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Fotos que marcaram a história - 1

por Pedro Quartin Graça, em 29.11.12

publicado às 09:48

« Digo Sim Ao 1º De Dezembro »

por Cristina Ribeiro, em 28.11.12

No ano de 1940, em Guimarães, lembrava-se o 1º de Dezembro, sem que sequer passasse na cabeça de quem assim o fazia, que num futuro não muito longínquo novos Vasconcelos iriam pugnar pelo fim do Feriado Nacional.
" Portugal, passando em revista o seu passado grandioso, não pode deixar de tirar dele uma proveitosa lição para orientar o seu futuro de nação livre. O passado, que se comemora, é um motivo forte de orgulho da nossa Raça. ( ... )
Durante o cativeiro filipino o " sebastianismo " era a esperança da Raça que desejava voltar a ser livre; era a mística que enchia os corações de uma nova fé no resgate e no ressurgimento da Pátria. Mantinham-se a esperança num novo Rei português, a fé no novo Desejado, e delas resultou o novo milagre da Restauração. Foi com D. João IV que os portugueses se reüniram para soltar bem alto o grito de libertação. ( ... ) .
Tornava-se possível, junto de vizinho poderoso a existência livre de um povo livre. ( ... ) "

publicado às 22:36

Ironias portuguesas

por Samuel de Paiva Pires, em 28.11.12

Receber um convite para uma conferência sobre meritocracia proferida por um dos indivíduos que mais atenta contra esta - tendo eu conhecimento de causa em relação a vários casos - é de uma refinadíssima ironia. A mediocridade é mesmo endogâmica e descarada. 

publicado às 19:24

Restauração de rastos

por Pedro Quartin Graça, em 28.11.12

publicado às 15:44

Irreversível

por Fernando Melro dos Santos, em 28.11.12
Parece que um pasquim da praça noticia, passe o exagero na expressão, que um vinho de pretensa marca "Salazar" acaba de ser impugnado em fase de pós-produção, porque, e cito, "podia ofender a consciência colectiva e perturbar a ordem pública".

Ora como eu gosto das minhas refeições servidas por partes, aqui vamos.

A consciência de quem? Dos que permitem que uma figura mumificada como Mário Soares continue a ter honras de palanque, sabendo que vocifera hoje contra aquilo que defendeu em 1983? Dos que elegeram José Sócrates e que na sua verve neo-boçal embarcaram, mesmo quando isso se revelou danoso para o património financeiro e social do país? Dos que repugnam todo e qualquer desvio à cantilena miserabilista da esquerdalha PREC-iana, fazendo de Portugal a Albânia do século XXI? Ou dos que afinam o horizonte pela próxima bebedeira de crédito e inconsequência?

Deve ser à ordem desse público que importa apaziguar mantendo as coisas como estão e o lumpen-proletariat (versão estendida) em agitação constante.

publicado às 15:27

Evidentemente, acompanho as críticas feitas aos deputados do CDS, que provêm em larga medida de muitos militantes. Porém, se por um lado o João Távora tem razão quando afirma que "o que ressalta para mim de mais grave nisto tudo é o irremediável descrédito alcançado por uma promissora geração de jovens políticos", e também o Carlos Guimarães Pinto ao fazer notar as consequências que isto tem na jovem e frágil corrente liberal na política portuguesa, não deixa, contudo, pelo que vou lendo de militantes do CDS, de ser saudável que no seio do próprio partido se discuta abertamente esta situação. 

 

Permitam-me, no entanto, salientar o óbvio. Sabendo-se que o CDS não tem a força que o PSD tem no Governo, é perverso apontar apenas espingardas ao primeiro e deixar o segundo incólume. O Primeiro-Ministro é Pedro Passos Coelho e o Ministro das Finanças é, obviamente, seu. São os dois principais responsáveis por este péssimo Orçamento. E o PSD foi eleito prometendo, tal como o CDS, totalmente o oposto daquilo que está a fazer. O CDS está a ser queimado em lume brando enquanto o PSD tenta passar entre os pingos da chuva - o que não deve deixar de agradar aos politiqueiros da São Caetano e deveria preocupar Paulo Portas -, quando é a este último que se deve em larga medida este Orçamento.  Aquilo a que assistimos nos últimos meses foi a um jogo de forças em que o CDS é o elo mais fraco à mercê de um PSD que sabe que o CDS não provocaria uma crise política num momento tão delicado da vida nacional. Convinha que os eleitores não o esquecessem e retirassem as devidas ilações.

