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Alguém oiça o Virgílio Castelo

por Samuel de Paiva Pires, em 04.01.09

 

 

publicado às 20:21

 

Vivemos num mundo em quem tem o poder de facto, jamais é escrutinado pelo reconhecido recurso que o voto representa. Neste aspecto, Portugal é seguramente um dos campeões no tornear daquilo que legitimamente se devia esperar do respeito à soberania popular. Afinal, quem controla de facto e em Portugal, os grandes centros de decisão? Quem se alçou à qualidade sacerdotal de decidir normativamente o que é e não conveniente para a sociedade, estabelecendo uma moral muitas das vezes de forma casuística e onde o princípio da igualdade é pisoteado em benefício da opinião pessoal deste ou daquele juiz?

 

Quem elege os procuradores, os Supremos, o PGR, o presidente do banco de Portugal, esse mesmo que é de sobremaneira influente na nossa vida privada, decidindo o que nos é ou não economicamente conveniente? Na verdade apenas uma ínfima parte do poder  é electivo e mesmo em certas instituições, não é anormal a sucessão hereditária, ditada pelas conveniências de clube, loja, região ou necessidade de favorecimento pessoal. É a república portuguesa que conhecemos.

 

Se levarmos a questão da eleição ao ponto fundamental que lhe dá razão de existência, teremos então de concluir que as próprias "eleições presidenciais" são nada mais que uma farsa, uma ilusão ou simples jogo de espelhos. Os próprios candidatos jamais têm qualquer hipótese de chegar à fase da campanha - após a recolha e reconhecimento de assinaturas proponentes - se não possuirem a benesse de uma organização partidária e suas lógicas ramificações financeiras no chamado "mundo dos negócios. Manuel Alegre é claramente, um exemplo que evidencia este círculo vicioso, onde a verdade surge transfigurada num basismo absolutamente inexistente e apenas em conformidade com as necessidades mediáticas. É a eleição numa feira de balofas vaidades, excelsas mentiras e  que no final, cai como espada de Dâmocles, sobre a cabeça do pobre contribuinte.

 

O Tiago deverá assim aceitar que a nossa preocupação primeira é justamente a dita república portuguesa e nisto insistimos. Não nos interessa nem nos preocupa minimamente a justificação filosófica, histórica, social-económica da república norte-coreana, chinesa, bolivariana, italiana ou tagalog. É esta que colocamos em questão e sabemos bem o porquê deste afinco a uma causa. Temos razão.

 

No debate promovido pela RTP há cerca de oito ou nove meses - o Prós e Contras -, o país que o seguiu com o merecido interesse, observou já sem surpresa, uma vitória clara das posições dos monárquicos, êxito este tão mais expressivo, quando no fim do programa, o sr. António Reis, soberanamente decidiu de forma lapidar que ..."jamais permitiremos a realização de um referendo em Portugal".  Percebemos porquê. Este referendo foi prometido pelos terroristas do prp logo após o 5 de Outubro, sem que jamais o tivessem cumprido, atirando-o para o bueiro das demagógicas imundícies com que nutriu a irrelevante opinião pública nacional durante quase duas décadas. Para sermos mais claros, a Grécia já foi várias vezes a referendo quanto à forma de representação do Estado. Duas vezes ganhou a monarquia e a última vez, em 1974 e no rescaldo do regime dos coronéis que sempre tinha contado com a firme oosição de Constantino II, venceu a república. E talvez não tenham ficado por aqui. 

 

É que começamos a compreender as regras do jogo que nos foi imposto à pistola, assassínio em praça pública, campanhas de difamação e tiros de canhão: repetir, repetir e repetir, até se obter o resultado desejado.

 

E decerto existe ainda a expressa garantia da chancela de autenticidade aposta pela Comissão Europeia que neste capítulo criou a norma.

publicado às 19:39

Gases em Gaza: dedicado ao Bloco de Esquerda

por Nuno Castelo-Branco, em 04.01.09

 Os apoiantes portugueses do Hamas e Hezbollah, andam muito activos na blogosfera, recrutando novas consciências e apelando ao fim dos brutais ataques aos seus correligionários na faixa de Gaza. Enquanto o Volksturm gazense vai carregando cartuchos, incorporam-se jovens que entusiasticamente juram bandeira, enquanto as meninas envelopadas agitam a imprensa internacional. Tudo normal, lá no Médio Oriente.

 

Enquanto isso, alguns refractários vão recebendo o merecido tratamento público. É a justiça...

publicado às 15:11

Esclarecendo brevemente alguns conceitos

por Samuel de Paiva Pires, em 04.01.09

Não estivesse eu atafulhado em trabalhos, curiosamente, um sobre o reconhecimento da I República pela Inglaterra, e demorar-me-ia muito mais do que apenas esta breve nota a respeito do debate iniciado pelo Tiago Moreira Ramalho, que é de tomar em apreço pois é para isto mesmo que a blogosfera mais deveria servir, o debate de ideias. Sublimes como sempre, o Miguel e o Nuno deram já as suas respostas, e aconselho ainda a ler o João Gomes e os comentários do Leonidas, Rui Monteiro e Ricardo Gomes Silva aqui e ali.

