

Se o governo argentino se preocupasse tanto com a Patagónia como se preocupa com as Falkland, os patagões agradeciam.
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De Anónimo a 04.03.2012 às 10:33

Eles que tentem, levam outra sova das grandes.

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