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Sugestões de Leitura

por Hugo Palma, em 20.11.07
Aqui, Vasco Pulido Valente, qual Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada, leva-nos numa aventura com Mário Soares.

Até há gémeos e tudo!

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publicado às 19:56

Coincidência

por Samuel de Paiva Pires, em 20.11.07
O iníco dos anos 70 presentou o mundo com uma das crises mais marcantes na definição do sistema financeiro mundial no pós-guerra. Em 1973 o preço do petróleo aumentava exponencialmente, à medida que o Dólar se vinha desvalorizando em relação ao ouro, pelo que ainda na senda dos pilares de Bretton Woods, especialmente o da livre convertibilidade entre dólar e ouro, países como a Alemanha optavam por trocar as suas reservas de dólares por ouro do tesouro norte-americano, até que os Estados Unidos se desobrigaram dessa cláusula. O dólar continuava a desvalorizar provocando um aumento da inflação e do desemprego na área de influência norte-americana.

Qualquer semelhança com a realidade actual é pura coincidência.

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publicado às 14:18

Estado mau pagador

por Samuel de Paiva Pires, em 20.11.07
Anda por aí uma petição, iniciada pelo CDS/PP, que dá pelo nome de "Estado mau pagador".

Ao contrário de muitos outros, não vou aqui fazer propaganda em favor dessa petição, até porque apesar da minha inclinação política ser para a direita, sendo um liberal adepto da monarquia, não tenho nenhum vínculo partidário (há quem vá tentando recorrentemente incutir-me um...).

Concordo de facto com os seguintes pontos:

5. O Estado é recorrentemente devedor a particulares e empresas, de quantias vencidas, certas, líquidas e exigíveis, para além de todos os prazos estipulados e até de todos os prazos minimamente razoáveis.

6. Em razão da mora do Estado, muitos particulares e empresas sentem todos os dias dificuldades financeiras, sendo incapazes de solverem compromissos assumidos, sofrendo graves perdas de competitividade, e nos casos das empresas, sendo por vezes obrigadas ao próprio encerramento.

Mas quando leio que:

13. Quem não deve não teme. E um Estado que não se assuma e mostre como pessoa de bem, não pode exigir dos demais, aquilo que não é capaz de cumprir.

Não posso deixar de achar que essa valoração do Estado é algo perigosa. O Estado não deve, e de forma ideal não pode, ser uma pessoa de bem. Essa coisa de gente de bem e pessoas de bem não se pode adequar ao Estado, não se pode imbutir esse tipo de valorações numa entidade que se presume imparcial e agente regulador do euzein (bem viver Aristotélico) dos cidadãos, até porque para todos os efeitos, a Revolução Francesa veio dizer-nos que o Estado somos nós. E nem todos somos pessoas de bem.

Ora se o Estado enquanto entidade abastracta somos nós, embora seja empiricamente verificável que o Estado é mau pagador, concordo que se tornem públicas as dívidas dos maus pagadores, porque apesar da cultura nacional da fuga ao fisco, pelo facto de nem todos sermos pessoas de bem, os que não são têm que ser compelidos a cumprir as suas obrigações, contribuindo para o bem comum, para o bem estar geral de todos nós (de forma ideal, independentemente das valorações que se possam atribuir aos critérios dos gastos efectuados em termos de despesa pública).

Logo, parece-me que o motivo aparente para a criação desta petição está de certa forma desmontado. Portanto pergunto-me, qual o motivo latente para tal? O que quer quem a fez? Será alguém que se sente irritado por o Estado ter publicado as suas dívidas? Ou que tem amigos que assim se sentem?

Não deixam de ter razão quanto ao facto do Estado ser mau pagador, mas o motivo e a forma assumida, nos quais muito poucos devem ter atentado, parecem-me algo descarados, disfarçados sob uma subtil forma de chantagem.

Mas como adepto do maquiavelismo, considero que não deixa de ser uma boa jogada política.

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publicado às 13:41

Raio do maçarico

por Samuel de Paiva Pires, em 20.11.07
Ó Hugo parece que o LNEC encontrou um problemazito quanto à alternativa de Alcochete para o novo aeroporto, um tal maçarico-de-bico-direito. Agora é que te podias tornar um ambientalista ferrenho e defender com unhas e dentes o maçarico, para que não venhas a ter os teus fins-de-semana de descanso interrompidos...

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publicado às 13:36

Juventude

por Samuel de Paiva Pires, em 20.11.07
O Observador alerta no post "A Ordem e a Advocacia":

"Numa altura em que o país (e o mundo ocidental) se preocupa com o envelhecimento da população, dei-me conta que os advogados se afligem com o excesso de novos advogados. O excesso de juventude."