 

Há dois conceitos que gostaria de esclarecer brevemente pois claramente carecem de uma operacionalização não efectuada pelo Tiago Moreira Ramalho ou por quaisquer outros republicanos neste debate (basta atentar no programa do Prós e Contras sobre o tema), nomeadamente os conceitos de legitimidade e democracia.

 

Recorrendo aos clássicos ensinamentos de Max Weber, pode-se dividir a legitimidade em três tipos, a legal/racional, a tradicional/história e a carismática. Actos eleitorais validam apenas a legitimidade legal, enquanto os Reis possuem pelo menos dois quando não mesmo os três tipos de legitmidade, a carismática porque de certa forma ligada a um elemento transcendente, a mais das vezes religioso (veja-se o caso da Rainha de Inglaterra), a tradicional porque repousa no Rei o peso da História da nação que representa, e a legal pois tal como refere o Miguel Castelo-Branco "De facto, na constituição histórica como no liberalismo, o Rei é imputável e responsável pelos seus actos, no exercício de funções ou fora delas. Um Rei que não cumpra as suas obrigações ou não se submeta às disposições constitucionais e à herança consuetudinária é substituído através de mecanismos de substituição (vide D. Afonso VI, v. Eduardo VIII). O filho do Rei será Rei se, e apenas se, aceitar a incumbência no respeito pela constituição".

 

Acresce o que há mais de um ano um amigo, na altura colaborador do Estado Sentido, escrevia sobre a evolução do conceito de legitimidade de Weber a Habermas:

 

 

Habermas aponta aqui que a legitimidade legal não se baseia apenas numa virtude de correção procedimental, mesmo que esse procedimento sofra o efeito de uma tradicionalização (aceitação generalizada da legitimidade democráticas através das eleições, como se o jogo acabasse aqui). Aponta então que essa legitimidade se deve basear numa moral procedimental, que conta com outros critérios democráticos que podem funcionar como filtros, e que, por isso, nunca aceitariam o nazismo alemão como uma ordem legítima, o que o pensamento weberiano perfeitamente permite.


Para Habermas, as medidas adoptadas por Hitler a partir de 1933 não seriam válidas, pois ainda que tenham sido aprovadas pela maioria, havia uma exclusão de participantes do discurso - a democracia transformava-se em ditadura da maioria.

 

Posto isto, creio que quanto à legitmidade estamos tratados, não só seria mais legítimo voltarmos a ter uma monarquia, como o facto da República nunca ter sido referendada e a própria Constituição o impedir demonstram em pleno a legitimidade de que o regime carece, que na actual III República apenas tem sido sustentada pelo anti-fascismo, isto é, a oposição ao Estado Novo, que começa também cada vez mais a não ser suficiente, ou não se oiçam tantas vozes dissidentes e divergentes, as mais audíveis sendo precisamente as dos monárquicos.

 

Quanto ao conceito de democracia, recorremos aqui aos ensinamentos de Larry Diamond e de Robert Dahl. Para começar, Larry Diamond distingue entre democracia eleitoral e democracia liberal, sendo que a democracia eleitoral pode frequentemente ser chamada de democracia iliberal. Creio que o nome diz tudo, mas brevemente significa que qualquer regime onde existam eleições é uma democracia eleitoral mas pode ser uma democracia iliberal, vejam-se os casos controversos de Venezuela, Angola e Rússia na actualidade. E o que é uma democracia liberal? É o tendencialmente desejável regime que se nos apresenta nos países Europeus, Estados Unidos, Canadá e Austrália, um regime que segundo Dahl responde completamente ou quase completamente perante todos os seus cidadãos. Nesse regime todos os seus cidadãos devem ter oportunidades iguais de:

 

1 -  Formular as suas preferências;

2 - Explicar as suas preferências aos seus concidadãos e ao governo através de acções individuais ou colectivas;

3 - Ter as suas preferências consideradas de forma igual na conduta do governo, isto é, consideradas sem discriminação devido ao seu conteúdo ou fonte da preferência.

 

Estas são as três condições essenciais consideradas por Dahl para um regime ser democrático e dentro destas existem 8 critérios que são tradicionalmente considerados pelos estudos de democratização e política comparada como o "minimum procedural", os critérios mínimos para um regime ser democrático, que são:

 

1 - Liberdade de formar e juntar-se a organizações;

2 - Liberdade de expressão;

3 - Direito de voto;

4 - Eligibilidade para cargos públicos;

5 - Direito dos líderes políticos competirem por apoio;

6 - Fontes de informação alternativas;

7 - Eleições livres e justas;

8 - Instituições que façam as políticas do governo depender de votações e outras expressões de preferência.

