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Crítica da falta de exigência no ensino

por Samuel de Paiva Pires, em 25.06.09

 

Assisti hoje (ontem) a parte do debate quinzenal na Assembleia da República. Retive um curioso paradoxo assinalado por Francisco Louçã: há uma geração atrás eram os filhos dos ricos que frequentavam o ensino superior e não se pagavam propinas, agora que todos conseguem chegar à universidade muitos desistem porque não conseguem pagar propinas.

 

Seria necessário operacionalizar o conceito de ricos, já de si duvidoso, e desconstruir a falaciosa afirmação de que eram apenas os filhos dos tais ricos que frequentavam a universidade. Quererá isto dizer que os pais de Odete Santos, Álvaro Cunhal, Francisco Louçã e companhia seriam todos eles ricos? Não tenho conhecimento de causa quanto a estes, mas na actualidade, pelo que vejo de muitos comunistas e meninos e meninas da esquerda-caviar, de facto, por padrões "louçanianos" com certeza que são ricos. Continuamos impávidos e serenos a assistir a este pobre espectáculo das habituais incongruências próprias do pensamento incoerente e estagnado desde há dois séculos da nossa esquerda, mas também não é propriamente sobre isto que queria falar. 

 

Atente-se na segunda parte da ideia de Louçã: agora que todos conseguem chegar à universidade. Pois o problema é mesmo esse. Recupero aqui parte do que escrevi a convite do Pedro Correia para o Corta-fitas, há pouco mais de um ano:

 

Grande parte das preocupações do Presidente da República prendem-se com o desconhecimento ou ignorância em relação ao que foi o 25 de Abril e os seus intervenientes, o que é desde já explicável pela gritante degradação do sistema de ensino, desde a chamada Revolução dos Cravos. A III República, naturalmente avessa à palavra elite, tem simultaneamente apregoado uma alegada igualdade, não fugindo o sistema de ensino a esse estigma. Não só se têm nivelado por baixo as exigências a alunos e professores, como os programas e manuais escolares se têm tornado cada vez mais básicos à medida que o tempo passa, o que é rapidamente verificável passando os olhos pelos livros de História do ensino básico, onde não mais de oito ou nove páginas se dedicam ao regime de Salazar e à transição democrática, sem falar que na maior parte dos anos lectivos nem sequer chegam a ser leccionadas tais matérias. Além do mais, a provinciana síndrome de um país de "doutores e engenheiros", traduzida pela exacerbada primazia dada às ditas ciências duras, a Medicina, as Engenharias, a Economia, a Gestão e o Direito, tem retirado espaço e tempo às ciências humanas, nomeadamente às traves mestras dessas, a História e a Filosofia, o que aliado à lógica de decorar por detrimento de pensar, numa sociedade largamente massificada em todos os sentidos, resulta no estado de coisas que está à vista de todos.

 

Diz a autora de uma tese de doutoramento sobre o financiamento do ensino superior, Luísa Cerdeira, que "O facto das famílias pagarem mais que o Estado e o baixo valor do apoio social, são as duas faces desta moeda, que acaba por ter como resultado um ensino superior elitista que reproduz as desigualdade sociais, conclui a economista." Isto não é um ensino superior elitista a não ser que para a autora o conceito de elite considere apenas a riqueza monetária dos indivíduos. Sendo assim temos um ensino superior plutocrático, não elitista no sentido que a palavra elite deveria tomar, i.e., o ensino superior deveria ser elitista e aristocrático no sentido técnico, de premiar os melhores alunos. O ensino superior não deveria estar ao alcance de todos. Não, não somos todos iguais. Não, não nascemos todos iguais. Não, não temos todos as mesmas capacidades. Uns são mais inteligentes que outros. Mas em Portugal o mito jacobino da igualdade aplicado ao ensino resultou numa massificação que se materializa quotidianamente na falta de exigência. Isto vai ser prejudicial ao país a longo prazo e nem quero imaginar como serão as próximas gerações de governantes (ou por outra, até tenho uma boa ideia sobre uns quantos...é assustador).

 

Como é que é possível que se termine de vez com a tentativa de melhorar as capacidades dos portugueses ao nível da sua própria língua se hoje em dia na escola primária todas as crianças têm um Magalhães? Ainda não sabem ler ou escrever correctamente mas isso também não interessa para nada.

 

Como é que é possível que toda e qualquer pessoa não chumbe e consiga terminar o 9.º ano faltando a quase todas as aulas e ainda receba como presente exames ridiculamente fáceis? Claro, é preciso garantir que estatísticas favoráveis ao governo são apresentadas a Bruxelas e à OCDE.