Parece-me que não é só na advocacia. Todo o aparelho estatal português padece do mesmo mal. Salvo raras excepções, em Portugal os jovens não são aproveitados e são, na maioria das vezes, menosprezados. É gritante essa característica sobretudo se comparada com o Brasil, especialmente aqui em Brasília que é conhecida como a cidade dos concursos.

Praticamente todos os dias, ou pelo menos todas as semanas, existem concursos para centenas de empregos no Estado, extremamente bem remunerados. Muitos dos meus colegas na Universidade fazem estágios remunerados ou já têm emprego. E quanto aos que já têm emprego é difícil encontrar algum que receba menos de 4 ou 5 mil reais (1600 a 2000 Euros), valores atingidos em Portugal apenas por profissionais no topo e geralmente em fim de carreira. Estes colegas têm 20, 21, 22, 23, 24, 25 anos de idade. Trabalham no Banco do Brasil, na Caixa Económica, na Embraer, no Congresso, na Petrobras, no Itamaraty e muitas outras empresas e organismos estatais. Um jovem diplomata que acaba de entrar no Itamaraty, ainda cursando no Instituto Rio Branco, recebe tanto quanto um embaixador português quando está em Lisboa. Nós continuamos com uma administração e função pública decrépita, pouco actualizada em termos de novas tecnologias, e que raramente abre concursos.

Para quem não saiba existem acordos que permitem a portugueses fazer concurso para a função pública brasileira...

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publicado às 13:18

Sugestões de leitura

por Samuel de Paiva Pires, em 20.11.07

A entrevista de Vasco Pulido Valente ao Expresso, transcrita na Atlântico.

"O Testamento de Sartre" no Triunfo dos Porcos.

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publicado às 13:13

Agradecimentos blogosféricos (7)

por Samuel de Paiva Pires, em 20.11.07

Ao Oeiras Local em especial à Isabel Magalhães. Obrigado!

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publicado às 13:05

Qu'est-ce que c'est? C'est un lapin de bois! Quoi? C'est un rabbit!!

Valeu bem a pena, e parece que está a ser traduzido para português pelo Nuno Markl.

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publicado às 18:29

Agradecimentos blogosféricos (6)

por Samuel de Paiva Pires, em 19.11.07

Desta feita ao Andarilho! Obrigado!

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publicado às 14:17

Nem a ginginha perdoam

por Samuel de Paiva Pires, em 19.11.07
Numa altura em que a ASAE parece realmente decidida a trabalhar exaustivamente em todas as frentes, deixo aqui o post intitulado "Bota Abaixo" de João Villalobos no Corta-Fitas:

"Lendo o Tomás Vasques, descubro que a ASAE apreendeu na Ginjinha do Rossio umas 18 garrafas de ginja «com elas». A ASAE não quer saber da qualidade dos shots servidos às crianças no Garage ou dos efeitos de misturas publicitadas à «malta jovem» em cartazes, como o do Martini com cerveja. Preocupa-se é com o fígado dos frequentadores daquele castiço estabelecimento. Devem ser malta nova, estes ninjas. Tivessem eles barba e um bocadinho de vida e saberiam que o prazo de validade não se aplica uma garrafa de ginjinha e, em acréscimo, que o fígado de quem por lá pára já passou há muito a fase dos paternalismos. Rapazes da ASAE: Ainda vocês comiam mioleira com ovos mexidos ofertada pela vossa mamã e já aqueles senhores trabalhavam de Sol a Sol sem outra razão de viver que não o 13 no Totobola e o copito de ginjinha ao fim do dia. O que é que vocês querem afinal, hã? Tornar-nos a todos uma cambada de suiços? Bebam mas é as 18 garrafitas e ganhem juízo. "

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publicado às 13:33

E camelos não?

por Samuel de Paiva Pires, em 19.11.07
Dúvida que assaltou a minha mente inquieta enquanto tentava adormecer: será que Kadhafi, que não confia na segurança portuguesa, tal como não confiou nos Belgas e Moçambicanos, e tendo em conta que os carros com escolta policial talvez não lhe agradem, também irá exigir camelos para se deslocar até ao Pavilhão Atlântico? Talvez assim ainda se sinta mais em casa.

Enquanto as autoridades andam a determinar onde colocar a sua tenda, eu já tive uma ideia. Lembram-se da margem sul? Esse tal deserto de Mário Lino? Talvez Kadhafi até possa fazer campanha por Alcochete...