publicado às 12:56

É já amanhã

por Samuel de Paiva Pires, em 28.11.12

No âmbito do projecto "Educar", promovido pela Causa Real, decorrerá amanhã, pelas 16h30m, na Escola Superior de Educação João de Deus, a primeira de uma série de conferências e debates dedicados às temáticas da democracia, regime político e cidadania em Portugal no século XXI. Os oradores serão o Professor José Adelino Maltez e eu próprio. Naturalmente, a conferência é aberta ao público e a entrada é livre.

 

publicado às 12:21

Há Lodo no Cais

por Fernando Melro dos Santos, em 28.11.12
Ontem, os deputados do CDS demonstraram três factos.

Um: que optaram por cavar ainda mais o fosso entre eleitores e eleitos, alienando os votos recém-conquistados e sepultando de vez a possibilidade de emergir uma ala liberal oriunda de dentro da máquina partidária.

Dois: má escala de valores tendo equiparado a responsabilidade partidária ao dever para com os constituintes. Por analogia, foi como se um piloto de aviação civil, com um Boeing 767 cheio de gente às costas, tivesse obedecido pronta e cegamente a uma ordem da torre que o mandasse afocinhar a direito contra um penedo.

Três: estupidez, muita estupidez... o momento político foi-se e agora a AR vai tornar-se um grande centro comercial à espera da falência.

publicado às 08:29

I'll take the Jag

por João Quaresma, em 28.11.12

 

Pedro Arroja, no sempre interessante Portugal Contemporâneo:

 

«Pelo meio da manhã de hoje, eu estava a dizer que o pensamento protestante é meio-aldrabão, senão mesmo, às vezes, aldrabão inteiro. Foi quando recebi um telefonema do Joaquim, ao mesmo tempo que ele colocava um post no PC para me ajudar nesta tese. Naturalmente que a aldrabice, na esmagadora maioria das vezes, não é intencional por parte de quem a profere. Trata-se de uma questão cultural.

Fartámo-nos de rir ao telefone. O Joaquim vinha dizer-me que eu estava muito próximo da verdade quanto ao pensamento protestante ser mentiroso, e depois imaginámo-nos a confrontar a Troika. Eles, com aquele ar muito sério típico do protestantismo a dizerem-nos: "O principal problema do vosso país é o défice orçamental e portanto têm de reduzir a despesa pública aqui, ali e acolá, e aumentar este imposto, e mais aquele e ainda aqueloutro...".

E, depois de os ouvirmos em silêncio, chegada a altura de sermos nós a falar, eu e o Joaquim a rirmo-nos a bandeiras despregadas e a dizer-lhes: "Isso é tudo mentira...vocês são uns aldrabões... o nosso principal problema não é nada o défice orçamental, mas o défice externo ... a solução prioritária não é nada o aumento dos impostos, mas o aumento das exportações, não é a redução da despesa pública, mas a redução das importações. Portanto, se vocês, ou quem vos manda aqui, querem continuar a vender BMW's para cá vão ter de montar cá uma fábrica, ou então a gente compra Jaguares aos ingleses..."»

publicado às 01:41

Um concerto aquém das expectativas

por Samuel de Paiva Pires, em 28.11.12

Foi esta noite que os célebres The Black Keys tocaram no Pavilhão Atlântico. Com poucos rasgos de criatividade em palco, interagindo pouco com o público (nem os clichés "Boa noite" e "Obrigado" se ouviram), tocando um set com demasiadas quebras em apenas hora e meia e deixando no baú sucessos como You're the only one, Heavy Soul, Have Love Will Travel, Strange Desire, Stop Stop, I'll be your man, She said, she said, apenas se pode esperar que da próxima vez que actuarem em Portugal se empenhem um pouco mais. 

