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Duas breves notas:
1. Implementação de modelos de participação de trabalhadores na gestão de empresas.
Uma medida que se tivesse sido adoptada imediatamente a seguir aos acontecimentos de 1974-76, teria evitado o desastroso processo de desagregação económica e financeira a que o país foi condenado. Imperiosa é a necessidade de uma melhor informação junto das pequenas empresas agrícolas, implementando o cooperativismo e principalmente, o sector da distribuição de produtos. Sem a existência de relevantes quantidades a colocar nos mercados, as empresas agrícolas estão condenadas ao desaparecimento.
Nas empresas do Estado e em vias de priivatização, o estudo desta possibilidade deverá ter em conta a realidade financeira e de capitalização das mesmas, possibilitando a participação dos trabalhadores (na TAP, por exemplo), a par de outras entidades interessadas na aquisição.
2. Uma maior flexibilização normativa na taxação das empresas, em função dos postos de trabalho.
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O Sr. Embaixador de Moçambique em Lisboa, S. Exa. Miguel Costa Mkaima, já deu explicações sobre a mobilização de moçambicanos por parte da Embaixada para os comícios do PS? E como é que ninguém fala nisto? Num país civilizado o Sr. Embaixador já teria sido expulso e o Presidente da República já teria feito um comunicado claro visando o Governo Moçambicano. Nós vivemos num país de faz de conta. A comunicação social faz de conta que não sabe, o Governo é o promotor activo deste ultraje e o Presidente da República não diz nada. Se isto é uma democracia liberal, a Coreia do Norte também o deve ser.
Para os distraídos de serviço, permitam-me só deixar aqui os nrs. 1 e 2 do Art.º 41.º da Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas (versão em português do Brasil, a partir do site do Itamaraty):
«Artigo 41
1. Sem prejuízo de seus privilégios e imunidades, todas as pessoas que gozem desses privilégios e imunidades deverão respeitar as leis e os regulamentos do Estado acreditado. Tem também o dever de não se imiscuírem nos assuntos internos do referido Estado.
2. Todos os assuntos oficiais que o Estado acreditante confiar à Missão para serem tratados com o Estado acreditado deverão sê-lo com o Ministério das Relações Exteriores, ou por seu intermédio, ou com outro Ministério em que se tenha convindo.»
Por certo estarei equivocado e não me terei apercebido que as eleições legislativas portuguesas deixaram de ser um assunto interno ao Estado portugês e que, num acto verdadeiramente original, um partido político passou a exercer as funções que respeitam ao Ministério sito no Palácio das Necessidades.
Quando terminar a leitura do derradeiro livro de Tony Judt, Ill Fares the Land, tratarei de deixar uma breve crítica ao mesmo. Para já, aqui fica uma pequena passagem, onde aquele que o Henrique Raposo muito bem considerava há tempos como um representante da esquerda civilizada (coisa rara), apresenta um argumento tão lógico quanto evidente que os arautos dos consensos deveriam ter em consideração.
"Those who assert that 'the system' is at fault, or who see mysterious maneuverings behind every political misstep, have little to teach us. But the disposition to disagree, to reject and to dissent - however irritating it may be when taken to extremes - is the very lifeblood of an open society. We need people who make a virtue of opposing mainstream opinion. A democracy of permanent consensus will not long remain a democracy".
Como escrevia há dois anos, muitos foram os que prognosticaram que por esta altura estaríamos aqui a pedir um Novo Rumo. Pese as diferenças, notórias ( graças a Deus! ) entre os dois partidos- um com uma costela claramente socialista, outro cujo não socialismo ( mais derivas não, por favor! ) se espera vir a exercer um efeito de contrabalanço -, então, aqui e acolá, acharam por bem juntar esforços contra um adversário comum. Falava, na ocasião, nas diferenças entre pessoas que, porque assim o fizeram, vieram a público reconhecer o trabalho conjunto. Uma dessas pessoas, a quem reconheço uma coerência pouco usual entre políticos à portuguesa, vem hoje reafirmar a boa cooperação " respeitando a identidade de cada um ", como se quer.
E, sim, já nessa altura visava o autarca de Vila Nova de Gaia, que continua a brindar-nos com uma falta de chá que é o seu timbre.