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publicado às 12:46

Agradecimentos blogosféricos (5)

por Samuel de Paiva Pires, em 19.11.07
Ao José Pacheco Pereira por ter publicado no Abrupto a mesma fotografia que aqui deixo, Brasília vista da Torre da Tv, em pormenor, a Esplanada dos Ministérios, datada do passado dia 17/11, num tour realizado com os amigos Bruno Amorim e Cris Alcântara.


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publicado às 12:26

Agradecimentos blogosféricos (4)

por Samuel de Paiva Pires, em 19.11.07
Ao Politicopata pelas suas simpáticas palavras, e quanto à Maddie, é coisa que por aqui não nos interessa falar, esse mediatismo digno de novela brasileira já ultrapassou as marcas do ridículo.
Um grande abraço e que continue com os seus posts deliciosos!

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publicado às 12:21

Notícia do dia, pelo menos para mim: se o novo aeroporto internacional de Lisboa for construído no que é hoje o Campo de Tiro de Alcochete, a Força Aéra poderá começar a usar como campo de tiro um "espaço deserto, com solos pobres, e onde as poucas actividades são a pastorícia e a cinegética" (sic SIC, a do Balsemão).

Ora aqui há uns tempos, tive oportunidade de abordar este assunto com alguém, diga-se, muito bem colocado para discutir o assunto, que dizia não haver possibilidade de outra zona do país poder ser utilizada como campo de tiro, devido à natureza dos solos muito própria que se exige para tal finalidade, e outro pormenores técnicos, que estou longe de dominar.

De referir ainda que o Campo de Tiro de Alcochete não é utilizado apenas pela FA Portuguesa, mas também pela de outros aliados, nomeadamente da NATO.

Se esta notícia tem ponta de credibilidade, não sei. O que sei é que Natureza não se confunde com deserto, nem a caça é uma actividade económica pouco lucrativa, mas dos jornalistas portugueses, já pouco se há de esperar.

O que sei também, é que não quero passar os meus fins-de-semana no Alentejo a ouvir o zumbido dos planadores da FA e estalinhos de carnaval. Apesar de tudo, o que "o Alentejo precisa é de emprego e desenvolvimento, e não de bombas"...

Termino, em favor da honestidade intelectual, admitindo que sou natural do concelho de Serpa, exilado em Lisboa.

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publicado às 23:15

Kadhafi quer ficar em tenda

por Samuel de Paiva Pires, em 17.11.07
Muamar al-Kadhafi não quer ficar em nenhum hotel. E o MNE anda às voltas para encontrar algum local onde ele possa colocar a sua tenda. De salientar que já fez o mesmo na Bélgica e Moçambique.

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publicado às 16:11

No me callo e te digo más...

por Samuel de Paiva Pires, em 17.11.07
Chávez não se cala e até resolveu tentar espantar o mundo com novas afirmações, daquelas que vêm do fundo de um ser cada vez mais desorientado, conforme noticiado aqui.

Chávez que estará de visita ao Irão nos próximos dias, afirma-se confiante no desenvolvimento do programa nuclear iraniano com fins exclusivamente pacíficos, e revela ao mundo que também a Venezuela irá iniciar um programa de desenvolvimento de energia atómica.

A Folha de São Paulo ainda revela que "Ele defendeu a energia nuclear como uma solução para a crise energética mundial, causada pelo aumento do preço do petróleo e pela redução das reservas, além da mudança climática e da poluição atmosférica."

Tão altruísta que ele é...Nem Bolívar chegaria a tanto...

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publicado às 15:16

Agradecimentos blogosféricos (3)

por Samuel de Paiva Pires, em 17.11.07

Desta feita ao Pedro Correia do Corta-Fitas. Obrigado Pedro!

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publicado às 15:09

A natureza da segunda câmara

por Samuel de Paiva Pires, em 16.11.07
No seguimento do post "Dois projectos políticos para Portugal" onde a dada altura dizia:

"Poder-se-á ainda arguir pelo cruzamento entre os dois, algo como uma monarquia constitucional e federada, em que a natureza da segunda câmara seria algo a discutir, e sobre o qual não me quero debruçar agora, até porque ao longo da última semana, enquanto pensava nisto, não consegui encontrar uma saída para o dilema de ter que representar equitativamente os estados federados, mas ter também que instituir uma câmara dos Lordes que garanta a prática do poder fiscalizador da instituição monárquica."

Eis que a resposta para esta minha inquietação é até bem simples. Basta ver algumas das discussões em Espanha ou no Reino Unido acerca da natureza da segunda câmara. Em Espanha já se pensou federalizar o sistema e tornar a segunda câmara mista entre os eleitos directamente e os nomeados pelos estados federados. No Reino Unido foi rejeitada uma proposta para que a House of the Lords fosse composta por membros eleitos e membros nomeados pelo Rei (em proporção a definir).

