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"A Resposta para Lisboa"

por Samuel de Paiva Pires, em 24.06.12

Amanhã, entre as 17h e as 21h, decorrem as eleições para a Concelhia de Lisboa da Juventude Popular. A votação decorrerá na sede nacional do CDS-PP. Podem ficar a conhecer a lista que integro como candidato a Vice-Presidente para a Formação Política na nossa página do Facebook.

 

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publicado às 19:27

O humorista Boaventura Sousa Santos

por Samuel de Paiva Pires, em 24.06.12

Alberto Gonçalves, Rio para não chorar:

 

«Recentemente, Ricardo Araújo Pereira seguiu o remoto exemplo de Raúl Solnado e foi mostrar a comédia nacional aos brasileiros. Como o Ricardo é brilhante, é de presumir que a coisa tenha corrido bem. O pior é que, como tantas vezes sucede, o sucesso do bom abre as portas ao mau, ao péssimo, ao atroz e a Boaventura Sousa Santos, que enquanto comediante integra uma categoria à parte. Quer dizer, eu e a maioria das pessoas que conheço rimo-nos feito perdidos de cada intervenção do homem. Aliás, basta o homem aparecer para desatarmos às gargalhadas: ele é o sotaque de BSS, ele é o penteado de BSS, ele são os fatos de BSS para consumo ocidental, ele são as camisas exóticas de BSS para passeios no Hemisfério Sul. Para cúmulo, BSS fala.

 

No Brasil, durante os encontros de vozes "alternativas" que antecederam a Cimeira Rio+20, de resto duas notáveis oportunidades para o humor inadvertido, BSS falou. E explicou que a Europa precisa de aprender com os maravilhosos exemplos do Terceiro Mundo, experiência de que foi privada devido a séculos de colonialismo. Tradução: a menos que a Alemanha e a Inglaterra imitem os fraternais regimes da Bolívia ou da Venezuela, a Alemanha e a Inglaterra estão perdidas. A título de punch line, acrescentou ser necessário lutar contra a concentração de riqueza e o abismo entre ricos e pobres, eventualmente adoptando o modelo "bolivariano" e arruinando toda a gente.

 

É ou não é brilhante? O pior é que este estilo de comédia também é arriscado: muitos brasileiros não percebem o humor de BSS e tomam-no por um pensador de facto e não pela caricatura de uma sátira a uma paródia de um pensador. Ricardo Araújo Pereira apresenta-se como humorista e tem graça. A vastíssima maioria dos restantes humoristas indígenas apresenta-se como tal e não tem gracinha nenhuma. BSS apresenta-se como "cientista social" e suscita a estupefacção dos não iniciados, que hesitam entre levar aquilo à letra ou usufruir do seu potencial hilariante.

 

E o melhor de tudo passa pelo facto de não sabermos se o próprio BSS se leva igualmente a sério. A sério, só isto: sempre que se lamenta a fuga de cérebros do país, convém contrabalançá-la com a fuga de malucos. Infelizmente, estes regressam logo a seguir.»

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publicado às 14:55

A selecção nacional de futebol e o embate contra Espanha

por Samuel de Paiva Pires, em 24.06.12

O Maradona em grande:

 

«Não há aqui as facilidades de 2004 e 2006, em que o Mourinho, através do seu Porto, deixara a selecção convenientemente preparada; o que vimos ontem procede tudo de uma cultura, a cultura do futebol levado ao seu extremo de maturidade. Na quarta-feira, contra a Espanha, vamos defrontar um adversário que para além de ser constituido por jogadores melhores que os nossos, se encontram aliados pela conclusão que a "sorte" está do lado deles; "sorte", aqui, é os jogadores partilharem toda a combinação de conclusões futebolísticas possíveis à matemática. Para os poder vencer, é necessário desviar o mais possivel o jogo do que lhes é natural: contra as suas combinações automáticas e o karma esférico, temos que elevar o individualismo a patamares paródicos. A liderança que o Ronaldo finalmente conseguiu impôr à sua seleção (contra a Holanda), terá que ser cristalizada numa ordem ainda mais superior. Aqueles jogadores, os gajos que estão no banco, Paulo Bento e nós próprios, precisamos de nos reunir à sua volta como a Argentina de 1986 fez com o Maradona, para que a equipa que não temos hipótese de ser possa diluir as suas fraquezas num fascismo iluminado capaz confundir antinomicamente uma Espanha habituada a ser colocada perante adversários que os combatem tentando igualar as suas virtudes. Contra a solidária descentralização artística que o Barcelona impôs com tanto sucesso ao mundo futebolístico neste últimos anos, Portugal só pode responder com a solidariadade ainda mais absoluta, leal e avassaladora: com Cristiano Ronaldo. Jogo de equipa o caralho.»