 

Como é que é possível que os exames nacionais do 12.º ano se tenham tornado também eles ridiculamente fáceis? E quanto a estes, não se augura nada de bom agora que se sabe que a escolaridade obrigatória vai abranger o secundário. É como nos diz o Miguel Vaz:

 

Agora, um Ministério da Educação que trocou o Ensino pelas estatísticas anunciou como medida emblemática a extensão da escolaridade obrigatória até ao 12º ano. Os opinadores e comentadores aplaudiram. A oposição também. Mas o que representa afinal esta medida? Na prática, significa alargar até ao 12º os ridículos níveis de exigência do ensino básico. Volta-se a nivelar por baixo, em nome das estatísticas. Em breve, os jovens chegarão à universidade a saber ainda menos do que os alunos que por estes dias fazem os seus exames nacionais. Seremos um país de doutores que não sabem escrever.

 

E eis que chegamos à universidade. É indescritível. Desde pessoas que fazem uma licenciatura inteira a cabular, passando por pessoas que não sabem escrever português, outras que não conseguem interpretar, analisar e relacionar pelo menos duas ideias, pessoas que terminam uma licenciatura sem saber fazer notas de rodapé (custa muito procurar sistema de referência de Harvard ou de Oxford na net ou olhar para trabalhos bem feitos para aprender), e todos sem excepção conseguem fazer um curso superior. Seria praticamente impossível contabilizar a quantidade de pessoas que quase poderiam ser casos clínicos de estupidez que todos os dias vejo ou conheço e que frequentam o ensino superior. Tudo em nome da igualdade, porque todos têm direito a estar no ensino superior e, portanto, desce-se o nível para que todos possam fazer a licenciatura. E agora, com a Bolonhesa, mais década menos década, até as licenciaturas serão abrangidas pela escolaridade obrigatória, o que será a derradeira conquista do processo de estupidificação do povo português.

 

E o que é que os professores foram obrigados a fazer? Deixaram de poder ser elitistas no bom sentido, acabando por ser quase moralmente forçados a passar todos os alunos, mais cedo ou mais tarde. Juntando-se a isto o método da sebenta, sabendo que tudo na universidade portuguesa se faz por manuais e sebentas, os alunos acabam por ser dispensados de ler artigos académicos, livros, autores de referência, e tornam-se meras máquinas acríticas que decoram e debitam matéria nos exames. Basta ler as sebentas, manuais e apontamentos e faz-se as cadeiras sem grande dificuldade. Premeia-se o facilitismo e desconfia-se dos que realmente gostam daquilo que estudam e querem ir mais além sendo forçados a tornar-se autodidactas e fazendo aquilo que o Professor Maltez nos diz que a licenciatura nos permite: (licença para) estudar por nós próprios.

 

Mas para quê pensar por nós próprios? Não, a maior parte dos estudantes universitários já vêm mal habituados e querem ser levados ao colo, querem precisamente que os professores debitem matéria para que possam tirar apontamentos, quando se fossem autónomos teriam capacidade para estudar a matéria que vem nos livros. Se um professor tenta dar aos seus alunos algo que vai para além dessa matéria que vem nos livros ouve-se logo alguém queixar-se que o Professor não dá matéria. E o que dizer daqueles que acham sempre que sabem tudo e depois se desiludem quando têm negativas? A culpa é do professor, claro está, e sim, mesmo sabendo que alguns professores não têm critérios ou atitudes adequadas, torna-se aborrecido ouvir tanta gente dizer que sabe tanta coisa que as recorrentes más notas só podem ser culpa do professor.

 

Ainda na terça-feira vinha uma colega minha a queixar-se no Diário Económico sobre o facto da qualidade de ensino não corresponder ao valor que pagamos de propinas. Sim custa a todos pagar propinas tão elevadas. E porque é que as universidades tiveram necessidade de as impor? Porque foram descapitalizadas e ainda ninguém teve coragem de enfrentar a questão da insustentabilidade de manter tantas universidades públicas e um sem número de cursos iguais com milhares de pessoas que não têm inteligência nem capacidades para frequentar uma universidade a sério, realmente elitista, exigente e competitiva. Não é possível às universidades públicas manter tantos alunos sem aumentar as propinas quando o orçamento de estado tem vindo a reduzir a dotação financeira para o ensino superior público. Se tivéssemos um ensino superior exigente e que premiasse os melhores, porventura nem seria necessário haver lugar ao pagamento de propinas. Como há que garantir a igualdade e se nivela todos por baixo, os bons alunos são obrigados a ter que ver o nível de exigência inadequado às suas capacidades. Como é que as universidade poderiam não aumentar as propinas se somos obrigados a ter nas universidades estudantes que acham que a II Guerra Mundial foi no século XVIII, que no sistema de castas indiano os párias são as pessoas que tratam das vacas,  outros que dizem a plenos pulmões nas aulas baboseiras como "a religião deveria vir no Bilhete de Identidade", e tantas outras pérolas de que agora não me recordo. Ou ainda uma que o Nuno Castelo-Branco me contava aqui há tempos, numa turma de 12.º ano a que deu aulas de História, quando falava da Restauração e os alunos muito abismados não sabiam do que se tratava, acabando um por responder que não percebia do que o professor estava a falar porque a restauração é um sector da indústria hoteleira. E o que é que acontecerá no longo prazo? O que Paulo Soares Pinho escreveu ontem no Diário Económico:

 

O carácter excessivamente elementar de um exame tem uma importante consequência: não permite evidenciar os bons alunos, os únicos que conseguem lidar com as questões mais complexas. Consequentemente, nivela todos os estudantes por baixo. Para os maus alunos passa um sinal de que a vida se desfará em facilíssimos e que não é preciso trabalhar arduamente para obter resultados e é a prova de que nada tem de ser levado a sério, o que terá consequências na forma como encararão a sua futura vida profissional.