Portanto, quer Portugal se tornasse um Estado Federal, ou se apenas se voltasse a instituir o elemento Monárquico, essencial seria voltar a ter o Senado, cuja natureza seria porventura técnica, composto por comissões que emitiriam pareceres especializados (à semelhança dos Britânicos) e parece-me que a melhor solução seria um misto entre membros eleitos e membros nomeados pelo Rei.

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publicado às 22:00

Pacto de Varsóvia

por Samuel de Paiva Pires, em 16.11.07
(Este pequeno post é uma sinopse de um trabalho elaborado no âmbito da disciplina de Organizações Internacionais, e encontra-se também publicado em Nostrum Symposium.)

Firmado em 14 de Maio de 1955 na cidade de Varsóvia, o Tratado de Amizade, Cooperação e Assistência Mútua estabeleceu uma aliança militar entre os Estados Socialistas da Europa Central e de Leste, essencialmente sob o domínio da União Soviética, que pretendia estabelecer um contrapeso efectivo e coordenado à ameaça potencial da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN).

Pese o argumento inicial por parte da União Soviética de justificação da criação do Pacto de Varsóvia como retaliação à integração da República Federal Alemã (RFA) na OTAN (em 9 de Maio de 1955), o Pacto acabaria por constituir de facto uma ferramenta de controlo sobre os países da órbita satélite da União Soviética, intervindo militarmente contra quaisquer tentativas que os Estados em questão tomassem contra a ortodoxia comunista e soviética.

O tratado foi modelado no tratado da OTAN, e instituiu uma estrutura organizacional bastante simples, com sede em Moscovo, estabelecendo o Political Consultative Commitee (PCC), que coordenava todas as actividades excepto as de cariz militar, sendo o fórum onde secretários-gerais dos partidos comunistas e chefes de Estado se reuniam, e o Unified Command of Pact Armed Forces, que detinha autoridade sobre as tropas que lhe eram atribuídas pelos Estados, sendo o Commander in chief o First Deputy Minister of Defence of USSR, e o Chief of Staff o First Deputy chief of the Soviet General Staff.

Todos os Estados socialistas da Europa Central e de Leste se constituíram membros do Pacto excepto a Jugoslávia, sendo os Estados partes do tratado a Albânia, Bulgária, Checoslováquia, República Democrática Alemã (RDA), Hungria, Polónia, Roménia e União Soviética. A Albânia deixaria de apoiar o Pacto em 1961 devido à divisão Sino-Soviética, em que se situou como apoiante da linha Estalinista da China, acabando por se retirar oficialmente em 1968 como protesto à invasão da Checoslováquia, evento que ficou conhecido como Primavera de Praga.

Com o afastar gradual de Gorbatchev em relação à doutrina Brejnev, os movimentos de abertura foram-se propagando pelo Leste Europeu. Os comunistas liberais assumiram o poder na Hungria, enquanto por exemplo na Polónia o Partido Comunista negociava com o Solidariedade. Numa visita à Finlândia em Outubro de 1989, o porta-voz de Gorbatchev, Gerasimov, confirmava o abandonar da doutrina Brejnev, gracejando com a imprensa que Moscovo adoptara a doutrina Sinatra, numa alusão à famosa música de Frank Sinatra “I dit it my way”, afirmando que a Hungria e Polónia estavam a fazer as coisas à sua maneira.

Tornava-se cada vez mais evidente a incompatibilidade entre a liberalização e o comunismo, cujos partidos estavam cada vez mais desmoralizados. Também em Outubro de 1989 Gorbatchev visitava a RDA para participar da comemoração do 40.º aniversário da fundação dessa, acabando ainda por incitar o seu dirigente estalinista, Erich Honecker, a conduzir uma política mais reformista, enquanto exaltava também a estabilidade da RDA. Porém, 4 semanas depois da sua visita o Muro de Berlim caía. Dez meses depois Gorbatchev concordava com a unificação da Alemanha como membro da NATO. Todos os governos comunistas da antiga órbita satélite haviam sido depostos e o Pacto de Varsóvia desmoronou-se. A ordem de Ialta caía, e a História revelava a insensatez das afirmações de Kruchtchev de que o comunismo enterraria o capitalismo.