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publicado às 14:27

Do nosso amigo Zé B., uma irritação para alguma gente

por Nuno Castelo-Branco, em 23.06.12

 

O Hino e a Bandeira causarão alguns azedumes entre os sátrapas do costume, mas a verdade deve ser reposta. Foi precisamente o que o Zé fez. Divulguem o video e o texto de apresentação no youtube:

 

"A Portuguesa foi composta por Alfredo Keil e Lopes de Mendonça, em desagravo pelo Ultimatum de 1890. Num sobressalto patriótico, dedicaram a Marcha a D. Miguel (II) de Bragança, então exilado na Áustria. A Portuguesa, pela sua letra apelando ao glorioso passado do Portugal de sempre, o da Monarquia, e pelo facto de ter sido oferecida à Casa de Bragança, é um hino claramente monárquico. A própria Rainha D. Amélia ensinaria "A Portuguesa" aos filhos, D. Luís Filipe e D. Manuel.
Os republicanos aproveitaram a força de A Portuguesa, apropriando-se de uma obra que não lhes pertencia e que pela mensagem contraria aquilo que a república foi, é e sempre será: um desastre para Portugal.
Mesmo após a Restauração que virá (1), continuará a ser o Hino da nação portuguesa."

 

(1) Aqui está a explicação.

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publicado às 20:41

A grande descompressão

por Pedro Quartin Graça, em 23.06.12

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publicado às 06:50

Programa para hoje

por Samuel de Paiva Pires, em 23.06.12

Pelas 11h da manhã, vou estar com o Bruno Gonçalves Bernardes na I Conferência Internacional de Jovens Investigadores de História Contemporânea, no ISCTE, onde faremos uma apresentação sobre "Um retrato do centrismo político em Portugal: possíveis pontes comparativas", incidindo essencialmente sobre a Monarquia Liberal e os dias de hoje. 

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publicado às 00:24

Dito e cumprido

por Nuno Castelo-Branco, em 22.06.12

Fiz aquilo que era necessário, não sou um "monárquico de feicebuque". Acompanhado de um amigo, fui até ao marquês, esperando encontrar algumas dezenas daqueles 2000 filiados que a Causa Real tem em Lisboa.  Pelos vistos, ficaram todos em casa, comemorando no sofá. Se eu tivesse cem bandeiras à minha disposição, em menos de cinco minutos teria ficado sem uma única, tantas eram as pessoas que me perguntavam por elas. Este símbolo é mágico, atrai os olhares e é verdadeiramente estimado pela gente nova. Fiquei sem a minha, tive de a oferecer a um garoto que não parava de a elogiar. 

 

Nos tempos da "ominosa" Nova Monarquia, para um evento deste tipo, teríamos facilmente juntado algumas centenas de jovens. Não tínhamos dinheiro, carro ou mota. Andávamos a pé ou de metro. Telemóveis, computadores e outras tecnologias, eram coisas da guerra das estrelas. Nem sequer precisávamos de fazer muitos telefonemas, a organização funcionava em rede e através do passa-palavra. E funcionava na perfeição.

 

Bandeiras azuis e brancas à noite, o contraste é total, os fotógrafos adoram. Experimentem para a semana, mas talvez já seja tarde demais. Cumpram o vosso dever, se fizerem o favor!