O facilíssimo desmotiva os bons alunos, os quais se queixam de o ministério andar a brincar com o trabalho deles e o dos professores, retirando-lhes, ainda, o incentivo a trabalhar, a empenhar-se em aprender e a levar a sério a sua actividade. Numa fase da vida importante para a definição da sua personalidade, passa-lhes a mensagem de que não existe diferença entre o muito bom e o suficiente e de que o trabalho extra não tem recompensa.

Estes bons alunos são os potenciais futuros cientistas, investigadores, tecnólogos, gestores, médicos, etc. São a futura elite do país. É deles que se espera, através das suas capacidades científica, inovadora, empreendedora e profissional, a criação de crescimento económico capaz de propulsionar o país e pagar as facturas do TGV, das SCUT e demais galopante dívida pública gerada no momento actual. É deles, da sua capacidade criadora, que a minha geração vai depender para ter algo que se pareça com uma pensão. Ao avaliá-los através de provas que os desincentivam a trabalhar, a tomar riscos, a compreender os benefícios de se aperfeiçoar e ser melhor, não estimulamos a fundo a as suas capacidades. Por isso, a actual política facilitista, com objectivos puramente propagandísticos, não se limita a acentuar a continuada destruição do papel do ensino secundário. Contribui para agravar, ainda mais, o futuro do país.

 

Infelizmente, ao contrário do que Sir Karl Popper defendia, que o objectivo da democracia é o de elevar a qualidade do ensino, neste nosso Portugal a democracia fez precisamente o contrário.

 

Resta-me terminar da mesma forma com que concluí um post sobre a Bolonhesa aqui há uns meses:

 

Se já antes era o que era em que qualquer pessoa conseguia fazer um curso superior (doidos, bêbados, com Q.I.s que devem ser negativos, que não conseguem juntar duas palavras correctamente etc) então agora ainda é mais fácil, em nome de um qualquer paradigma da igualdade. Ainda hoje em conversa com uma amiga veio-me à ideia que deveria existir uma forma de diferenciação meritocrática, algo como por exemplo um sistema que no fim do 1.º ano (*) colocasse os melhores alunos  numa espécie de turma à parte e que elevasse o nível de conhecimentos leccionados e de exigência em relação ao normal, com um foco mais acentuado na vertente de investigação.
 
Mas isso é elitismo e é politicamente incorrecto. Enfim, viva a igualdade e a massificação que isto da meritocracia e diferenciação é bom mas é para os outros que não percebem nada destas coisas mas que são os países mais desenvolvidos do mundo. Até porque se muitas autoridades cá do burgo propagandeiam discursivamente a meritocracia, neste nosso Portugal como em tantas outras coisas, na prática a teoria é outra.

 

(*) 1.º ano da universidade, obviamente, não do ensino primário. Aquando do outro post algumas pessoas julgaram que eu estava a falar da primária.

publicado às 01:53

Não sendo noctívaga,

por Cristina Ribeiro, em 25.06.09

gosto da noite.Estar em casa, no aconchego do sofá, sentada na cama, a ver um ou outro programa na televisão, ler, escrever qualquer coisa no portátil ( e aqui reconheço que muita é conversa de chacha, mas aí fala mais alto a necessidade de comunicar, de exteriorizar energias que me sufocariam se o não fizesse ). É que, tal como J. Carmo Moura sou por natureza bastante reser vada, mas gosto de comunicar. Contra-senso, diz, mas cheguei já à conclusão que o contra-senso é parte de nós, tanto de homens como de mulheres, e, talvez, até, um pouco do sal que condimenta a vida q.b., evitando assim a sensaboria; o que é muitíssimo diferente da incoerência, que associo ao cata-ventos, que se vira para a direcção que sopra o vento a cada momento, uma coisa que está muito disseminada entre nós, naqueles que deveriam, porque é o que se espera deles, ser firmes no pensamento e actuação...

publicado às 00:58

Esta nova televisão

por Cristina Ribeiro, em 24.06.09

começa, e espero que este seja apenas o princípio de algo que tenha continuidade, a ter momentos que me fazem lembrar  " a televisão do meu contentamento ".

Assisto, neste momento, ao programa « Cartas na Mesa », e depois de na semana anterior ter gostado de ouvir Vasco Graça Moura, volto a sentir o mesmo gosto ao ouvir Constança Cunha e Sá falar com um matemático ( Nuno Crato? ).

Matemática nunca foi disciplina da minha predilecção, mas esta conversa vai muito além dela, e prende-me ao ecrã como se se estivesse a falar de literatura, por exemplo.