 

publicado às 01:04

E o resto é conversa...

por Pedro Quartin Graça, em 27.11.12

publicado às 15:34

De Sedan a Eduardo Lourenço

por Nuno Castelo-Branco, em 27.11.12

 

A bordo do cruzador Léon Gambetta, Émile Loubet despede-se da rainha D. Amélia (Lisboa, 29 de Outubro de 1905)

Num certeiro artigo no Público, Vasco Pulido Valente em poucas palavras desmonta toda a falível argumentação de Eduardo Lourenço, quando este pensador repesca o velho tema da Pérfida Albion, apontando a Inglaterra como a causadora de todos os males que ao longo de séculos se têm abatido sobre aquilo a que erroneamente se designa de Europa. Não podendo o continente ser entendido como um todo, temos então vários pólos de interesses por vezes incompatíveis, mas que mercê do declínio dos outrora poderes imperiais que dominaram o mundo, são forçados a um mínimo de entendimento que não lhes chancele uma completa irrelevância. É esta a Europa que temos e teremos.

 

Ao contrário daquilo que os persistentes luso-afrancesados querem fazer crer, a Inglaterra apenas se limitou a garantir a integridade possível da sua independência, aquela soberania hoje tão reclamadas por alguns, paradoxalmente os mesmos que entre nós se reclamam um tanto aprioristicamente, é certo, ébrios de embebimento de cultura francesa. 

 

A partir do feliz epílogo do seu processo de unificação nacional, no qual Joana d'Arc surge como símbolo máximo e até aos nossos dias imorredouro, a França decidiu-se pela luta pela hegemonia continental. Neste sentido entendam-se as intervenções na Itália do Renascimento e as constantes guerras dos Valois, opondo-se ao desígnio AEIOU da Casa de Áustria, a poderosa e historicamente mais legítima aspirante à sucessão de jurede facto ao trono imperial pan-europeu que a queda de Roma deixara vago. As guerras atiçadas por Richelieu em nome de Luís XIII e o longuíssimo reinado de Luís XIV, apenas confirmaram esse intervencionismo expansionista que ditaria a hostilidade quase unânime de potências que na França viam o perigo maior, aquele que seria capaz de liquidar as liberdades das já então pressentidas nacionalidades claramente ameaçadas. Mais tarde, a exportação da Revolução na ponta das baionetas insere-se totalmente neste projecto expansionista e a quebra de todas as regras aceites de conduta diplomática, voltariam a confirmar a fronda que se estabeleceu entre países normalmente desavindos, mas conscientes da urgência de  impedir os abusos que um Bloqueio Continental significou para os interesses portugueses, espanhóis, holandeses, austríacos, suecos, russos e dos Estados de uma Alemanha tomada de consciência da sua força nacional. A Inglaterra foi o navio de linha que impediu o sonho napoleónico de domínio global e a generosamente recheada bolsa que financiou exércitos levantados desde Lisboa a São Petersburgo, num congraçar de interesses daqueles que desejavam garantir a sua predominância política em contextos regionais e também, a solvência de economias e do comércio submetido à extorsão e opressoras pautas aduaneiras ditadas por Paris. 

 