 

 

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publicado às 09:55

Hoje somos todos gregos

por Samuel de Paiva Pires, em 22.06.12

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publicado às 09:50

Toda uma diferença

por Pedro Quartin Graça, em 22.06.12

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publicado às 09:49

"O PSD já teve um líder que o defendeu e eu também, a título meramente pessoal, dou abertura para a hipótese de (...) passarmos a ter uma secção constitucional no Supremo Tribunal de Justiça, com isso recolocando em cima da mesa não só o método de eleição e de recrutamento dos juízes que vão julgar as matérias constitucionais, mas também a eficácia do sistema", afirmou ao programa da Rádio Renascença, "Em Nome da Lei", a ser transmitido no sábado, depois do noticiário das 12h.

 

Luís Montenegro, líder do grupo parlamentar do PSD

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publicado às 08:32

"Ninguém pára Portugal”

por Pedro Quartin Graça, em 22.06.12

O bom jogo da selecção de Portugal e de Cristiano Ronaldo contra a República Checa em destaque nos jornais internacionais. Vejamos:

 

L'Équipe (França)
"Ninguém pára Portugal”, titulava o diário francês. "Saído do grupo da morte apesar do favoritismo dado à Alemanha e Holanda, Portugal já está nas meias-finais do Euro depois da vitória sobre a Rep. Checa. Cristiano Ronaldo continua a fazer a diferença."

Marca (Espanha)
"Golo de Ouro" e uma fotografia grande de Ronaldo estavam em destaque no desportivo espanhol. "Cristiano leva Portugal às meias-finais do Euro", tinha como manchete. "Portugal qualificou-se e Cristiano Ronaldo voltou a fazer um jogo soberbo, autor do golo no minuto 70 com um grande cabeceamento."

Gazzetta dello Sport (Itália)
"Ronaldo, golo e espectáculo, Portugal nas meias-finais", colocava em manchete o diário italiano. "A República Checa perdeu graças a uma proeza com a cabeça de Ronaldo. Um fora-de-série este português..."

Olé (Argentina)
"O melhor Cristiano", escrevia este jornal argentino. "Ronaldo voltou a rasgar tudo e meteu o golo que deu a passagem às meias-finais. O goleador do Real quer levar longe o seu país: espera por Espanha ou França. O avançado português já festejou três vezes neste Europeu."

El País (Espanha)
"Cristiano, finalmente, converteu-se no líder que necessitava o seu país. O segundo tempo de Portugal foi do melhor que se viu neste Europeu, perante uma pobre Rep. Checa que não atirou uma única vez à baliza adversária. Pelo contrário, Portugal apresentou a sua candidatura ao título. Tem tudo para isso, menos um ponta-de-lança. (...) É uma equipa com alma e fé. Superou todas as dúvidas do primeiro jogo."

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publicado às 08:25

Checo-mate!

por Samuel de Paiva Pires, em 21.06.12

E já estamos nas meias-finais, após um jogo sofrido mas em que, mais uma vez, a selecção nacional dominou claramente a equipa adversária, em especial na segunda parte. Espanha ou França, uma delas colocar-se-á entre esta selecção, que tem praticado provavelmente o melhor futebol do Euro 2012, e a final deste. Força, rapazes!

 

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publicado às 22:03

Joana de Vasconcelos em Versalhes

por Nuno Castelo-Branco, em 21.06.12

Como em qualquer exposição, esta apresenta peças que nos agradam mais que outras. De facto impressiona não apenas pelo impacto que ocasiona entusiásticas adesões, como pela posição contrária, aquele estupor pela ousadia quase iconoclasta. No entanto, nem tudo o que parece, é. Bem ao contrário de riscos, borradas, rabiscos, lixo acumulado em instalação do nada, telas sem pingo de cor ou mictórios transformados em novas Vénus de Milo de uma época sem futuro, esta exposição de Joana de Vasconcelos, é uma chamada de atenção à magia que Versalhes ainda exala.