Conversas abrangentes, apelativas, com pessoas cultas, conhecedoras e comunicativas têm sempre este efeito.

E o que é uma rajada de frescura: sai do feudo, que há demasiado tempo tomou de assalto os meios de comunicação, da politiquice e ditadura futeboleira.

publicado às 22:12

Que diga algumas coisas sobre mim,

por Cristina Ribeiro, em 24.06.09

desafiam-me Lady-Bird e a Luísa.

 

- Mania: gostar de descanso.

- Pecado capital: preguiça

-Melhor cheiro do mundo: flor de laranjeira

- Se dinheiro não fosse problema, o que faria:  arranjar maneira de ter mais tempo para fazer só o que me dá prazer, como estar mais vezes com as pessoas de quem gosto, ou ler.

- Caso de infância: ter achado injusto que o Menino Jesus me tivesse presenteado com uma velha desdentada, no ano em que  começaram a cair-me os dentes de leite

- Habilidade como dona de casa: limpezas

- O que não gosta de fazer em casa: antes do mais, engomar, mas há mais coisas...

- Frase: todos os caminhos vão dar a Roma

- Frase ou palavra que utiliza muito: tens razão

- Passeio para o corpo: na margem de um rio

- Passeio para a alma: conversar com uma pessoa de quem goste muito

- O que a irrita: a hipocrisia

- Palavrão mais usado: caraças

-Desce o alto e sobe o morro quando: intuo a mentira

- Perfume que usa no momento: só o do creme após o banho

-Elogio favorito: qualquer um, desde que ache que é sentido

- Talento oculto: se o  tivesse já o teria descoberto, a esta altura do campeonato

- Não importa que seja moda, não o usaria nem no seu enterro: lantejoulas

-Queria ter nascido sabendo: que Roma e Pavia não se fizeram num dia

publicado às 18:49

Resistir para ajudar.

por Nuno Castelo-Branco, em 24.06.09

  

 

Estas duas últimas semanas têm correspondido plenamente aos anseios seculares da chamada Ummah. De facto, o mundo muçulmano tem preenchido os cabeçalhos da imprensa escrita, enquanto beneficia igualmente da duvidosa honra de abertura de todos os telejornais.

 

Trata-se de uma notoriedade pelas piores razões. A informação global, ao invés de apresentar esta "civilização" com as pinceladas do já há muito fanado brilho do Califado de Córdova, mostra-nos o culminar de um processo já vetusto de uma época em que saídas da camisa de forças do colonialismo - ou mandato - ocidental,  as sociedades de matriz maometana procuraram afirmar uma improvável identidade comum, apenas possível pela crença religiosa. De Marrocos ao Bornéu, jamais existiu essa imaginada unidade que os proselitistas exaltam no fervor dos sentidos, diante das multidões receptivas a uma qualquer mensagem de esperança. Profundamente humilhadas por um longo processo histórico que as conduziu a uma estratificação social - logo político-económica - vexatória a que se resignaram, as gentes recentemente definidas em termos de nação pelas fronteiras de Estados gizados a régua e esquadro pelos nazarin, encontraram num  perdido passado de expansão militar, re-descoberta dos Clássicos e construção de impérios relativamente efémeros, um hipotético modelo orientador para um porvir que emanando directamente do Todo Poderoso, apenas significaria a recompensa pela cornucópia da glória, abundância e superioridade da sua identitária fé. Pouco importariam as realidades apresentadas por uma Turquia em secularização coerciva, uma Argélia satelitizada pela suserania da Santa Mãe do materialismo russo-soviético, ou ainda, a da antiga Pérsia que queria surgir diante da Europa como sua directa antepassada, sem a mediação incómoda  aferrada pelos cavaleiros vindos do deserto do sul e que de cimitarra a tinha subjugado. Pareciam ser aspectos menores diante daquilo que verdadeiramente era capaz de unificar de este para oeste, um novo mundo em formação. Impossível.

 

A realidade internacional saída da II Guerra Mundial e que mergulhando na Guerra Fria dividiu as principais - e até aí hegemónicas - potências  europeias em dois campos, definiu os blocos em liça pela supremacia. Sendo o bloco norte americano um natural prolongamento da Europa, os novos Estados do hemisfério sul continuaram fatalmente a servir como móbil nos jogos de poder, definindo desde a independência qual o dois dos Grandes - os EUA e a URSS - corresponderiam aos desígnios das elites formadas pelo colonialismo e que recentemente chegadas ao poder, esperavam ansiosamente  afirmar-se no palco internacional, por esta forma consolidando  a sua prevalência interna.