Com o assumir da doutrina Sinatra em detrimento da doutrina Brejnev (em 1989), os novos governos independentes dos Estados satélites da União Soviética acabariam por contribuir para o fim do Pacto. Em 24 de Setembro de 1990 a RDA retirar-se-ia do tratado e em 3 de Outubro do mesmo ano acabaria por se reunificar com a RFA, pelo que a nova Alemanha unificada se tornou membro da OTAN, enquanto a Checoslováquia, Hungria e Polónia anunciavam em Janeiro de 1991 que iriam retirar o seu apoio ao Pacto, seguindo-se a Bulgária em Fevereiro. Em 1 de Julho do mesmo ano o Pacto acabaria por ser dissolvido numa reunião em Praga.

Tendo estabelecido uma estrutura que se baseava em grande parte na estrutura de comando militar soviético, o que facilitava as operações, como ficou patente nas diversas intervenções, o Pacto nunca chegou a enfrentar no terreno a sua contraparte, a OTAN, apesar de o argumento para a sua formação ser precisamente o constituir um contrapeso à OTAN.

Foi um instrumento ao dispor da União Soviética para exercer uma influência e domínio no contexto da Guerra Fria, que talvez devido às suas especificidades e estruturas demasiado apegadas à União Soviética, bem como as evoluções ideológicas e políticas sofridas pelos países satélites da Europa de Leste, não se soube adaptar ao mundo em devir após a Queda do Muro de Berlim, até pela sua evidente derrota. Por seu lado a OTAN continua viva e em expansão, incluindo já países que faziam parte do pacto, tal como a estrategicamente importante Polónia. Embora dominada pelos Estados Unidos, a Aliança Atlântica constituiu-se como um verdadeiro fórum multilateral, com uma estrutura própria, e não como um fórum que se pretendia multilateral, mas que serviu apenas para a União Soviética exercer o seu poderio e legitimar através desse as suas acções.

De qualquer das formas, independentemente do desfecho do conflito bipolar, é de salientar que na época da sua formação, mas especialmente após a Crise dos Misseis de Cuba, e com o advento do Movimento dos Países Não Alinhados, o Pacto de Varsóvia revelou-se um instrumento que acabaria por constituir uma forma de domínio ideológico que servia os propósitos do sistema internacional, encontrando na sua contraparte um domínio que se exercia mais pelo soft power. Neste particular, uma das críticas que no meu ponto de vista se pode apontar à União Soviética é a sua ortodoxia rígida que provocou sentimentos de revolta nas populações dos países da órbita satélite, acabando por perder a sua força ideológica enquanto modelo único absoluto com a divisão Sino-Soviética, a partir da qual ocorreram as divisões entre os Partidos Comunistas que se mantinham leais à União Soviética, e os Partidos Comunistas Marxistas Leninistas que se alinhavam à China.

Em suma, o Pacto de Varsóvia foi um instrumento necessário à manutenção da ordem bipolar que dando-se por derrotado perante a OTAN, teve necessariamente que sucumbir num momento chave da História de onde adviria uma nova ordem mundial, que ainda hoje se está a tentar encontrar e definir a si própria.

Bibliografia consultada

Curtis, Glenn E. – The Warsaw Pact (excerpted from Czechoslovakia: A Country Study). Washington, D.C.: Federal Research Division of the Library of Congress; 1992.

Kissinger, Henry A. – Diplomacia. Lisboa: Gradiva, 2.ª ed.; 2002.

Keylor, William R. – História do Século XX. Mem Martins: Publicações Europa-América; 2001. (Publicado originalmente pela Oxford University Press em 1996).

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publicado às 21:07

O fim do recenseamento militar

por Samuel de Paiva Pires, em 16.11.07
Segundo consta parece que o governo quer acabar com o recenseamento militar. Quando há uns anos se acabou com o serviço militar obrigatório, em simultâneo com uma profissionalização crescente das Forças Armadas, pareceu-me essa ser uma medida inteligente e adequada às necessidades de Portugal nesse campo.

Desde há 2/3 anos atrás que jovens como eu tiveram que efectuar o recenseamento militar e apresentar-se no Dia da Defesa Nacional, uma inovação, se não me engano, do ministério de Paulo Portas.

Pese a óbvia propaganda que se efectua nos diversos Dias da Defesa Nacional, certo é que esse evento permitia um maior contacto da juventude com uma realidade bastante desconhecida da maior parte, convencendo mesmo alguns a ingressar nas Forças Armadas. Não sendo militar nem militarista, parece-me que esta inovação deveria ser continuada.

Porém agora que o governo quer acabar com o recenseamento militar, estarei certo ao presumir que também se acabará com o Dia da Defesa Nacional? Se sim, parece-me um enorme disparate. Como é que pretendem atrair mais jovens para o serviço militar? Espero estar enganado nesta assumpção até porque a Defesa continua a ser uma das pastas mais sensíveis e importantes quanto às prerrogativas de soberania de um Estado.

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publicado às 12:16







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