 

Há quem se atreva a dizer que um tour a Versalhes, é suficiente para abalar a postiça grandeza da república francesa. Quem passeie pelo Palácio, ali vê Maria Antonieta sala após sala, hoje uma mulher mais heroína que jamais, para sempre enterradas as maledicências, invenções e ódios onde estava sempre presente a estupidês diplomada de burrice e uma forte frustração sexual dos detractores da grande vítima dos acontecimentos pós-1789. Há que compreender o papel que a Rainha desempenhou  na sociedade francesa dos finais do Ancien Régime, ditando a moda, alterando os gostos, estabelecendo novos padrões estéticos que a Europa apressadamente copiaria.

Joana de Vasconcelos compreendeu bem a clara sobreposição da mulher Maria Antonieta, ao papel desempenhado pela mesma senhora enquanto Rainha de França. Na mulher se ensimesmou o ódio açulado à populaça, o ataque ao bom gosto, consciência da sua posição, beleza e presença central da princesa austríaca na França do ocaso do século XVIII. Se podemos arbitrariamente decidir que algumas obras que J.V. expõe em Versalhes parecem deslocadas no grandioso conjunto que é desde há muito o mais representativo monumento francês, outras há que em tudo se coadunam com o espaço e mais ainda, existe mesmo uma clara intencionalidade de invasão portuguesa do mesmo. Os belos leões numa renda que vista de longe "é" de porcelana, declaradamente apelando ao nosso património imperial asiático e que decerto teriam extasiado a sempre inovadora Rainha. Os colossais corações-lustre que nos remetem para as maravilhosas filigranas portuguesas - uma pena Maria Antonieta jamais ter vislumbrado um desses corações em ouro -, deverão embevecer a nossa gente que tem aquele país como terra de acolhimento. Se possuísse uma fábrica de cristais, estaria hoje mesmo a propor a Joana de Vasconcelos, uma edição de lustres coloridos que fariam furor nos mais exigentes mercados.

 

Longe vão os tempos em que Charles Bohmer, joalheiro da Corte de Versalhes, apresentou como vendedor ao embaixador português representante de D. Maria I, o famoso colar de diamantes que ditaria o injusto opróbrio de uma Maria Antonieta que firmemente o recusara em tempos de economias. Algumas das peças das Jóias da Coroa guardadas na Ajuda, fizeram a inveja e admiração dos nomes mais sonantes da Corte francesa, tendo mesmo a famosa caixa de rapé de D. José I, passeado entre os dedos de uma atónita Mme. de Pompadour. Era a época em que o ouro e os diamantes brasileiros prodigalizavam compras e encomendas em Paris e neste momento de tantas dificuldades, podemos considerar-nos felizes por possuirmos uma boa quantidade de riquezas sem par, enquanto na própria França, devastada por quedas de regimes, guerras, roubos e invasões, as peças - coches, baixelas, móveis, jóias - foram desaparecendo ao longo de mais de um século.

Estamos perante algo de novo e embora exista uma certa contestação quanto ao local escolhido para esta grande exposição, devemos atender à oportunidade da mesma, principalmente tratando-se de um país onde Portugal é, tal como em Espanha ou na Holanda, geralmente desprezado. Esta é uma realidade que umas tantas exposições podem fazer desabar e ainda temos bem presentes, os comentários dos incrédulos estrangeiros que em coortes de curiosos, há duas décadas visitaram O Triunfo do Barroco. Uma exposição pode liquidar velhos preconceitos ditados pela ignorância acerca de um Portugal que deu a Europa a conhecer ao mundo e mais ainda, enriqueceu-a com novidades até então desconhecidas. Pois bem, imaginemos então os portugueses dos arredores de Paris, esfusiantes pelo resultado de uma obra que decerto teria agradado às máximas personagens que habitaram Versalhes e que ainda hoje, mais de dois séculos decorridos, facilmente ofuscam exércitos de Pompidous, Chiracs, Mitterrands, Sarkozys ou duvidosos Hollandes: Luís XIV, Madame de Pompadour e Maria Antonieta, esses três tigres da moda, do bom gosto e da inovação no estilo de que a França deste século XXI, ostensivamente tira proveito. Se fosse apenas por isso, esta exposição já teria valido a pena. 