 

Embora os europeus e os "árabes" estejam separados por esse mar-de-ninguém que é o Mediterrâneo, desde sempre a História mostrou existir um "amigo e protector" dos muçulmanos. Francisco I de França abasteceu as galeras da Sublime Porta, contrariando a aventura do império mundial de Carlos V. Luís XIV aproveitou o avanço otomano contra Viena, atacando a rectaguarda dos Habsburgo em Espanha, nos Países Baixos, no Franco-Condado e nos mares. Napoleão imaginou uma aliança com o sultão, para poder submeter o bloco austríaco e condicionar os ímpetos do fogoso czar Alexandre. Guilherme II apresentou a Constantinopla a conveniência da assistência prussiana, assumindo-se como protector de um império cujos achaques de "homem doente da Europa" faziam adivinhar um fim próximo. Hitler recebeu o Grande Mufti  de Jerusalém - o único homem a quem permitiu o uso de um cafetã na sua presença - , sancionou o ingresso de combatentes pelo Islão nas SS e no Mein Kampf, afirmava a conveniência que o credo de Mafoma significaria para a organização da sua própria Jihad em direcção a um Lebensraum não apenas material, mas perfeitamente correspondente aos velhos mitos germânicos dos tempos  da vida nas florestas, em oposição à decadência de uma Roma invejada e porque inatingível, tornara-se desprezível e pouco animosa.

 

Uma lista dos chamados grandes homens do século árabe  - na conhecida e errónea vulgarização do termo pelos ocidentais - das independências, demonstra-nos a simples não existência de um único que sendo perfeitamente autónomo relativamente ao odiado Ocidente, pudesse imitar o tolerante e grande chefe que fora o Saladino dos tempos áureos de Bagdade. O líbio Idris, o saudita Ibn-Saud, os egípcios Faruk e Nasser, a plêiade de quase desconhecidos generais que sucessivamente se sentaram no trono do menino Faiçal II do Iraque, os novos Khan-presidentes do artificial Paquistão, os Ben Bella,  Bourgibas, Assads, Kaddafys e tantos, tantos outros que a história apenas reconhecerá em notas de rodapé, nenhum deles foi capaz de oferecer ao seu povo, um modelo definido de ordem, prosperidade e sobretudo, de reconhecimento geral pelo brilho de uma cultura já há muito assimilada pelos europeus. Arrancaram à terra as suas riquezas, desbaratando-as em novéis palácios de Mil e Uma Noites de pesadelos de tortura, guerras, extorsão e preconceitos anacrónicos. Entre todos os "grandes dirigentes muçulmanos", apenas dois perfazem integralmente o arquétipo do homem diligente, moderno e senhor das suas acções que fora de portas é um igual entre os maiores: Attaturk e Mohammad Reza Pahlavi - seguindo o programa modernizador do pai -, estes directos herdeiros de um outro mundo velho de muitos séculos e que compreenderam a necessidade de adequar a sociedade aos tempos da tecnologia, universalidade da Lei e liberdade nacional, bem diferente do complexo e muitas vezes equívoco conceito que a restringe à esfera pessoal do anónimo. 

 

Fracassaram nos seus propósitos, pois ansiosos em ir sempre mais além e de forma acelerada, não conseguiram ser totalmente compreendidos e acompanhados por sociedades resignadas e estruturadas de uma forma conceptual diametralmente oposta à do modelo que lhes ditava a moda, organizava os serviços essenciais a um Estado, criava o consumo e estabelecia os parâmetros de conduta. Se Attaturk ainda permanece hoje como uma referência ciosamente guardada pela vigilância que os militares exercem sobre as sucessivas interpretações do próprio khemalismo, o grande homem que foi o Xá Reza Pahlavi, acabou deposto pela conjugação de factores que não podia controlar. O auge do confronto EUA-URSS no ocaso da Guerra Fria; os choques petrolíferos nos quais procurou ser um elemento apaziguador - que lhe granjeou acirrados ódios internos e entre os "irmãos de fé" -; a oposição de um clero profundamente patriarcal e de uma mentalidade onde prevalecia o espírito da organização rural em contraposto à "prostituída" vida urbana e finalmente, as consequências  inevitáveis do seu desejo de independência e de igualdade entre os grandes, condenaram-no a um fracasso que criou uma inédita situação internacional que hoje parece finalmente evoluir de forma abrupta e inesperada.

 

Esta dualidade amor-ódio pelo Ocidente, pode ser afinal, um grande e poderoso móbil para mais uma e talvez derradeira aproximação do Ocidente, a um "mundo muçulmano" desconfiado, hesitante, mas talvez ainda possível de subtrair à total capitulação perante uma interpretação abusiva de um passado cada vez mais anacrónico. Usam e idolatram a tecnologia nazarin, organizam as suas cidades sob a métrica nazarin, organizam-se em termos legais numa mescla impossível do primado constitucional-legal nazarin, com os preceitos próprios para a salvaguarda identitária das já há muito desaparecidas tribos do deserto do século VI. Encandeados pela luz das nossas urbes são para a Europa atraídos como ferro para imã, mas a coacção moral e física de uns tantos, julga poder convencer a massa expectante, da prometida conquista que vingue a própria impotência.