Deixando de parte as cíclicas cretinices arrotadas em campanha eleitoral, o assunto das escadarias da Universidade de Coimbra, parece poder despoletar um caso. Segundo informações que já circulam pela net, existem projectos que visam a "modernização" de todo aquele espaço, com intervenções dos santarrões de regra e esquadro do regime. Geralmente chancelados com a benção de progressismo, servem o mesmíssimo fim daqueles que ingloriamente, vão de auto-estradas asfaltando Portugal de norte a sul.
"Diz-se que" em Coimbra existem estudos para uma radical transformação do espaço histórico já abusivamente alterado durante a 2ª República. Provavelmente, a via crucis que é a escadaria monumental, desaparecerá, tal como desapareceu aquela outra que a precedeu. Já se invocam nomes como Byrne, Souto Moura ou Siza. Enfim, o costume, está-se mesmo a adivinhar o que dali sairá. Uma quantidade de caixas de sabão de estreitinhas janelas rasgadas, tectos baixos, miserável minimalismo, toneladas de Pladur e muitos alumínios de vários tons. Nada que vá contra o politicamente correcto e aceite. Infalivelmente, já consta a construção de um "parque de estacionamento" no alto, bem no coração da velha Universidade. Era de prever, a obra de "remodelação" visará tão só, o empochar de dinheiro fácil, previsivelmente saído dos bolsos dos pais de uma geração que estando "à rasca", para a Universidade viaja a bordo da sua viatura.
Num país arruinado, Coimbra sofre dos mesmos males das outras cidades portuguesas. O centro histórico encontra-se pontilhado por uma grande quantidade de belos edifícios semi-arruinados, vazios e à espera de demolição. À beira rio e perto do renovado "jardim da ponte", idem. Casarões oitocentistas a caírem aos pedaços, lojas com correntes à porta e aqui ou ali, um imundo "edifício moderno", erguido com mais betão, mais Pladur e mais alumínio para a especulação.
Alguns alegam com a clara mensagem política que a escadaria monumental representa. É uma verdade, mas hoje apenas perceptível a quem tenha um mínimo conhecimento da história ou que se interesse pelos actos simbólicos de um regime já passado. A escadaria coimbrã, tem precisamente o mesmo significado que aquelas outras construídas em todo o planeta, desde a Mesopotâmia, ao Egipto dos faraós e impérios da América Central. A escadaria "de Eisenstein", em Odessa, foi construída durante o período czarista, mas sendo maravilhoso o aspecto cénico, logo foi copiada pelos adventícios soviéticos que a fizeram replicar por toda a URSS. Existem também no Memorial a Vítor Manuel II - a famosa e injustamente chamada "máquina de dactilografar" -, em Estalinegrado, na Berlim de Hitler e dos seus sucessores do SED, na Roménia pós-Miguel I, na China, em Piong-Iang, na democratíssima Paris do Trocadero ao estilo Speer e até, pasme-se, na Federal Reserve USA. Foi um estilo, uma época. Há uns anos, João Soares quis construir um a espécie de teleférico que arrasaria uma boa parte da encosta do Castelo de S. Jorge. Era a sua "escadaria" das novas tecnologias.
Não valerá a pena perdermos muito tempo com explicações acerca do porquê desta mania das escadarias, impróprias para o conforto de quem queira atingir um ponto situado num dado local. Vencer a natureza cheia de difuldades topográficas, o atestar da força da vontade de um sistema, o querer estar mais perto do céu? Tudo isto é possível e até adaptável aos pontos de vista das gerações que se vão sucedendo na ocupação do espaço.
De uma coisa estaremos bem cientes. A menos que este empobrecido país cometa mais loucuras, as escadarias lá continuarão por muito tempo. O mesmo não poderemos dizer da CDU ou de qualquer um dos Partidos que preenchem a nossa actual paisagem política.
"Referia o DN de sábado que a Presidência da República emprega agora 500 pessoas. Numa recente publicação, é referido que o Palácio de Buckingham emprega 300. Será que Cavaco e a sua Maria necessitam de mais cuidados que a Rainha e o seu consorte? Ou será antes a eterna questão de os serviços públicos em Portugal empregarem muito mais gente do aquela que realmente necessitam, pagos por todos nós? No mesmo trabalho de investigação, referia-se que o orçamento da Casa Real britânica era de 46,6 milhões de euros e o da casa republicana de Portugal era de 16 milhões. Aparentemente, a monarquia é mais dispendiosa. Errado. Se dividirmos 46,6 milhões por cerca de 50 milhões de ingleses, dá bastante menos (0,93euro) que 16 milhões por dez milhões de portugueses (1,6euro). Neste mesmo raciocínio, o melhor é nem referir o exemplo de Espanha. Com metade do orçamento, o Rei é antes um enorme investimento em vez de um enorme custo que representa o nosso Presidente."