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publicado às 16:40

Joana Vasconcelos - arte?!

por Samuel de Paiva Pires, em 21.06.12

Por uma vez estou de acordo com o que se escreve no Arrastão, no caso, pelo Sérgio Lavos. Já de há alguns anos a esta parte que se tornou evidente o apoio regimental a Joana Vasconcelos, que recentemente se reflectiu nas palavras manifestamente exageradas de Paulo Portas. Deixando de lado este descaramento, mais uma vez pago pelos contribuintes, o que realmente me provoca espanto é a classificação do trabalho de Joana Vasconcelos como arte. Arte contemporânea, claro está, o que faz com que este espanto não seja, obviamente, exclusivo a Joana Vasconcelos. Doem-me os olhos ao ver as fotografias da exibição em Versailles. Esteticamente, é piroso e pavoroso. Simbolicamente, parece-me cair na classificação de Heidegger de "má arte", ou seja, é superficial, não indo além de uma mera relação linear com o que pretende representar, tendo uma mensagem meramente efémera, fácil e rapidamente captável, mas que fica por aí. Como salienta Mark Vernon, "não consegue ver para além da pequenez dos seus próprios  horizontes auto-confiantes." Um lixo, portanto.

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publicado às 13:25

Declaração de Amor à Língua Portuguesa

por Samuel de Paiva Pires, em 21.06.12

Da autoria de Teolinda Gersão, via Aventar:

 

«Tempo de exames no secundário, os meus netos pedem-me ajuda para estudar português. Divertimo-nos imenso,confesso. E eu acabei por escrever a redacção que eles gostariam de escrever. As palavras são minhas,mas as ideias são todas deles.

 

Aqui ficam,e espero que vocês também se divirtam. E depois de rirmos espero que nós, adultos, façamos alguma coisa para libertar as crianças disto.

 

Redacção – Declaração de Amor à Língua Portuguesa


Vou chumbar a Língua Portuguesa, quase toda a turma vai chumbar, mas a gente está tão farta que já nem se importa. As aulas de português são um massacre. A professora? Coitada, até é simpática, o que a mandam ensinar é que não se aguenta. Por exemplo, isto:  No ano passado, quando se dizia “ele está em casa”, ”em casa” era o complemento circunstancial de lugar. Agora é o predicativo do sujeito. “O Quim está na retrete” : “na retrete” é o predicativo do sujeito, tal e qual como se disséssemos “ela é bonita”. Bonita é uma característica dela, mas “na retrete” é característica dele? Meu Deus, a setôra também acha que não, mas passou a predicativo do sujeito, e agora o Quim que se dane, com a retrete colada ao rabo.

 

No ano passado havia complementos circunstanciais de tempo, modo, lugar etc., conforme se precisava. Mas agora desapareceram e só há o desgraçado de um “complemento oblíquo”. Julgávamos que era o simplex a funcionar: Pronto, é tudo “complemento oblíquo”, já está. Simples, não é? Mas qual, não há simplex nenhum,o que há é um complicómetro a complicar tudo de uma ponta a outra: há por exemplo verbos transitivos directos e indirectos, ou directos e indirectos ao mesmo tempo, há verbos de estado e verbos de evento,e os verbos de evento podem ser instantâneos ou prolongados, almoçar por exemplo é um verbo de evento prolongado (um bom almoço deve ter aperitivos, vários pratos e muitas sobremesas). E há verbos epistémicos, perceptivos, psicológicos e outros, há o tema e o rema, e deve haver coerência e relevância do tema com o rema; há o determinante e o modificador, o determinante possessivo pode ocorrer no modificador apositivo e as locuções coordenativas podem ocorrer em locuções contínuas correlativas. Estão a ver? E isto é só o princípio. Se eu disser: Algumas árvores secaram, ”algumas” é um quantificativo existencial, e a progressão temática de um texto pode ocorrer pela conversão do rema em tema do enunciado seguinte e assim sucessivamente.