Existe um profundo mal-entendido francês quanto aos seus adversários erradamente designados por "históricos", persistindo ver além-Reno, a ameaça maior aos seus projectos. A Alemanha, há séculos profundamente influenciada pelo pensamento francês que no próprio Frederico II da Prússia encontraria o mais entusiástico recruta, jamais terá sido aquele perigo mortal  que a propaganda parisiense fez circular mundo fora, pois os alemães desde sempre partilharam com os vizinhos ocidentais o sonho do império continental europeu, apenas encontrando como ponto de fricção que conduziria a três desastres, o desejo pela preponderância na condução desse processo unificador. Napoleão III acicatou os nacionalismos em toda a Europa, tencionando construir paulatinamente a sua hegemonia, mas esquecendo-se da inevitabilidade de uma Itália una que desde logo reivindicaria a defesa dos seus próprios interesses e que no expansionismo territorial encontraria um capítulo importante da sua acção como novel Estado no concerto europeu. Essa "ingratidão por omissão" apontada a Vítor Manuel II após a fragorosa derrota francesa de 1870-71, não teve em conta a transformação no mapa político europeu que em pouco mais de vinte anos consagrou as novas realidades políticas e militares que logo ingressariam num intrincado sistema de alianças. A Inglaterra era aquilo a que simplistamente podemos designar de fiel da balança de poderes, mitigando impulsos hegemonistas e mantendo satisfatoriamente aquele que seria um prolongado interregno nas habituais guerras entre potências, calamitosamente destruído quando do despoletar do primeiro conflito mundial. Aquilo que Eduardo Lourenço conhece perfeitamente mas oportunamente esquece, consiste no afanoso preparar gaulês da guerra de revanche contra a nova Alemanha que em 1871 deixara de ser uma simples expressão geográfica, durante séculos um campo de batalha para intervencionismos vários e sobretudo, o palco da ambição expansionista de uma França que nas "fronteiras naturais" encontrava o argumento supremo da sua segurança nacional. A par da conquista colonial - aliás internamente bastante contestada por sectores que apenas pretendiam concentrar a força e as atenções na vingança contra a Alemanha que lhes arrebatara as germânicas províncias da Alsácia e da Lorena -, Paris desenvolveu um porfiado esforço no estabelecer de alianças compensatórias da sua óbvia inferioridade populacional e económica frente ao poder alemão. Neste âmbito se insere a aproximação à Rússia da autocracia e foi irónico observar durante a sua visita oficial a Paris, um respeitoso czar Alexandre III que de cabeça descoberta, escutava  a estridente Marselhesa, cujas estrofes apelavam ao combate contra os tiranos da Terra. Os franceses abriram os cofres e inundaram a Rússia de créditos que permitiram um espantoso arranque industrial, o renascer da frota e a modernização de infraestruturas, condicionando a boa vontade financiadora àqueles aspectos essenciais à política francesa que nos caminhos de ferro conducentes às fronteiras alemãs, garantiriam a mobilização do chamado "rolo compressor" do exército czarista. A tudo isto assistiu a Inglaterra, mantendo razoáveis relações com todos os grandes Estados europeus, ao mesmo tempo não descurando o fortalecimento do seu rosário de bases navais em todo o mundo, engrandecendo-se também no domínio colonial e não hesitando em contestar a posse de territórios a outrém, sempre que isso representasse uma ameaça à sua segurança - o Caso Fachoda - ou aos seus interesses estratégicos e económicos, como bem demonstraria o envio do Ultimatum a Lisboa. 

 

A França correctamente manobrou para a eclosão da I Guerra Mundial, vista como a derradeira oportunidade de  desforra e quiçá, da destruição da unificação alemã. Freneticamente procurou alianças e neste âmbito se insere a visita de Loubet a Lisboa, onde pretendeu recrutar cem mil homens e os canhões do exército de D. Carlos, certamente destinados a uma futura frente contra a Alemanha imperial. Quem se dê ao prazer de ler as muito inflamadas publicações francesas das derradeiras décadas do século XIX, facilmente se aperceberá daquilo a que vulgarmente se designa de chauvinisme e do que isto significaria para o despoletar dos nacionalismos mais virulentos das décadas de vinte e trinta do século XX. Se o total desmembramento do Reich não se consumou em 1919, tal se deveu à intervenção britânica, temerosa dos ímpetos expansionistas de uma Paris que já via implantada a tricolor na margem ocidental de todo o Reno e o regresso da antiga Alemanha dos pequenos Estados, alguns deles fatalmente clientes dos apetites do Quai d'Orsay. Por outras palavras, Clemenceau pretendia nada mais nada menos senão a liquidação da Alemanha e a entrega de parte substancial do seu território a Estados vizinhos. Isto, apesar da inegável francofilia de uma boa parte da inteligentsia alemã, aliás mais tarde recompensada pela colaboração - hoje minimizada pelas circunstâncias do desenlace de 1945 - de um vasto sector da sociedade francesa, conformando-se às regras decorrentes da presença das forças de ocupação do Reich.