 

A única fórmula possível de assistência naquela demanda pelo progresso, consiste na manutenção de uma posição firme, inabalável. Qualquer cedência ao capricho de assembleias de homens sábios, condena aquelas sociedades a um desastroso fracasso, do qual nós próprios seremos as preferenciais vítimas. Há que resistir.

 

 

 

 

publicado às 17:03

 

o Primeiro Dia de uma Nação cheia de momentos de glória, no Concelho vizinho de Braga festeja-se, depois de uma noite de grande folguedo, onde não terão faltado as sardinhas, o alho-porro e o imprescindível e aromático manjerico, o Santo que baptizou Jesus no rio Jordão.

Dois Concelhos rivais em variados pontos, mas que se aproximam neste dia para ambos festivo.

publicado às 15:25

Granda Jel

por Samuel de Paiva Pires, em 24.06.09

 

(imagem tirada daqui)

 

Jel em entrevista ao i:

 

Essa candidatura à Câmara de Lisboa é para levar a sério?
Claro. Já estamos a recolher assinaturas.

Quantas faltam?
Temos mil e precisamos de 4500. Acho que vai ser fácil. Se conseguir estar no boletim, posso muito bem vir a ser vereador.

Mesmo sem um programa eleitoral?

Não tenho nem vou ter. Só levo uma proposta: transformar os jardins de Lisboa em hortas para o povo.

Mas as pessoas vão levar a candidatura a sério?
Não, mas é esse o objectivo. É nestas alturas de abstenção, quando o povo está descrente, que surgem os malucos a gritar. E o povo adora isso

 

(...)

 

É filiado nalgum partido?
Não. Já andei próximo do "berloque" de esquerda, em 1999. Cheguei a ir a algumas reuniões, ajudei a colar cartazes, organizei umas festas. Mas depois desiludi-me, por causa da ideologia. Para mim, tudo o que é ideologia, faz-me retrair.

E o seu partido, não tem ideologia?
O meu não. Vai chamar-se Todo Partido e o objectivo é, depois das eleições, ser um aglutinador de candidaturas semelhantes, ser a base para alguém se candidatar a um junta de freguesia, por exemplo.

Votou nas últimas eleições?
Não, agora só voto em mim. Por isso é que me vou candidatar.

Tem cartão de eleitor?

O primeiro já o fumei. Depois não voltei a tirar, era mesmo bom para fazer filtros...

 

(...)

 

Nenhum canal generalista vai apostar no Jel. Têm os Contemporâneos, os Gato Fedorento...
Não sei porque têm medo, já provamos que somos produtivos. Gosto do Nuno Lopes e acho os Gato previsíveis. Já disse que eles são betinhos e é verdade: é pessoal do Colégio São João de Brito.

E o Jel onde estudou?

Na Secundária de Odivelas, hard-core motherfucker [risos]. Até facadas havia. Eu era da tribo dos punks, tinha crista e tudo. Daí a alcunha Jel.

publicado às 14:43

Agradecer

por Samuel de Paiva Pires, em 24.06.09

Ao Tiago Moreira Ramalho e ao Rui Costa, que tal como o António de Almeida nos presentearam com o prémio Lemniscata de que já eu e a Cristina demos conta.

publicado às 14:17

O estado da educação

por Samuel de Paiva Pires, em 24.06.09

publicado às 00:51

Em destaque

por Samuel de Paiva Pires, em 24.06.09

Desta feita para fugir aos blogues sobre política aqui fica em destaque o Scala Regia, que ficámos a conhecer por sugestão do Miguel.

publicado às 00:33

Outro S. João perdido

por João Pedro, em 23.06.09
Esta noite, de 23 para 24, tem lugar um dos mais grandiosos e genuínos festejos populares: o S. João. O profeta do Jordão, primo de Jesus, que segundo as escrituras vestia-se de pele de camelo, comia gafanhotos e mel e foi supliciado sob os caprichos de Salomé, tornou-se um santo popular e "rapioqueiro", ao qual são dedicadas as mais brejeiras quadras. É em Braga, Vila do Conde, Gaia (menos a Afurada, que prefere S. Pedro) e principalmente no Porto, além de outras localidades, que o santo é mais festejado. Nem sequer é o padroeiro portuense oficial (lugares ocupados por Nossa Senhora da Vandoma e pelo quase anónimo S. Pantaleão), mas nem por isso deixa de ser o patrono de uma das noites mais longas do ano.


 

Pelo quarto ano consecutivo, e por razões diferentes, não vou poder ir ao santo do meu nome e da minha cidade. Mais uma vez adio as sardinhas, o convívio, o martelo de plástico com o seu som característico, o espectáculo dos balões de ar quente a salpicar o céu e os bailaricos de rua, que nos últimos tempos acabavam em Nevogilde. Ou a repetição da única vez que do muro da Ribeira vi o fogo de artifício da meia-noite, lançado da ponte e do rio, fazendo depois o percurso pedestre até à Foz (parando em todos os arraiais), onde já no Molhe se via sempre o dia a nascer. E nem terei enfim a oportunidade de ver como são as Fontainhas nesta noite mágica, com a cascata sanjoanina e a sua vista para o Douro. E tantas, tantas tradições que vêm de longe e se mantêm.