 

(Nota: Consoante o tipo de estudo que se queira realizar adicionam-se outros critérios a estes, dos quais os mais comuns serão a liberdade de imprensa e o controlo dos militares pelo poder civil)

 

Posto isto, o argumento de que a República é mais democrática porque se vota em quem é o Chefe de Estado é uma total falácia, eu pelo menos prefiro uma verdadeira democracia liberal e útil à nação e ao desenvolvimento do país, com a legitimidade assegurada pelo que já acima referi, do que um regime que acha que é democrático apenas porque há eleições, como referia no Prós e Contras António Reis, Grão-Mestre do GOL. A democracia é muito mais do que apenas votar. E a este respeito remeto para os índices de qualidade da democracia  e liberdade da Freedom House. Consta que as monarquias europeias são regimes mais democráticos que o nosso... Ninguém me vai dizer como alguém me disse há tempos que o Reino Unido é menos democrático que Portugal pois não? E já agora, porque é um argumento estatístico, 6 nos primeiros 10 e 12 nos primeiros 20 países mais desenvolvidos do mundo em termos do Índice de Desenvolvimento Humano são monarquias. O Tiago refere que o argumento de que serve para os outros serve para nós não é válido, com o que concordo até certa parte. Mas uma coisa é certa, é que o Tiago pretende é demonstrar que eticamente a República é um regime melhor que a Monarquia. E o que é facto é que tal como diziam uns professores numa conferência há tempos no ISCSP, não há uma ideal ou melhor forma de governo: 

 

Em primeiro lugar, a noção de que não há uma melhor forma de governo, há formas de governo que se adequam às populações, às circunstâncias, à cultura, enfim, às especificidades antropológicas dos indivíduos, comunidades e sociedades. É por isso que agarrar em modelos ocidentais e copiá-los para todo o resto do mundo resulta nas asneiras que tem resultado. Em segundo lugar, a essencial distinção entre a forma e a substância do poder. A substância que se está a exportar para o todo mundo é a mesma. As formas pouco interessam, posto que a substância é a de que sempre existirão oligarquias, plutocracias, primado da tecnologia e da globalização, o Estado espectáculo e o marketing político como base de legitimação do poder político. Posto isto, as formas são simbólicas, porque na essência estamos todos a caminhar para o mesmo, para uma ordem internacional que a plutocracia mundial vai ditando.

 

Depois há ainda dois ou três argumentos normalmente utilizados pelos republicanos, a questão da hereditariedade na monarquia que é incompatível com o propagado conceito de igualdade. Há aqui um problema que é precisamente o que o Miguel Castelo-Branco refere:

 

Foi o Estado codificador, legislador, centralizador e confiscador dos direitos, liberdades e privilégios, o Estado do jacobinismo, que impôs o soberanismo radical, a ideia de um ente moral distinto dos homens que Samuel Pufendorf anunciara, de um indutor da "Vontade Geral" com que Rousseau resolveu o problema da pluralidade e a antecâmara do totalitarismo, ou seja, da apropriação dos indivíduos e da sociedade por uma ideia abstracta(Amendola)

 

Em nome de uma construção abstracta em torno destes conceitos já referidos agrilhoou-se completamente os cidadãos empurrando-nos para um depressivo abismo sem aparente alternativa. Em relação à legitmidade e à democracia creio que já estão explicados os erros conceptuais em que os republicanos normalmente incorrem e com que têm conseguido enganar todo um povo. Em relação à igualdade remeto para um detalhado post sobre essa falácia que, resumidamente, é uma construção teórica de Rousseau que ele próprio desmontou pois é incompatível com a noção de sociedade, só há verdadeiramente igualdade no estado de natureza; e quanto à hereditariedade e igualdade retomo ainda o que na altura escrevi em rescaldo ao programa do Prós e Contras:

 

Em relação ao argumento da hereditariedade, o professor Maltez deve ter assustado muita gente quando perguntou se queriam que começasse a apontar quantos no parlamento são netos, bisnetos, trisnetos de longas tradições dinásticas e hereditárias. É uma daquelas propagandas demagogas do republicanismo português, o iludir o povo com a igualdade e com o francesismo de que todos somos iguais, pelo que qualquer um pode ser chefe de estado. Acreditam mesmo nisto? É que na prática a teoria é outra, como diz o professor Maltez, já que não há coincidência entre a lei escrita e a prática da lei.