 

Outro aspecto nada desdenhável, consiste na verificação da pesada dívida francesa para com o império de Nicolau II que no Marne (1914) e em Verdun (1916), permitiu a sobrevivência de uma França previsivelmente já batida pelos exércitos de Guilherme II. Neste sentido, às ofensivas de Rennenkampf e de Brussilov, deve Paris a não repetição dos acontecimentos de 1871. A França venceu mercê da decisiva intervenção das odiadas potências marítimas - o Reino Unido e os EUA - e do fatal sacrifício do império de Nicolau II. Essa é a verdade que por mais que a alguns afrancesados custe encarar, nem por isso deixa de ser evidente, incontornável. Quase um século decorrido e eis que temos uma França em catastrófica convulsão interna - não valerá a pena negar-se aquilo que salta à vista dos mais distraídos -  indissoluvelmente rendida e amarrada à boa vontade alemã, ambas desejosas de um forçado condomínio sobre a totalidade de uma Europa em imprevisível processo de evolução. Podemos mesmo arriscar dizer que a sempre orgulhosamente proclamada "França da República" está ameaçada nos seus fundamentos, tendo falhado todas as tentativas de integração de comunidades que pelo seu passado histórico e repulsa do modelo de sociedade imposto pela avassaladora religião laica, procura substituir algo que o livre pensamento deixou num irreparável vácuo. A não reverter-se uma situação que parece sem remédio, "il's" vaincront parce qu'ils sont les plus forts. Por outras palavras, a França é refém de si própria.

 

Nestes nossos conturbados dias de desespero e misérias à vista, a Inglaterra surge uma vez mais, como aquela esperança que os nossos avós em segredo acalentavam ao escutarem as emissões da BBC de 1940. Até agora perfeitamente consciente da sua identidade, forte nas suas instituições tradicionais, orgulhosamente ciente da sua moeda e daquele preciosíssimo bem que é a Commonwealth - ligação privilegiada aos EUA incluída a Inglaterra, ou  melhor, o Reino Unido da Inglaterra, Escócia e Irlanda do Norte, é para Portugal um exemplo que os nossos políticos deveriam ter em conta. Os britânicos lobrigam a partir do casarão de Westminster todo um mundo de possibilidades e no seu património histórico e linguístico, a essencial âncora que lhes permite a autonomia e a consolidação do inegável melting pot - ressalvando-se algumas ruidosas excepções - em que o Reino se tornou. Em suma, os britânicos sabem que dadas as evidências demonstradas pelos mapas etnográficos, a Europa jamais será uma reedição dos Estados Unidos da América. Jamais. 

 

A soberania de séculos não se troca pelo duvidoso benefício de umas tantas toneladas de batatas vindas de Espanha, de sucatas a prazo saídas da indústria automobilística germânica ou de uns pares de malas e maletas de griffe Made in France. Se Eduardo Lourenço não entende isto, tanto pior para ele e sobretudo, para a Europa. 

 

 

Seguindo-se à visita seis meses antes feita por Guilherme II, o presidente Loubet com D. Carlos, D. Amélia e D. Luís Filipe (Sintra, Outubro de 1905)

publicado às 14:08

Como é difícil ser liberal em Portugal

por Samuel de Paiva Pires, em 27.11.12

O novo blog do ex-Insurgente Carlos Guimarães Pinto, A Montanha de Sísifo, entra desde já para a coluna da direita, ficando também em destaque. Recomenda-se ainda a leitura integral deste post, de que aqui deixo um excerto:

 

«Daqui a um ano, talvez dois, o governo irá cair e virá o PS (com ou sem bloco de esquerda) substitui-lo. Nessa altura, o que dirão políticos e comentadores que um dia se assumiram liberais? Que moral terão para defender a diminuição do peso do estado depois de não o terem feito quando mais era necessário e existiam as melhores condições políticas para o fazerem? Com que cara irá alguém como Carlos Abreu Amorim queixar-se do quão difícil é ser liberal em Portugal, se quando teve a oportunidade de lutar, decidiu ceder às forças mais conservadoras e estatistas do país? Como é que um apoiante do CDS conseguirá dizer sem se rir que apoia o partido dos contribuintes depois de aprovarem este OE? Se estas contradições eram fáceis no passado com um povo de memória curta e uma imprensa centralizada e domesticada, dificilmente se-lo-à no tempo das redes sociais. Não faltará quem lembre o que fizeram neste dia e as consequências para o país e para a liberdade individual que certamente advirão desta escolha.