"Demais a mais, tinha-o conhecido aos oito anos, um ranhoso, com a fralda suja de fora pela fenda posterior das calças de cotim, descalço, arregaçado até às virilhas a patinhar nos charcos, com moncos e muito piolho. A mãe, a Rosa Canelas, deixava-o andar para aí, à toa, esfarrapado, um pingarelho a roubar fruta pelos campos e a pedir aos brasileiros dez-reizinhos para uma quarta de figos, e ia comprar cigarros, o garoto. Depois, via-o nas férias, quando ele vinha de Braga, e se metia em casa do abade, com a guitarra, a cantar cantigas porcas, e a pedir-lhe a ela uns cobres, e dava-lhe caixas de banha furtadas na botica."
Camilo Castelo Branco, A Corja
Por mais que insistam nas garantias de congelamento dos desperdícios em certo tipo de obras públicas, um passeio pela zona circundante de Lisboa, atesta precisamente o contrário.
Em 2010, neste blog se mencionou o indesmentível facto da construção de autoestradas que têm passado despercebidas à opinião pública nacional. Desde os "alargamentos" e "melhoramentos" na autoestrada do norte, até à ampliação dos acessos às praias da Costa de Caparica. Pensámos tratar-se numa ampliação lateral da via que saindo da autoestrada Lisboa-Almada-Costa de Caparica, atravessa a zona da Sobreda e segue em direcção à Fonte da Telha. Pois qual não será o espanto daqueles que agora por ali circulem? Em pouco menos de oito meses e ao longo de apenas dois quilómetros, foram construídos sete viadutos! Sete, a maior parte dos quais gémeos, pois as excelências que gizaram o planeamento das obras, optaram por aqueles que - pensamos nós - são destinados a apenas um sentido na circulação do trânsito. Parece ser esta a única explicação para este caso absurdo, insólito. Parece um delírio? Não, é a verdade, por mais inacreditável que possa aparentar. O insulto não se fica por aqui. Aquela zona que foi de quintas e casas típicas que ofereciam até há uns anos a bem conhecida imagem de quase aldeias, para sempre desapareceu. Pior ainda, o betão tornou-se numa espécie de esparguete que destruiu jardins privados e enterrou numa cota muito abaixo do nível de passagem das viaturas, casas e propriedades outrora rurais. Um inacreditável crime ambiental, um vergonhoso ataque aos direitos das gentes, um tremendo desprezo pelo dinheiro público. Aquela zona está demasiadamente parecida com o horroroso acesso norte da cidade de Lisboa. Uma miríade de viadutos, pilares em betão e faixas alcatroadas, a caminho da próxima cena de destruição: a pretensiosamente chamada "zona protegida"da Costa de Caparica. Um escândalo nacional, a pedir supervisão externa.
Embora há muito estejamos conscientes do carácter marginal e de "vale tudo" da Câmara Municipal de Almada - a lista de dislates é imensa -, jamais poderíamos esperar este autêntico atentado ao ordenamento territorial nesta zona metropolitana. Há simplesmente que extinguir coercivamente uma série de Câmaras Municipais, subordinando as localidades a uma entidade metropolitana que evite a destruição ambiental e patrimonial, dificultando os negócios escuros gizados por mentes obtusas à cata de comissões e de pequenos feudos.
Da próxima vez que por lá passarmos, tentaremos averiguar quem é a empresa de construção que terá "obtido por concurso" a dita obra.
No soberbo concerto que os National deram ontem no coliseu, não faltou a já previsível comunhão da banda com o público, com o vocalista Matt Berninger a percorrer as coxias e a ir até ao fundo da sala, convivendo efusivamente com a plateia em delírio, e o final acústico, um clímax sereno. Mas dei-me conta de uma marca dos tempos: os tradicionais isqueiros, que costumavam acompanhar as baladas, desapareceram, substituídos pelos telemóveis e i-phones. Não há concerto hoje que não tenha um testemunho de três minutos. As luzes permanecem, mas sutentadas em baterias e digitalismos, e não mais em combustível. Terríveis tempos tecnológicos, estes.