 

Nesta República os Presidentes da República continuarão a ser "históricos" dos dois partidos do centrão (até aposto que Durão e Guterres estarão já na calha para serem Presidentes da República), e basta circular entre os meandros do poder e da sociedade lisboeta (que concentra o poder político de Portugal), para perceber que são todos "gente de bem" e de longa tradição hereditária quanto à presença na teia relacional do poder que é o actual estadão. A meritocracia há muito que se perdeu, e os canais de acesso ao poder e de mobilidade social estão praticamente vedados e restritos a uns poucos, os das castas do regime, e bem ilustrativa disto é a afirmação de Luís Coimbra de que "estamos numa Europa sem europeus, porque já quase ninguém vota, e estamos numa democracia sem povo, porque o círculo do poder está fechado"

 

Posto tudo isto, e porque já me demorei mais do que pretendia, finalizo apenas dizendo ao caro Tiago que prefere a legitimidade à utilidade, que é precisamente esse tipo de pensamento, novamente uma abstração que nos tornou escravos, que nos aprisionou nas teias da mediocridade e da partidocracia e tem impedido que Portugal se assuma de uma vez por todas como herdeiro da sua História e se projecte para o futuro com um projecto de verdadeiro desenvolvimento nacional. 

 

(também publicado no Centenário da República)

publicado às 14:04

Cheira a fim de festa.

por Cristina Ribeiro, em 04.01.09

Na mesa expõem-se os despojos de quase duas semanas de hostilidades benfazejas. Alguns aviam já as malas para, logo de manhã- " Bem cedo. Temos de evitar as filas de carros " -, rumarem a outros sítios mais ou menos longínquos.

Entretanto, bebe-se até à última gota do cálice ainda entre  nós, porque esse é um luxo que não podemos esbanjar.

                       As últimas gargalhadas, as últimas impressões,  " até à próxima oportunidade ".

O chá de jasmim arremata o jantar em que as palavras ditas,  e as que se adivinhavam, correram livremente, num leito sem fundo.

Aquecem-se as saudades que já se sentem.

 

        Cada um de nós refugia-se no pensamento de que o reencontro será para breve.

 

E é então que me parece ouvir o eco da voz da Tia Doroteia: "Já te deitaste? Já dormes? ". Desligo o computador.

 

publicado às 01:35

 

A questão colocada pelo nosso colega é recorrente, porque consiste praticamente, no único óbice que os defensores da forma  de representação republicana - porque durante o período monárquico, a república, no seu sentido mais elevado, sempre existiu - do Estado colocam à Monarquia.

 

Nota introdutória: não aborreceremos os nossos leitores, com as normais explicações de índole filosófica acerca da ideia da Monarquia e simultaneamente, não desejando melindrar as profundas convicções - ou nalguns casos, superstições - de pessoas por quem nutro o  respeito devido, coloco desde já a seguinte questão:

 

-  Como é ainda possível, decorridos cerca de 99 anos de regime dito republicano e com o esmagador curriculum de insucessos, desastres e inabilidades que lhe são directa e justamente atribuíveis, exista quem defenda a sua continuidade? 

 

A chamada república portuguesa - nome de regime que passou a confundir-se oficialmente com denominação do próprio país -, nasceu das conturbadas mentes decalcadas por um positivismo já fora do seu tempo e de estéril valia para o que verdadeiramente importava. Como Eça dizia - e nem sequer menciono Camilo, pois a sua opinião era sintomaticamente brutal -, os republicanos nada tinham a oferecer ao país, pois a Monarquia Constitucional e o Liberalismo a ela subjacente, haviam cumprido cabalmente o possível programa "republicano", com a vantagem do Chefe do Estado não poder ser honestamente acusado de pertencer a qualquer um dos grupos em contenda pelo exercício do poder. A tacanhez da mirrada burguesia lisboeta, sempre seguidista do modelo francês - por sinal bem mais conservador que o da Monarquia Constitucional lusa -, enraizou através de uma magníficamente bem conseguida propaganda, apelar ao sempre latente sentimento de jacquerie do lumpen, ainda hoje uma força oculta a considerar. Promessas do mero campo da demagogia propalada nos coretos e teatros de revista, eis o verdadeiro carácter do republicanismo português. Não existia um só projecto para o devir nacional, fosse ele no campo económico/industrial, social e até, pasme-se, para a própria garantia do espaço colonial tão arduamente conquistado - é esse o verdadeiro termo - pelos regimentos de D. Carlos. Externamente, não existia outra intenção de uma política, a não ser aquela gizada há muito pela nossa simples situação geográfica e que habilidosamente foi ganhando consistência precisamente após o Ultimatum. Para a Grã-Bretanha, a simples presença da Casa de Bragança no trono, era uma garantia de tranquilidade nas fronteiras da África Austral e acima de tudo, a intransponível barreira às fantasias absorcionistas desde sempre presentes na mente dos dirigentes madrilenos. Ontem e hoje.