 

Hoje será aprovado o orçamento com o maior aumento de carga fiscal de sempre em Portugal, apoiado por muitos antigos defensores do liberalismo. A credibilidade da jovem corrente liberal levará hoje uma das suas maiores machadas de sempre. E amanhã? Amanhã, começa tudo outra vez.»

publicado às 14:02

A ausência dos intelectuais da civilização do espectáculo

por Samuel de Paiva Pires, em 27.11.12

 

Mario Vargas Llosa, A Civilização do Espectáculo:

 

«Porque um facto singular da sociedade contemporânea é o eclipse de uma personagem que há séculos e até há relativamente poucos anos desempenhava um papel importante na vida das nações: o intelectual. Diz-se que a denominação de «intelectual» só nasceu no século XIX, durante o caso Dreyfus, em França, e as polémicas lançadas por Émile Zola com o seu célebre «Eu Acuso!», escrito em defesa daquele oficial judeu falsamente acusado de traição à pátria por uma conjura de altos comandos anti-semitas do exército francês. Mas, ainda que o termo «intelectual» só se popularizasse a partir de então, a verdade é que a participação de homens de pensamento e criação na vida pública, nos debates políticos, religiosos e de ideias, remonta aos próprios alvores do Ocidente. Esteve presente na Grécia de Platão e na Roma de Cícero, no Renascimento de Montaigne e Maquiavel, no iluminismo de Voltaire e Diderot, no romantismo de Lamartine e Victor Hugo e em todos os períodos históricos que conduziram à modernidade. Paralelamente ao seu trabalho de investigação, académico ou criativo, um bom número de escritores e pensadores destacados influiu com os seus escritos, pronunciamentos e tomadas de posição no acontecer político e social, como acontecia quando eu era novo, em Inglaterra com Bertrand Russell, em França com Sartre e Camus, em Itália com Moravia e Vittorini, na Alemanha com Günter Grass e Enzensberger, e o mesmo em quase todas as democracias europeias. Basta pensar, em Espanha, nas intervenções na vida pública de José Ortega y Gasset e de Miguel de Unamuno. Nos nossos dias, o intelectual esfumou-se dos debates públicos, pelo menos dos que interessam. É verdade que alguns ainda assinam manifestos, enviam cartas aos jornais e se envolvem em polémicas, mas nada disso tem repercussão séria no andamento da sociedade, cujos assuntos económicos, institucionais e até culturais se decidem pelo poder político e administrativo e pelos chamados poderes fácticos, entre os quais os intelectuais brilham pela sua ausência. Conscientes da desairosa situação a que foram reduzidos pela sociedade em que vivem, a maioria optou pela discrição ou pela abstenção no debate público. Confinados à sua disciplina ou afazeres particulares, viram as costas ao que há meio século se chamava «o compromisso» cívico ou moral do escritor e do pensador com a sociedade. Há excepções, mas, entre elas, as que costumam contar – porque chegam aos media – são as que se encaminham mais para a auto-promoção e para o exibicionismo do que para a defesa do um princípio ou valor. Porque, na civilização do espectáculo, o intelectual só interessa se seguir o jogo da moda e se se tornar um bobo da corte.

 

O que é que conduziu ao apoucamento e volatilização do intelectual no nosso tempo? Uma razão que deve considerar-se é o descrédito em que várias gerações de intelectuais caíram pelas suas simpatias com os totalitarismos nazi, soviético e maoista, e pelo seu silêncio e cegueira perante horrores como o Holocausto, o Gulag soviético e as carnificinas da Revolução Cultural da China. Com efeito, é desconcertante e esmagador que, em tantos casos, aqueles que pareciam ser as mentes privilegiadas do seu tempo fizessem causa comum com regimes responsáveis por genocídios, atropelos horrendos contra os direitos humanos e a abolição de todas as liberdades. Porém, na realidade, a verdadeira razão para a perda total do interesse da sociedade no seu conjunto pelos intelectuais é consequência directa da ínfima vigência que o pensamento tem na civilização do espectáculo.