Apenas ficou a faltar isto:
"Nosso erro não está em buscar uma identidade. Está em três fontes de engano, nas quais bebemos compulsivamente há mais de um século. Primeira: revoltamo-nos sempre contra o dominador errado. Escravos da Inglaterra, continuávamos a nos bater contra o extinto domínio português. Intoxicados de francesismo, esforçávamo-nos por expelir de nosso ventre os últimos resíduos da herança portuguesa. E hoje, paralisados sob as patas do império mundial anglófono, encenamos ainda um ridículo Ersatz de rebeldia, não anti-anglo-saxônica e sim antilusitana, jogando bombas ideológicas contra a "língua dos dominadores", como se o FMI fosse presidido por Cândido de Figueiredo e a Gramática Metódica de Napoleão Mendes de Almeida fosse a Carta da ONU. Vista sob esse prisma, nossa pretensa busca de independência não é senão afetação e disfarce para encobrir nosso compulsivo puxa-saquismo, nossa incoercível devoção ao poder mais forte, nossa renitente hipnose de botocudos ante os prestígios internacionais do momento."
"Não fomos só nós que caímos na esparrela de abdicar de uma herança que nos pertence. Os portugueses, inferiorizados por não acompanhar pari passu o pensamento moderno, acabaram se esquecendo daqueles fantásticos filósofos de Coimbra, mestres de Leibniz, que em pleno século XVI já pensavam em economia de mercado e física probabilística, saltando três séculos sobre a ilusão mecanicista cujo prestígio, tão invejado pelos ìluministas lusos, só fez atrasar o desenvolvimento das ciências e inspirar, na política, os frutos mais letais do estatismo centralizador. Até hoje Portugal, como um príncipe bêbado que se imaginasse mendigo, atribui suas desventuras ao fato de não ter tido seu Voltaire ou seu Rousseau, quando seu único erro foi o de esquecer-se de si, o de não conseguir olhar seu próprio passado senão no espelho enganoso da modernidade alheia.
Por ironia, justamente nisso continuamos imitando servilmente Portugal. Iludidos pelo dogma de que o presente abrange todo o passado — quando por definição nenhum conjunto de fatos esgota o possível —, recusamo-nos a receber o legado das grandes épocas e continuamos mendigando às portas da mediocridade européia (e americana) atual. Barramos assim nosso acesso a uma verdadeira universalidade e continuamos nos agitando em vão na falsa alternativa cíclica do estrangeirismo e do localismo, ora em formato puro, ora ressurgida sob o disfarce do elitismo e do populismo."
Leia o texto completo AQUI.
Nos últimos dias, ficámos a saber que há autocarros de Juntas de Freguesia colocados ao serviço de um partido, que imigrantes ilegais são transportados para a campanha do PS, e que há um país, Moçambique, que interfere nas eleições de outro providenciando alguns dos seus cidadãos para figurantes das campanhas eleitorais de um partido, por via da sua Embaixada. Isto a troco de um saco com uma merenda.
Para além da humilhação e manipulação a que estes indivíduos foram sujeitos por parte de gente cujos valores morais ao invés de derivarem de uma sólida formação pessoal, parecem estar ao nível dos de uma ratazana de esgoto - ainda por cima infectando o ambiente, já de si pútrido, que os rodeia - assistimos à violação de premissas de uma democracia liberal saudável e de Relações Internacionais, inclusive traduzidas em letra de lei, sem qualquer pejo. José Sócrates e o PS perderam noção da realidade, do ridículo e de si próprios. Tudo mau demais para ser verdade.
Sugere-se ainda o visionamento do vídeo do 31 da Armada, e a leitura do post do Carlos Botelho.
A decisão popular é esta. A cidadania é esta. Embora alguns queiram distorcer os resultados, os outros bem podem levantar a tenda. Aqui está a opinião de um português residente em Espanha.
| ESCRUTADO: | 95.36 % | |
|---|---|---|
| CONTABILIZADOS: | 21845616 | 66.05 % |
| ABSTENCIONES: | 11228289 | 33.95 % |
| NULOS: | 366241 | 1.68 % |
| BLANCOS: | 559452 | 2.56 % |
| Partido | Votos | % |
|---|---|---|
| PP | 8074888 | 37.59 |
| PSOE | 5975641 | 27.82 |
| IU | 1364111 | 6.35 |
Se assim não é, parece, a fazer fé nas declarações constantes do vídeo supra...
" Acima de tudo, devemos perceber que nenhum arsenal é tão formidável como a vontade e coragem moral dos homens e mulheres livres ".