 

Passando sobre o detalhe das monarquias absolutas - existentes apenas em poucos países do Médio Oriente -, este próprio termo apresenta o equívoco fundamental e anacrónico que o meu irmão Miguel sobejamente esclareceu no seu post de resposta, no Combustões. Contudo e dada a permanente menção ao alegado absolutismo, como explicar a quase demencial paixão republicana pelo marquês de Pombal e o seu modo de governo? É um detalhe que convém ser pelos republicanos esclarecido, pois consiste numa clamorosa falta de coerência.

 

Desta forma, atenderemos apenas às razões que levam - e ainda bem que finalmente o reconhece - à existência do enorme número de pessoas que defendem a monarquia como o melhor sistema político. É verdade e como há algum tempo atrás afirmei neste blogue, os monárquicos são quiçá, o maior, mais hermético e perene movimento de resistência da história de Portugal. Antes e depois do 5 de Outubro, convém frisar.

 

1. Ao contrário daquilo que o Tiago afirma, não existe forma de representação de Estado mais fiscalizada, que a plasmada nas monarquias europeias, norte-americanas e da Oceânia, sintomaticamente, todas de profundo cariz europeu e ocidental. Sem querer aventurar-me no escalpelizar da situação constitucional nas outras monarquias - algumas milenares - que existem na Ásia, esquecemos assim, os condicionalismos impostos pela organização social, religiosa e pelos avatares da história em cada um dos países onde vigora o regime primordial desde a génese do próprio conceito de Estado. É simplesmente a forma mais lógica, simples e duradoura da organização de uma sociedade num certo espaço.

 

Na Europa, o exemplo da Espanha, trucida o pretensioso, palavroso e ridículo concorrente aquém fronteiras. Estado pluri-nacional, saído de uma verdadeira ditadura incomparavelmente mais férrea que aquela existente durante o Estado Novo, conseguiu pela instauração da Monarquia - consistiu uma instauração por vontade de Franco, é certo, mas com unânime apoio popular livremente referendado -, a estabilidade institucional. Ao contrário da III república portuguesa, a Monarquia espanhola garante o cabal cumprimento dos mandatos parlamentares saídos das eleições; normalizou o sistema de alianças que compõem os executivos; descentralizou efectivamente o Estado espanhol, criando as autonomias que são tão latas, quanto aquela de que a Hungria beneficiou durante o período de vigência do compromisso austro-húngaro. Em Espanha e em claro contraste com Portugal, o Rei não é parte interessada na distribuição do equilíbrio de poderes e não se lhe podem imputar actos lesivos do próprio texto constitucional, como dissoluções parlamentares que infelizmente já várias vezes experimentámos. Em Portugal, o prof. Cavaco Silva é de facto o alter ego, o presidente por detrás do biombo, que ainda consegue irmanar as mais díspares tendências ou fulanismos do seu partido, o PSD. 

Em Espanha, o Rei reconhece a soberania legislativa das Cortes e assina enfaticamente o costumeiro Yo, El Rey, reconhecendo, tal como nas outras monarquias europeias, a vontade popular daquele momento. Isso não quer dizer que o monarca seja privado de juízo próprio e até, por vezes, de escrúpulos quanto a certos textos legislativos que podem ser considerados fruto de uma dada, questionável e passageira moda ditada pelos media e sectores de pressão social. As Constituições prevêem em regra, soluções práticas para as dificuldades. E nem sequer valerá a pena frisar a fidelidade das Forças Armadas, pois estando votada ao monarca, garante a legalidade constitucional. Simples, eficaz e ardilosamente coerente. É a Monarquia. H´ºa cerca de quatro anos, José António Saraiva, director do Expresso, apontava a realeza espanhola, como um dos fundamentais pilares do sucesso do país vizinho. Sintomaticamente, esse magnífico artigo do director, intitulava-se O Fim do Regime.

 

Questione-se apenas quanto a este ponto e dar-me-ei por satisfeito se conseguir elucidar-me:

 

- Sendo o nosso país um Estado uninacional e sem problemas de conflitos separatistas ou grande dispersão geográfica - dada a nossa reduzida dimensão territorial -, o que torna a república em Portugal, um regime tão instável, desrespeitoso da decisão dos eleitores e refém de meros interesses económicos que na verdade, são quem controla de forma coerciva e bastante eficaz, o poder político?

 

2. Clarificação do poder. Onde reside e quem decide:

 

Há uns tempos, um programa da SIC dedicava-se a apresentar os diversos Estados da U.E., e esclarecia acerca da forma de organização dos países, os sistemas constitucionais, a economia, etc. Num dos casos - o da Dinamarca -, a constitucionalista entrevistada, dizia que uma das razões do sucesso do seu país, consistia exactamente no seu simples formato constitucional. O Parlamento detém o poder e decide acerca daquilo que é ou não é constitucional, surgindo a Monarquia como o elo fundamental para a unidade nacional, imparcialidade, etc (conhece os restantes argumentos, pelo que me escuso a aborrece-lo com repetições). 