 

Porque outra característica é o empobrecimento das ideias como força motora da vida cultural. Vivemos hoje a primazia das imagens sobre as ideias. Por isso os meios audiovisuais, o cinema, a televisão e agora a internet foram deixando os livros para trás, os quais, se as previsões pessimistas de um George Steiner se confirmarem, passarão dentro de pouco tempo para as catacumbas. (Os amantes da anacrónica cultura livresca, como eu, não devem lamentar isso, pois, se assim acontecer, talvez essa marginalização tenha um efeito depurador e aniquile a literatura do best-seller, justamente chamada lixo não só pela superficialidade das suas histórias e pela indigência da sua forma, como também pelo seu carácter efémero, de literatura de actualidade, feita para ser consumida e desaparecer, como os sabonetes e as gasosas.) 

 

Leitura complementar: O mito do individualismo extremo do nosso tempoA insustentável leveza da literatura do nosso tempoA banalização da políticaDa arte modernaDo erro da equivalência entre culturas à difusão da inculturaDa proliferação de Igrejas à substituição da religião pela alta cultura e aos escapismos contemporâneos; Da libertação sexual ao erotismo como obra de arte.

publicado às 12:48

Dois submarinos valem isto...

por Pedro Quartin Graça, em 27.11.12

Descobrimos o ponto comum entre os 2 submarinos da Marinha Portuguesa e as contrapartidas que seriam dadas a Portugal pela sua adjudicação: a água. Na verdade este é o hotel cuja reconstrução os 2 submarinos pagarão: o Alfamar Beach Resort, na praia da Falésia, Albufeira. Segundo adianta o “Correio da Manhã” com esta solução, o Ministério da Economia conseguiu obter uma contrapartida total de cerca de 600 milhões de euros, dos quais 150 milhões serão investidos na unidade hoteleira de luxo e os restantes 450 milhões resultarão dos negócios gerados pelo avanço desse projecto. Recorde-se que o total de contrapartidas ascendia a 1,2 mil milhões de euros. O novo contrato de contrapartidas dos submarinos prevê que a Ferrostaal execute dois novos projectos que irão gerar negócios para a economia portuguesa no valor total de quase 800 milhões de euros: aos cerca de 600 milhões de euros gerados pela construção do hotel no Algarve irão acrescer 200 milhões de euros resultantes da compra, por parte da Ferrostaal, da Koch Portugal, dedicada às energias renováveis. Fraquíssimas contrapartidas estas, é o mínimo que se pode dizer.

publicado às 07:37

Gaspar, Gaspar, quem te avisa teu amigo é...

por Pedro Quartin Graça, em 27.11.12

É um recado muito claro dirigido ao amigo Vítor Gaspar, em jeito de aviso ao ministro português, aquele que ontem foi dado pelo economista belga Paul de Grauwe, conselheiro de Durão Barroso, em Lisboa, governante luso de quem o belga se disse amigo.

De Grauwe, de olho na situação portuguesa aconselhou o amigo a ter calma com a austeridade, para não empurrar o país para uma recessão maior.

Paul De Grauwe é conhecido como um dos maiores especialistas sobre o funcionamento da Zona Euro. É professor e conselheiro da Comissão Europeia. Sinal evidente de que até Barroso já há muito entendeu o perigo de ter um taliban como Gaspar à frente do Ministério das Finanças em Portugal.

publicado às 07:16

« Na Hora Incerta É Portugal Que Vos Fala »

por Cristina Ribeiro, em 26.11.12
Portugal assim dizia,
Quasi sempre em dôr tamanha!
Assim prégou aos seus filhos
Novo Sermão da Montanha.

Honra os teus Mortos. E' deles
Que tu vens. Deves-lhe culto
Que são os vivos? - A Sombra
Dos Mortos que fazem vulto.

- Povo! Povo! eu chamo... Escuta.
Repara em mim: vê e pasma!
Sombra e chagas do que fui...
Fiseram de mim um fantasma.

Onde irei? A ser escravo?
Velho e rôto vagabundo
Aos encontrões, ás esmolas, 
Aos enxovalhos do mundo...

Povo! em ti, confio e espero
Como foi no tempo antigo.
Has de salvar-me...Ou ao menos
Saberás chorar comigo.