 

No ano passado se disséssemos “O Zé não foi ao Porto”, era uma frase declarativa negativa. Agora a predicação apresenta um elemento de polaridade, e o enunciado é de polaridade negativa.

 

No ano passado, se disséssemos “A rapariga entrou em casa. Abriu a janela”, o sujeito de “abriu a janela” era ela,subentendido. Agora o sujeito é nulo. Porquê, se sabemos que continua a ser ela? Que aconteceu à pobre da rapariga? Evaporou-se no espaço?

 

A professora também anda aflita. Pelo vistos no ano passado ensinou coisas erradas, mas não foi culpa dela se agora mudaram tudo, embora a autora da gramática deste ano seja a mesma que fez a gramática do ano passado. Mas quem faz as gramáticas pode dizer ou desdizer o que quiser, quem chumba nos exames somos nós. É uma chatice. Ainda só estou no sétimo ano, sou bom aluno em tudo excepto em português,que odeio, vou ser cientista e astronauta, e tenho de gramar até ao 12º estas coisas que me recuso a aprender, porque as acho demasiado parvas. Por exemplo,o que acham de adjectivalização deverbal e deadjectival, pronomes com valor anafórico, catafórico ou deítico, classes e subclasses do modificador, signo linguístico, hiperonímia, hiponímia, holonímia, meronímia, modalidade epistémica, apreciativa e deôntica, discurso e interdiscurso, texto, cotexto, intertexto, hipotexto, metatatexto, prototexto, macroestruturas e microestruturas textuais, implicação e implicaturas conversacionais? Pois vou ter de decorar um dicionário inteirinho de palavrões assim. Palavrões por palavrões, eu sei dos bons, dos que ajudam a cuspir a raiva. Mas estes palavrões só são para esquecer. Dão um trabalhão e depois não servem para nada, é sempre a mesma tralha, para não dizer outra palavra (a começar por t, com 6 letras e a acabar em “ampa”, isso mesmo, claro.)

 

Mas eu estou farto. Farto até de dar erros, porque me põem na frente frases cheias deles, excepto uma, para eu escolher a que está certa. Mesmo sem querer, às vezes memorizo com os olhos o que está errado, por exemplo: haviam duas flores no jardim. Ou : a gente vamos à rua. Puseram-me erros desses na frente tantas vezes que já quase me parecem certos. Deve ser por isso que os ministros também os dizem na televisão. E também já não suporto respostas de cruzinhas, parece o totoloto. Embora às vezes até se acerte ao calhas. Livros não se lê nenhum, só nos dão notícias de jornais e reportagens,ou pedaços de novelas. Estou careca de saber o que é o lead, parem de nos chatear. Nascemos curiosos e inteligentes, mas conseguem pôr-nos a detestar ler, detestar livros, detestar tudo. As redacções também são sempre sobre temas chatos, com um certo formato e um número certo de palavras. Só agora é que estou a escrever o que me apetece, porque já sei que de qualquer maneira vou ter zero.

 

E pronto, que se lixe, acabei a redacção – agora parece que se escreve redação.O meu pai diz que é um disparate, e que o Brasil não tem culpa nenhuma, não nos quer impôr a sua norma nem tem sentimentos de superioridade em relação a nós, só porque é grande e nós somos pequenos. A culpa é toda nossa, diz o meu pai, somos muito burros e julgamos que se escrevermos ação e redação nos tornamos logo do tamanho do Brasil, como se nos puséssemos em cima de sapatos altos. Mas, como os sapatos não são nossos nem nos servem, andamos por aí aos trambolhões, a entortar os pés e a manquejar. E é bem feita, para não sermos burros.

 

E agora é mesmo o fim. Vou deitar a gramática na retrete, e quando a setôra me perguntar: Ó João, onde está a tua gramática? Respondo: Está nula e subentendida na retrete, setôra, enfiei-a no predicativo do sujeito.

 

João Abelhudo, 8º ano, turma C (c de c…r…o, setôra, sem ofensa para si, que até é simpática).»