Pelo contrário, no nosso país, a república liquidou todo o sentido de hierarquia e as diversas instituições - ditas órgãos -, competem entre si, são muitas vezes contraditórias e susceptibilizam uma prolixidade legislativa com poucos paralelos na Europa. É a ineficácia assumida, risonha e depredadora da confiança das populações no sistema. Presidente da república, governo, AR, Supremos, PGR, etc, etc, servem hoje para uma simples partilha de cargos entre as acirradas rivalidades políticas que aliás, não têm - exceptuando-se o PCP - qualquer relevância do foro ideológico. É o prebendismo, a lambugem rotativa reconhecida como forma de organização nacional. 

 

Quanto a este ponto, deixo-lhe duas questões:

 

- Qual é a verdadeira relevância da existência de um "presidente da república"? Que benefício se retira da sua actividade, quanto ao normal funcionamento da sede da soberania, o Parlamento, onde todos estão representados através do voto ? O que é na verdade o semi-presidencialismo, afastado automaticamente o bonapartismo presidencialista que nada mais é que uma forma do exercício - com latíssimos poderes - de um primeiro ministro guindado à chefia do Estado?

 

- Explique-nos a razão do colossal despesismo representado por uma instituição - a república -  onde a multiplicidade de sub-instituições consome importantes fatias do orçamento do Estado, em bem reconhecidas mordomias, inflação de assessorias sem sentido e ocultos "sacos azuis fora do OGE", tornando a república portuguesa e o seu edifício presidencial, muito mais oneroso que a monarquia britânica?

 

E aqui deixo uma nota: apenas os "by appointment of HM the Queen", fazem jorrar milhões para o Tesouro Público britânico, para nem sequer mencionar toda uma bastante próspera indústria em torno da existência da monarquia. É o argumento material, procurando aqui agradar aos marxistas. O IVA arrecadado é colossal.

 

3. Para não me alongar fastidiosamente.

O aspecto da situação histórica de Portugal no mundo é de primordial importância. Como simples exemplo, aponto apenas as Cimeiras Ibero-Americanas, nas quais a figura tutelar e de primeiro plano é sempre o rei de Espanha, inserindo-se o sr. Aníbal Cavaco Silva na multidão de ignotas personalidades que se sentam à volta de uma mesa. É o passado sempre presente na mente daqueles com quem temos inegáveis laços de comunhão histórica e que dessa mesma História são, em grande parte, tão donos como nós próprios. A instituição Monarquia tem o peso que lhe é reconhecido na Commonwealth e na citada Comunidade Ibero-Americana, da qual infelizmente surgimos como simples excrescência, ao mesmo nível do Uruguai, Paraguai ou Equador. Para não dizer mais.

 

Em resumo. Para a esmagadora maioria dos monárquicos, o regime - ou forma de representação, se prefere assim - surge como algo de simplificador, homogéneo e perene. É útil. Garante a permanência de Portugal como país no concerto das nações - os Estados Unidos da Europa acabaram, antes mesmo de nascerem -, estabiliza a democracia, estabelece um perdido sentido de patriotismo - o velho brado pela Pátria, pelo Rei, diz tudo -, e nestes tempos de rarefacção de recursos, é económico. A Monarquia é simplesmente melhor. Olhe à sua volta.

 

O Rei somos todos nós e não existe melhor conceito que a consubstanciação do corpo da pátria no corpo do rei. É velho de séculos e prova a sua vitalidade.

 

E podemos continuar indefinidamente, pois muito fica para dizer.

 

publicado às 20:48

Foram lá passar estes dias; a São Tomé e Príncipe.

por Cristina Ribeiro, em 02.01.09

" A melhor viagem de sempre ", dizem.

Mostram fotografias, contam histórias. Muitos sorrisos quando falam neste e naquele.

Episódios de empatia. Mais sorrisos. O calor que transmitem. As saudades que já sentem, Lá, deixaram a promessa de voltar.

" Na roça de Portalegre, - contam- perguntam-nos porque é que os portugueses não voltam ".

publicado às 23:40

Um país à beira de ser vendido?

por Samuel de Paiva Pires, em 02.01.09

 

(imagem picada do Público)

 

Portugal não pode continuar, durante muito mais tempo, a endividar-se no estrangeiro ao ritmo dos últimos anos.


Para quem ainda tivesse dúvidas, a crise financeira encarregou-se de desfazê-las.


Como é sabido, quando a possibilidade de endividamento de um País se esgota, só resta a venda dos bens e das empresas nacionais aos estrangeiros.