Antonio Corrêa d'Oliveira

publicado às 22:28

Hilariante

por Samuel de Paiva Pires, em 26.11.12

Caro Rui, já agora acrescente-se esta à lista. Sabemos que o mundo está perdido quando os candidatos a James Bond se comportam desta forma (via Maradona):

 

A former spy is suing the Metropolitan police for failing to "protect" him from falling in love with one of the environmental activists whose movement he infiltrated.

(...)

"I worked undercover for eight years," he told the Mail on Sunday. "My superiors knew who I was sleeping with but chose to turn a blind eye because I was getting such valuable information They did nothing to prevent me falling in love."

publicado às 22:07

Com que reverência começo a ler estas Reais cartas!

por Cristina Ribeiro, em 26.11.12

Neste livro, que o Conselheiro d'El-Rei D. Carlos " offerece ", como " seu antigo Deputado ", " A Cidade e Povo de Guimarães ", mais concretamente, nas cartas que o monarca escreveu ao seu Ministro do Reino, desde que, a 16 de Maio de 1906, o investe no cargo de Presidente do Conselho, confirmo o que já percepcionara noutros escritos: que, como refere António Sardinha, " D. Carlos foi o primeiro dos integralistas ".

Da sua firme vontade, e decisão, de reformar Portugal, dá, desde logo, conta a João Franco nessa primeira carta- « Ha muito a fazer e temos, para bem do Paiz, que seguir por caminho differente d'aquelle trilhado até hoje » -.

 

Com efeito, diz o de Alcaide " A nossa chamada ao poder obedeceu já a um pensamento superior de governo, a que Elle de motu proprio se dedicara. El-Rei decidira romper com a orientação politica e as praticas administrativas de« até hoje ». Forte e incisivo era o dizer; ao mesmo tempo animador e suggestivo. ( ... ). Encontrei em D. Carlos uma segura e reflectida resolução de tudo fazer para não se voltar mais ao « antigo » e a este proposito de reforma governativa se conservou firmemente e inabalavelmente fiel. ( ... )

 

A Ramalho Ortigão repugnou a onda de insensibilidade e de covardia moral que, depois do 1º de Fevereiro, parecia ter varrido este paiz, e apareceram as admiraveis e justiceiras paginas d«O Rei Martyrizado », que no infortunio e no exilio me foram consolação e desvanecimento ".

publicado às 21:26

"Yankees go home ´cause the yellows are coming!"

por Pedro Quartin Graça, em 26.11.12

De repente as cores podem mudar. E a Base das Lajes pode tornar-se amarela. Isto depois de uma visita estival feita aos Açores, a 27 de Junho deste ano, pelo primeiro-ministro chinês Wen Jiabao, o qual aterrou na ilha Terceira e por lá andou durante quatro horas. De acordo com o jornal "Público", o dirigente chinês "tomou um café numa esplanada de Angra do Heroísmo, visitou o centro histórico e foi ao Monte Brasil para apreciar a vista sobre a cidade."

Mas este aparente passeio turístico de turístico teve pouco na realidade. De acordo com Gordon G. Chang, autor do livro The Coming Collapse of China, em artigo de opinião publicado na National Review Online, este autor alerta para a possibilidade de a razão para ter existido uma "paragem técnica" da comitiva de 100 chineses nos Açores ter sido na realidade outra, e bem menos inocente. A China estará interessada em ocupar a Base das Lajes caso os norte-americanos de lá saiam. "A Base das Lajes foi certamente a razão para que Wen fizesse um desvio de percurso para ganhar amigos na Terceira", assegurava, antes de referir que "nos últimos anos, Pequim definira Portugal como a sua porta de entrada na Europa".

Essa leitura ganha outra relevância depois do ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas, ter afirmado que "Portugal assumirá em breve a sua posição nacional sobre" a anunciada redução da presença militar dos Estados Unidos na Base das Lajes, nos Açores.’ Há quem não acredite nessa hipótese. Na realidade a coisa é, no mínimo, estranha. Mas também quem acreditava que a China fosse a principal investidora na EDP meses atrás? O que se vai seguir? Irão os americanos deitar "para o lixo" esta "sua base" de eleição de décadas? Aceitam-se apostas.

publicado às 18:32







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