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publicado às 13:10

Por que será que quando vejo alguém dizer que os mercados não se auto-regulam parece-me que o que essa pessoa quer mesmo dizer é que os mercados não fazem aquilo que ela deseja?

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publicado às 00:58

Do primitivismo do debate político português

por Samuel de Paiva Pires, em 21.06.12

Um excelente artigo de Francisco Mendes da Silva, a ler na íntegra, sobre Enoch Powell, mas que começa com este parágrafo certeiro:

 

«De todos os modos primitivos em que ainda se desenvolve o debate político em Portugal, existem dois que me suscitam um particular desalento: o quase completo desdém pelos discursos escritos e – sem que daqui resulte qualquer contradição – a inabilidade para o “soundbite”. Descontando a prosápia inócua que vai sendo proferida, compilada e publicada por algumas cúpulas senatoriais sem grandes responsabilidades de escolha política ou preocupações de combate e ruptura, o debate faz-se de navegações à vista e reacções circunstanciais, sem nenhum respeito pela organização das ideias, pela coerência das posições, pela sedimentação programática. Daí que, em vez de exigência substantiva e esmero estilístico, tenhamos de suportar os mais lamentáveis malabarismos oratórios, nunca para lá da metáfora deslocada, da piada de caserna ou do recurso preguiçoso à gíria futebolística. Isto para não falar de erudição, que – à parte da eventual citação dos “grandes estadistas” canónicos (um Churchill aqui, um Kennedy ali) – é coisa que de todo inexiste.»

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publicado às 00:52

A tasquinha dos strumpfs

por Nuno Castelo-Branco, em 20.06.12

Os programas de comentório pretensamente político, bastam para ficarmos com uma ideia acerca do rasteiro nível de uma certa informação nesta infelizmente cada vez mais Europe's West Coast. Um dos mais notórios redondéis de desinformação é sem qualquer dúvida o felizmente chamado Eixo do Mal, onde a compinchagem, canastrice encartada e ignorância pesporrenta, fazem jus à selecta escolha da molecagem que vai servindo os pingues interesses do sr. Balsemão.

 

Desta vez, do alto da domingueira cátedra de tasca de caracóis, o "Zé do burro" Oliveira e a strumpf Clarinhinha fizeram o habitual número anti-Merkel, chegando ao ponto de histericamente a compararem a Adolfo Hitler. Estas pobres criaturinhas não se poupam a qualquer ridículo e ao mesmo tempo que exigem "mais-Europa", ou seja, ainda mais Alemanha disfarçada de federalismo, berram contra quem ainda vai possibilitando a grande ilusão. 

 

Em suma, trata-se de uma questão de sacar dinheiro alheio, coisa em que a esquerda-caviar é especialista. O pior de tudo é que ainda julgam poder funcionar a velha chantagem moral que a Mitterrand e a outros, ainda possibilitou extorquir o Euro a Berlim. Para mal de todos. 

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publicado às 09:22

Morreu um grande amigo do Ocidente

por Nuno Castelo-Branco, em 20.06.12

Numa Europa cobarde, além de profunda e estupidamente ingrata - nem valerá a pena tecermos considerações acerca dos cada vez mais ignominiosos EUA -, pouco importará o esgrimir de conveniências políticas, geralmente o mais incorrectas que possamos imaginar.

 

Morreu um grande amigo do Ocidente. O falecimento ocorre em boa hora, pois apesar das agruras da prisão, Hosni Mubarak partiu de forma aparentemente natural. Um contratempo para a imunda e barbada chusma de trogloditas que pretendia dar-lhe o mesmo fim reservado aos genocidas Saddam Hussein e Kadhafy. 

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publicado às 00:28

Mafia de Platini...

por Nuno Castelo-Branco, em 19.06.12

... rouba os quartos de final à Ucrânia e oferece um presente aos ingleses. Mais um árbitro convenientemente ceguinho, coitado. A coisa confirma-se de jogo para jogo. Só visto!

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publicado às 23:57







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