 

São afirmações do Presidente da República, Cavaco Silva, na sua mais recente mensagem à nação. E fez-me lembrar o que já há tempos escrevi e que venho pensando de algum tempo a esta parte, em jeito de adenda ao post do Nuno:

 

Eu tenho uma "teoria" que carece de fundamentação que é a de que o arrendamento será um mercado muito mais sustentável e proveitoso. Porque as pessoas não se "enforcarão" durante 20, 30 ou 40 anos, porque têm muito mais flexibilidade para mudar de casa em qualquer circunstância (mudança de emprego, desemprego, saída do país) e, principalmente, porque em vez de pagarem ao banco, que por sua vez paga à banca na qual se endividou, o dinheiro mantém-se entre os consumidores, ou seja, com efeitos mais práticos a nível do desenvolvimento da economia real. Mas como eu não percebo nada de economia, isto até pode estar errado.

 

Aos empréstimos das famílias juntem-se os empréstimos das empresas e o panorama começa a não ser o melhor. Se a nossa capacidade de pagamento dos empréstimos/dívida externa se vier a verificar, creio que estaremos de facto à beira de ter o país vendido aos estrangeiros.

publicado às 18:32

Porque me apetece :)

por Cristina Ribeiro, em 02.01.09

 

Concerto de Ano Novo 2008, dirigido por Karl Kleiber- Marcha Radetzky ( Johann Strauss Pai ).

 

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publicado às 18:15

Saindo do hibernar

por Cristina Ribeiro, em 02.01.09

que têm sido estes dias, entre amigos, e a eles todos dedicados, começo a ler jornais e a escalpelar as notícias de que só agora procuro eco.

                         Leio que Bento XVI, na mensagem do Dia Mundial da Paz, disse ontem que a maioria do povo israelita e do palestiniano anseia pela pacificação do território; sei que me repito ao dizer que essa vontade a vi eu materializada naquele bocado do Médio Oriente , mas também acho que nunca é demais afirmar uma realidade que tantos se esforçam por deturpar, torcendo-a a  seu bel-prazer, sempre com fins ignotos e enganadores, ajudando irrresponsavelmente, a que por aquelas bandas se eternize o inferno em cenário dantesco.

Incêndio ateado por um punhado de terroristas.

publicado às 16:47

Ao pessoal da passagem de ano

por Samuel de Paiva Pires, em 02.01.09

Com quem tive o prazer de passar uns belos dias entre Armação de Pêra e Albufeira, culminando especialmente com o êxtase proporcionado a dada altura por esta música dos UB40 ao vivo na praia, vá-se lá saber porquê, aqui fica o original:

 

 

 

 

publicado às 15:35

O peso da crise

por Nuno Castelo-Branco, em 02.01.09

 

Foi o discurso da "verdade que deve ser dita", contra o das "ilusões que se pagam caras". Na mensagem de Ano Novo, transmitida ontem à noite pela RTP, o Presidente da República fez críticas contundentes ao Governo, chamando a atenção para a "quase estagnação económica" e exigindo prudência e ponderação nas escolhas dos investimentos públicos.

 

O possível derradeiro "presidente da república" fez ontem uma realista análise do país em que ainda vivemos e segundo a generalidade da imprensa, a palavra mais utilizada pelos assessores que prepararam a ora, foi a Verdade. Finalmente. Após quase três décadas de íntimo e recíproco conhecimento, decidiu brindar o eleitorado/contribuinte com aquilo que dele esperávamos há muito.

 

Quando foi primeiro-ministro, bastante daquilo que ontem apontou no seu discurso de Ano Novo, foi habilidosamente esquecido, desprezado ou pior ainda, escamoteado por uma ambiciosa política eleitoralista. Introduziu o conceito betoneiro que hoje a generalidade dos portugueses tem do sistema político. Foi a áurea época do malbaratar de fundos com autoestradas de e para nenhures. Foi o forte investimento no futuro dos salões de manicuras, massagens e tingimento capilar. Consistiu também na descoberta das delícias caseiras do jacuzzi, jeeps e três ou quatro telemóveis por cabeça. O "crédito fácil" que hoje é tão criticado, nasceu auspiciosamente há duas décadas.

 

O gravíssimo problema  para alguns, consiste no desagradável e inultrapassável pormenor técnico, da boa memória de substancial parte da população. Há vinte e poucos anos, poucos se preocupavam com a competitividade das empresas, cientes do eterno recurso à desvalorização da moeda.  Mantinha-se assim o vício da exportação barata, de má qualidade e sem valor acrescentado que era suficiente para a gestão dos negócios correntes. Isto diz-lhe alguma coisa, senhor professor?

Há vinte e poucos anos, iniciou-se a desregrada espiral de forte endividamento - para o consumo -, concertado com a banca estrangeira. Tem disto notícia, senhor professor?