 
                 (Fotos tiradas do Cidade Surpreendente).

 
A quem puder ir, que se divirta o mais que puder e um bom S. João!

publicado às 19:34

 

e a professora de desenho, que era também a directora de turma, animou-nos a fazermos um " jornal " intitulado " 28 Num Balão". Para início do dito, sugeriu que cada um de nós procurasse em sua casa um texto, um poema ou um desenho de autores consagrados.

Esqueci o assunto, e só me lembrei da incumbência na noite anterior à manhã da entrega do material seleccionado. Apanhei o primeiro livro à mão, que calhou ser a Selecta Literária que no Domingo fui reencontrar na Feira de Velharias e Antiguidades de Vila Verde, e copiei o primeiro poema que encontrei - na secção dedicada a Fernando Pessoa; « Todas as Cartas de  Amor são Ridículas ».

É provável que tivesse já ouvido falar no poeta, mas nunca me tinha passado pela cabeça que uma pessoa escrevesse com vários nomes, e nem sequer atentei na informação adicional de que o poema fora escrito pelo heterónimo Álvaro de Campos ( hoje estou convencida de que se o tivesse feito ficaria muito confusa ).

Mais tarde, porém, soube que não era só eu a ignorar tal facto, porquanto, quando o entreguei à professora, ela atirou com " engraçado, não sabia que Fernando Pessoa tinha escrito este poema ".

publicado às 19:33

Prontos para a VOSSA casa (já tenho três!)

por Nuno Castelo-Branco, em 23.06.09

 

Não haverá alguém que queira uma boa companhia? Estes gatinhos ainda são pequenos, comem bem e estão habituados a pessoas.  O José Manuel Barbosa e o Miguel Netto já levaram três irmãs destes dois rapazes e ainda há algumas fêmeas para oferecer. Bem podiam fazer uma boa acção e ajudar-me!

Foto tirada no passado Domingo.

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publicado às 14:52

O Irão de hoje, nas mãos dos "bons homens de deus"...

por Nuno Castelo-Branco, em 23.06.09

A queda já se adivinha. Este cerrar de fileiras em torno de um homenzinho que a rua abertamente rejeita, dita o previsível fim de um regime que ainda há pouco parecia firme e arrogantemente disposto a afrontar a comunidade internacional. Neste momento, já surgem sectores da "oposição interna", prontos para assumir o poder em alternativa aos actuais ditadores, o que nos remete para outros exemplos passados, como o caso romeno. A queda de Ceausesco foi habilmente aproveitada pela gente que rodeava Iliesco e que no essencial, manteve o sistema por mais de uma década após a ilusória "queda do comunismo".

 

Tal como em 1979, um sector ainda não interveniente e a ter em conta - as forças armadas - tem-se mantido aparentemente distante do conflito, o que indicia as profundas clivagens internas que prenunciam o desmoronamento. Que este seja célere e total.

O Xá Reza II numa manifestação em Washington

 

publicado às 14:02

Mais esquerdistas contra Ahmadinejad

por João Pedro, em 23.06.09

http://www.youtube.com/watch?v=YfJ5QvxUT64

 

Com estes, Moussavi tem sempre apoio garantido. São uma dor de cabeça constantepara Ahmadinejad: os Homens da Luta, pois claro! 

 

publicado às 00:51

 

St. Thomas More, designado padroeiro dos políticos ( que os ilumine! ), uma muita rápida passagem de olhos pela biografia que dele escreveu Peter Ackroyd, e a grande pena de não poder rever um filme que passou na televisão, numa daquelas saudosas noites de cinema, na RTP, do qual , além da qualidade da fita, em si mesma, retive a sempre magnífica interpretação de Orson Welles: uma época conturbada da história do País, em que More, pela força dos princípios que revelou, e corajosamente sustentou, até à machadada que lhe faria rolar a cabeça, por contrariar a prepotência, que achava desajustada e imoral, até, do seu rei, Henrique VIII, mereceu o epíteto de « Um Homem para a Eternidade ».

 

 

* Dia 22 de JUunho

publicado às 00:11


 

Fiquei surpreendido ao deparar no semanário The Economist com a tabela de resultados para o parlamento Europeu. Portugal foi o segundo país com mais deputados comunistas eleitos (5), nem os países de Leste nos vencem, só a Alemanha com um número de eleitores mais de oito vezes superior ao nosso, nos ultrapassou elegendo mais três míseros deputados (8). Permanecendo as coisas como estão nas próximas eleições arriscamos-nos a ser o país que elegerá o maior número de comunistas. No entanto tendo em conta o total de eleitores que votaram efectivamente, os marxistas não representaram mais de 8%. O problema é que apesar de poucos, são activos e persistentes, pelo que ultimamente tem crescido à sombra da incapacidade governativa e da conjuntura económica cada vez mais desfavorável.