Há vinte e pouco anos, deu-se um forte impulso á venda do património imobiliário,  industrial e de serviços aos estrangeiros. Lembra-se do ano de 1989, em que um estudo dava a própria Av. da Liberdade como propriedade quase exclusiva de estrangeiros? Quem governava então  o país, senhor professor?

Há vinte e poucos anos, acelerou-se a louca depredação das áreas metropolitanas do continente, com a construção de infectos subúrbios de betão, sem valor e esquecendo a qualidade de vida e que são hoje, meros cenários para a marginalidade. O saudar de 2009 com tiros de armas automáticas, irmana Chelas (Lisboa leste) a Jenin, Beirute ou Kirkuk. Ouviu o tiroteio, senhor professor? O país ouviu e registou com supremo enfado essa similitude.

Há vinte e poucos anos, o Estado - que como bem sabe sempre foi fundamental apoio às sucessivas tentativas de industrialização -, não parecia muito preocupado em proceder a uma decidida política de atracção de capitais e investimentos que modernizassem a nossa indústria, agricultura, comércio e transportes marítimos. Nada se fez, vivendo-se sob o esmagador peso do El Dorado propiciado pelos fundos estruturais europeus.   Tem uma ideia destes problemas, senhor professor?

 

 

Agora, algumas perguntas de cariz construtivo e que por si apontam um caminho possível:

 

1. Como pode V. Exa. esperar  uma estratégia política portuguesa extra-fronteiras, com o actual e absoluto investimento na ideia fátua da UE a todo o transe, esquecendo o enorme potencial dos nossos mercados tradicionais no ultramar?

 

2. Como pode V. Exa. esperar agilizar a coordenação entre os órgãos de soberania, quando estes mesmos sobrevivem mercê da inter-conflitualidade? Quando V. Exa. pede para se deixarem de lado as querelas, não é isto um autêntico ataque suicida ao V. próprio cargo?

 

3. Como pode V. Exa. esperar um bom exemplo pela exigência, quando a instituição que titula é um verdadeiro poço de estéril despesismo, onde a proliferação de parques automóveis, mordomias a título de "ajudas de custo", assessores boys & girls, emula o que se passa nos outros sectores da governação que tanto critica? Tem uma ideia da diferença de "lista civil" entre aquela que o Palácio de Belém aufere e a que se destina à Zarzuela, por exemplo? Para não falar mesmo de Buckingham? Diz bem, quando apela ao exemplo a dar.

 

Muito mais há para questionar e continuaremos a fazê-lo. Contudo, a ambicionada saída desta crise que não é apenas económica ou financeira, tornou-se para muitos óbvia. 

.................................................................................................................

 

Os tiranos abominam os reis, que lhes lembram a sua insignificância passageira, mas raramente se atrevem tocar-lhes. Só nós, portugueses - ou antes, "eles", os tais que tinham 5% em 1910 - quiseram resolver o destino do país matando o Rei na praça pública. Ou seja, neste particular, os republicanos portugueses excederam largamente o atrevimento homicida da Junta Militar birmanesa.

 

 

 

 

publicado às 15:34

50 anos depois - Curiosidades na Corrida ao Espaço

por Paulo Soska Oliveira, em 02.01.09

Luna 1

 

A 2 de Janeiro de 1959, a sonda Luna 1 tornava-se no primeiro objecto a superar a Velocidade de Escape deste planeta.

 

Com efeito, a URSS continuava os seus sucessos no campo da Conquista Espacial, à custa da economia planeada, e conquistando o primeiro ponto na Corrida à Lua, que acabaria por perder a 20 de Julho de 1969 quando Neil Armstrong se tornaria no primeiro humano a pisar solo não terrestre.

 

A Luna 1, além de todas as outras experiências científicas que ajudou a realizar, tornou-se também no primeiro cometa artifical ao libertar para o espaço uma nuvem de sódio, sendo visível desde o Oceano Indíco durante alguns minutos.

 

Pelo meio da sua missão, esta sonda tornava-se também no primeiro objecto artifical a atingir uma órbita heliocêntrica.

 

 

 

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publicado às 10:16

«Pela Noite Dentro»

por Cristina Ribeiro, em 02.01.09

 

                Chegada agora mesmo do Quénia, aonde fui transportada pelo filme « Algures em África », voo directamente para Viena aonde vou ouvir ( milagres da Tecnologia DVD ) o Concerto de Ano Novo;.Não tardará, espraiar-me-ei pelas margens do " Schone Blau Danau ", que fui encontrar cinzento ao passar pela cidade de Maria Teresa, e mais azul, mas por certo muito longe do encanto imortalizado pelo irmão Strauss, uns anos depois, na outrora também Absburguesa Budapeste.

publicado às 01:03

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