Esta persistente maleita prova que o nosso país continua atrasado não só economicamente mas igualmente em termos de cultura politica. Na altura do 25 de Abril tivemos uma revolução em boa medida à imagem da cubana ocorrida perto de 20 anos atrás. Agora passados novamente perto de 20 anos que a URSS acabou e que o Comunismo está praticamente extinto no mundo (se exceptuarmos os paraísos Cubano e Norte Coreano) continuamos a ter gente de punho no ar, a ouvir gostosamente o hino da Internacional Socialista e a defender as mesmas ideias que já foram abandonadas à muito em todo o lado. Pseudo intelectuais puídos pelo tempo, com os olhinhos a brilhar de entusiasmo infantil continuam a falar em nacionalizar isto e aquilo, reduzir os direitos ligados à propriedade privado, acabar com a burguesia capitalista etc etc. O nosso país está cada vez mais esclerosado, Oswald Spengler no século passado defendia que as civilizações e os países antigos definhavam e morriam devido à incapacidade de se renovarem e vencerem dessa forma os novos desafios. A própria expansão colonial foi uma forma de no passado Portugal ultrapassar os desafios que eram postos à sua sobrevivência, fruto da sua dimensão e recursos reduzidos.

 

 

Na verdade a solução de acabar com a propriedade privada iria resolver o problema da corrupção endémica que mata o país gradualmente. O problema é que preconizar essa espécie de eutanásia para curar uma enfermidade não irremediável é uma loucura com resultados ainda bem piores. Se olhar-mos para o passado passamos pela mesma situação no primeiro quartel do século XX e as soluções adoptadas na altura foram bem menos severas e nem por isso menos eficientes.

No contexto actual a única hipótese de se conseguir ainda retirar algum proveito prático do vigor algo caduco da nossa extrema-esquerda, poderá ser utilizá-la como atracção turística

Como é bem sabido o nosso país tem o futuro muito ligado ao acolhimento de estrangeiros em termos temporários ou não (aposentados do Norte da Europa) e um dos nossos melhores trunfos para os captar para além das praias, mulheres bonitas e gulodices culinárias é a variedade dos restos mais ou menos gloriosos que o nosso passado nos deixou. Portanto porque não adicionar também os comícios e festas promovidas pelos comunistas? Tratam-se indubitavelmente de eventos culturais com interesse turístico notório que poderiam ajudar a gerar novos rendimentos, tão necessários para a nossa depauperada economia. As excursões tratariam de para lá encaminhar turistas endinheirados à procura novas experiências. Podiam iniciar-se apreciando sardinhas assadas regadas com vinho de Borba e após relaxar um pouco fumando (os habituais!) charros ao mesmo tempo que trauteavam as já muito gastas músicas do camarada Zeca Afonso. Esses seriam só alguns dos muitos atractivos singulares, que passariam ainda por ouvir traduzidas nas suas diversas línguas as ideias originais dos dirigentes partidários da velha ou pretensa nova esquerda e confabular um pouco com camaradas castiços como a Sra. Odete Santos (ou alguém do estilo) ou “iluminados” como o Sr. Louçã acerca das grilhetas do Capitalismo e das virtudes do Estado Socialista.

 

Um momento de desconforto

 

No fim teríamos turistas encantados e entretidos, com muitas histórias para contar acerca de um pequeno país atrasado e pitoresco, meio africano e meio europeu já sem sonhos de grandeza que pouco mais almeja do que não ser deixado ainda mais para trás.

Desta forma ainda poderiamos todos ganhar qualquer coisa de verdadeiramente útil.

 

publicado às 16:25

Do nosso correspondente Radical Royalist

por Nuno Castelo-Branco, em 22.06.09

 Queen's Birthday Poll

Channel Ten's question of ther week:
Is it time Australia became a republic?
Yes 20.8%
No 79.2%

I wonder how the republicans will deal with this result.

publicado às 16:09

Porque foi Reza Pahlevi destronado ? (4)

por Nuno Castelo-Branco, em 22.06.09

 

 Este video responde a muitas das questões da actualidade.  A situação no Irão evidencia uma lógica consequência de factos ocorridos há mais de três décadas, quando os interesses dos EUA foram postos em causa pelo regime do Xá. Uma verdade incómoda para os nossos aliados além-Atlântico.

publicado às 15:27

Canalhices republicanas

por Nuno Castelo-Branco, em 22.06.09

Não podendo, como Napoleão, oferecer-se o embriagador triunfo de aprisionar um pontífice, ele dá-se ao luxo supremo de chamar a sua casa um bispo, depois de expô-lo à conspurcação da plebe demagógica, e em sua casa o interroga, o censura e o condena - não como um esbirro colérico e grosseiro, mas com a calculada gentileza, com a sardónica amabilidade dos tiranos inteligentes, no íntimo grato àquele prelado venerável por lhe haver prestado um ensejo com a sua rebeldia à representação teatral de aquela cena histórica, em que tanto se exaltava o seu orgulho e que tão sensacionalmente patenteava a sua omnipotência.

publicado às 13:36







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